Gostosuras e Travessuras

1 Capítulo único - Trick and Treat


— Gostosuras e Travessuras -

[cortinas se abrem]

— Olá, jovem treinador! – Disse uma voz juvenil.

— Nessa noite especial – Acompanhou outra doce voz infantil.

— É Halloween, afinal – completou a familiar que iniciara a conversação.

Uma persistente luz que passava por entre as velhas frestas e janelas empoeiradas iluminava um pequeno palco, onde surgem dois pokémons. Plusle, o positivo, e Minun, o negativo.

— Não se importaria de ouvir a fábula de dois solitários anfitriões — Plusle estende a mão para o Pokémon de polaridade oposta.

— Não é? – Sorria Minun, segurando a mão de seu companheiro.

O lugar de decoração vintage parecia abandonado, frágeis fios esbranquiçados se alastraram por todo o teto, a mobília acumulara grossas camadas de pó, o assoalho rangia a cada mínimo movimento.

— Em meio da densa neblina a floresta sussurrava o nome daquela criança – Minun havia se retirado da luz, a sombra que cobria o palco, agora um pouco translúcida, era com o véu do pequeno pokémon.

— Rápido jovem querubim, não quer perder a ciranda, quer? – Plusle se movimentava freneticamente enquanto apontava para um relógio simetricamente colocado sobre as cortinas.

— Então, cantarolemos – Minun em um salto se revelou novamente, puxando Plusle com suas duas patas.

Os dois iniciaram uma ciranda.

— O alcaçuz é uma varinha mágica.

— Gire-o uma vez e terá um jarro cheio de calda novamente!

Os pokémons giravam e giravam, faíscas de eletricidade estática percorriam o ar ao redor dos pequenos.

— Abandone a armagura, já não está saturado de realidade!?

— Embrenhe-se neste sonho acolhedor.

Sem que o olho pudesse acompanhar os dois opostos se aproximaram e, delicadamente, sobrepuseram uma venda nos olhos do treinador.

— Continue a se embriagar de fantasias – Plusle assoprava no ouvido do jovem.

— Ei, se a venda tirar... – Minun segurou suavemente a mão de seu convidado.

— Que graça terá? – Plusle afagava as bochechas de Minun, que sorria ao sentir cócegas.

Vamos, deixe-nos guiar seu corpo e sua alma – Plusle e Minun puxavam o garoto como se insistissem por sua participação na brincadeira.

— Oh, o que é isto? – indaga Plusle.

Se chama receio — responde Minun observando os passos desajeitados e o tremor nas mãos do convidado.

Retirando a venda o treinador procurava por sinal dos dois pokémons elétricos, já não estavam mais o segurando, já não estavam mais cantarolando.

Andou um pouco, apesar do desconforto sentia curiosidade com o que estava acontecendo.

— A benevolência do amor não pode existir.

Reconhecendo a voz o treinador foi em direção ao palco, uma luz alaranjada reforçava a costura das grandes cortinas de veludo. Amontoadas logo à frente se avistavam várias lanternas de abóbora, com as mais diversas expressões.

— Ora, ora, criança malvada, já despertou?

Lá estavam Plusle e Minun, suas silhuetas sinistras congelaram naquele instante o coração do jovem, que ali ficou, estático.

— Se a venda não lhe serve, o que acha da cegueira? – Minun saltou para o ombro do treinador, com uma das patas lhe tampou o olho direito.

— Vamos, estampe um sorriso em seu lindo rosto – Plusle, se escorando em um velho piano atrás do palco, puxou o canto da boca do treinador forçando-o a sorrir.

Um grave som começou a ecoar pelo casaréu, eram badaladas do antigo relógio que não movimentava seus ponteiros por conta da sujeira.

— Rápido, rápido, vamos voltar ao teatro – os dois pokémons se apressavam, correndo de volta para o palco.

Uma amável porém sinistra risada pôde ser ouvida. Esta não ecoava do palco, nem das cordas vocais de nosso jovem treinador.

— Por que o olhar amedontrado e o corpo a tremer? – Minun girou em pirueta e permaneceu segurando uma das cortinas.

— Que tal se aquecer com uma xícara de leite quente? – Plusle também em pirueta fazia acrobacias com um delicado conjunto de chá feito de louça.

As cortinas se fecharam, separando os dois pokémons do treinador, que ficou no escuro por trás do palco.

— Vamos, sente-se aqui, é aconchegante – as cortinas se abriram novamente. Os dois pokémons estavam a polir uma bela cadeira estofada.

O jovem não parecia mais sentir medo, seus olhos antes vívidos e sagazes agora estavam frios e letárgicos.

— Em troca... Basta nos doar o que há no seu bolso! – Minun e Plusle se acomodaram no colo do treinador.

Do bolso o jovem retirou duas pokébolas vazias.

— Por favor? – sorriam.

[cortinas se fecham, dessa vez, definitivamente]

Notas finais
Não abandone o Plusle e o Minun, deixe um review! ^_^v A não ser que queira participar da ciranda também.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!