Got My Heart In Your Hands
167 Eu acredito em você
Notas iniciais
David’s POV: ON
– Eu quero ir embora Pierre... — Eu disse indo em direção à janela.
– Tá bem, você tem razão, vamos arrumar nossas coisas e voltar pra Montreal. — Pierre sorriu.
Eu concordei com a cabeça, e ele desceu até a recepção do hotel para acertar as coisas.
Crawling in my skin,
Rastejando em minha pele
These wounds they will not heal,
Essas feridas, elas não vão curar
Fear is how I fall,
Medo é como eu caio
Confusing what is real
Confundindo o que é real
Fiquei arrumando as malas, não sei o porquê de trazer tantas coisas... Comecei pelas coisas de Lennon, e logo eu já estava arrumando a mala de Melanie, quando ouvi o barulho da porta:
– Pierre?
– Não exatamente...
Aquela voz, aquela voz... Era meu pai, não podia acreditar. Virei-me devagar e confirmei que era ele.
– O que você está fazendo aqui?
– Esse não é o jeito de tratar o seu pai.
– Por que me mandou aquela carta? E como a conseguiu? — Eu disse verificando se Lennon e Melanie estavam bem.
– Só pra te mostrar a desgraça que esse cara trouxe pra você. — Ele disse olhando as vidraças do quarto.
– Desgraças? Ele mudou minha vida, pra melhor!
– Foi pra isso que eu te criei? Pra virar um viadinho?
– Que eu me lembre, quando eu tinha 12 anos você e a mamãe se divorciaram e eu acabei indo morar com Julie. Dei muito duro e ela também, você nunca vai saber o que a gente sofreu. — Segurei as lágrimas que ameaçavam escorrer pelo meu rosto e tomei coragem mais uma vez. – É isso o que eu sou, eu não te chamei aqui e você não tem direito de interferir na minha vida!
– Ah, é mesmo, parece que você já se esqueceu não é?
– Esqueci? — Minhas mãos começaram a tremer.
– É, da sua prima inocente que você matou! – Ele gritou.
– David, já está... — Pierre entrou no quarto ouvindo aquilo, ficou paralisado.
Eu estremeci... De repente aquelas memórias que por tanto tempo eu tenho tentado esquecer, me voltaram à cabeça num piscar de olhos. Senti lágrimas escorrendo pelos meus olhos.
– David, quem é ele? E do que ele está falando? — Ele engoliu seco.
Eu não conseguia falar. Eu queria fugir de tudo aquilo, apagar aquelas lembranças ruins, mas a cada instante elas ficavam mais fortes.
There's something inside me that pulls beneath the surface,
Há algo dentro de mim que me puxa para baixo da superfície
Consuming, confusing,
Consumindo, confundindo
This lack of self-control I fear is never ending,
Essa falta de autocontrole, eu temo que nunca acabe
Controlling
Controlando
I can't see
Parece que eu não
To find myself again,
Para me achar novamente
My walls are closing in,
Minhas paredes estão se fechando
(Without a sense of confidence, I'm convinced that there's just too much pressure to take)
Sem um senso de confiança, estou convencido de que há muita pressão para eu aguentar
I've felt this way before,
Eu me senti desse jeito antes
So insecure
Tão inseguro
Era uma tarde de domingo... Nossos pais estavam de férias, eu tinha apenas 7 anos, tínhamos todos almoçados na casa de minha tinha Clarisse. Ela tinha duas filhas: Melissa e Alison. Melissa tinha 6 anos e Alison 12. Naquela tarde resolvemos brincar na casa da árvore que meu tio Gray havia construído. Subi empolgado e ajudei Melissa, pois Alison e Julie ficaram brincando de bonecas perto do riacho. Nós brincávamos normalmente, até Melissa dar um passo em falso para trás e cair. Eu corri, ela estava se segurando com apenas uma das mãos na madeira da casa da árvore, e eu disse para ela agarrar minha mão que eu iria puxá-la para cima. Ela fez isso, mas a mão dela escorregou entre a minha, e ela caiu. Eu gritava e chorava sem parar. Desci e fui até o corpo dela estirado no chão agora com uma poça de sangue se formando em volta dela, não pude fazer nada, o coração dela havia parado. Chorei como nunca havia chorado na minha vida, eu tinha apenas 7 anos e aquela era a maior dor que eu já havia sentido. Meus pais, meus tios, Julie e Alison, ouviram o grito e vieram em nossa direção. Eles chegaram e me viram ali, me culparam, menos minha mãe e Julie. Eles me olharam com desprezo, como se a culpa tivesse sido minha e com o tempo eu fui aceitando que realmente foi.
Discomfort endlessly has pulled itself upon me,
O desconforto se depositou em mim eternamente
Distracting, reacting,
Distraindo, reagindo
Against my will I stand beside my own reflection,
Contra a minha vontade, eu fico ao lado da minha própria reflexão
– David? Do que ele está falando?
– É verdade Pierre, mas, mas, mas... A culpa não foi minha! — Eu caí sobre meus joelhos em prantos.
– Mas é claro que foi! — Meu pai gritou.
– Cala a boca! Você nunca esteve aqui quando ele precisou, quem é você pra julgá-lo? Sai daqui, e se você se aproximar mais uma vez de mim ou do David, eu coloco você na cadeia! — Pierre disse empurrando meu pai pra fora do quarto, até os seguranças chegarem e o botarem pra fora.
– Calma. — Ele disse vindo até mim e me abraçando.
– Mas Pierre, eu...
– Quieto, não importa, já passou! Eu acredito em você!
Aquelas palavras me trouxeram conforto. Conforto que eu nunca tive do meu pai depois de todo aquele tempo.
Eu sorri fracamente, e ele me ajudou a levantar. Depois me trouxe um chá para que eu me acalmasse.
Crawling in my skin,
Rastejando em minha pele
These wounds they will not heal,
Essas feridas, elas não vão curar
Fear is how I fall,
Medo é como eu caio
Confusing what is real
Confundindo o que é real
There's something inside me that pulls beneath the surface,
Há algo dentro de mim que me puxa para baixo da superfície
Consuming, confusing,
Consumindo, confundindo
This lack of self-control I fear is never ending,
Essa falta de autocontrole, eu temo que nunca acabe
Controlling
Controlando
Confusing what is real
Confundindo o que é real
Depois de tudo aquilo, nós finalmente pegamos o nosso vôo de volta a Montreal.
“Então me desculpa pelas mudanças de humor, pelos ciúmes, por te tirar do sério. Me desculpa por te querer tão perto, por precisar tanto da sua presença; por odiar o seu silêncio. Me desculpa pelo orgulho, pela falta de palavras, pelo excesso de amor. Me desculpa por te querer demais, por, talvez, não te fazer tão bem quanto eu deveria. Me desculpa por querer sua voz no meio da noite, por sentir sua falta quando você vai embora, por te pedir para ficar bem perto. Me desculpa pela insegurança, pelo medo de te perder; pelas palavras ditas sem pensar, pelo afeto enorme. Me desculpa por não te fazer sorrir sempre, pelas feridas recentes. Me desculpa por ser assim, tão errado.”
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