Alan era um garoto qualquer, com uma vida qualquer, numa sociedade qualquer. Não tinha dentro de si nada de especial, a não ser a vontade de mudar o mundo. Habitava uma megalópole onde todos tinham diferentes personalidades, os empregos eram bem distribuídos, um mix de estilos e pensamentos e isso fazia de cada um desses habitantes muito mais do que borrões granulados engravatados.

Ele tinha 21 anos e, apesar da pouca idade, o jovem viu a mudança que ocorreu sutilmente, viu as pessoas ficarem cada vez mais alienadas numa sociedade que só acrescentava a todos o gosto pelo capitalismo e onde o dinheiro era o centro do universo.

A mudança ocorreu quase que no mundo todo e gerou um imenso desequilíbrio na sociedade. Sociólogos e historiadores tentaram entender o motivo dessa mudança e a única conclusão que os meses de pesquisa geraram foi a justificativa de uma mudança ocorrida pela gama de capital envolvida em governos e nada além.

Os homens foram instruídos a utilizarem seus belíssimos ternos pretos, camisas de linho com gravatas vermelhas e cabelos perfeitamente penteados. As mulheres estavam felizes com seus vestidos de corte bonito e cores neutras, sapatos de salto altos e cabelos quimicamente alisados e alinhados para combinarem com suas feições leves.

Alex não gostava de gravatas, sempre se sentiu sufocado com elas e a famosa “agonia” era algo que podia descrever sua sensação ao utilizar uma. Foi por esse motivo que ele percebeu a sociedade se remodelando e não quis compartilhar desse martírio que seria viver no loop infinito da cachoeira de burocracia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.