Great Power, Great Responsibility.
2 Capítulo 2 - Newcomer.
Notas iniciais
– Doutora Fabray? – Chamou o homem a loira de costas para ele, escrevendo alguns cálculos em um papel. – Hm, doutora? – Tentou novamente, com um limpar de garganta. –
Vendo que a garota parecia fixa em seu mundinho naquela sala, ele aproximou-se da figura loira, colocando a mão em seu ombro, e consequentemente, sobressaltando-a.
– Ahn ... A-ah, sim? – Ela sorriu sem graça, retirando os fones de ouvido. –
O homem bufou; Como alguém como ela tinha um QI tão alto quanto os gênios da atualidade , ou ao menos foi contratada para trabalhar na Oscorp? Afastando tais pensamentos antes que acabasse dizendo algo indevido para a mulher que encarava-o fixamente com seus olhos verdes, ele tossiu forçadamente e retirou alguns papéis de um envelope que carregava abaixo do braço direito, e a loira franziu o cenho.
– Como anda o avanço da pesquisa? – Indagou, dando uma breve olhada para os cálculos em cima da mesa. –
– I-isso ... Bem, é com o doutor Connors. A pesquisa vai ajudar a termos certeza que é possível o cruzamento genetico para a recuperação de células e até membros! Mas ... Não sabemos se é possível em humanos. Porém testamos no Fred, e funcionou! – Ela sorriu para o homem, que franziu o cenho e pareceu um tanto interessado no assunto. –
– Fred é o –
– Rato. Fred é o rato. – A loira apontou para uma pequena gaiola na mesa, onde podia-se ver um ratinho branco dormindo calmamente. – Ele tinha três patas, mas com o soro conseguiu regenerar a quarta, como um lagarto. –
– Bom, e onde está o doutor Connors? – Indagou o homem, ajustando a gravata do terno. –
– Aqui. Qual é o problema? – Uma voz chamou a atenção dos dois. O doutor Curtis “Curt” Connors estava ao lado da porta de vidro, o jaleco dobrado demonstrando o braço esquerdo, ou a falta dele. –
O homem de terno meneou a cabeça até o lado de fora do laboratório, e o cientista assentiu, ambos retiraram-se da sala. Minutos depois, apenas Curt voltou, parecendo tenso e por que não nervoso?
– Tire a semana de folga, Quinn. – Ele pediu, analisando os papéis e juntando-os em montes. –
– Mas doutor-
– Tire a semana de folga! – Seu tom saiu um tanto irritado, e a loira engoliu em seco e assentiu. –
– Tudo bem ... Até ... – Sem esperar uma resposta ela retirou-se da sala, um tanto assustada. –
O que havia acontecido?
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– “Heroína mascarada defende o bairro de Hell’s Kitchen”? Droga, eu protejo a cidade inteira por quase dez anos e nunca tive uma página inteira só minha. – A loira reclamou, lendo o jornal no terraço de um prédio, o celular marcou duas e sete da manhã. – E além de tudo, quem é essa? Não parece minha roupa ... – Aproximou-se da foto no papel, que estava um pouco ruim por conta do horário em que deveria ter sido tirada. –
Ela deu de ombros e jogou o papel de cima do prédio; Desde que a ‘novata’ não atrapalhasse seu trabalho, tudo bem. Talvez fosse atrás dela depois.
Longe dali, três garotos que deveriam ter seus dezesseis anos pixavam um outdoor com os dizeres ‘Quem é responsável’ ao lado de um desenho da máscara da Spider-Girl.
– Hey caras, olhem ali. – Um deles apontou para um policial que estava subindo as escadas. –
– Oficial Grimm? – Outro indagou, e o policial gritou com a voz falha por conta do exercício feito para escalar as escadas. –
– C-correto, vadios. Não tem pra onde correr desta vez. –
– Ele tá subindo aqui mesmo? Ele acha que isso aqui é ‘Duro de Matar’? – Perguntou o segundo deles para o outro, que assentiu com as sobrancelhas arqueadas. –
– Hm ... Esqueçam o Grimm, caras. – O terceiro pediu em um sussurro, antes de uma figura negra voar em sua direção, apertando sua garganta e segurando-o na borda outdoor. –
Era uma figura nariguda com olhos vermelhos, sua pele chegava a lembrar um pássaro sem asas. Ele usava uma roupa negra suja, com grandes penas escuras presas em ambos os braços e tinha um hálito muito, muito, ruim. Algo como peixe, sardinhas.
– Spider-Girl ... Vocês fazem parte do grupinho dela? – Sua voz rouca e baixa fez a espinha dos garotos gelar, e ele sacudiu e apertou a mão no pescoço do garoto loiro, quase derrubando-o de vinte e sete metros de altura no processo. – Vocês fazem!? – Ele gritou, e logo o policial que havia subido sacou a arma em sua direção. –
– S-solte-o! Agora, isso é uma ordem! – O oficial gritou, a voz saindo pateticamente falha. –
– Oh, uma ordem? Vá se foder! ... Isso é uma ordem. – Respondeu ele em tom de deboche, e logo uma fumaça verde lançou-se no policial, que foi jogado para trás com uma força incrível. –
Quando ele estava perto do chão, tudo começou a subir, e ele grudou em uma parede. A Spider-Girl parou do lado do homem preso em um casulo de teia e ele arregalou os olhos, debatendo-se em uma tentativa falha de se soltar.
– Hey, hey, hey, calma cara. Eu cuido daquilo lá, relaxa. –
– Nós temos ordens para te prender! – O oficial rebateu, ainda debatendo-se por dentro do casulo. –
– Por dez anos eu fiz tipo, uns 80% do seu trabalho de graça, então não reclama. E você estaria morto agora se não fosse eu, mais um ponto pra mim, então fica aqui e tenta não se soltar, a queda não vai te matar mas vai doer pacas. Talvez quebre algo. –
Ela fez um joinha para o oficial e subiu a parede, logo parando no terraço do prédio um tanto menor do que estava a alguns minutos.
– Passarinho! – A loira chamou, olhando em volta. Um pássaro gigante não poderia sumir do nada, certo? –
Um cheiro extremamente ruim tomou conta do local, e o pássaro surgiu entre os prédios, voando em sua direção em uma velocidade incomum.
– Eu te achei! Agora, eu acabo com a sua existência, criança! – Ele gritou, e a loira revirou os olhos por trás da máscara. –
– Já escutei isso tantas vezes que ficou chato. Sério, caras ruins parecem disco quebrado. Aliás, beija isso! – Teias foram lançadas nos olhos vermelhos, e a mulher pulou por cima do homem-pássaro, que em um grito desorientado bateu em um prédio vizinho ao que Quinn estava e caiu com um gemido, sumindo de vista. –
Ela coçou a cabeça e arqueou as sobrancelhas.
– Sério, foi só isso, corvo? –
– Eu não sou um corvo! O nome é Abutre, Abutre! – Ele voltou na mesma velocidade que foi, visivelmente irritado. –
– Abutre, corvo, frango, tudo ficaria bom em você, mas corvo é o que parece mais. Você poderia ter estrelado aquele filme ‘O Corvo’, sabe? Ficaria bem legal. –
Em um grito de raiva, ele jogou a mesma fumaça verde em cima da aracnídea, que foi lançada para trás como se um gorila tivesse socado-a bem no peito. Voltando ao terraço do prédio após se recompor, ela riu sem graça e tossiu um pouco.
– Isso ... Isso é novo. Sabe, quando eu era criança não existia esse negócio de vilões mutantes contra heróis mascarados. De onde veio isso? –
– Você começou. – Ele respondeu, parecendo ter recuperado um pouco de sua paciência. –
– E eu vou terminar. – Uma voz assustou os dois. Uma mulher um tanto mais baixa que Quinn, num uniforme vermelho que lembrava a forma de um demônio com duas letras ‘D’ gravadas no peito surgiu do nada, e a loira franziu o cenho. –
– Eu morri? Quem é você? –
– Não é da sua conta, agora saia do meu caminho. Se não leu os jornais, Hell’s Kitchen é minha área, Spider-Girl. –
– É muita gente em uniformes coloridos pulando de um prédio para o outro, credo. – Respondeu em um tom de brincadeira, mas a outra mulher com apenas a boca de fora ainda permanecia com um semblante sério. –
O Abutre, aproveitando a distração de suas inimigas e notando que não conseguiria com duas, apenas saiu voando. As duas mascaradas se entreolharam e logo Quinn jogou uma teia em direção ao homem-pássaro, ao mesmo tempo em que a outra jogou um bastão vermelho, onde a teia acabou se prendendo.
– Hey, não me atrapalhe! – A Spider-Girl ralhou. –
– Eu digo o mesmo, ele é minha presa! – A outra respondeu, irritada. –
Quinn apenas revirou os olhos e jogou outra teia em direção ao Abutre, que prendeu em sua perna a tempo dele sumir nos céus.
– Bem, agora é minha. Falou! – Ela acenou para a outra mulher, logo saindo do chão com a teia presa na perna do pássaro. –
Ele continou voando enquanto balançava a perna esquerda, tentando soltar-se da maldita teia presa em sua coxa. Quando viu que não daria em nada, em um golpe surpresa ele parou de voar reto e mergulhou na cidade, aos poucos aproximando-se da calçada.
– Nem ouse! – A loira gritou, e ele apenas riu presunçosamente. -
Poucos segundos antes de se quebrar na rua, voltou a voar em linha reta, fazendo com que Quinn se espatifasse no chão quando a teia rasgou. Se não fosse pela resistência e força sobre-humana, ela teria morrido.
– Eu te pego na próxima, garota-aranha! – Ele gritou de longe, voando até sumir. –
A loira permaneceu no meio do asfaldo por vários segundos, até que finalmente conseguiu levantar o braço esquerdo, fazendo uma dor desgraçada espalhar-se pelo seu corpo que pesava como se houvesse um elefante sobre suas costas. Com um gemido derrotado, ela levantou apenas o tronco, logo sentando-se no meio da rua.
– Heh ... Ele ficou com medo, certeza ... – Murmurrou sozinha, logo levantando-se vagarosamente. –
Passando a mão pelo abdômen, sentiu um rasgo ali.
– Que maravilha ... – Disse sarcasticamente, retirando a máscara, e quando foi jogar uma teia em um prédio próximo, percebeu que um lançador fora daníficado na queda e o outro estava vazio. – Quando pensa que as coisas não podem piorar ... –
Sem dinheiro, decidiu voltar a pé para casa ... Que estava longe. Bem longe.
Assim que entrou pela sacada do apartamento, uma vez que o porteiro riria da sua cara se aparecesse vestida de Spider-Girl, ela apenas caminhou lentamente até seu quarto, onde Rachel dormia abraçada a Charlie, as duas iluminadas pela televisão ainda ligada, mesmo sendo quase cinco da manhã. A loira apenas retirou as botas, desligou a televisão e caiu na cama, abraçando Rachel por trás, ainda com a mulher máscarada martelando sua mente; Seria ela uma inimiga ou uma amiga?
A judia gemeu, ainda sem acordar, e aos poucos, Quinn foi juntando-se as suas garotas.
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