Got My Heart In Your Hands
181 O futuro é nosso
Notas iniciais
Pierre’s POV:On
Depois de irmos ao zoológico,voltamos pra casa,David e eu resolvemos fazer macarronada,passamos no mercado e compramos tudo o que tinha direito,depois voltamos pra casa.
Levei Melanie e Lennon até a sala enquanto David tirava as compras do carro,e coloquei um filme para que elas assistissem,Harry Potter, e assim podíamos fazer o almoço tranqüilos.
Fui até a cozinha e encontrei David “lutando” contra o pacote de macarrão:
-O que você ta fazendo? – Eu perguntei me segurando para não rir.
-Tentando abri isso aqui. – Ela apontou para o pacote.
-Isso eu sei,mas David...qual é a dificuldade de abrir um pacote de plástico? P-L-Á-S-T-I-C-O David. – Eu disse bem devagar soletrando as letras.
-Ah cala a boca e vem me ajudar.
-O que eu vou ganhar por isso?
-Eu sei o que você vai ganhar se não vier me ajudar.
-O que eu vou ganhar se eu não te ajudar? – Eu disse me aproximando e o provocando-o.
-Um rolo de macarrão na cara.
-Isso parece perigoso.
-Seu lindo rostinho vai ficar inchado. – Ele disse sorrindo assombradamente.
-Eu sei que sou lindo. – Eu disse chegando mais perto e sussurrando no seu ouvido.
-E convencido.
-Esqueceu de sexy.
-Esqueceu de bobo. – Agora nós estávamos olhando nos olhos um do outro.
Eu envolvi meus braços em volta do corpo de David e começamos a nos beijar intensamente,as coisas estavam esquentando,mas de repente:
-Epaa,essa hora do dia é já estão se pegando? Que coisa feia,vocês tem filhas pequenas sabiam? – Pat disse entrando pela porta da cozinha.
Nós imediatamente nos separamos,David ficou um pouco corado,mesmo sendo nosso amigo,ele ainda tinha um pouco de vergonha de me beijar em frente a outras pessoas.
-O que você ta fazendo aqui Pat? – Eu perguntei pegando a latinha de molho de tomate.
-Ah,é que a Hayley foi passar uns dias na casa da mãe dela e levou o Patrick Jr.,ai eu fiquei sem ter o que comer. – Ele disse se sentando na mesa e pegando uma maça da fruteira.
-E você não sabe cozinhar não? – David perguntou colocando o macarrão dentro da panela em que a água fervente já borbulhava.
-Sei,mas eu pensei “poxa,vou fazer uma visita pros meus amigos queridos”.
-Tradução,vou filar uma bóia na casa dos outros.
-Mas enfim,vão pedir pizza como sempre?
-Pode não parecer,mas nós cozinhamos. – David disse parecendo não estar muito empolgado com o rumo que a conversa tomava,talvez por Pat ter nos interrompido no meio do nosso momento “íntimo” se é assim que eu posso dizer.
-E o que vocês estão fazendo?
-Macarronada! – Eu disse empolgado.
-Os olhos dele voltaram a brilhar. – David riu.
-Verdade. – Pat riu também.
-Como é?
-Nada,deixa pra lá.
-Ainda não entendi David.
Os dois riram e olharam pra mim,e como sempre eu não entendi.Nós ficamos conversando até tudo ficar pronto.Pat e David arrumaram a mesa e eu fui chamar Melanie e Lennon:
-Meninas?
-Oi papai. – Lennon disse sorridente.
-Ué,vocês não estão mais vendo Harry Potter? – Eu perguntei reparando que agora a Tv estava num canal de documentários.
-A gente ficou com medo.
-Mesmo? – Eu dei uma leve risada.
Lennon assentiu com a cabeça e Melanie estava prestando atenção na Tv:
-O almoço ta pronto,vamos lá?
-Obaaa,o que tem pro almoço papai? – Lennon perguntou.
-Macarronada!
-Ebaaa. – Ela disse indo pro banheiro lavar as mãos.
-E você Mel? Não vai comer?
-Vou sim,é que isso aqui é muito legal.
-O que?
-O Central Park.
-Nossa,fui tantas vezes pra Nova Iorque e agora que você falou percebi que nunca fui nesse parque.
-Ele parece bem legal.
Eu vi como os olhos de Melanie brilhavam e rapidamente decidi o seu presente de aniversário que já estava chegando:
-Quer ir?
-Quando?
-Hoje.
-Sério? – Ela arregalou os olhos.
-Seu presente de aniversário,o que acha?
-Ahhh,quero ir logo!
-Então vamos almoçar,e depois arrumamos tudo,e alem de ir no Central Park,vamos passear por Nova Iorque.
-Ta bem papai!
-Vai lavar as moas antes.
-To indo.
Nós almoçamos com o Pat que logo depois do almoço foi embora,conversei com David e ele achou uma ótima idéia nós irmos até o Central Park.Arrumamos algumas coisas para levar,pouca,pois estaríamos de volta no dia seguinte.
Todos entramos no carro e nos dirigimos até o aeroporto,antes deixamos Delilah com Avril e Chuck.No caminho para o aeroporto,enquanto eu dirigia pela rodovia,um carro em alta velocidade,praticamente se jogou em cima do nosso,eu consegui desviar,mas o outro carro capotou.Depois de checar se todos estavam bem eu sai do carro e fui até o acostamento onde o outro carro estava:
-Tem alguém ai?
Não tive respostas,eu olhei para o interior do veiculo,mas estava vazio,como é possível?
-Pierre,lá! – David que agora estava de pé na estrada segurando Lennon e com Melanie ao seu lado disse apontando para uma garota que corria rapidamente indo em direção a floresta.
-Porque ela ta fugindo? – Eu perguntei caminhando até ele.
-Essa garota...ela estava no hospital procurando por você e eu acho que foi ela quem colocou drogas na sua bebida lá na boate.
-O que? Como você sabe?
-No dia do hospital,eu achei um envelope cheio de drogas em frente ao seu quarto,e vi ela correndo,alem do mais ela estava procurando por você na recepção.
-Então você acha que...
-Ela está tentando te matar. – Ele disse quase chorando.
“As vezes eu choro só pra desatar o nó na garganta. As vezes choro atrasado, sabe? Aquele choro que eu segurei a muito tempo atrás. Alguns deles não tem significado nenhum, são apenas lágrimas que precisam ser colocadas em dia.”
“Definitivamente estou cansada de sentir medo, receio, qualquer coisa parecida com isso. Cansada de dar voltas ao redor da minha vida e chegar ao mesmo lugar. Ao tentar controlar o que eu sinto acabei por não conseguir mais chorar. Isso é bom? A dor não sai mais, está aqui e às vezes se acalma. A vida parece tão frágil ao meu ver, mas nós vivemos como se nada importasse. Nem olhamos as pessoas ao redor, ou as coisas. Eu sinto dor por olhar pros lados, por olhar pra trás. Mas eu não deixo de olhar, já faz parte de mim. Eu me pergunto se sou uma pessoa ruim, me chamam de idiota por eu ser assim. Qual o problema de me importar com as pessoas? Eu queria conversar isso com alguém, mas essa pessoa já não existe mais. Agora eu estou no passado, eu olhei pra trás e vim falar com o relógio. Não importa quanto tempo passe, parece que ele continua o mesmo. Eu sei que ele vai me dizer as mesmas palavras, que possivelmente vai me fazer chorar, mas porque eu estou aqui?
Há alguns meses eu estou vivendo pelo hoje. Dizendo o que eu quero, fazendo o que eu quero. Tentando não escutar os meus pensamentos, colocando música o mais alto que puder pra impedir que os meus pensamentos falem comigo, pra impedir que digam o que pensam. Quando eu não os escuto, eles me fazem chorar, e na maioria das vezes nem tenho motivos, porque não quero saber deles. Dentro da minha cabeça deixo soar uma música bem baixinho, e repito pra mim que tudo vai ficar bem. Eu não sei me explicar, me falar como é. As pessoas não conseguem me ver como eu sou… ou talvez eu não seja como eu pense. Talvez eu esteja enganada com a pessoa que eu penso que sou. Mas eu não aceito que digam que eu sou diferente. Eu vou ser importante quando eu partir, ele me vê assim, viu uma vez, está vendo de novo. Embora eu não pretendesse voltar, eu estou aqui. Frágil e idiota, na minha pior forma. Vou me permitir essa noite. No fim do dia tudo vai ter passado, tudo vai ser passado. E amanhã eu volto a ser quem eu era como se nada tivesse acontecido.”
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