Grandes Sonhos Nunca Morrem
24 O carteiro.
Ao envelopar a carta, Robert terminou de arrumar sua mala e a deixou sobre a cama, minuciosamente arrumada, assim como o resto da casa.
No banheiro, ele olhou-se no espelho por algum tempo, como se estivesse despedindo-se de si mesmo e foi para a banheira. Aquele banho demorado ajudou o jovem escritor a colocar as ideias no lugar e deixar o velho Bobo-Bob ali. Ele não era mais o mesmo
Foram horas de viagem dentro de um ônibus sacolejante. Robert odiava aviões. Preferia segurar a habena de um cavalo a subir em um pássaro de ferro.
Seus passos firmes tentavam esconder as pernas bambas que o guiavam até a porta amarela de uma casinha simples.
O som da chave destrancando-a poucos minutos depois de bater foi seguido por um suspiro baixinho, quase um gemido de dor e alegria.
— E-Entrega para Su-Su-Susana — disse ele, tremendo ao estender a carta.
Ela nada respondeu. Apenas se jogou nos braços de Robert e o apertou o mais forte que conseguiu. Queria certificar-se de que não era um sonho.
E de certa forma, era um sonho, daqueles gostosos, que sonhamos acordados, e temos plena certeza de que se vale a pena lutar por eles.
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