Grand Chase - Os Defensores de Ernas

6 Capítulo 6 - O Garoto de outro mundo


O Garoto de outro mundo

No dia seguinte, em uma manhã ensolarada, Lire andava solitária pelos campos esverdeados da Grand Chase, imaginando como estaria seu irmão mais velho e a ilha Eryuell, onde nasceu. Não restava sombra de duvidas de que ela sentia saudade de casa, não era de se estranhar, já fazia quase um mês que ela não via seus amigos e seu querido irmão. Sentou-se a margem do rio, a água era brilhante como as estrelas e tão clara que era possível ver os peixes coloridos que nadavam e saltitavam sem nenhum rumo,

— “Huum”... O que você esta fazendo? – surgiu uma voz conhecida.

Lire assustou, pois estava bastante distraída. – É você, Sieg? Digo... General Sieghart – timidamente, olhando para baixo.

— Pode me chamar de Sieg! Você parece deprimida, aconteceu alguma coisa?

— Bem... Na verdade, sinto falta de casa, meus amigos... meu irmão! – disse Lire ficando ainda mais triste.

— Eu também sinto falta de meus amigos, mas sei que eles não iriam gostar de me ver triste como você. – disse Sieg, fixando seus olhos para o céu, parecia que ele via muito mais do que o simples azulado e as nuvens brancas como a neve que estava naquela manhã.

— E onde estão? – Sieg permaneceu em silêncio, com as mãos no bolso, continuou olhando para o céu. Lire olha no mesmo sentido e entende o que Sieg quis dizer. – Sinto muito! – olha novamente para baixo com muita tristeza.

— Não sinta, tenho certeza que seus amigos não iriam gostar de te ver assim!

— É... Você tem razão! – permanece calada por alguns segundos. – Mas eu... – Lire olha para todos os lados e percebe que Sieg não estava mais naquele local. – Poxa! Ele sumiu... E ainda me deixou falando sozinha! – resmungou.

Lire permaneceu naquele local por alguns minutos, não era de se estranhar, era o único lugar em que fazia lembrar um pouco de casa. Por alguns estantes ela sentiu um pouco de inveja daqueles peixes que estavam por ali, pareciam não ter nenhuma preocupação, mas logo percebeu que já estava pensando besteira.

— “Huuum”... que romântico! – disse Arme que chegou pouco depois que Sieghart saiu. – Então você e o Sieg estavam em um encontro? – Arme solta uma alta gargalhada.

— Não... Não. A gente só... a gente só estava... conversando... – gaguejava ao interromper Arme.

— É? E porque está gaguejando tanto. – sentou-se do lado de Lire. – Mas ele é um gato não é?

— É sim. Digo... é um pouco... – Lire corou as bochechas.

— Um pouco? – gargalhou. – fala a verdade!

— Tá bom. Ele é sim! – resmunou Lire corando e enchendo as bochechas.

Arme gargalha ainda mais alto – Tímida? Você está é muito pra frente, Lire!

— Arme! Você esta me deixando constrangida. – gritou.

— Foi mal, foi mal. Não precisa ficar nervosa, nossa! Este rio é tão lindo!

— Costumávamos pescar nos rios na Ilha Eryuell, eram lindos como este.

— Você fala como se sentisse muita saudade de lá.

— Eu sinto... Arme, posso lhe perguntar uma coisa?

— Mas você já perguntou, idiota!

— Não era essa a pergunta. – Lire encara Arme, estava prestes a xingar.

— Opa, então pode sim. – disse arme com um sorriso no rosto.

— Tem alguém que você goste muito?

— Mas que pergunta é essa, Lire! – Arme corou as bochechas, pela primeira vez Lire viu a garota se envergonhar.

— N-não, eu não quis dizer isso... – Lire ficou bem envergonhada e rapidamente tenta explicar. – Sei lá, amigos ou Familiares.

— “Huum”. Mas é claro. O dono da Academia de Magia Violeta, ele não é meu pai biológico, mas me adotou quando eu era um bebezinho ainda. Criou-me como se fosse sua filha! – disse olhando para o céu. – E você?

— Tenho sim, Meu irmão, Ladmir! – Fixava seus olhos no rio... – Ele é tudo pra mim. Você não tem vontade de ir ver seu mestre?

— Claro, mas tenho prioridades no momento... Preciso acabar com a Cazeaje.

— Agora que você falou, também não posso voltar pra casa sem completar essa missão!

Arme se levanta de repente e se pôs a frente de Lire inclinando-se um pouco com as mãos no joelho e com um belo sorriso.

— Vamos nadar! – Arme bem animada.

— O que? V-vamos! – disse Lire ainda um pouco desorientada. Arme já foi logo tirando a blusa e seu short.

— Arme! – gritou. – Você não pode...

— “Han”? Por quê? Você não disse que ia nadar?

— S-sim... Mas com roupa! – disse Lire ficando bastante vermelha de vergonha.

— Mas por quê? Vai molhar a roupa toda!

— E se alguém vê gente?

— Mas o que é que tem? – disse Arme demonstrando bastante inocência. – Deixa de ser mimada, vamos! – Arme sai puxando a elfa.

Lire da uma ligeira olhada para trás, a onde se encontrava o portão para a Grand Chase e acaba tirando suas roupas, ficando apenas com as roupas de baixo.

— Viu? Não tem problema algum. – sorriu.

Lire ficou bastante tímida no começo, mergulhando na água até o nível da boca, fazendo seus cabelos ondularem, mas a água era tão clara que ainda dava pra ver todo o seu corpo. Logo começaram a brincar e tacar água uma na outra. Ficaram ali por bastante tempo, e nem viram as horas passarem. O lugar parecia mesmo isolado, ninguém passava por ali, até que...

— Arme, tem alguém vindo!... – disse Lire em desespero.

— Onde?

— Se esconde! É aquele ruivinho que estava na sala da comandante. – disse Lire bem baixo.

— O que vocês estão fazend... – o garoto se interrompe ao perceber que as garotas estavam apenas com roupas de baixo, cobrindo seus olhos – Mas que diabos esta... Quero dizer... – Jin desesperado sem saber o que fazer.

Lire estava vermelha de tão tímida, não sabia a onde colocava a cara. Escondia-se atrás de Arme o tempo todo.

— A gente está nadando... Mas se bem que esta ficando frio.

— Eu estou vendo. E-eu já... eu já vou indo! – Jin saiu disparado.

— “Ei”, espera. Como você se chama? – gritou Arme, mas Jin nem olhou pra trás. – Mas que garoto mais estranho!

— Ele já foi? – perguntou Lire ainda se escondendo.

— Sim, sim. Saiu desesperado. Bem, eu também já vou indo. Até mais, Lire! – disse Arme já saindo da água e vestindo suas roupas.

— Até mais! – Lire já saindo da água e logo observando Arme adentrar e sumir pelos portões da Grand Chase.

Lire também veste suas roupas e parecia não acreditar que alguém a viu nadando somente com as roupas de baixo, mas preferiu esquecer isso. Já era tarde, e o sol já estava se pondo. O céu estava bem alaranjado no horizonte, e já ventava muito, até parecia que iria chover, mas Lire não conseguia se levantar para poder ir embora. Parecia que algo estava segurando e ela mesma sabia o que era: As lembranças de seu irmão e a paisagem que a fazia lembrar-se de sua terra natal. Pensava o tempo todo se seu irmão estava bem.

De repente um barulho acontece no meio da floresta que ficava do outro lado do pequeno rio. Uma luz roxa parecia ter destruído no mínimo umas duas árvores, ela não tinha visto de onde essa luz veio, parecia ter surgido do nada e caído no meio da mata. Lire ainda com o coração acelerado pelo susto, levanta e sai correndo até o local para ver o que havia acontecido. Atravessa a pequena ponte e entra na floresta, simplesmente seguiu a poeira que “aquilo” havia feito. Ainda tinha sol, mas estava um pouco escuro pelo fato das árvores reterem um pouco da luz. chegando ao local, não parecia acreditar no que havia visto, estava espantada, era um garoto deitado inconsciente atrás de uma árvore. Aparentava uns 18 anos, mas não era um garoto comum, tinha cabelos com um tom de vinho que tampava sua testa, orelhas grandes e pontiagudas, estava com a boca entreaberta e pôde-se ver os seus dentes caninos um pouco maiores que o normal e bastantes pontiagudos. A camisa aberta mostrando todo seu peitoral e barriga. Em sua cintura dois cintos cruzados, usava uma calça preta, mas o que mais lhe chamou a atenção foi o par de chifres que ele tinha, mas não impediu de ficar encantada com a aparência do garoto que parecia muito machucado.

— Você está bem? – indagou Lire tentando acordá-lo, mas sem sucesso, estava inconsciente e sangrava muito. – Tenho que estocar o sangue! – Lire tira a blusa do garoto e parte em vários pedaços, estancando seus ferimentos, não havendo pedaços suficientes, rasgou um pedaço de sua saia e acaba de cuidar dos ferimentos do garoto. Ela não podia deixa-lo ali sozinho e também estava muito longe da Grand Chase, não poderia ir sozinha então decidiu ficar ali ate que o garoto acordasse. Ficou cada vez mais escuro e a noite estava fria, então decidiu fazer uma fogueira. Lire sentou-se no chão, encostou-se a uma árvore, e colocou a cabeça do garoto sobre seu colo.

Finalmente o garoto se mexeu e deu um longo suspiro, gemendo um pouco de dor. Ao abrir os olhos à primeira coisa que vê foram os olhos esverdeados da elfa que passava a mão nos seus cabelos. Lire olha fixamente para os olhos do garoto, e assusta sem demonstra, os seus olhos eram vermelhos.

— Onde... Estou? – Disse o garoto com muita dificuldade ao sentar-se de costas para Lire.

— Você está em Vermécia, perto da Grand Chase! – estava bastante sem graça.

— Grand... Chase? – o garoto ainda gemia bastante, logo desviou o olhar.

— Sim, você não conhece? – perguntou Lire.

— Já ouvi falar. Foi você quem fez esses curativos em mim? – ainda de costas e olhando de “rabo de olho” para a garota.

— S-sim... Eu não tinha itens de primeiro socorros então usei sua blusa e minha saia pra estancar o sangue. – tímida como sempre.

— Obrigado! – Olhando para frente.

— Você é uma espécie de elfo?

— Não!

— Então o que você é? Não conheço outra raça que tenha orelhas que nem as nossas. – disse Lire, engatinhando para frente do garoto e o mesmo olha ligeiramente para as orelhas da elfa e desvia o olhar. – E que espécie é essa que tem chifres?

— Você faz perguntas demais!

— Me desculpa! – desvia levemente o olhar, estava envergonhada.

O garoto fica impressionado com a feição tão bonita da garota. Os dois permanecem conversando por um longo tempo, já estava de madrugada.

— Você não me disse seu nome, garoto. – disse Lire bastante curiosa.

— Você não precisa saber... Garota! – disse com tom de deboche. – E além do mais, eu sou muito mais velho do que você, não me chame assim! – exclamou e logo se impressionando com o sorriso que Lire deu.

— Eu me Chamo Lire Eryuell, muito prazer! – erguendo sua mão para cumprimenta-lo.

— O prazer é meu, Lire! – segurando a mão da elfa. – Não esta tarde para você ir embora?

— Esta sim, mas fiquei com medo de deixá-lo sozinho aqui. E além do mais, fica um pouco longe daqui.

— Fez muito mal, mas mesmo assim obrigado. Vou ficar aqui com você até o amanhecer!

— Obrigada... – Lire não sabia como chama-lo. – garoto...de chifres...

— Eu já disse que sou muito mais velho do que você! – disse já um pouco irritado.

— Esta bem, esta bem... Não precisa ficar nervoso.

A noite foi passando e eles não paravam de conversar. Logo o sono veio e a garota deitou-se. Lire Dormiu primeiro e no meio da noite, sem querer colocou a cabeça em cima do colo daquele homem que ainda estava acordado sentado e encostado em uma árvore, mas não achou ruim.

No dia seguinte Lire acordou e o garoto não estava do seu lado, sentou-se rapidamente e olhou para todos os lados, mas não avistava ninguém além de árvores e a forte luz do sol entre as árvores. Os pássaros já cantarolavam bem alto. Ela imaginou que ele deveria ter ido buscar algo, ou ate mesmo ter ido beber água. Esfregou os olhos e observou que o garoto tinha tirado todos os seus curativos e deixado uma carta.


(Inicio da carta)

Eu disse que iria ficar até amanhecer, e fiquei... Eu queria ter ficado, mas tenho assuntos importantes a tratar... Cuide-se, Lire!

(Final da carta)

— Mas que garoto... Estranho... e misterioso. – pensou Lire muito triste, pegando a blusa rasgada do garoto e apertando contra o peito.


Notas finais
Muito obrigado galera, continuem acompanhando e dando review. o>