Vejo a areia dourada debaixo da água salgada sob meus pés pálidos e de repente percebo que estou chorando.

É tudo tão bonito, tão solene: a natureza e sua beleza assustadora e infinita que nos engole com seu silêncio e tempo ritmado. Se a natureza é bonita eu também deveria me considerar porque sou parte dela, mas não faz sentido- sou desconexa, uma rebelde tímida e calada, uma questionadora eterna, existencialista e lapidada, uma romântica decepcionada.

A natureza não é confusa como eu, bipolar, paradoxal, eterna dúvida adolescente. Não. É singela em seu processo de vida e morte, é devastadora, feroz mas destinada, ela é a união, o todo, a consciência, a verdade estampada e exposta impercebida por todos.

Olho novamente para o dourado sob meus pés.

Eu sou apenas um grão.

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