Graça Mortal

1 Olhos Importantes


Notas iniciais
Espero que gostem

Chamas iluminam a noite sem nuvens de uma cidade distante, conversas e gritos de protesto ou comemoração quebram o silêncio que deveria haver ali, barulhos de chibatas e mais risadas dizem que ali está sendo feito justiça, ou algo do tipo.

Olhos de cores diferentes se enchem de lágrimas pela injustiça de sua nascença, e um choro de desespero urra da mulher açoitada, mas logo o sofrimento acaba, pois suas feridas se curam como magia, e mais urros de ira surgem da multidão, que começa a açoitar a mãe novamente.
Com seus olhos emaranhados ela fixa seu olhar para seus filhos, pensando em como se comunicar com eles, para dizer para eles irem embora, e as duas crianças, que parecem umas fitadas aos olhos de um bêbado, ouvem o clamor da mãe e saem do local de mãos dadas.
Dois garotos notam que sua mãe nunca voltará logo depois de verem uma grande fogueira com um cheiro de carne no ar.

Duas almas se separam uma para a vingança, outra para o afastamento.
Nunca, os olhos foram tão importantes na vida de alguém...

Um rosto pálido surge no espelho logo após o banho, com o vidro embaçado nada se vê perfeitamente, mas logo uma mão gélida e pálida e marcada limpa o vapor, e seus olhos azuis como o fundo dos oceanos, e o esquerdo verde, como a aurora boreal ficam destacados, e uma grande sacudida nos cabelos negros ajeitam de forma descolada, e rapidamente o homem coloca os cabelos para os lados, pois não gosta que fiquem totalmente na frente dos olhos, isso lhe das más recordações… A pele branca como a neve praticamente, mostra marcas profundas, principalmente nas costas, mas o homem já não reclama dessas dores.

Suas marcas são escondidas pelo seu uniforme: Uma camisa preta de mangas curtas, com uma gravata preta com branca que tem combinação com a camiseta branca de mangas longas, e uma calça jeans clara, e um coturno preto, tudo passado, lavado, escovado.
Seus cabelos negros e lisos não cobrem seu rosto, mas bem que poderiam, pois são de certa forma são longos, mas ficam divididos na cabeça do homem.
Com seu carro Opala preto modelo SS junto a músicas pesadas canta e balança sua cabeça e deixa seus cabelos dançando.
Sente vontade de ficar no carro, em seu mundo, com suas músicas, mas tem que descer e trabalhar, ajudar pessoas, e prender também.

“Are You Gonna Be My Girl?” toca alto no celular do jovem, que canta durante sua travessia para o trabalho.
Seus olhos diferentes olham agora para o futuro, distante de tudo.

De forma alegre, o pé do homem acaricia violentamente a porta do estabelecimento em que trabalha e abre a porta.

— Bom dia para todos aqui! — Grita o líder de todos ali, e da uma sacudida em seus cabelos negros lisos.

— Bom dia, Lucke! — Uma mulher de cabelos loiros e olhos azuis fortes, magra, e um tanto baixa, de óculos de grau.
— Como você está Amanda Parker?
— Ótima, e o senhor, chefe?
— Antes de “senhor” eu estava ótimo...
— Me perdoe...

— Amanda! Por que tão formal? Relaxa...

— Certo, Lucke, algo aqui em Leeville não está bem, recebemos noticias de uma série de suicídios, está tudo um caos.
— Deixe-me ler sobre isso, Parker.

Lucke pega o papel que estava ali perto, e lê a noticia:

“Nada se pode duvidar, só pode ser suicídio, homens e mulheres, e adolescente, se matam de forma sucessiva na pequena cidade de Leeville, as cenas são fortes para colocar fotos, mas, as formas são brutais, como pulsos cortados com asfixia, garganta cortada, entre outros casos, nada pode ser feito, é uma cadeia de fatos horríveis”.

—... Hum... — Os olhos heterocromáticos ficam frios, pensativos...

— Lucke, já disse que amo seus olhos? — Amanda tira a concentração do homem.
— Aparentemente já. — Diz Lucke rindo para a garota que o fita atentamente.
— Parece que tem tanta coisa que esses olhos já viram. — Disse Amanda Parker com voz sonhadora.
— Pois está correta menina.
— Mas, o que seriam essas coisas?
— Você não acreditaria se eu te contasse Amanda.
— Mas tente...
— Um dia descobrirá...
— Assim espero.

Tudo fica frio e parado ali, o céu perde vida, e fica cinza, e por fim, chora.

Pensamentos e mais pensamentos ocorrem, e a quanto mais se pensa, mais rápido gira a cadeira de Lucke em seu escritório de investigação. E mais uma xícara de café é bebida, deve ser a terceira.

— Não... Não pode, suicídio... Não!

— Hey Lucke, está bem cara? — Pergunta um garoto de aparência corpulenta, porém, gentil.

— Sim Jake, tudo bem, e claro.

Luke para de girar, com seus olhos vidrados no nada, sem piscar, nem omitir sanidade...·.

— Amanda... — Chama o homem no rádio.
— Sim, Lucke. — Uma voz doce e educada responde do outro lado da linha.
— Você... Quer mesmo me conhecer?
— Sim... Quero.
— Então vamos nos aventurar nesse caso de assassinatos...
— Mas senhor... São apenas suicídios, lembra? Nada pode ser feito.
— Primeiro, pare de me chamar de senhor, segundo, sei que não é suicídio, sinto que não é...

— Certo Lucke, o que quer fazer sobre isso?
— Vamos ao local do ultimo caso Amanda, agora!

Músicas animadas são ouvidas risadas também, e em uma cidade distante, todos se alegram com o circo que tinha ali tempos atrás, eles eram o motivo de vida dali, a única razão por todos rirem...

Todos riam com a mulher barbuda tentando bater no bobo da corte que se movia de forma ágil com seu punhal que cortava a roupa e estoura os balões de todos ali.
Riam com o engolidor de espadas que engoliu o baralho de cartas do mágico, que fez aparecer novamente saindo pela orelha do mesmo.
Se surpreenderam com a contorcionista dali que parecia que não tinha ossos.
Uma cidade com sol e felicidade e esperança... Tudo perfeito até que uma migração de religiosos aparece ali, dizendo que a marca demoníaca aparece em pessoas, e que deveriam ficar atentos, pois são demônios vestidos de gente... E por consequência... O circo fecha, pois agora, só tem chuva e tristeza, coitados dessa família de circo, todos então são demônios, e mais uma vez, os olhos dizem tudo novamente.

O local deserto recebe os dois oficiais que andam sempre em frente, Lucke com seu andar errado, como se estivesse bêbado, Amanda, com seu andar tímido, com medo do que pode ter ali.
Plástico para proteger o local é balançado pelo ar, e cortado pelo homem pálido.

Um corredor escuro faz os dois sentirem o medo da vítima antes de morrer.

— Lucke, essa seria a porta, certo? — Pergunta a jovem que para em frente a uma porta com um monte de sinalizações da polícia, indicando que ali havia um crime.
— Sim Amanda, consegue notar algo?
— Não, deveria?
— Sim, a vítima está ali, morta, com a camisa um pouco suada, então presumo que ela morreu, repare que a porta está trancada por dentro.
— Outro motivo para crer em suicídio... — Amanda tem seu momento interrompido pelos dedos de Lucke apontando para o lado dela.

— Isso seria o que?

Lucke se depara com um símbolo desenhado na parede, parece ser uma estrela, mas com duas pontas em cima, como um M.

— isso seria a marca da pessoa antes de se matar? Como aquelas cartas?
— Não Amanda... Isso é a prova de que não é suicídio.
— Mas a pessoa pode ter feito isso antes de morrer.
— isso é feito com sangue... Mas... Cadê o sangue? A vítima morreu de asfixia, não há sangue.
— Mas... C... Como não pensamos nisso?!
— Exatamente Amanda, ou eles são burros, ou eles fizeram isso… Para alguém específico ver.

— Alguém me de dados dessa pessoa! — Pede Lucke

A casa que aparentava vazia continha dois policiais que saiam da cozinha da grande casa.

— O nome da vítima é Victor, 21 anos, morava sozinho, somente isso sabemos.

— Tudo bem.

Com passos calmos e espaçosos, Luke chega à cozinha onde havia uma mulher em choque.

—Sra. James, meu chamo Lucke, sou um detetive e estou aqui para fazer algumas perguntas para você, está tudo bem com isso?

— Sim, senhor.

—Alguém odiava sua filha?

— Negativo.

— Ela saia noites e voltava no outro dia?

— Não, eu nunca deixava sair em festas quando mais nova.

— Já viu esse símbolo antes? — Lucke mostra a imagem da estrela com aparência de M.

— Nunca em minha vida.

— Algum amigo novo dela entrou aqui dias antes da morte?

— Senhor, Vick não tinha amigos, ela era quieta, ficava trancada, no escuro, mal deixava entrar no quarto dela, com marcas nos pulsos, isso sempre me preocupava, mas, agora já é tarde demais.

A mãe desamparada não segura às lágrimas quentes que caem de seu rosto rosado.

— Tudo bem senhora, está liberada, e… Melhore, deve ser horrível para a mãe perder a filha.

—Realmente garoto, não sabe como é.

— Realmente não… — Lucke tenta esconder, mas o passado bate na porta da mente dele, e tenta jogar um balde de lágrimas dentro de seus olhos para saírem.

Momentos se passam, e Amanda ainda estava sem entender as coisas.


— Mas Lucke, se a porta estava trancada por dentro, o assassino entrou pela janela?
— Estava trancada também, sem sinal de arrombamento.
— Espera, você acha então que a pessoa passou por de baixo da porta?
— Amanda, se você me conhecesse, saberia que... Nada é impossível, tudo é provável.
— Por que diz isso com esse som de mistério, você é algum caçador de demônios? — Ri Amanda.
— Não sua tola. — Ri Lucke. — Apenas... Vivi muita coisa.
— Pode me dizer que coisas agora?
— Na verdade não.

Dias e noites voam na mente de quem em nada pensa, e muito mais rápido em quem pensa de mais.
Mergulhado em sua banheira, Lucke brinca com gotas de água que ele ergue sem tocar, pensativo, se afoga em pensamentos, como aquele crime aconteceu, tudo indica, nada.

Aquele símbolo não sai da mente do homem que se deita em sua cama agora...

O sol da manha bate no rosto de Lucke, que se acorda imóvel, se arruma de forma apressada, e corre com seu carro negro até o trabalho, com todas as mesas iguais, o mesmo ar, tudo igual, menos Lucke, todos se espantam, ele não chega sorrindo igual todos os dias.

Café... Seu único antídoto, falha igualmente como todas as outras tentativas de solucionar isso.

O povo dali se agita algo novo ocorreu possivelmente, outra morte.

Amanda vem até o homem com um rosto fácil de ler.

—Mais um caso, esse é mais sangrento Lucke!

— Me conte... — Diz o homem com as duas mãos juntas, como uma meditação.

— Pulsos cortados, em escrita, nos dois braços “fim da linha” em um braço e “última lágrima”... Agora, diga que não é suicídio Lucke, olhe os fatos!

— Pela aparência da profundidade dos cortes, no primeiro braço iria ficar dormente com a perda de sangue e não seria capaz de cortar o outro, Amanda, analise!

— Odeio quando você tem a razão. — Amanda fecha os olhos e da um pequeno sorriso, o sorriso que alegra Lucke lá no fundo.

— Amanda, vamos lá?
— Só se for agora.

A borracha dos pneus do carro de Lucke canta e desenha a rua, e logo eles estão no local desejado.

Muitos policiais estão ali, todos com cara de bravos e pensativos.
De, sobretudo preto e botas pretas, Lucke anda como se não se importasse com aquilo, Amanda fica com um olhar de pavor mesmo, antes de ver o corpo.
Uma jovem ali é morta, seus cabelos louros ficam com pingos de sangue e estão desarrumados, seus olhos perdem o brilho, e viram apenas duas esferas opacas olhando para todos.

Lucke se abaixa perante o corpo, e olha atentamente para cada sinal que possa indicar o que sua mente indica.
Varrendo o corpo da jovem com seu olhar penetrante, ele se sente leve, ao pensar em saber mais coisas.

— Alguém aqui sabe me dizer o nome e vida dessa garota? — Pergunta Lucke olhando para o nada. Alguém responde.

— Louisa Mark, Senhor. Adolescente de 17 anos, aparentemente depressiva, com a separação dos pais, acha que isso levou a sua morte.

— Muito obrigado. — Agradece Lucke fingindo acreditar que aquilo era suicídio.

O homem com suas mãos pálidas percorre o corpo da vítima, e para sua felicidade, algo que não deveria estar ali está.

— O que é isso?! — Pergunta Amanda
— É a prova de que não é suicídio, isso é uma carta de baralho, mais precisamente a carta de um coringa.
— Você me diz então, que é o coringa do Batman está aqui? — Ri Amanda.
— Seria legal até, mas infelizmente não, é uma pessoa sádica, como ele.

Os dois deixam o local, e vão para o carro de Lucke e deixam a música entrar em seus ouvidos.

— Hey Lucke, como você consegue ser tão calmo em horas assim? Tipo, um corpo repleto de sangue, ou uma pessoa com sangue nos olhos pela asfixia, e se bem me lembro, você é assim desde que iniciou nessa carreira.
— Amanda, digamos que eu não sou tão sensível assim com essas coisas, minha alma foi corrompida.
— Você já matou?
— Não.
— Você tem muitos mistérios, chefe.
— Também acho. — Ri Lucke, e da partida no carro, e vão para seu prédio.

Os olhares de todos quando o casal chega deixa Amanda totalmente sem jeito.·.

— O céu está triste... — Diz Lucke baixinho olhando para a janela.
— Como assim? — Amanda pergunta muito.
— Chuva...
— Da ond... — Sua pergunta é interrompida com o banho que a cidade toma de repente.
— Gosto de chuva, me ajuda a pensar.

Os olhos de Amanda que está atrás de Lucke olham para o homem de uma maneira que até ela se sente observada.

Ele não é igual os outros!

—Os dois eram depressivos, isso é estranho, Lucke.

Lucke para de respirar, seus olhos ficam congelados, e um sorriso nasce daquele momento.

— Genial, Amanda, muito obrigado, sem você eu não iria a lugar algum!

— Er... Obrigada senhor, eu me sinto especial agora.
— Você é!

Lucke corre até sua mesa e liga seu computador, na área de pesquisa procura o nome da primeira vítima, e encontra os registros da menina.

— Então senhora Victória James, morte do pai, notas baixas na escola, possivelmente pela perda, ou bullying que é comum. Ótima razão para isso não é mesmo? — Lucke pergunta para o computador.

— Do que você está falando Lucke?
— O assassino usa a depressão deles para se ocultar entre seus crimes eu acho.
— Mas como ele se oculta da física, lembra-se da porta e janela trancada? Então, isso seria impossível.
— Eu tenho um plano para descobrir.

— Vai ficar depressivo Lucke. — Ri Amanda.

— Sabe, seria uma ótima ideia.

Pela metade a garrafa de Jack Daniel's está, enfim, Lucke deixará seu coração aparecer, então deixa o álcool subir a cabeça para dar efeito.
Lucke se lembra de sua infância, de como era fugir e se esconder de todos, como era usar um tapa-olho ou óculos para esconder a sua marca, roubar comida com seu irmão, ser julgado pelas suas marcas, e pelas suas unhas mais escuras do que as dos outros humanos.
A falta de mãe abate a mente de Lucke, a do pai nem tanto, já que nunca conheceu o velho.
Lagrimas saem de seus olhos ao se lembrar das lagrimas que saiam de sua mãe em seus últimos momentos.
“- Vão para casa meus amores, logo a mamãe estará de volta.”
O cheiro de carne.
Tudo volta em sua mente, ele foi longe de mais.


Em seu quarto escuro, apenas com as luzes da lua atravessando a janela, Luke se sente só, está tão afundado em sua depressão reprimida que se esqueceu de que isso era um plano.

Um silêncio barulhento para Lucke surge ali, mas logo é quebrado pela música infantil que é ouvida, como aquelas músicas de caixa.
… Lucke não tem uma caixa de música...

Um som arrastado é ouvido, e nada faz sentido, aparentemente o homem está tão bêbado que está alucinando coisas, pois, ele jura que vê uma pessoa passar por debaixo da porta, como uma sombra de borracha.

É uma mulher de cabelos castanhos claros, olhos... Seus olhos... Um castanho claro, outro azul forte.
A mulher para se levantar, bota as pernas na frente, e se joga, como uma mola, o que faz seus ossos quebrados fazerem sons assustadores, mas a mulher nem sente dor, pois se regenera rapidamente.

— Mais um filho da puta depressivo, vamos lá garotão. — Diz a mulher com uma voz fria, porém atraente.

Seus passos são interrompidos pela mesinha que para em direção a ela, e ninguém a moveu.

— Vejamos então, Tempos que não nos vemos Lucke, continua igual a nós. — Se surpreende a mulher.
— N... — Lucke mal consegue manter-se em pé, muito menos falar graças a sua façanha. — Não sou igual a você, eu não mato... Pessoas!

— Nós não fazemos nada de errado garoto, nós acabamos com quem quer se matar, simplesmente. Nada de mais. — Ri a Dama Quebrada.

Lucke pega sua arma e aponta para todos os lados, menos para o que a mulher se encontra.

— Como me achou aqui vadia? — E mais uma vez Lucke da um passo errado para o lado.

— Nós sentimos a tristeza das pessoas... Sempre fizemos isso, mas antes, elas vinham até nós para nós as fazermos esquecerem seus problemas com nossas façanhas. Mas... Depois que Eles chegaram tudo se foi.
— Depois que quem chegou?

— Os crentes que manipulam.

Lucke para no tempo, e ouve mais.

— Eles fizeram a cabeça de todos da cidade, éramos a única razão de sorriso num lugar morto, todos odiaram a gente depois, pois pensaram que éramos fruto do diabo. Então, como essa crença se alastrou por quase todo o mundo, não temos mais a onde ficar, então vamos matar todas as pessoas que querem se matar, para que a gente se vingue, mas graças a você... Isso não será possível.

— Vai me matar então? — Lucke parece não ter alma novamente.
— Era o que eu pretendia sabe ai você morre, embriagado e todos pensam que você se matou, fim.
— Não vai rolar doçura.
— E me diga, por que não? — pergunta a dama quebrada, mas a resposta veio logo quando ela foi suspensa no ar sendo asfixiada por mãos invisíveis.
— É bom asfixiar alguém! — diz Lucke com as mãos nos bolsos de sua jaqueta preta com a cabeça baixa.
— Realmente... — A dama tosse.

— Você vai morrer assim? Tão fácil?
— Vai sonhando Pirralho.

A dama quebrada larga uma carta no chão, Lucke olha para a carta sem expressão, nada parece real.
Mas daquela carta, sai um homem pulando, com um chapéu clássico de bobo da corte.
O homem risonho olha para Lucke com olhos de cores diferente, um olho de cor negra, e o outro com um verde vivo.

— olá garoto, quanto tempo!
Uma adaga de bobo da corte sai da manga do homem, que tenta cortar Lucke, mas o oficial é mais ágil.

… Do outro ponto de vista da cidade: O vento está forte, e bate nos cabelos lisos de uma figura ao longe sentada no terraço de um apartamento alto, ao ver mais perto nota que é um homem com cabelos negros até a altura no nariz caídos perante sua face pálida e modificada, a noite fria sem nuvens, somente com as estrelas enormes e a lua maior, ainda deixam o homem de cabeça baixa, de costas para o abismo industrial que logo se encontra.
Seus olhos diferentes um do outro, o esquerdo, um verde forte, como esmeralda, e o direito Azul, tão azul como o fundo do mar observam a lua, que observa ele novamente.
Seus olhos com um contorno negro feito por lápis de olho, e sua boca negra com batom preto se abrem mais do que estavam, e um momento de felicidade é notado ao longe.

— Uma ótima noite para brincar. – Disse o homem com uma voz fria, que logo se joga de costas com seu corpo magro e baixo com os braços abertos, e ele com sua roupa toda negra e, sobretudo preto somem nessa noite…

— Solte a dama, ou eu verei o quanto você sangra.

— Saia! — Urrou Lucke e quando tentou jogar uma faca no homem ele some pulando em uma carta de baralho, e aparecendo atrás dele, e o golpeando nas costas, o que faz soltar a dama.

Dama Quebrada e Tarot olham para Lucke com um olhar parecido como o de cães, ao verem uma carne mal passada.

Tarot corre em direção a Lucke com duas adagas muito bem afiadas, tão afiadas que dói até mesmo se cortar o ar.
Mas algo ocorre, seu braço direito é brutalmente quebrado, logo em seguida o esquerdo, de joelhos o bobo grita de dor, mas logo seu pescoço é quebrado, e o silêncio reina.

— Tarot! — Grita a dama, mas já é muito tarde, ela fica sem palavras ao ver a cabeça de seu irmão direcionada para ela, e o corpo não. — Olhe o que você fez!
— Não fui eu que fiz isso!
— Cale-se. — A dama se move de forma assustadora contra Lucke, subindo na parede, se deslocando e quebrando de forma medonha, seus olhos vermelhos de raiva estão sem piscar.
— Eu disse não! — Lucke fica parado ali, olhando a dama chegar até ele, então sem piedade, ele corta ela com as adagas de seu irmão morto logo ali, cortando sem piedade os braços e barriga, nota que ela não se regenera em casos assim.
Então Lucke finaliza cortando a garganta da Dama Quebrada, que cai no chão sem fiasco.

Mais um dia nasce, e os olhos azuis e verdes se abrem sem espanto, pensativo.
Com as cenas do homem sendo quebrado sem Lucke sequer pensar em fazer isso.
Uma teoria vem a sua mente, mas já é descartada.

Seu celular toca... Pela primeira vez em muito tempo.

— Alô, Lucke!
— Amanda, fale baixo, eu bebi muito ontem, por favor.
— Certo, desculpe, mas temos mais uma morte!
— Como assim?! — Agora Lucke é quem grita, e se arrepende amargamente, pois sua cabeça dói em dobro.

— Esse aqui é mais diferente, pois... Teve a porta arrombada, tem até marcas de pés, mas... São marcas de pés femininos, e, o mais estranho, tem cabelos na cena do crime, muitos cabelos.

— Estou indo para ai, relaxa!

E mais uma vez o Opala deixa sua marca no asfalto da cidade. Chegando ao local desejado todos param e olham para Lucke que parece estar totalmente acabado, com óculos pretos e cambaleando de leve.

Ao chegar ao quarto da vítima, Parker está de pé tentando ver algo, mas ela aparenta já ver algo.

— É de homem. — diz a menina.

— Como? O que? Mal chego e você fala isso… Explica, devagar. — comanda Lucke com olhos serrados de dor de cabeça.

— O cabelo que achamos é de homem.

— Ah… tá… certo… ok… o que mais?

— Presumo que sejam dois assassinos, uma mulher e um homem obviamente, mas quem fez o trabalho bruto foi à mulher que arrombou a porta e andou pela casa, e ainda matou, pois vejo marcas de unhas, mas o que não entendo o que o homem fez? Por que ele esteve aqui, ele fez algo? Roubou?

— Devagar, garota, vamos sair daqui, tem muita luz.

Pegando o carro de Luke o dois vão para o prédio de trabalho deles.

—Sente-se, Amanda.

— Certo. — Disse Amanda se sentando lentamente na cadeira giratória, olhando Luke com uma expressão de preocupação e dúvida.

— Sabe as mortes, com aqueles cortes finos, e de asfixia?

— Sim…

— Descobri quem foi, e… Resolvi isso.

— Como?

— Eu estava certo sobre não ser homicídio.

— Mas quem era?

— Soube o circo que tinha aqui na cidade? Então, os membros do circo, que faziam a gente sorrir foram atacados pelas blasfêmias de religiosos falando que… — Luke para, pois nota que Parker olha para seus olhos. — Ele tem alguma marca demoníaca. Estão com quase todo o mundo odiando eles, e outros iguais, eles se rebelaram contra tudo por puro ódio. E agora, invés de fazer pessoas tristes ficarem felizes, eles as matam com pretexto de livrar do sofrimento.

— Então eles se acham A morte?
— Quase isso.

— O que fez em relação a isso Lucke? — Amanda parece ter um tom de admiração profunda.

— Hum… Nada.

— Não acho que esteja falando a verdade Luh.

— Calma Amanda, um dia tudo ficará em águas calmas.

E nas águas de seu passado sombrio Luke se afoga.

Duas crianças com olhares tristes com tapa-olho sentadas no meio da rua pedindo comida para qualquer pessoa que aparecesse.

Olhares frios queimam os garotos pálidos.
Alguns cidadãos batem com os pés nos pés estirados dos meninos e com uma voz totalmente sínica dizendo que foi sem querer.

Pirralhos arruaceiros tocam pedras nas duas crianças, às vezes frutas podres.

Noite sim, noite não os órfãos fogem de linchamentos, mas nem toda noite eles conseguem o que resulta em uma tortura por diversão feita pelos comerciantes.

Com profundas facas eles cortam os meninos e vejam suas peles se regenerarem, o que deixavam eles mais irritados.

Um bêbado pegou uma faca, e foi em direção a Ducke, irmão de Lucke e cortou um de seus olhos, mas de forma que apenas ferisse o rosto sem prejudicar a visão.

Sangrando o garoto pequeno grita e chora, e sem se controlar empurra o homem sem usar seu corpo.

O mesmo se levanta com raiva da anormalidade, e vai para cima de Lucke, mas algo acontece e aquilo é interrompido.

Um homem com roupas engraçadas chuta o bêbado na cabeça e cai desmaiado, enquanto isso uma mulher com vestido lindo e corpo esbelto, porém com barba, derruba homens com um soco.

— Hey garotos — disse o bobo da corte. — Gosto de seus olhos.

Lucke e Ducke olharam nos olhos penetrantes, um olho de cor negra, e o outro com um verde vivo. Seu sorriso não parecia ameaçador para eles, mas sim, colhedor.

Os dois se olham, e olham para o homem que se movimenta de forma engraçada. Ambos se levantam e de mãos dadas ficam perto da carruagem preta dos seres de circo.

— Quais os seus nomes? — Perguntaram os dois ao mesmo tempo.

— O meu é Tarot! — Disse o bobo da corte saltitando.

— O meu é Dama Quebrada. — Disse uma mulher perfeitamente incrível que saía da carruagem pela janela com seus olhos um castanho claro, outro azul forte se movendo de forma anormal até para um contorcionista, e aquilo dava sons de seus ossos.

— Meu é Swaller. — Disse um homem de olhos um castanho e outro preto, engolindo uma espada que usou para assustar um dos agressores.

— O meu é Bearina. — Falou a linda barbuda com olhos um de um tom vermelho, e outro dourado.

— E o meu é Lyna. — Disse uma alta mulher ruiva com um olho de cor verde tão claro quanto os de Lucke ou Ducke e o outro também ver, porém de um tom muito escuro.

— E os seus moleques? — Disse Tarot.

— O meu é Lucke. — Disse o menino com olhos o esquerdo, azul como o fundo dos oceanos, e o direito verde, como a aurora boreal. Sem cicatriz nos olhos.

— O meu é Ducke. — Falou o garoto com olhos, direito mais azul do que qualquer coisa que conheça, e o esquerdo mais verde do que uma esmeralda. E uma marca já cicatrizada no olho esquerdo.

Os dois órfãos agora tem uma família.

Sentindo cócegas em seu rosto Lucke se acorda na noite depois de seu sonho.

Nota que em seu rosto tem cabelos que não se parecem nada com os dele, o que faz pular da cama e ficar em posição de ataque.

— Bearina… Vamos, acabe logo com isso, talvez esteja com ódio pela morte de seus irmãozinhos revoltados e assassinos.

— Realmente estou Pirralho. — Ouviu-se uma voz vinda de lugar algum.

— Vocês não deveriam fazer isso, matar pessoas, isso não é o que pessoas de um circo faz?
— Calado! — Urra a mulher que da um soco na cara de Lucke vinda do lado direito.

— É… Essa doeu. — Riu Lucke e derruba a barbuda no chão apenas com um movimento dos dedos. — Você ouse se comparar a mim?! — Berra Lucke com raiva. — Ousa vir com essa força para cima de mim?! Seu verme assassino! — Lucke da um soco no rosto da mulher barbuda, mas quando vai dar o segundo sua mão e em seguida todo seu corpo é imobilizado por fitas vermelhas, e uma mulher alta desce pela janela com fitas da mesma cor, ao pousar no chão de forma linda, Lucke viu que estava acompanhada de um homem.

O homem tinha cabelos avermelhados, e olhos castanhos e pretos, e ao ver Lucke ele assume um olhar doentio. Na verdade todos ficam assim.

— Vendetta. — Diz Swaller tirando uma espada de sua garganta.

— Vendetta. — Fala Bearina estalando os dedos.

— Vendetta. — Comenta Lyne sorrindo

Sem poder mover suas mãos fica difícil de usar seus poderes livremente, o que facilita para os seres indignados que formam um círculo em volta dele.

Com seus cabelos sobre o rosto sem emitir medo algum, Lucke solta um sorriso.

A porta de sua casa se abre e uma mulher de cabelos louros entra com uma arma apontada para os três ali parados.

— Amanda… Saia, você não quer ver isso.
— Claro que não, por isso que não vou deixar acontecer, parados os três!

— Tsc… — Fez Lyne que usando suas mãos controla uma fita que vai ao pescoço de Parker. — Normal inútil.

— Como… Você… Consegue? — Diz Amanda Parker.

— Olhem só, a primeira humana que não sabe sobre nós..

— Lyne… Pare. — Disse Lucke. — Ela não é a única, ninguém dessa cidade sabe sobre isso, é uma cidade protegida pelo pessoal das altas rodas, acho que o presidente esconde isso.

— Por isso veio para cá, botou o rabinho entre as pernas garoto.

— Solte-a. — Disse Lucke calmamente.

— Calado! Diga-me, por que fugiu do circo? Por que fugiu da guerra?

— Aquilo não era vida para mim, aquele lugar sujo era feliz e eu tinha alegria até, mas eu não me sentia realizado, e as mortes contra aquelas pessoas…

— Eles matam a gente! — Lyne urra de ódio. — Eles fizeram de nossas vidas a caça as bruxas seu idiota, eles caçam a gente e nós os caçamos.

— Podemos resolver isso sem guerra.

— Ducke sempre me disse que você era fraco demais.

— Ele sempre esteve errado, vocês todos estão. Por favor, não mate ela.

— Ele fugiu também, há alguns dias. Não se sentia satisfeito, e foi em busca de mais mortes, aquilo sim é um homem de verdade. — Lyne sorri de forma sensual.

Amanda cai de joelhos sem fôlego, seus olhos azuis ficam avermelhados junto com sua pele fracamente corada.

— Swaller, acabe com esse pedaço de merda.

— Como deseja. — Diz o homem sorrindo de forma má tirando uma espada de dentro da sua garganta.

Lucke não teme a morte há muito tempo, se sente como uma criança indo para a cama, fecha seus olhos, e uma fagulha de memória feliz tenta vir, mas… Faz muito tempo que aconteceu os momentos felizes com sua mãe, antes de tudo se acabar.

A lâmina brilha com a lua brilhando sem nuvens ao seu redor.

Cabelos negros dançam no rosto de Lucke e um sorriso surge de sua boca.

O último sorriso.

E um movimento final é realizado.

Sonso de carne sendo perfurada e sangue derramado no chão.

Lucke abre seus olhos com esperança de se ver em um possível paraíso, mas o que vê é sangue no chão e… O sangue não pertencia a ele.

Swaller estava com o coração perfurado pela própria espada, todos ali faziam silêncio.

Lyne com olhos arregalados e Bearina gritava de raiva.

— Como conseguiu fazer isso sem usar as mãos seu monte de merda! — Grita Bearina.

— Não fui eu que matei ele, e nem Tarot.

— Então quem foi? Ducke? Matando um dos seus? Com o seu pensamento?!

— Não sei, por favor, não machuque Amanda… Eu imploro.

Bearina ri alto ao ouvir a clemência de Lucke.

—Olhe quem está sem escapatória.

Bearina grita, e coloca suas mãos na cabeça, sua expressão demonstra dor extrema.

Seus olhos e nariz e todos os buracos de seu rosto sangram, e com seus olhos arregalados ela cai no chão sem fazer som de vida.

Lyne perde seu ar e sai do chão, como se mãos invisíveis erguessem-na.

Seus olhos saltam lentamente para fora enquanto seu ar se vai.

E o corpo morto é jogado pela janela do local, fazendo Lucke e Amanda se soltarem.

— Amanda! Você está bem? Amanda! — Desespero surge no homem sem emoções, mas sua companheira está com olhos fechados, desacordada.

Amanda se acorda atordoada num quarto escuro e frio, estava coberta e confortável.

—Olá, alguém aqui?- Pergunta a jovem.

— Não tem ninguém. — responde uma voz com humor, uma voz que faz Parker ficar tranquila.

— Oh, Lucke, ainda bem, pensei que tinha acontecido algo comigo, tive um sonho muito estranho.

— Infelizmente, foi real… Tudo. — O humor some.

— C… Como assim?

— Na sala, tudo foi real, as garotas, o cara.

— Mas… Como?

— Você queria conhecer minha vida, sente aqui.

Amanda sai do quarto, encontra Lucke em uma cadeira, deitado nela… de ponta cabeça.

— Bom dia queria, fique a vontade, e bem vinda.

— Obrigado.

— Certo, quer primeiro saber sobre quem eu sou, ou o que eles eram?

— Eles.

— Mas para isso terei que contar o que eu sou então da tudo na mesma.

Lucke respira fundo, e uma história é revelada.

— Eu nasci em um vilarejo muito longe e isolado da população, não era a única, tinha mais vilarejos assim, locais pobres, e com política medieval.

Eu e minha família não somos comuns, meus olhos não são comuns, eles só aparecem em pessoas que tem habilidades sobre humanas.

Não sei se notou, mas, a mulher que sufocou você tinha olhos de cores diferentes.

Da onde vim os religiosos espalharam que essa heterotrofia era uma marca do demônio… Mentira.

Eles fizeram o circo que curava as tristezas das pessoas sair dali a pedradas...

Minha mãe foi queimada viva pela população do vilarejo.

Eu e meu irmão ficamos órfãos e regularmente perseguidos pelos cidadãos para eles acabarem o serviço.

Estávamos cercados, com bêbados querendo matar a gente, quando uma carruagem para ali, e os integrantes do circo desceram a amedrontaram os babacas…

Somos acolhidos pelo pessoal do circo.

Fomos ensinados a controlar nossos poderes, eu meu irmão, e minha mãe temos habilidades de controlar coisas com a mente, e regeneração a ferimentos normais e nos membros da família, de se comunicar por telepatia.

O pessoal do circo e meu irmão tinham desejo de vingança, de destruir as pessoas, eu tinha apenas o desejo pela paz, união.

Fugi de lá quando pude, deixei tudo para trás, procurei vários lugares para ficar, mas muitas vezes fui pego por pessoas daquela “dimensão” ai descobri que, quando o ferimento é por ouro, ou prata, e for muito profundo não se cura assim tão fácil, pois é… Dói.

Mas no fim das contas encontrei essa cidade, onde está longe daquilo tudo, ingressei no ramo de detetive, pronto, aqui estou eu, você é a primeira normal a me conhecer assim,

Amanda fixa um olhar incrédulo para Lucke.

— Pode me mostrar eu poder? — Pergunta a menina.

Com um sorriso de canto Lucke puxa um copo com café e não deixa cair.

— Quer café? — Pergunta com uma voz engraçada.

Parker arregala os olhos e suas palavras faltam.

— Você disse que tem um irmão, como ele é, onde ele está?

— Ele é idêntico a mim, a única diferença física é que ele deixa os cabelos na frente dos olhos, e eu para o lado, e odeio quando meu cabelo fica para frente, me lembro dele, e tenho raiva, e provavelmente ele está por perto, deve ter o plano de matar o presidente daqui, e dar domínio à nossa espécie ao mundo, quer reverter isso, causar guerra.

— Como vai impedir?

— Não tenho a mínima ideia, ele deve estar mais poderoso do que eu, os poderes psíquicos dele evoluíram ao ponto de causar danos cerebrais em pessoas, ele fez as coisas horríveis com Bearina, ela sangrou pelos olhos, boca e nariz, explodiu por dentro, ele é cruel. Preciso me acalmar, vou… meditar um pouco.

— Certo.

Lucke se senta na pose de lótus, fecha os olhos, e relaxa.

Seus olhos se fecham lentamente,

Imagens piscam várias imagens.

Cabelos ruivos com o tom mais forte possível, e cacheados e volumosos cobrindo a maioria do rosto.

Olhos claros, um de um castanho mais claro, e outro verde mais forte do que os de Lucke.

Mas não sabe se o olho que é forte ou se a palidez morta que da essa ideia.

Uma garota com uma camisa cinza e calças preta se senta igual à Lucke com os olhos abertos vidrados.

Tudo parece um sonho, uma visão.

As mãos da garota são repletas de anéis extravagantes.

“Lucke vejo que somos iguais, e que estamos unidos, precisamos nos conhecer”.

“meia noite no terraço de seu prédio, até mais.”

Lucke abre os olhos espantados, Amanda está sentada ali espantada também.

— O que houve?

— Algo de estanho, como uma visão, ou mensagem, não sei exatamente.

— Sobre o que era?

— Uma garota linda, que… Queria me ajudar.

— Vocês vão se encontrar?

— Sim, 00h00min aqui em cima… Que horas são?

— 23h59min.

Lucke corre para a escada com objetivo de subir até o terraço.

Chegando lá, a lua mostra uma figura magra de pé nos ferros de proteção.

— Prazer em conhecer você Lucke. — A dama faz uma reverência e pula de 2 metros e cai graciosa e calma, e fica agachada em frente aos dois. — Me chamo Saionara, e vim em paz.

— Como sabe o nome dele? — Pergunta Amanda.

— Jovem Amanda, apenas… Sei.

Parker fica impressionada. — Lindos seus anéis.

— Estou agradecida, senhorita. — Saionara sorri cordialmente.

— Você é esplêndida, sua habilidade, e… você- Lucke aparenta um pouco de vermelhidão em sua palidez.

— Olha quem fala. — igualmente sem jeito.

— Saionara… como pretende ajudar para deter meu irmão?

— Ah, isso seria uma coisa impossível sozinho, mas… nos unido seria algo menos difícil, mesmo com o grande poder dele.

— Você tem quais habilidades? — Pergunta Amanda.

— Vejo futuros movimentos, leio mentes, controlo, habilidades acrobáticas são meu forte, e adoro lutas.

— Nossa. — Lucke não para de olhar para os olhos da dama.

— Assim fico com vergonha garoto.

— Desculpe.

— Tudo bem.

Amanda está impressionada com as joias de Saionara.

— Por que usa tantos anéis?

— Não o uso somente para beleza, se bem que fico linda, mas, eles me ajudam a ter poderes, não como Lucke que as portas de fluxo do poder são fechadas e o poder é livre, no meu caso são abertas, e o fluxo não fica, e o poder não vem. E os anéis prendem a saída e fica concentrado e o poder vem.

— Vamos comparar nossos poderes? — Disse Lucke com um olhar alegre.

— Vamos claro, sente-se.

Lucke senta na posição de lótus, e Saionara senta na mesma posição bem na frente dele, e os dois dão as mãos.

— Tão. Fria.

— Feche os olhos, deixe seu poder fluir e logo irá…

Os dois se desligam do mundo real... Tudo fica escuro.

Lucke sente um cheiro doce, de perfume.

Perfume cigano.

—Vamos ver quem domina a mente de quem Lucke.

— Certo Sa.

Imagens surgem, duas crianças com cabelos negros de mãos dadas paradas, no silêncio.

Fogo ao redor delas, cheiro de morte.

Lucke fica abalado.

Concentra suas forças.

Muitas pessoas dançando e festejando.

Um cheiro de incenso no ar.

Música com um ritmo contagiante.

Uma menina muito branca sorria e dançava com suas joias nos dedos.

Saionara revida o poder.

Um bando de religiosos aparece no circo, prega nas praças, alimenta os demônios das pessoas.

Todos correm com raiva para caçar pessoas diferentes.

Lucke deixa as coisas iguais.

Pessoas daquela tribo alegre correm de medo nas florestas, sendo perseguidas por radicais.

A menina pálida foge para se salvar dos monstros.

A floresta se torna um lar eterno, sem cabanas, nem nada.

Sempre fugitiva.

Os dois se cansam.

—Quem ganhou? — Amanda pergunta ao ver os dois abrirem os olhos.

— Empate. — Diz Saionara cansada.

— Sa. Tem como me comunicar com meu irmão? Tentar parar esse idiota.

— Bom, podemos tentar, se concentre nele, que faço a conexão.

Lucke fecha os olhos pensa em Ducke com esforço.

Saionara segura nas mãos e murmura algumas palavras.

Amanda pôde jurar que os cabelos dela levantaram como estática e seus olhos brilharam.

Um homem com cabeça baixa é visto na visão, seu, sobretudo preto cai arrastado no chão da cidade silenciosa.

Sua maquiagem está borrada levemente com suor, o que o deixa mais assustador.

— Hey, Ducke, acho que está me ouvindo.

— Ps… Maninho… Olá, como vai a vida? — Pergunta Ducke com uma voz sombria.

— Vai movimentada, cara, que ideia de merda é essa de assassinar o mandachuva dessa cidade, cara, essa guerra não vai dar liberdade para nós.

— Não quero liberdade, quero controle, domínio cara. Esses normais de merda nos fizeram sofrer.

— Nem todos são iguais mano, desista disso, onde você está?

— Eu estava ai em cima dias atrás Lucke, quem você acha que acabou com Tarot, Lyne, Bearina e Swaller?

— Mas eles cuidaram de nós, você estava com eles, por que fez isso?

— Ninguém machuca meu irmãozinho, ninguém tem o direito de matar você.

— Isso realmente é bom de ouvir Ducke.

— Não vou desistir Lucke, e não me impeça.

O homem abre os olhos extremamente.

Saionara grita e se desconcentra, mas felizmente está viva.

— Desgraçado! — Urra Lucke.

— Sei onde ele está. — Saionara está abalada e tonta. — Que poder incrível.

— Vamos agora, pegue sua arma Parker. — Manda Lucke.

Os três entram no opala SS e Lucke acelera e é comandado pelas ordens de Saionara até o local.

Os três se deparam com o prédio do congresso, onde o presidente reside.

O trio desce do carro e correm para o enorme prédio.

— Como vamos subir isso?- Pergunta Amanda.

— Quando estávamos vindos vi um elevador de sobras, mas é no outro prédio, vamos! — Comanda Sa.

Um prédio velho com construção parada é avistado por eles, que sobem ligeiro.

Chegando lá, sentado como se esperasse eles, Ducke da uma risada um tanto sinistra.

— Idiota, disse para não me impedir. NÃO. ME. IMPEÇA. — Urra Ducke de forma tão assustadora que o clima na cidade fica mais frio.

— Adoro desobedecer às ordens maninho, vamos acabar logo isso.

— Não me force a fazer algo que não quero. — Ducke ergue a sua mão, suas unhas negras naturais são enormes comparadas as de Lucke.

Saionara nota que realmente são idênticos, o que muda é a cicatriz, cabelo, e maquiagem.

Amanda mira sua Magnum 357 cano longo no meio na cabeça de Ducke, que com cabelos no rosto encara a menina.

— Vamos, atire… Atire!

Amanda dispara tudo ocorre lentamente.

Ducke abre os olhos. E sorri.

A bala para no ar muito perto da testa de Ducke.

— Eu poderia a fazer voltar na sua testa, me dê um bom motivo para eu não fazer isso.

— Faça se consegue seu idiota assassino.

— Seu desejo é uma ordem.

— Não! — Grita Lucke

Mas é tarde demais.

Em um piscar de olhos a bala volta direto na cabeça de Amanda Parker.

Apenas um fio de sangue voa.

Saionara e Lucke correm para o corpo da menina.

Seus olhos abertos dão medo.

— Seu idiota, olhe o que você fez! — Lucke se enfurece e derruba o irmão com a mente.

— Ela que pediu. -Ri Ducke se levantando. — E você cigana, quer morrer?

— Quem vai morrer é você. — Saionara fixa os olhos nos de Ducke que fecha os olhos e fica em silencio… Mas logo os abre e sorri.

— Nada mal, me fez ficar com enjoo. Mas acho que eu sou melhor! — Ducke ri de forma histérica. — Hey Lucke, segura essa. — Em um movimento com o dedo Lucke voa até o outro lado do telhado.

— Saionara! Venha aqui! — Urra Lucke e logo a linda menina está ajoelhada junto a ele.

— Diga.

— O que aconteceria se eu colocar seus anéis?

— Não sei talvez prenda mais o seu fluxo para correr rápido, mas não sei se é seguro.

—Mas é preciso. Dê-me.

Saionara rapidamente retirou todos seus dez anéis e os deu para Lucke que os colocou.

Uma sensação estranha preenche Lucke, como se pudesse fazer qualquer coisa.

Lucke se levanta, caminha até perto de seu irmão, o encara com o rosto calmo.

— Vamos Ducke, agora podemos brincar. — Murmura Lucke quando tenta jogar seu irmão do telhado, mas eu irmão faz força, e os dois se concentram e ficam ali como se ondas de vento empurrassem os dois em direções diferentes.

—Desista, Ducke.

— Melhor você desistir Lucke.

O chão entre eles treme parece que a gravidade não existe quando os dois erguem-se no ar com olhos fixos um no outro

— Medo de altura maninho? — pergunta Ducke com ironia.

— Nem um pouco, otário.

Os dois sobem cada vez mais, e descem em uma velocidade incrível. Lucke tenta socar Ducke, mas o irmão segura a mão.

Os dois tem a mesma força, exatamente a mesma, é como lutar com o espelho, literalmente.

— Vamos ver se isso faz você se aquietar. — Sussurra Ducke, abre mais os olhos para o irmão e os dois caem em um abismo mental.

Saionara observa os dois ajoelhados com olhares vazios.

Ela sente que essa é a chance.

Ciganos sempre contem punhais escondidos nas roupas, ainda mais os que são perseguidos.

Saionara corre até o corpo de Ducke, mas quando chega nele, é jogada como se houvesse um campo entre eles.

Lucke está em uma casa abandonada com cheiro de mofo.

Está desorientado, nada parece um sonho, mas não parece real também.

Uma risada sádica é ouvida por todos os lados, como se estivesse em um sonho.

A casa vazia e grande e da alguns ecos assustadores.

Lucke corre no corredor a procura da voz, seu objetivo volta em mente: Parar Ducke.

“Lucke… Fraco como um normal, fugindo para não sofrer mais alguns machucados. Fraco, desonra para nossa espécie.”

— Calado!

“Eles vão queimar você também, como fizeram com a mamãe se você não lutar.”

— Não ouse falar da nossa mãe seu monte de merda!

“Luckezinho está bravo, que medo.” Ducke solta uma risada insana.

Lucke tropeça no chão, é empurrado contra a parede e erguido no ar.

“Você não vai me parar, nada vai”.

—Eu vou, eu consigo, sei que consigo, sou tão forte quanto ele.

A casa desmorona e uma luz invade a visão de Lucke que é solto

“acha que sou tão bonzinho, Ducke?” agora a voz de Lucke ecoa no eco do vazio.

Ducke se vê amarrado em uma cadeira de ferro, seus poderes parecem não existir.

— Você é bonzinho com seu maninho, vejo isso na sua alma.

“faz anos que você não me vê”

— Na verdade não, sempre estive ao seu lado, cuidando de você maninho.

“você deve ser um milésimo mais velho que eu Ducke.”

— Já me deixa com responsabilidade.

“então você vai morrer pelas mãos de seu irmão… caçula?”

— Melhor do que pelas mãos de um normal idiota.

Uma dor insuportável percorre o corpo de Ducke.

— É… Parece que não é tão bonzinho assim.

E mais uma sessão de dor, que faz Ducke ficar zonzo.

“Não durma ainda irmão.”

E um choque faz Ducke ficar alerta.

A cena se repete por muito tempo, parecem dias, mas foram segundos.

— Agora chega! — Urra Ducke. Que se liberta e levanta da cadeira.

— Ah, estava divertido- Lucke parece uma criança decepcionada. — Agora que eu estava começando a brincar. — Lucke soca o rosto de Ducke com força, e a parede de sua imaginação se quebra um pouco.

— Meu irmãozinho está se libertando. — Ducke desfere um chute alto que pega no lado do crânio de Lucke que cai no chão.

— Você e eu estamos há muito tempo lutando, não tem fim, desista, não faça essa guerra.

— Até parece que vou perder para você, e sim, tem um fim.

— Qual, então? — pergunta Lucke.

— Um simples, bem simples.

— Vamos a ele!

— Já que pede.

Os dois correm um na direção do outro e dão chutes e socos.

Podem ser sentidos os ossos se quebrando.

Sangue no chão tem aos montes.

Arfando de cansados os dois estão à sala vazia deixa tudo mais tenso.

Lucke observa o local, e… tem sua última ideia, para o último caso.

—ADEUS DUCKE! — Grita Lucke em disparada ao seu irmão.

— Adeus, caro irmão. — Ducke sorri e corre contra o irmão.

Lucke desvia o foco do irmão com sua habilidade, e se joga contra o irmão nos braços contra a parede imaginária, que se quebra e revela um desfiladeiro sem fim aparente.

Os dois caem na morte mental.

Enquanto Saionara vê os corpos caírem para trás sem vida com os olhos vazios.

Novamente, a cigana está sozinha na vida, mas seu mundo está menos prejudicado do que estava antes.

Notas finais
Se gostaram, deixem manifesto, com comentários, ou algo assim, isso me inspira muito
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!