Gotten

14 13. Ressaca / "Seus mentirosos!"


Notas iniciais
OIEEEE CUPCAKES!!!!! Eu disse que ia vir aqui pra postar pra vocês mesmo que devesse estar comemorando o aniversário com a família, então não duvidem do meu amor por vocês kkk quero receber os parabéns lá embaixo, hein! =) Então, na verdade o capítulo não saiu EXATAMENTE como eu queria, mas acho que ficou suficientemente bom, e foi o melhor que pude fazer dentro do prazo que estabeleci com vocês, né! HAHAHAHA =* Também acho que o final ficou muito ":O" e vocês vão querer tacar o chinelo em mim, mas lembrem-se que faço aniversário hoje e que machucar a aniversariante não é nada legal! kkkkk Boa leitura! =*

Anteriormente, em 'Gotten':

Ela praticamente desmaiou, deitada de lado, com o rosto encostado no chão. Eu sei que se carregá-la para fora agora, ela provavelmente vai acordar e ter ânsia de novo, mas não quero deixá-la desse jeito, deitada perto da privada. Por isso me deito ao lado dela e passo o pano em sua testa, braços e ombros por horas, até que finalmente adormeço com ela.

Nunca pensei que eu dormiria intencionalmente no chão de um banheiro ao lado de uma privada, sóbrio, mas falei sério quando disse que dormiria com ela em qualquer lugar.

~?~

Tudo doía.

Eu tinha certeza de que tinha feito coisas terríveis noite passada, embora não conseguisse me lembrar exatamente do que havia feito. Sabia que tinha bebido, porque o gosto remanescente em minha língua não era exatamente um dos melhores; meus olhos doíam, muito embora ainda estivessem fechados, protegidos da luz incrivelmente forte do local onde eu me encontrava. Pela frieza do espaço debaixo do meu corpo mole, soube que muito provavelmente estava deitada no chão – de onde, exatamente?

– Flor? – ouvi baixinho; flashes de memória começaram a estalar na minha cabeça, e eu soube exatamente o que tinha acontecido.

Uma fileira inteira de shots de tequila, limão e sal descendo pela minha garganta, queimando-me de dentro para fora; o ciúme excessivo levando-me a fazer as piores escolhas que podia ter feito em toda a minha vida e, finalmente, Rick. Ele estava lá quando eu passei mal, quando não conseguia mais andar de tão tonta que estava; chegou a dormir no chão do banheiro para que eu não ficasse sozinha.

Lentamente, tentei abrir os olhos, mas ele não deixou, tapando-os com sua mão; o cheiro de sabão e algo que muito se assemelhava a pão fresco encheu as minhas narinas, inundando os meus sentidos, e o monstro que vivia em meu estômago fez-se presente quando roncou alto, mais alto do que jamais pensei ser possível.

– Minha cabeça dói – suspirei; até mesmo falar doía.

– Eu sei – ele respondeu, rindo baixinho – É assim mesmo; deve demorar algum tempo pra passar. A primeira ressaca é difícil pra todo mundo, Flor, mas você não vai estar sozinha.

– Eu sei…

E eu sabia mesmo.

Rick não sairia de perto de mim enquanto eu não melhorasse, e muito embora eu quisesse que ele me abraçasse até que eu ficasse sem ar, enchesse-me de beijos afetuosos e ficasse encolhido, entrelaçado comigo debaixo dos lençóis, mesmo o mínimo movimento fazia a minha cabeça doer e latejar como o inferno, e tudo o que eu podia fazer era… bem, eu não podia fazer absolutamente nada contra isso.

– Céus – gemi, tocando a cabeça e afastando a mão dele do meu rosto; pisquei e, acostumando-me à luz forte do cômodo estreito, foquei em seu rosto que, mesmo embaçado, parecia preocupado com o meu estado – Devo estar horrível.

Ri para tentar parecer descontraída, mas ele sabia que eu não estava legal; eu podia ver pela expressão de preocupação em seu rosto que ele simplesmente sabia que eu demoraria a me adaptar àquilo, que eu nunca mais quereria colocar sequer uma gota de álcool na boca e que, talvez, jamais quisesse sequer olhar para uma garrafa de tequila, limões ou mesmo um punhado de sal em muito, muito tempo…

– Eu trouxe pão e café da mercearia – ele explicou, ajudando-me a ficar de pé e, depois, a adquirir o equilíbrio que pensei ter perdido noite passada quando resolvi colocar a maldita tequila na boca.

– Estou com uma puta fome – bufei, fechando os olhos por um momento – E também estou tonta como o inferno; isso é normal, não é? Digo, depois de beber tanto quanto eu bebi ontem à noite…

– É – ele riu baixinho – Sabe, se você quiser… hum, eu não vou me importar em carregar você no colo.

– Só porque estou de ressaca, e eu nunca pensei que fosse dizer isso, não significa que eu esteja inválida, Rick – rebati – Mas acho que vou aceitar a sua proposta.

Ele riu e, lentamente, colocou-me em seu colo; tomei o cuidado de não me mover muito enquanto ele me carregava até os cômodos que eu não conhecia. A cozinha era incrivelmente arrumada se comparada ao quarto; armários se expandiam por todas as paredes, e não havia sequer uma louça suja na pia. Com tanta lentidão quanto a que usou para me colocar em seu colo, ele me sentou na banqueta e apoiou-me na parede de azulejos claros.

O saco pardo estava aberto, e era de lá que vinha o cheiro maravilhoso que acordou o monstro que vivia em meu estômago; suspirei ao ouvir o som da crosta crocante do pão sendo amassada quando Rick começou a prepará-lo para mim.

Apoiei a cabeça nas mãos e olhei para ele, sorrindo tão amplamente que pensei que minhas bochechas fossem se transformar em balões que, de repente, explodiriam. Notando a minha atenção no que estava fazendo, ele ergueu os olhos para encontrar os meus e, lentamente, os cantos de seus lábios se ergueram, fazendo seus olhos ficarem apertados e miúdos; fechei os olhos por um curto momento e suspirei alto.

– O que foi? – ele riu, largando o pão e a faca sobre o prato de vidro escuro.

– Nada – eu ri baixinho, ignorando o latejar insistente – Eu só… não sei. Nunca pensei que fosse ver você fazendo o café da manhã de alguém, principalmente o meu. Sempre pensei que pudesse ser o contrário, sabe; como se…

– Como se fosse impossível que eu tivesse o mínimo senso – ele completou, sorrindo enquanto tornava a segurar a faca.

– Quase isso – assenti – Mas não sei, acho que gosto desse novo você.

– Hum – ele ergueu uma das sobrancelhas, e um sorriso malicioso tomou conta de sua expressão enquanto ele empurrava o prato para perto de mim – Por algum motivo, essa afirmação me agradou, e agradou muito!

– Cale a boca – ri, mordendo um pedaço do pão.

Rick riu alto, jogando a cabeça para trás enquanto caminhava até a pia de mármore polido, alcançando o copo de café e esticando o braço para entregá-lo a mim; assim que o tive em mãos, inclinei-o o máximo que pude, mas assim que senti o gosto amargo do café expresso, cuspi, sem conseguir me conter.

Não me leve a mal, eu amo café, mas se tem uma coisa que eu odeio é café expresso.

– Opa – ele riu – Eu sei que é ruim, eu também detesto, mas…

– ‘Mas’ coisa nenhuma – pus o copo de lado – Eu me recuso a beber café expresso.

– Não me faça derramar esse café pela sua garganta, Flor – ele arqueou as sobrancelhas enquanto eu punha o pão de volta no prato; lentamente, ergueu seu braço e, com cuidado, limpou o meu rosto.

Migalhas caíram sobre as minhas roupas e eu quis esconder o rosto de tão envergonhada que estava; sinceramente, eu nunca fui do tipo que se encontrava em estados deploráveis na frente de outras pessoas que não os meus pais, mas Rick parecia ter a habilidade de me fazer parecer estúpida em qualquer situação, e isso é desde que cheguei à cidade. Eu o amo e ao mesmo tempo o odeio por isso…

– Beba – ele piscou – Se não vou ser obrigado a tomar medidas extremas.

Olhei para o copo de café expresso, inalando a fumaça amarga do líquido preto; respirei fundo antes de levar a beirada do plástico até os meus lábios, fechando os olhos antes de virar o conteúdo do copo dentro da boca, sentindo a amargura tomando conta dos meus sentidos. Cerrei os olhos com força e pus o copo com força sobre a mesa, abrindo a boca, tentando formular qualquer coisa, mas tudo o que saiu da minha garganta foi um gemido incompreensível.

– Vou buscar uns analgésicos – ele se pôs de pé, beijando o topo da minha cabeça e afastando-se de mim; respirei fundo e abri os olhos com lentidão, gradativamente, esperando que meus globos oculares se acostumassem à luz forte.

Bufei, pondo-me de pé com dificuldade; meu corpo todo doía, e talvez aquilo fosse uma consequência de ter dormido no chão de azulejos do banheiro. Queria me enfiar debaixo dos lençóis escuros da cama dele, enrolar-me em seus travesseiros e roupas e simplesmente fechar os olhos, esperar o sono me envolver como uma manta quente; minha cabeça parecia a ponto de explodir, e isso só me fez assegurar a mim mesma que nunca mais – e quando digo isso, digo de verdade! – poria sequer uma única gota de álcool na boca.

Ouvi o som de armários sendo fechados com força e, finalmente, uma risada baixa chegando perto e, quando virei a cabeça para olhar para Rick, ele tinha um comprimido branco e redondo entre os dedos. Colocando-o na palma da minha mão, ele encheu um copo com água e colocou-o à minha frente; com lentidão, e até um pouco de hesitação, pus o analgésico sobre a língua e empurrei-o garganta abaixo com a água.

– Por que você me deixou beber daquele jeito? – reclamei enquanto ele ajoelhava ao meu lado, olhando-me nos olhos.

– Porque você parecia estar se divertindo, Flor – ele ajeitou as mechas rebeldes do meu cabelo atrás das minhas orelhas – E eu só queria que você se divertisse, sem pressões ou barreiras; com certeza, eu não iria impedi-la de tentar, experimentar coisas novas.

– Eu te odeio – bufei, fechando os olhos – Eu te odeio mais do que jamais odiei alguém.

– Mentirosa – ele apertou o meu nariz, aproveitando-se da minha impossibilidade de ver – Eu sei que me ama.

– Convencido – reclamei – Estou com a cabeça prestes a explodir, fale mais baixo.

– Vamos lá – ouvi seu corpo se movendo e, quando notei, estava em seus braços – Vou colocar você na cama.

– Já dormi demais – adverti, embora tudo o que eu quisesse fosse dormir mais um pouquinho, talvez algumas horas a mais.

Mas ele sabia que ficar acordada não era o que eu queria, e por isso fez tudo direitinho: colocou-me sobre o colchão, envolveu-me nos lençóis escuros e fechou as cortinas do quarto, transformando-o no local perfeito para mim naquele momento. Quando estava prestes a me soltar, porém, eu o prendi pelo pescoço, impedindo-o de se afastar de mim; ele riu baixinho em meu ouvido, subindo em cima de mim e beijando a minha testa.

– Não vou a lugar algum, Flor – ele sussurrou – Estarei aqui quando você acordar.

Respirei fundo, soltando-o com lentidão; rindo, ele se acomodou ao meu lado, puxando-me para perto e, quando deitei minha cabeça em seu peito, não senti o perfume tão característico de cigarros que ele costumava ter. Pisquei lentamente, olhando para Rick à procura de respostas para aquela mudança, mas tudo o que ele fez foi me apertar com um pouquinho mais de força, beijando o topo da minha cabeça e piscando para mim com um sorriso de canto surgindo em sua expressão.

Sorri de volta, mordendo o lábio inferior; se ele havia mudado daquele jeito só para conseguir mostrar para mim que poderia ser uma pessoa diferente, ele definitivamente tinha conseguido, tinha mostrado que, independente de quaisquer influências externas, ele era capaz de mudar por alguém que amava. E eu estava feliz por vê-lo mudado, por ter conseguido fazer com que mudasse.

– Parei – ele suspirou.

– O quê? – respirei pesadamente, fechando os olhos.

– De fumar. Eu parei.

– Fumar danificava a sua saúde – disse, simplesmente.

– Amar você e não ser correspondido poderia ter causado o mesmo estrago – ele brincou; ri baixinho, esfregando as pernas nas dele – Eu amo você.

– Eu também amo você – sussurrei; depois, bocejei preguiçosamente.

Minhas pálpebras pesavam, e tudo o que eu queria era dormir, sentir seus dedos fazendo carinho nos meus cabelos, nas minhas costas, seus lábios roçando na minha pele, nos meus lábios… eu queria adormecer em seus braços, dormir e saber que poderia vê-lo quando acordasse. Não sabia exatamente quando passei a amá-lo, e muito menos quando resolvi admitir isso para mim mesma, mas desde o momento em que o conheci, soube que havia muito mais entre nós do que qualquer um jamais poderia colocar em palavras.

Talvez eu estivesse errada em pensar que Rick era aquele tipo de garoto que eu abominava, e talvez eu estivesse errada em julgá-lo pelo que ele aparentou no início – a única coisa que eu sei, agora, é que ele é a única pessoa que parece me completar. Somos completos opostos, como a lua e o sol, e talvez seja isso o que nos faz extraordinários juntos.

Juntos… ainda é difícil crer que estamos realmente juntos, como um casal de verdade. E, embora não tenhamos admitido para ninguém além de nós mesmos que estamos juntos… é bom saber que ele é meu, que sou dele, que somos um do outro, sem mais ninguém entre nós. É simplesmente… maravilhoso e…

Ouvi o som da maçaneta sendo girada e, antes mesmo que pudesse abrir os olhos, afastar o sono e me situar, ouvi o grito estridente machucando os meus ouvidos e cabeça em ressaca:

Seus mentirosos!

Notas finais
Opaaa! x_x Quem é, cupcakes? É até meio óbvio, masokey kkkk Divulguem pra aniversariante! =) comentem, favoritem, recomendem, acompanhem e mandem pros fóruns e grupos de fanfic dos quais façam parte! Receber novos leitores de presente... hummm, adoro kkk Vejo vocês nos comentários! (e lembrem-se de mandar sugestões!) =) Beijo grande =**