Notas iniciais
Fica aqui o final dessa história. É mais um epílogo e eu espero que vocês gostem ♥

Janeiro, 1977

Parecia fazer uma eternidade que eu não pisava em Hogwarts. Estava ansioso naquela manhã quando Orion aparatou comigo em frente aos terrenos de Hogwarts já que havia perdido o retorno das férias e não pude pegar o trem. Após me despedir de meu pai, não pude evitar o sorriso quando finalmente atravessei os portões.

— Reggie!

Não consegui avançar muitos passos após ouvir o estalo típico indicando que meu pai se foi, pois Barty logo corria em minha direção, me prendendo em um abraço que quase fez com que eu derrubasse minha mala. Apertei os olhos brevemente, levando a mão livre até as costas dele, retribuindo desajeitado.

— Oi, Barty.

Quando abri os olhos, vi Slughorn aproximando-se para me recepcionar, sorrindo ao me ver. Barty não queria me soltar, mas quando cumprimentei o professor ele acabou por fazê-lo a contragosto.

— Sentimos sua falta, Regulus! Infelizmente você perdeu algumas provas, mas não se preocupe, já falei com o diretor e garantimos que poderá fazê-las nas próximas semanas.

— Muito obrigado, professor Slughorn. Vou me esforçar para não decepcioná-lo.

— Isso não importa! — Barty interrompeu antes que ele me respondesse, seu olhar procurava o meu com ansiedade. — Como se sente? Está tudo bem? As flores…

— Barty, dê um tempo a ele… — Horace sorriu sem graça, usando um lenço para secar a testa, porém seu olhar recaiu em mim de modo preocupado e hesitante. — Mas como está sua condição?

Aparentemente, Barty havia feito todas as perguntas que ele queria fazer. Esbocei um sorriso breve, meneando a cabeça para indicar que não me incomodava com os questionamentos.

— Está tudo bem. A cirurgia foi bem e as flores foram todas removidas. Infelizmente, a causa é desconhecida, mas o médico me garantiu que elas não vão voltar mais.

Enquanto Slughorn suspirou aliviado, vi o cenho de Barty se franzir em confusão, mas tão logo a dúvida em seu olhar surgiu, se dissipou, pois ele sorria amplamente.

— Fico feliz pela recuperação, Regulus. Então quer dizer que vai voltar ao time de quadribol? — Slughorn me perguntou, tentando soar casual, mas eu sentia a expectativa em seu olhar.

— Com certeza. Perdi o primeiro, mas faço questão de jogar os próximos da temporada!

— Ótimo!

Barty, por sua vez, aproveitou a distração para tomar a mala de minha mão, me assustando em um primeiro momento, atraindo meu olhar com o cenho franzido.

— O quê foi isso?

Ele me ignorou, aparentemente.

— Professor, você mesmo disse para dar um tempo a ele. Só porque o Reg joga bem, não comece a importuná-lo desde já.

Ele se virou para Slughorn, seu tom era arrogante, mas o apontamento fez com que as bochechas do professor corassem.

— C-certo… Você tem razão, Bartemius. Mas vá para a aula depois, nada de ficar de conversinha por aí ou a Minerva me mata.

— Deixa comigo. — respondeu prontamente e saiu me empurrando, mas bastou se distanciar um pouco para sussurrar no meu ouvido: — Vamos, quero ouvir tudo sobre a cirurgia e esse médico que você comentou.

Revirei os olhos, mas sorri de canto, concordando. No caminho para as masmorras, comecei a relatar sobre o médico e a cirurgia. Sentia falta de conversar com alguém desse jeito. Minha mãe estava sendo estranhamente atenciosa (ao estilo Walburga Black), mas era diferente poder falar com alguém com quem podia conversar sobre tudo, inclusive o medo que tive de morrer na cirurgia. Ele me olhou estranho, provavelmente não esperava uma demonstração de fraqueza da minha parte, o que me levou a encolher os ombros.

— E tem certeza que não sabe a causa? Não falaram nada? O médico não era especialista?

— Nada, Barty. — respondi com impaciência, respirando pesadamente. — Se soubessem, me falariam. Parece que é uma doença muito rara e sem estudos, mesmo por lá. Não lembra que não encontramos nada nos livros?

Ele soltou um longo murmúrio pensativo, os olhos se estreitando do jeito característico que eu sabia quando ele estava reflexivo. Sim, eu sabia que era frustrante, mas se nem os médicos sabiam, o que eu poderia fazer? Parecendo finalmente aceitar, ele balançou os ombros e voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido, cutucando-me com o cotovelo.

— E então? Você tem uma cicatriz?

Revirei os olhos, mas não pude evitar que um sorriso leve se formasse. Sentia falta dos dias normais. No entanto, quando chegávamos às masmorras, no meio do caminho como se estivesse lá para interceptar, estava o traidor do meu irmão e a corja de babacas. Foi instintivo fechar a cara, minha intenção era só passar direto, porém Potter — que estava sentado no chão — cutucou a perna de Sirius, fazendo com que ele virasse o rosto e rapidamente se desencostasse da parede, vindo em minha direção. Os outros dois se levantaram, juntando-se a Lupin, e ficaram olhando apreensivos quando Sirius agarrou meus braços e me puxou.

— O que está fazendo, Black?

Barty tentou intervir, mas Sirius só o empurrou para o lado.

— Me erra, Crouch! — disparou sem fitá-lo, me analisando. — Você está bem, Reg? Você foi embora da escola aquele dia, depois não consegui notícias, eu…

— Não que você se preocupe.

Irritado, o empurrei, e foi estranhamente fácil fazê-lo me soltar. Vi alívio em seus olhos, mas aquilo me magoou. Agora ele queria bancar o irmão mais velho? Depois de tudo? Não quis ficar para ver enquanto Potter e os outros se aproximavam e empurrei Lupin e Pettigrew do caminho para seguir para a comunal. Só em frente a passagem que me dei conta que Barty não estava comigo, vendo-o se aproximar em passos apressados.

— Por que demorou?

— Nada, não. Só garantindo que os idiotas não viriam atrás.

Bufei, um pouco irritadiço, mas sabia que a culpa não era dele, então deixei que ele enlaçasse meus ombros e me guiasse. Tentei pegar a mala para subir ao quarto, no entanto Barty não deixou e continuou a me acompanhar, aparentemente não ligando de perder uma das aulas que mais gostava. Como a turma estava na aula de Transfiguração, o quarto que dividíamos com outros dois alunos estava vazio, o que me fez ponderar por um instante ao entrarmos. Esperei que ele deixasse a mala sobre minha cama para me aproximar, cutucando-lhe o ombro.

— Hm? O que foi, Reg?

Quando ele se virou, venci a distância para selar os lábios de modo superficial, e ao me afastar não deixei de notar um brilho surpreso em seus olhos, o que me fez franzir o cenho. Repentinamente, imaginei que tinha feito algo de errado, mas até onde me lembrava, estávamos saindo. Ou algo parecido com isso. Não tinha muita certeza de como deveria me sentir, no entanto eram as lembranças mais marcantes de antes do acidente que me afastou da escola.

— O que foi?

— Nada, eu só... — ele sorriu e me abraçou, puxando para perto. — Senti sua falta.

Suspirei, deixando a resistência de lado e apoiando o rosto em seu ombro.

— Eu também, Barty. Eu também…

Notas finais
Essa história acabou, mas queria convidar vocês a darem uma olhada na continuação em meu perfil rs Graveyard of Flowers - Gardenia! É isso. Espero que gostem da surpresa haha Obrigada a todos que vieram até aqui!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!