Gotten
4 3. Kit Kat
Notas iniciais
Me reviro nos lençóis que mamãe arrumou para mim na sala e descubro meu corpo; minhas costas doem e minha cabeça lateja. Cheguei em casa tarde ontem porque não sabia meu próprio endereço e, por uma incrível coincidência, meus pais estavam na rua, trocando carícias no sereno da madrugada; ambos franziram o cenho ao me ver com o casaco de Richard nos ombros, mas eu nem me importei.
Conheço um lado dele que nenhuma menina jamais foi capaz de conhecer e fico grata por ele não me ver apenas como um objeto sexual.
Jogo os cobertores e lençóis longe e me levanto, espreguiçando meu corpo adormecido e esticando meus braços; bocejo preguiçosamente e entro na cozinha. Pego um copo no armário sobre a pia de mármore e abro a geladeira, procurando a caixa de suco que abri durante a viagem de carro; coloco ambos sobre a pedra fria e volto a bocejar, sentindo meus olhos marejarem por consequência.
Coço a cabeça e derramo o suco no copo; não está gelado, mas também não está quente, é quase como um meio termo entre os dois. O gosto de pêssego forte deve ficar na minha língua até, pelo menos, a hora do almoço, por mais que escove os dentes várias vezes.
Alguém toca a campainha e sou capaz de ouvir os grunhidos sonolentos dos meus pais; se eu estivesse mais bem-vestida (meu pijama é uma bela bagunça de tons e cores), até atenderia, mas prefiro não fazer isso. O toque é insistente, então desisto de esperar pelos meus pais e largo o copo na pia; abro a porta com rapidez e me surpreendo ao vê-lo parado ali.
Seus olhos ficam mais escuros e ele morde o lábio inferior, me olhando de cima a baixo; cruzo os braços sobre o peito e me encosto à porta, encarando-o nos olhos.
– Bom dia – ele diz com a voz rouca.
– Bom dia – repito, mordendo o lábio inferior – Mesmo estando cheio de nicotina e álcool no sangue você ainda assim conseguiu lembrar do meu endereço.
– Coisas importantes são difíceis de esquecer – ele balbucia e, em seu rosto, um sorriso transparece.
– Idiota – eu rio – O que veio fazer aqui?
Ele parece pensar no que dizer antes de me responder; descruzo os braços e seguro a porta com força, deixando os nós dos meus dedos brancos. Meus pais conversa sobre processos penais e papai inventa uma nova piada que faz mamãe morrer de rir; eu, sinceramente, nunca entendi nenhuma delas.
Viro o corpo para olhá-los e vejo a felicidade no rosto de mamãe ser substituída por medo, talvez até mesmo ódio. Papai envolve a cintura dela com os braços e eu sorrio para os dois, tentando afastar aquele clima tenso e, pelo amor dos céus, rezando para que Richard não invente de falar com eles.
– Bom dia! – ele joga minhas preces no lixo bem na minha frente – Eu vim aqui perguntar se Katherine…
Katherine?
–… poderia sair comigo hoje! Eu e mais alguns amigos vamos mostrar a cidade para ela!
Automaticamente, a expressão conjunta dos meus pais abandona o medo, substituindo-o por, eu acho, alegria. Mamãe dá um enorme sorriso e papai faz o mesmo; eu amo muito os dois, mas detesto quando eles fazem as mesmas coisas, agem e fingem gostar dos mesmos assuntos; é arte meio irritante!
– Ah, claro – meu pai desce as escadas, apertando a mão de Richard e bagunçando meus cabelos um pouco mais – Sinto muito pela bagunça, meu rapaz! Pode entrar!
– Não tem problema – ele ri, sendo puxado para dentro – Vocês já viram a bagunça que é a minha oficina.
– Falando nela – mamãe interrompe e eu escondo o rosto nas mãos – Por que você não está trabalhando?
– Hoje é domingo – ele balança a cabeça – Não abro a oficina aos domingos.
– Certo – mamãe fala incrivelmente devagar, como se ainda quisesse arrancar alguma mentira dele; é coisa de advogado, sempre fazem isso comigo.
– Posso ir? – quebro o clima e, de repente, três pares de olhos me encaram fixamente.
– Ir aonde? – mamãe pergunta, cruzando os braços sobre o pijama amassado.
– Richard disse que me mostraria a cidade junto com uns amigos que fiz ontem à noite – eu arregalo os olhos – Céus, vocês dois são mesmo um caco de manhã cedo! Tinha me esquecido disso!
Eles inclinam a cabeça para o lado e eu bufo, segurando o pulso de Richard com força e puxando-o escada acima. Meu quarto ainda está cheio de caixas e mal posso esperar até que ele esteja pronto! Peço a ele para se sentar no papelão que estendi no chão e, mais uma vez, peço desculpas pelo fato de não ter uma melhor acomodação, mas ele só balança a cabeça e me diz que aquilo vai ser melhor que sua própria cama (o que acho bem difícil).
Entro no banheiro e fecho a porta com rapidez, trancando-a em seguida; ajeito os cabelos, xingando a mim mesma por não tê-los ajeitado antes de abrir a porta. Eu os escovo com rapidez, desfazendo os nós que fiz enquanto dormia; ouço o som de caixas sendo chutadas e xingamentos sendo proferidos por ele ao chutar uma delas, suponho.
Há algumas roupas que deixo no banheiro por precaução, caso que tenha de me apressar para sair e, agora, agradeço muito a mim mesma por ter feito isso. Retiro o pijama, embolando-o e enfiando toda a roupa suja dentro do cesto; ponho uma blusa onde há duas moedas de dez centavos e, debaixo, há escrito as palavras: “não são vinte centavos”. Sempre achei essa estampa genial!
Coloco a calça jeans apertada – que, infelizmente, foi a única que deixei no banheiro – e abro a porta, dando de cara com ele, observando meus livros como se fossem tesouros recém-descobertos. Calço os tênis em silêncio e dou um peteleco em sua orelha, fazendo-o saltar de susto.
– Podemos ir – eu rio – Eu tinha que ter filmado a sua reação.
– Engraçadinha – ele apertou minha bochecha – Lanie vai nos encontrar no Grill depois, quer vir conosco?
– Não volto pra casa cedo hoje, volto? – cruzo os braços sobre o peito e vejo o sorriso miúdo começando a aparecer em seu rosto – Vamos logo, antes que eu mude de ideia!
– Eu sempre soube que você não resistia a mim! – ele cantarola enquanto saímos do quarto.
△
Nós caminhamos pelas ruas – todas iguais, eu mantenho o testemunho! – e, a cada virada de esquina, uma nova menina acena para ele. Algumas chegam até a jogar beijos para ele; as roupas são demasiadamente vulgares e eu sequer me dou ao trabalho de revirar os olhos. Pela minha sanidade, prossigo o caminho sem sequer olhar para elas, mas os sons de beijos e risadinhas toscas conforme vamos passando começa a me irritar profundamente! Ergo os olhos para ele e vejo sua expressão convencida quando revira os olhos para mim; dou de ombros e solto um suspiro alto, atraindo sua atenção. Sorrio para ele e, assim que as meninas dessa esquina já estão longe, cruzo os braços e encosto o corpo numa parede.
– Não cansa? – eu quase rio – Fala sério! É como se você tivesse uma ninhada de filhotes de cachorro atrás de você!
– É simples, Flor – ele põe um cigarro entre seus lábios – Foda alguém direito e essa pessoa se apaixona pelo seu toque, não por você.
Torço o nariz e balanço a cabeça em negação; o que ele disse é algo machista e eu não concordo com suas palavras. Talvez aquelas meninas sintam alguma coisa por ele porque, de qualquer forma, elas deram seus corpos a ele, deixaram que ele as usasse como bem entendesse, então é o que imagino.
– Continua não explicando o motivo de todos os beijinhos e acenos – reviro os olhos quando ele acende o cigarro.
– Elas não vão se apaixonar por mim como pessoa, mas pelo meu toque durante o sexo – ele explica – Pelo menos eu ganho cachorrinhos!
– Isso é extremamente machista – eu torço o nariz – Refresque a minha memória: por que estou andando com você mesmo?
– Porque eu salvei você de ser estuprada ontem à noite pelo menos umas duas vezes – ele traga e cospe fumaça para o lado – E, também, porque não consegue resistir ao meu charme.
– Idiota – eu rio mais uma vez.
– Já ouvi isso hoje, Flor – ele entra na brincadeira – Seja mais criativa!
– Cretino é bom pra você? – pergunto, voltando a caminhar.
– Nunca fui chamado assim antes – ele balança a cabeça – Eu sou o Cretino e você é a Flor; já ouviu falar naquela frase de “os opostos se atraem”?
Eu começo a rir sem motivo; não é que eu não o ache engraçado, mas é que suas palavras geralmente se relacionam a drogas e sexo, e eu não me considero esse tipo de garota. Sei bastante sobre ambos os assuntos, mas não significa que eu já tenha experimentado algum dos dois; sempre escondi essa parte de mim, todos acham que, por já ter namorado por anos com um mesmo garoto, nossas intimidades ficavam escondidas. Mas não era assim; eu não me sentia pronta e ele não aguentou ficar comigo; arranjou uma menina que se despia quando ele mandasse e que faria tudo o que ele desejasse por uma simples carícia. Eu não sou assim e, quando ele percebeu que não conseguiria o que almejava, desistiu de nós, desistiu de mim.
De repente, ele passa o braço sobre meus ombros, calando todos os sons de beijos e risadinhas enquanto passamos; ergo o queixo para olhá-lo a acabo sorrindo para ele, recebendo um sorriso amarelo em resposta. Resolvo não perguntar e encaro as lojinhas começando a abrir; não deve ser muito cedo, mas também não tão tarde.
Provavelmente um horário entre as nove da manhã e o meio-dia.
– Onze e meia – ele diz, chamando a minha atenção; quando volto a erguer o queixo para encará-lo, ele sorri e aponta para o enorme relógio digital do outro lado da rua – Aos domingos o comércio abre tarde.
Os cantos dos meus lábios se erguem e ele beija a minha cabeça, jogando o cigarro para o lado; ele pisoteia a fagulha crescente e, quando vejo, só restam cinzas e a guimba amarelada. Depois, sorri para mim e eu vejo seus dentes, incrivelmente brancos, o que é até meio estranho se considerarmos a quantidade de cigarros que ele fuma por dia.
– Cuido direitinho dos meus dentes, Flor – ele cospe o resto de fumaça no meu rosto e eu acabo tossindo – Eu nunca deixei de fazer limpeza ou nenhum tratamento; não são amarelos porque eu cuido da minha boca.
– Não me deve explicações – dou de ombros – Mas é bem interessante e, por isso quero dizer inútil saber que cuida de seus dentes. Aposto que suas fiéis seguidoras iriam apostar sobre isso…
– Duas verdades e uma mentira – ele pisca para mim – Podemos jogar isso mais tarde.
– Não conheço esse jogo – pisco lentamente e, quando percebo, estamos cercados de meninos cheirando a nicotina.
Cubro o nariz e recuo um passo; eles olham para Richard com o olhar questionador; ele ergue o dedo indicador e os avisa, com a voz mais ameaçadora que consegue encontrar:
– Primeiro de tudo: ninguém vai chegar perto dela a não ser que seja necessário.
– O tigrão aí arranjou uma moça disposta a enjaulá-lo? – eles riem e acendem os respectivos cigarros.
Por precaução, dou mais um passo para trás. Richard olha para mim e semicerra os olhos; posso ver claramente a linha de seu maxilar trincada e seus punhos cerrados. Ouço suas juntas estalarem de tanta força que ele usa ao fechar as mãos.
Toco seu braço e os meninos se calam automaticamente; provavelmente nunca viram uma menina fazer isso com ele sem estar com a língua enfiada em sua garganta. Olho para cada um deles, reconhecendo os dois meninos que precisaram da ajuda dele para fugir de uma prisão indesejada.
– Somos amigos – constato e vejo um dos meninos fazendo aspas discretas com os dedos – Não preciso da credulidade de vocês; se ambos já entendemos quais são os nossos laços, quem precisa de suas respectivas opiniões?
– Calma, Flor! – ele ri, passando um braço por cima dos meus ombros – Eles são babacas, mas não precisa se exaltar tanto assim!
– É isso aí, Flor – o menino das aspas caçoa – Nós estamos brincando com vocês, caso não tenham percebido.
– Caso não tenham percebido – é a vez de Richard caçoar um pouquinho – A brincadeira de vocês chegou longe demais. Não quero que falem mal dela ou a usem como um objeto em suas brincadeiras porque sequer a conhecem.
– E espero que nem se atrevam a tentar conhecer – acabo soltando antes de conseguir engolir as palavras; vários pares de olhos se viram para mim – Não suporto estereótipos e não quero que me tratem diferente só porque tenho uma vagina entre as pernas; não significa que tenha que ser um objeto para as diversões sádicas de vocês.
– Mesmo se tentassem fazer isso – ouço a voz de Lanie vinda de trás – Pode ter certeza que iriam se ver com nós duas, Kate; iriam aprender que o sexo feminino não é o sexo frágil.
– Lanie! – Richard me solta e vai até Lanie, que o recebe com um abraço apertado – Pensei que o brutamontes do seu namorado não deixaria você vir!
– Pois é – Javier murmura atrás dele e eu começo a rir – Kate! Pensei que não viria, que surpresa!
Ele começa a se aproximar de mim e me toma em seus braços, beijando o topo da minha cabeça; envolvo o corpo dele com os braços e o aperto de volta. O perfuma que ele usa invade as minhas narinas e eu tenho que me controlar para não espirrar.
– Eu não quis dizer brutamontes – Richard tenta consertar o que fez – Eu quis dizer lindo e gentil e…
– Já sei – Javi revira os olhos – Não comece a se explicar porque acho que suas palavras não são o suficiente, babaca.
– Ouch – acabo soltando, recebendo um olhar lotado de incredulidade – Desculpe, mas você mereceu.
– Minha melhor amiga em todo o mundo acabou de me trair! – ele recebe um murro no peito vindo de Lanie – Ei! O que foi que eu fiz pra você?
– Melhor amiga em todo o mundo? – ela ergue as sobrancelhas e eu rio – Primeiro, ela rouba a atenção do meu namorado e, agora, rouba a minha posição de melhor amiga em todo o mundo! Olha aqui, eu acho que vou precisar dar umas porradas na cara dela!
– Flor, eu vou poupar você! – ele ri – Corre!
– Espero que seja tudo brincadeira – começo a rir também – Porque, eu juro, nunca entrei numa briga em toda a minha vida e não quero que a primeira aconteça agora.
– Relaxa! – Lanie ri, se enfiando por debaixo dos braços de Javi e, de repente, estamos os três entrelaçados – Podemos dividi-los.
– Não sei por que, mas me parece uma ótima ideia – Javi brinca, roçando o nariz na bochecha dela.
Eu rio e sou tirada dos braços de Javi por Richard, que me envolve num abraço também; não entendo o motivo dele, mas deixo que passe seus braços pela minha cintura e deito a cabeça em seu peito. Ele não usa perfume, o que agradeço muito.
De repente, os meninos começam a caminhar para algum lugar e, como um grupo de adolescentes procurando diversão, começamos a andar atrás deles. Meus quadris batem nas coxas de Richard e, por um momento, percebo o quão mais alto ele é; tenho que erguer o queixo para olhá-lo e ele parece perceber meus olhares porque abaixa a cabeça e sorri para mim, ajeitando minha franja atrás das orelhas. Volto a olhar para os meus tênis, já sujos de barro e terra e, subitamente, começo a ouvir os barulhos de beijos e risadinhas sem graça; desvencilho-me dele e começo a andar ao lado de Javi, que volta a passar o braço por cima dos meus ombros.
– É chato, né? – Lanie pergunta – Sempre foi assim e vai continuar sendo até que ele esteja velho demais para chamar atenção; não nego, ele é bonito…
– Ei! – Javi protesta.
–… mas eu não trocaria esse brutamontes aqui por ninguém mais – ela completa – Deixe de ser tão ciumento! Eu escolhi você, não escolhi?
– Sim, mas falando de meninos assim o tempo todo acho que… – ele para e olha para mim, piscando – Vamos ter uma DR agora e não acho que vá gostar de participar.
– Captei o recado – aceno – Podemos conversar quando terminarem, eu vou estar… ali.
Richard se ocupa com um grupo de meninas que parecem turistas e Lanie e Javi começam a discutir alto; só me restam duas opções… ou a) fico sozinha esperando que algum deles venha me dar atenção ou b) tento me socializar com o grupo de meninos lá da frente, que começam a rir sem que haja nada engraçado pelo caminho.
Respiro fundo e tento comparar as duas para descobrir qual das duas opções é melhor, porém, sou tirada dos meus devaneios por uma mão em meu ombro. Viro o pescoço e vejo a última pessoa que desejava ver; ele parece dez anos mais velho e há enormes bolsas roxas debaixo de seus olhos. Quase solto um arquejo ao vê-lo, mas consigo engoli-lo antes que saia da minha garganta.
Antes que eu possa sequer falar com ele, seus braços envolvem a minha cintura e ele me puxa de encontro a seu corpo; eu arfo de surpresa e, antes que possa desvencilhar-me de seus braços, seus lábios já pressionam os meus com força e sua língua já invade a privacidade da minha boca. Forço seu corpo para trás, mas ele parece mais forte do que antes e, por isso, meu esforço é todo em vão; lembro que ele sempre foi assim e, para impedi-lo de continuar, faço algo que jurei que nunca faria.
Quanto mais ele aprofunda o beijo, com mais raiva fico e, por isso, quando ele move a língua pela minha boca, eu a mordo com força, fazendo-o se afastar com um berro de dor; limpo o rosto com as costas das mãos e tusso, enojada com o que quer que tenha estado em sua boca antes de ele me beijar.
Richard percebeu meu desespero, porque largou as meninas de lado e, agora, tem-me atrás de seu corpo como um guarda-costas protegendo seu contratante. Mesmo só vendo seu perfil, ele parece estar com raiva, porque seus punhos voltaram a se cerrar e seu maxilar está trincado com força.
– Quem é esse, Kit Kat? – ele pergunta com ironia na voz e eu vejo as sobrancelhas de Richard se elevarem.
– Que tipo de apelido é Kit Kat? – ele olha para mim e eu sinto as bochechas fervendo – Quem diabos é você?
– Eu deveria estar fazendo essa pergunta a você, babaca – retruca.
Antes que eu possa impedir qualquer contato dos dois, Richard avança para cima dele e não há nada que eu possa fazer para pará-lo. Lanie cobre a boca com ambas as mãos e vejo Javi e mais todos os outros meninos tentando retirar Richard de cima de William; meu coração palpita no peito e, antes que eu me dê conta, meu corpo está envolvido nos braços de Lanie, que deixa que eu apoie minha cabeça em seus ombros e espere até que os dois estejam em lados distintos da estrada.
Não faço ideia do que fazer depois, mas há uma coisa que eu não posso, em circunstância alguma, fazer: fugir da realidade.
Posso ter terminado com William, nós dois podemos ter seguido caminhos distintos e eu posso ter mudado de cidade, mas se há uma coisa da qual me lembro sobre ele é que sempre foi muito teimoso e sempre consegue tudo o que quer e, até onde sei, Richard também é assim… por mais que eu esteja fugindo de gente assim, parece ser um fardo que eu tenho que carregar.
E, enquanto mantiver contato com qualquer um dos dois, é isso que vou ter que presenciar todo o tempo: possessividade e ciúmes. Eles são os caçadores de recompensas e eu sou a joia preciosa; só o tempo poderá dizer qual dos dois conseguirá a recompensa.
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