Good Travel

1 Viagem - Prólogo


Notas iniciais
A história pode ser escutada com o álbum que escutei escrevendo-a (Youtube): https://goo.gl/zRN4C6

Eu queria algo mais, talvez um tanto fugir, talvez só... Tentar. Foi então que eu comecei, tudo que não precisava ter iniciado.
Essa é uma história sobre dor, paixão, solidão, anestesia, tempo.
"You could be my favorite place i've been."


Digitando numa frequência veloz, como um anestesiante natural de qualquer coisa, enfiando fundo as dispersões malignas da mente, apenas digitava, mais e mais. Deu seu ponto final, um enter e pausou. Permaneceu vigiando a monótona tela, saindo de foco. Não deveria ter parado de digitar. Um estalo rápido, súbito, como o vento passando no rosto pálido e fino, doeu, mas não havia sensação, apenas uma dor seca, mórbida. "Chega..." As mesmas gotas que os marujos coletavam, encharcavam as vestes simplórias. Fazia um certo tempo em que não se chorava naquele mundinho.
"It takes a lot to know a man"
Disse pra si mesmo, como promessa de uma criança: "Amanhã... Amanhã eu vou..." Não pode terminar, seu subconsciente o fez.
Dois, três, quatro... Uma semana. Nada se alterou, exceto a vontade implícita, o choro fraco de um cão, que clama por carinho e cuidado, mas não tem escolha, a não ser lamber a própria ferida, chorar.
Já é tarde. No tempo em que se vivia, nada era demais, nem o tempo. Mas algo, talvez a fúnebre situação tenha o feito insatisfeito o suficiente para tentar, ao menos, alguns minutos.
Entrou num antigo fórum que conhecia, das profundezas da internet, conhecida como um tabu, mas tão natural como viver, pra si. Por algum motivo, continuou, 7:41, pesquisava e conversava com os sem-rosto. Encontrou.
16:48, o sono inexistente. Um tratado, longo e inconvencional. Met Phoba616. Dizia o sem-rosto: "Nothing i want from you, except the strenght, and will, for yourself. Good travel."
2 minutos após a transação, que não havia nada para trocar, uma tela escrito "Hello" com letras vermelhas. A subinternet era periculosa e instável. A janela fecha, num intervalo de 3 segundos, outra, o mesmo modelo de janela, mas agora "TRAVEL", com o mesmo cor/tipo de letra, mas agora como um botão. O garoto simplesmente exitou em clicar. Gostavar de fantasiar como ninguém, mas teve medo, não pela viagem, mas por algo pior acontecesse ao clicar no botão, no mesmo instante formalizou que nada pior poderia acontecer, já havia perdido o seu computador.
17:12. *Click*.