Greco-Romana

4 Indo para a arena de combate


Depois da noite da fogueira fomos dormir. Eu logo que deitei adormeci. Meu sonho foi bem estranho. Sabe o garoto gordo que estava na mesa com a gente? Sim. Foi com ele. Eu ele estávamos na Arena de combate do acampamento lutando um contra o outro.

De manhã acordei com o sol batendo em meu rosto. Decidi que ia tomar banho. Realmente, ficar descalça o dia todo não te favorece, ainda mais se você vai para uma fogueira e depois vai para sua cama sem esfregar seu pé. Quero deixar bem claro, não tenho nada contra banhos.

Não tinha ninguém usando o banheiro quando me levantei. Por sorte. Acho que eu dormi mais do que o previsto. Quando eu sai do banheiro vi que tinha um chinelo verde na frente de uma cama. Eu o peguei. Caso o dono o queira, ele que venha falar comigo.

Sai do chalé e fui direto procurar alguém para saber o que eu faria.

-Ei!-Chamei uma menina que estava passando por mim-Para onde eu vou?

-Depende. O que você quer fazer?

-Acho que comer. Quero achar Jay. -A garota me olhou com os olhos cinzentos e cabelo longo na cor loira.

-Jay deve estar no chalé sete. Logo ali. -Ela aponto para o Chalé 7-E tomar café é ali no refeitório. Eles já estão servindo.

-Ok. Obrigada.

-De nada, Romana. -Ela foi simpática.

Fui andando até o chalé sete. Jay saiu na porta se espreguiçando.

-Eu estava indo te chamar. -Ele me disse bocejando.

-O que foi? Pesadelos de beleza?

-Engraçadona! Vamos tomar café.

-Eu ia te falar sobre isso. Eu estou com fome. Muita fome.

-É. Temos muitos heróis famintos.

-Jay, o que vamos fazer hoje?

-Treinar. Você vem comigo porque vamos ter aula de esgrima.

-Assim? Com o meu pulso enfaixado? Ou sem ninguém nos mandar fazer a atividade?

-Não, todos nós vamos ter aula disso agora. E o seu pulso está ótimo.

-Jay?

-Que?

-Para de olhar para mim. Seus olhos azuis estão refletindo no seu pai e o brilho ta vindo no meu rosto.

-Meu pai. Sol. -Jay riu. Olhei para ele com cara de quem não havia entendido. -Foi engraçado.

-Foi estranho. -Chegamos na frente do refeitório, segurei o pulso dele. -Espera! Quero te falar algo.

-O que foi?

-Obrigada.

-Pelo que?

-Por não ter me matado. Ou ter tido vontade.

-Eu tive. Sabe quando se recusou a se tratar do seus ferimentos? Então, essa hora. Eu sou um médico. Quer dizer, filho de um. Tecnicamente. Não se recusa ajuda de um médico bonitão.

-Jay-eu ri-Me poupe. A questão é que, você me ajudou. Não sei se outro campista faria isso. E parece que a gente já somos amigos de longa data.

-É-Jay sorriu- Parece. Sabe Romana, eu não sei o que eu vi em você, mas você parece ser uma boa pessoa.

-Não faça julgamentos antes de saber. Não posso ser tão boa.

Jay riu.

-Ei! Para.

-Desculpe, foi engraçado. Mas quando a senhora perigo estiver com tempo me explica o motivo de não ser boa.

Eu fingi não ouvir. Fomos em direção a entrada do refeitório. Nos separamos e fomos para nossa mesa. O garoto gordo estava lá. Vocês vão me achar medíocre por ficar chamando ele de gordo, mas eu ainda não sei o nome dele. Aquela imagem nossa, na Arena de batalha me vinha sempre que olhava para ele. Em uma dessas olhadas ele olhou para mim. Seus incríveis olhos mel se chocaram com os meus castanhos escuros.

Depois fomos em direção a aula de esgrima. Nosso instrutor devia ter mais ou menos uns vinte anos. Era magro cabelo preto. Acredite ou não, seu cabelo era tijelinha. Pelo que Jay me falou ele era filho de um deus menor. Eu estava com medo de tentar algo com espada, eu era péssima com ela.

-Atenção! Agora, vocês vão treinar os golpes que eu passei em duplas. Se dividam!-Disse nosso instrutor, que atende pelo nome de Simon.

Jay estava próximo a mim, mas cinco meio-sangues se fecharam em minha volta. Não era porque eu era desafiadora com a espada, isso era óbvio que não era. Eu estava com um pouco de dificuldade de segura-la. A razão era que se alguém me machucasse a única desculpa seria por ser treino, e nada aconteceria.

-Romana é minha, sinto muito. -Disse Jay.

-Não. Vou enfrentar um deles. -Falei

Um garoto um pouco mais alto que eu sorriu.

-Ótimo. Me escolha. -O menino disse.

-Qual é a sua qualificação em ser espadachim?-perguntei.

-Quase perfeita!-Ele riu.

-Você, Tyler? Ha! Não me faça rir! — Disse Jay.

-Ou! Eu quero assustar a novata. -Tyler disse. Seu cabelo ruivo estava em um topete e seus músculos estavam bem marcados na sua camisa agarrada do acampamento.

-Romana, esse é Tyler. Meu meio irmão. Ele bota medo, mas é um frango!-Disse Jay.

Eu ri. Tyler resmungou algo para Jay. Mas aceitei lutar com ele. Ele era bom com a espada. Mas a história de ser quase perfeita era totalmente mentira. Nosso instrutor nos deu mais algumas dicas e pediu para que trocássemos de parceiros.

-Romana?-O instrutor perguntou.

-Sim?

-Você vai se juntar com Tresh. -Ele apontou com a espada para o garoto gordo.

Eu arregalei meus olhos. Me lembrei do meu sonho. Talvez seja isso que eu tinha visto no sonho. Estava prestes a descobrir.

Eu fiquei analisando ele por alguns minutos. Observei seus olhos. Seus cabelos castanhos escuros, e sua estatura. Ele era pouca coisa mais alto que eu. Ele trocou olhares comigo. Ficamos parados até que eu tivesse notado que os outros estavam lutando.

-Quer treinar mesmo com o braço assim?- Trash me perguntou.

-Jay disse que está bom. Não senti dor e o curativo é só para distrair.

-Certo. Pode começar dando o primeiro golpe.

Eu fiquei pensando. Fiquei com medo dele ser lento o suficiente. Mas fiz o que ele me pediu. Não usei os golpes que Simon mostrou, apenas levantei a espada para acertar alguma parte de Tresh. Ele bloqueou com a espada dele.

-É assim que você quer começar? Já se vemos que em espada você não é boa. -Ele virou a espada junto com a minha e segurou meu braço na qual eu segurava minha. Ele colocou a espada dele na minha garganta.

Ele deve ter visto que eu fiquei impressionada pois eu estava com a boca aberta. Ele riu. Seus dentes eram brancos. Logo me soltou.

-Segunda chance. Outro ataque. -Tresh me disse.

Segurei firme a espada em minha mão. Decidi usar um golpe que Simon passou. O golpe vinha de baixo para cima. Tresh desviou em um giro e encaixou perfeitamente a espada dele em baixo do meu braço.

-Romana, acho que você pode fazer melhor.

-Eu não luto com espadas.

-Crie o hábito. Desvia desse. -Ele passou a girou a lâmina. Fui tentar fazer igual a ele, bloquear com a espada. Mas não tive força. A espada caiu da minha mão e Tresh cortou meu braço esquerdo na altura do ombro.

-Ai! Ah...como...como...-Eu não sabia o que falar.-Tresh largou a sua espada e veio em cima de mim.

-A meu Zeus! Me desculpe! Eu não quis te ferir. Romana, ta doendo muito?

-Cara, você acertou uma lâmina potente em mim. Acha que ta doendo o que? Pouco? Que isso, to sentindo cócegas. Ha, ha, ha!-Eu segurava meu braço que jorrava sangue.

-Me desculpe. É porque sou bom com espada e não consigo agir devagar. -Ele tirou minha mão de cima do corte para olhar a gravidade. -Não é tão fundo, mas precisa de cuidados. Simom! -Tresh gritou-Temos uma ferida. A Arena inteira olho para mim. Me sentia uma pateta.

-A obrigada, agora todos acham que eu sou molenga.

-Não reclama. -Ele pois a mão no meu braço e logo a mão dele estava cheia de sangue.

-Não encosta em mim! Tirei sua mão do meu braço sujando ele com sangue.

-Ou! Eu quero te ajudar.

-Não que! Tira a mão de mim!

Simon chegou e viu que eu estava sangrando. Jay estava ao lado dele.

-Vamos até a enfermaria.-Jay disse.

-Vamos. -Respondi.

-Vou junto.-Tresh disse.

-Não! Não ouse chegar perto de mim!-Eu falei. Mas acho que estava gritando, pois vi que o pessoal ainda estava me olhando.

-Mas foi sem querer. Achei que fosse desviar.

-Não! Eu não desviei. Tentei ser boa com essa droga de espada e me dei mal. Jay vai me deixar bem. Fica ai!- Eu estava irritada. Tresh notou.

-Olha, fica calma. Eu juro que não quis te atingir!

-Não? Eu aposto que ninguém aqui quer, não é?-Eu estiquei minha cabeça e disse em alto e bom som.-Tresh, isso vai ter volta. Não deixa eu te pegar desprevenido. Não! Fique armado, se eu aparecer com uma minha Adaga eu vou fazer mais do que um simples corte com você. Vamos ter um duelo justo.

-Romana. -Jay pegou na minha cintura me conduzindo para fora. -Fica calma.

-Calma? Eu estou irritada, não agitada! Eu vou dar uns tapa nesse garoto!

Eu comecei a gritar. Jay me tirou de lá antes que eu insultasse alguém ali, ai sim eu ia apanhar. E eu e Tresh na Arena de combate, não foi isso que eu vi no meu sonho. Na enfermaria:

-Como aconteceu?-Jay se referia ao corte. Expliquei que quis bloquear o ataque de Tresh com a espada, mas não tive força.

-O pior foi que agora o acampamento acha que eu sou fraca. Eu vou pegar aquele gordo!

-Não vai. Sabe porque? Vai ter alguém escoltando ele.

-Ótimo!-Exclamei. -Machuco que estiver junto também.

Jay não deu ponto no meu braço. Ele disse o grau do corte não foi profundo, porém perdi um pouco de sangue. Ele me mandou comer algo reforçado e enfaixou meu braço.

Quando eu sai da enfermaria a primeira coisa que fui fazer foi pegar minha Adaga de baixo da cama e esconder na de baixo da minha blusa. Feito isso sai sem rumo para andar no acampamento.

Passei por algumas garotas que estavam rindo da minha cara. Eu ainda estava irritada, então fiz algo na qual a assustassem. Acertei uma pedra na cabeça de uma delas. Sabia que ela não ia morrer nem nada. Mas foi melhor uma pedra do que minha Adaga. A menina só desmaiou.

-Leva para o Jay. Diz para ele porque ela foi acertada com uma pedra na cabeça. -Sai andando. Minha cabeça ainda estava quente. Cheguei em um ponto que acabei encontrando Tresh e ele estava sozinho. Armado.

-To aqui. Ótima. Agora vem. Espada e Adaga.

-Romana, eu não vou lutar com vo...Ai!-Eu desferi minha Adaga no seu braço. Mas eu provoquei só um leve corte, foi para assustar.

-Vai! Pega sua espada e luta comigo!

-Romana, eu vou acabar te machucando.-Tresh me respondeu.

-Então machuca. Eu vim aqui para isso.-Eu segurei com força a Adaga.

Tresh percebeu que eu não estava brincando então ele pegou sua espada.

-Saiba que o que houver aqui, foi em legítima defesa. -Ele me disse já suando.

-Sim! Eu concordo. Legítima defesa.-Me aproximei.

Ele virou a espada em direção ao meu rosto. Eu abaixei segurei o braço que ele manuseava a espada e disse:

-Cheque mate!-Minha Adaga perfurou sua blusa, rasguei ela toda de lado.

Tresh estava em choque. Seu tivesse levado aquele golpe a sério ele estaria morto, dependendo da onde eu pegasse, e eu sei onde pagar para matar. Ou ele estaria gravemente ferido.

-Você é louca!-Sua respiração não estava cansada.

-Sou! Eu deixei você vivo.-Virei as costas e sai andando.

Senti sua mão pegar meu ombro. Achei que ele fosse me atacar com a espada pois eu estava com minha Adaga levantada quando me virei para acerta-lo. Ele segurou meu braço.

-Larga a Adaga. Vamos lutar corpo a corpo, ok?-Ele me olhou me no fundo dos meus olhos. Eu o olhei e aquilo me acalmou.- Larga, tudo bem?-Tresh diminui a voz, estava suave. Soltei minha Adaga.

-Eu conto até três. Quando disse 'já', vamos ao ataque.

-Certo-Ele se afastou.

-1...2...3...Já!