Good Riddance
33 Onde estou? Extra Davi Parte III
Notas iniciais

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher
Acho que todo mundo já teve aquela sensação de susto ao acordar em um lugar estranho.
No meu caso, dei um pulo involuntário, por puro reflexo, e olhei ao redor ainda desorientado, minha visão nublada tornando-se nítida numa velocidade inferior à que eu desejava. Assustei-me por um segundo com a hipótese de ter acabado na casa de um desconhecido, mas... Assim que vi o Guilherme saindo do banheiro do quarto os acontecimentos da noite anterior me atingiram em cheio, e o ar deu uma de fugitivo e escapuliu todo dos meus pulmões.
“Guilherme!” Exclamei bobamente. Ele estava apenas de bermuda, e eu apenas de cueca. O quarto estava fechado, pois era inverno e o ar-condicionado estava ligado deixando o ambiente agradável.
“Finalmente acordou. Eu já estava achando que teria de ir aí te acordar na marra.” Ele disse com um sorriso malicioso, ainda esfregando os cabelos numa toalha. Recém devia ter tomado um banho, obviamente, e talvez o barulho do chuveiro que me acordara. Eu apenas continuei encarando-o que nem um boca-aberta, e minha boca ‘tava aberta mesmo. “Tive tempo de sair pra correr com o Vilão, voltar, comer, tomar um banho...”
Olhei então pro relógio digital sobre o criado-mudo ao lado da cama. Eram 11h57min, e eu não havia avisado ninguém lá em casa que dormiria fora. Minha mãe, principalmente, era extremamente zelosa – problema de ser filho único. Ela geralmente me tratava como se eu ainda tivesse uns doze anos, e não dezoito.
“Meu celular tocou em algum momento?” Perguntei meio atarantado, e aliviado por ter algo diferente de ‘então nós nos pegamos mesmo ontem à noite?’ para falar. O Guilherme foi até a escrivaninha do quarto, onde havia um notebook, uns livros e mais algumas coisas jogadas.
Pegou meu celular e o tocou na cama. O peguei por reflexo, quase o deixando cair no colchão.
“Teve umas, mas achei melhor te deixar dormindo. Como vi que era tua mãe, atendi e disse que tu ‘tava dormindo ‘na casa de um amigo’.” Guilherme informou, e havia ironia na questão do ‘amigos’. Mas éramos somos amigos, ou ao menos antes éramos, então não era de todo mentira.
Eu nem sabia o que exatamente éramos agora.
“Obrigado.” Suspirei. “Ela costuma ficar bem preocupada.”
“Percebi.” Ele comentou, e eu me perguntei se ela havia tido algum surto no celular. “Se tu quiser usar o banheiro, tomar um banho... Tenho toalhas limpas sob o balcão da pia, e uma escova de dentes nova na primeira gaveta. Não tenho roupas pra te emprestar, já que elas ficariam enormes...”
“Tudo bem...” Eu queria um banho, e escovar os dentes urgentemente. Eu preferia fazer isso em casa, mas ao mesmo tempo eu não queria deixar a casa do Guilherme tão cedo.
Não queria simplesmente ir embora.
“Eu vou preparar algo pro almoço. A torneira da água quente é a mais próxima da janela.” Ele avisou e saiu do quarto, praticamente decretando que eu iria almoçar ali sem nem ao menos perguntar. Talvez ele também não quisesse que eu fosse embora tão cedo... Meu coração se agitou e eu me deitei de novo, abracei um travesseiro e o mordi.
A cama toda tinha o cheiro do Guilherme – algo fresco e amadeirado. Me remexi naqueles lençóis feito um bobo apaixonado, e só depois de uns minutos tomei vergonha na cara e fui pro banheiro, querendo me deixar apresentável. Estava nervoso e agitado, não sabia bem como agir, e nem o que o Guilherme tinha na cabeça, mas mesmo assim era uma sensação gostosa.
XxxX
A casa do Guilherme era bem simples, mas surpreendentemente arrumada, ao menos para um homem solteiro morando sozinho. A sala era confortável e arejada, com duas poltronas, um sofá pequeno e uma TV de tela plana; a cozinha era suficientemente grande para ter uma mesinha, e havia uma área de serviço pequena.
Um corredor conectava a sala com os fundos da casa, onde havia um pátio.
Quando cheguei à cozinha, o Guilherme estava mexendo alguma coisa na panela, ainda sem camisa. Foi impossível não pensar que ele ficava extremamente sexy cozinhando, com seus atributos à mostra. E por atributos me refiro aos braços, peitoral e abdômen definidos dele.
“Guilherme.” O chamei, e ele se virou para mim. A cozinha tinha um cheiro bom de strogonoff. “Eu... Não achei minhas roupas, então coloquei essa camisa tua...” Apertei a barra da camisa com as mãos, me sentindo envergonhado. Já fui catando uma roupa no armário dele que nem um mal-educado, sem pedir permissão! Mas não queria passear pela casa de cuecas.
A camisa dele quase tapava meus joelhos.
“Ah,” Ele soltou, parecendo meio fora de órbita, olhando para mim com um ar desfocado. Massageei minha nuca; será que ele havia achado muito ruim eu pegar uma roupa? Era meio coisa de casal. “Não tem problema.” Garantiu, e se aproximou.
Meu peito disparou como um alarme mal programado, e um fogo se alastrou por mim.
“Tu ficou ótimo com uma camisa minha. Acho que acertei em pôr tuas roupas pra lavar.” Ele comentou com um sorriso de lado, e já estava bem à minha frente, colocando uma mão no meu rosto e se inclinando para me beijar.
E me beijou antes que eu pudesse ter qualquer reação.
Eu puxei o ar contra a boca dele, percebendo que o estivera segurando enquanto ele se aproximava. Guilherme me abraçou e me ergueu um pouco, já que a diferença de altura era grande. Meus braços circularam o pescoço dele e fiquei na ponta dos pés, retribuindo derretido o beijo.
Era inevitável, eu estava apaixonado. Tive quatro meses de faculdade para começar a gostar dele, mas o dia na casa da Luciana foi o que culminou definitivamente nisso. Depois tive minhas esperanças jogadas no lixo, e agora estava ali sendo erguido e então colocado sentado na mesa enquanto as mãos dele apertavam minha cintura e massageavam minha nuca.
O que isso queria dizer? Ele havia dito que não era gay!
Lembrar o momento no parque me doeu, e eu interrompi o beijo, virando o rosto para o lado.
“Guilherme, tu disse-“
“Esqueça o que eu disse.” Ele me beijou no pescoço, me arrepiando. “Eu só ‘tava confuso. Não foi fácil admitir que eu ‘tava a fim de um pivetezinho virgem.”
“Então... Tu é gay?” Perguntei não me aguentando e abrindo um sorriso animado. O Guilherme me olhou meio contrariado.
“Acho que estou mais pra Davissexual no momento.” Ele voltou a beijar meu pescoço e meu mordeu, causando-me um gemido baixinho. No segundo seguinte eu estava deitado na mesa, e nos beijávamos novamente. O Guilherme, percebi, tinha esse jeito dominador, eu mal conseguia acompanhá-lo, o que me fazia sentir completamente inexperiente.
Eu era meio inexperiente, mas não completamente, por favor!
Assustei-me quando ele enfiou a mão por baixo da camisa. Sim, eu sei que vocês devem estar pensando: tu já chupou ele e ele já te chupou, larga de ser frutinha fresca! Mas nas duas vezes anteriores eu estava bêbado, e agora estava bastante sóbrio, apesar da ressaca.
Meu corpo ficou tenso, e fechei bem minhas pernas. O Guilherme percebeu e se afastou, olhando-me por um momento. Fiquei envergonhado e quase falei para ele meter a mão entre as minhas pernas de novo, mas então ele se endireitou, puxando-me junto.
“Quase me esqueci da comida no fogo.” Ele fingiu que nada de estranho havia acontecido e desligou o fogão.
O olhei ainda meio alterado, sentado sobre a mesa.
Ele abriu um dos armários e começou a colocar a mesa, e eu finalmente tive a dignidade de sair de cima dela.
“Espero que curta um strogonoff com arroz requentado. Ando com pouco tempo pra cozinhar, ou pra fazer compras.”
“Eu adoro strogonoff.” Garanti e me sentei à mesa, meus olhos nele. Era impossível desviar o olhar quando ele estava sem camisa, e me arrepiei ao lembrar a sensação recente de tocar os músculos trabalhados. “Quanto ao arroz requentado eu não tenho certeza.” Brinquei. Fazer o que, meus pais eram ricos e nunca permitiriam comida requintada lá em casa. “Mas com a fome que eu ‘tô...”
“É a larica. Tu bebeu demais ontem à noite, devia cuidar pra não acabar tão bêbado daquele jeito...” Guilherme comentou colocando a panela de strogonoff e arroz à mesa, junto com um pacotinho de batata-palha. Eu não tinha como contar pra ele que vinha afogando minha decepção amorosa, cuja origem era ele, em festas e bebida. Mas ontem eu havia mesmo me passado.
“Pra quê? Pra não ser arrastado por caras maiores pra casa deles?” Sugeri não perdendo a chance da ironia. O Guilherme me olhou meio surpreso, mas depois sorriu de canto.
“Exatamente por isso. Vá que quem tivesse te levado pra casa tirasse tuas roupas, te beijasse, e depois te chupasse? Por pouco não te desvirginasse?” Ele replicou ainda mais irônico, e um rubor subiu pelo meu pescoço, instalando-se preguiçosamente nas minhas bochechas.
Eu achei melhor me servir, me dava um tempo pra pensar no que dizer.
“Tu adora me lembrar que sou virgem...” Reclamei baixinho e coloquei uma garfada de comida na boca. Estava ótimo, e eu pensei que, além de gostoso, o Guilherme sabia cozinhar. Pra que tantos atributos? Mas bem, acho que a maioria das pessoas que moram sozinhas acabam aprendendo a se virar na cozinha.
Ele sorriu maldoso com meu comentário.
“Eu nunca imaginei que... nós dois... Quero dizer, até lá na Redenção eu imaginei que ia levar um fora...” Eu acabei abrindo o bocão de novo, me sentia inquieto com assuntos mal acabados. Remexi o arroz no strogonoff, olhando pro prato. “Eu não quero começar nada se pra ti for apenas... não sei. Nada de mais.” Eu nem sabia como explicar. Eu queria aquilo, mas tinha medo.
E se fosse só sexo? Eu já estava apaixonado e aquele fora me deixara numa espécie de fossa por um mês! Se tivéssemos algo e eu fosse chutado assim que deixasse ele tirar a minha virgindade, eu provavelmente acabaria em depressão e nunca mais acreditaria no amor. Dramático, eu sei, mas eu ainda sou um adolescente e estou no meu direito, já que dizem que a adolescência vai até os vinte e um anos hoje em dia, então, dá licença.
“Tu acha mesmo que eu iria explorar meu lado homossexual se fosse apenas pra dar uma trepada?” Ele falou objetivo, me deixando estarrecido. Eu ali, todo cheio de dedos, e ele me vem com trepada.
Guilherme suspirou.
“Ok, talvez alguns caras façam isso escondidos por aí, mas com desconhecidos, não com alguém próximo e com quem provavelmente não terão sexo fácil.” Gui sorriu torto para mim, me deixando ainda mais sem jeito. Sinceramente, que mania.
“Certo.” Respirei fundo e dei mais uma garfada na comida, em busca de tempo pra pensar coerentemente naquilo.
“Então estou certo?”
“Com o quê?” Voltei a olhar para ele, confuso. Ouvi um latido vindo do pátio, provavelmente do cachorro dele que me ‘atacara’ no parque.
“Em não ter sexo fácil.” Ele só podia estar sendo maldoso. Eu baixei o olhar, queimando de vergonha. Ele estava me propondo sexo fácil? Idiota.
“Óbvio que ‘tá certo nisso.” Eu resmunguei, e voltei a comer enquanto ele soltava uma risadinha frente à minha vergonha. O que eu podia fazer se era tímido pra essas coisas? O xinguei mentalmente de novo.
Ele estava sendo maldoso, mas isso era apenas normal da parte dele, parte de seu charme.
Felizmente ele mudou de assunto e até que tivemos uma conversa decente ao longo do almoço. Depois quebrei um copo ao tentar ajudar a lavar a louça. Os cacos de vidro se espalharam pelo chão, e eu ainda tive a capacidade de pisar em cima de um deles pelo susto. O vidro era pequeno, mas doeu pra caramba ao se cravar no meu pé.
“Tu ‘tá bem?” Guilherme perguntou preocupado e, como estava de chinelo, me pegou no colo e me tirou da cozinha. Eu queria muito me esconder, que desastre dos infernos. Eu geralmente não era assim, mas ficar perto dele vinha me deixando atrapalhado.
“Estou. Me desculpa.”
“É só um copo, estou mais preocupado com o teu pé.” Ele me largou numa poltrona e se ajoelhou à minha frente, erguendo meu pé. “Preciso tirar o vidro...” Avisou e eu prendi a respiração. Doeu novamente pra tirar, e o sangue escorreu para o chão. Eu tinha problemas com sangue e acabei enjoado com o cheiro.
“Vou procurar algo pra limpar isso.” Ele disse se levantando. “Mantenha esse pé elevado.”
“Não precisa!” Eu me agitei. Não queria dar trabalho, ele ainda teria de limpar a cozinha.
“Claro que precisa. Também não quero que tu caminhe e espalhe sangue pra toda a casa.” Ele explicou e foi até o banheiro do quarto.
Um bico chateado surgiu nos meus lábios; era agora que ele percebia que eu era um estorvo e nunca mais ia atrás de mim.
Acabei me lembrando do que ele havia dito para aquele cara que ‘tava me trovando no Beco: ele tem dono. Ou algo assim. Me arrepiei de novo. Como assim dono? Mal éramos namorados!
Quando ele voltou, carregava um pequeno kit de primeiros socorros, e se ajoelhou de novo para limpar meu ferimento. Eu me inclinei para frente, tentando tirar o algodão embebido em soro das mãos dele.
“Eu posso fazer isso!” Garanti, mas ele afastou minhas mãos.
“É melhor não arriscar, não duvido de tu piorar o corte se tentar.” Ele disse sincero.
Que mau! Eu não estava tão fora de mim assim pra cometer mais essa estupidez.
Suspirei me acomodando no sofá e deixando ele tratar do meu pé.
“Desculpa.” Reforcei chateado.
“Tudo bem, apenas se mantenha longe da minha cozinha.” Ele sorriu pilhérico, e eu acabei soltado uma risada breve pelo nariz.
“Chato.” Murmurei com os braços cruzados sobre a barriga. Aquela poltrona era extremamente confortável e eu logo pensei que queria uma em casa. Ou em como seria dar uns amassos nela.
Ai, pervertido! Me recriminei.
“Apenas preservando o resto da minha louça.” Guilherme observou sorrindo, e eu me derreti com seus dentes brancos expostos. As mãos dele eram tão delicadas e gentis naquele momento, fazendo o curativo com tanto cuidado, que eu me derreti ainda mais, soltando um suspiro.
Deus, chega, não posso ficar cada vez mais apaixonado...
“Melhor?”
“Sim, obrigado.” Eu ergui o pé para dar uma olhada. Ele havia limpado, colocado uma gaze, e depois enfaixado. Era muito esmero. “Ficou ótimo.” Garanti, e ouvi mais um latido agoniado do pátio. “Eu acho que ele quer entrar... Não?”
“Já coloco ele pra dentro.” Guilherme murmurou e se inclinou sobre mim, apoiando as mãos no encosto do sofá. Ele sorriu daquele jeito maldoso, e eu senti aquela mistura típica de sensações de fuga ou luta: coração batendo forte, um calor intenso em partes estratégicas, a respiração desregulando rapidamente.
Ele roçou a boca na minha, parecendo provocar. Tentei beijá-lo, mas ele se afastou de leve, ainda sorrindo. Ele adorava provocar, eu estava percebendo. Eu me aproximei de novo e dessa vez o puxei, não o deixando fugir. Ele deslizou a língua pelos meus lábios e aí aquela loucura começou.
Guilherme moveu alguma coisa que fez o encosto da poltrona ir para trás e o descanso para os pés se erguerem, deixando-a completamente na vertical. Eu me agarrei nele quando isso aconteceu, por um momento achando que a minha incrível sorte havia feito a poltrona desabar.
“Tu me deixou só na vontade ontem à noite.” O Guilherme acusou, deitado sobre mim.
Eu tentei replicar em busca de defesa, mas ele me calou com um beijo fogoso. Ou eu que ‘tava fogoso, e aí tudo parecia acima dos cinquenta graus. Fogoso... A Tati riria da minha cara pelo meu uso de palavras, mas que se dane.
Em meio aos amassos, o Guilherme levou minha mão até a ereção dele, e eu fiquei nervoso, mas a curiosidade por senti-lo melhor e aquele fogo todo me impediram de afastar a mão, então o toquei sentindo a dureza sob a bermuda. Eu lembrava que era grande, mas tocá-lo depois de mais de um mês me causou surpresa novamente. O Guilherme soltou um gemido enrouquecido – que foi totalmente sexy – e pressionou mais o corpo contra mim.
Eu acabei com a mão por dentro da bermuda dele, apenas a cueca no caminho. Cheguei a pensar em ir além, mas acabei levando um susto e soltei o ar de surpresa quando Guilherme se ergueu de súbito, levando-me junto. O abracei com braços e pernas por reflexo, e ele sorriu sacana para mim, deixando-me envergonhado.
“Melhor continuarmos na cama.” Ele disse, e chegou a se virar para nos levar no quarto.
“N-Não.” Eu espalmei as mãos no tórax dele e tentei empurrá-lo, mesmo que isso fosse idiota e eu cairia se ele me soltasse de fato. “I-Isso está indo rápido demais, não?”
“Não vou fazer nada que tu não queira.” Guilherme garantiu, mas isso não me deixou nem um tantinho mais tranquilo. Quando percebi, nós já nos beijávamos de novo, e ele entrava no quarto. O que foram feito dos segundos antes disso acontecer, eu bem que gostaria de saber.
Ele me deitou na cama, e minhas pernas já estavam bem abertas por estarem ao redor da cintura dele. Guilherme era tão maior que eu que me senti sendo aprisionado por um gigante. Fiquei ainda mais nervoso. Ai, deus, como eu daria conta de um homem desses? Lindo, gostoso, experiente e enorme? Ai, socorro! Minha mente gritou e eu me remexi, ofegante, gemendo contra sua língua que parecia violar minha boca, enquanto suas mãos apertavam minha cintura e coxa.
Não demorou muito para que estivesse metendo a mão na cueca, ansiosamente tentando senti-lo com mais liberdade. Eu sei, sou um tarado! Nem me reconhecia, devia mesmo ser a paixão me fazendo cometer loucuras. O masturbei por vários minutos enquanto não largávamos a boca um do outro. Era bom que beijo não parasse, pois assim ele não via o meu estado de constrangimento. Eu provavelmente demoraria um tempo até me acostumar com essas coisas. O quê? Eu sou virgem, oras!
Quando o Guilherme gozou, eu internamente vibrei por isso, afinal, eu era o causador daquele prazer. Eu! O garoto inexperiente! Rá, me vangloriei mentalmente! Ele gemeu no meu pescoço, sua respiração quente me causando arrepios fortes enquanto meu corpo tremia de leve. Antes mesmo de erguer o rosto, a mão dele foi para o meu membro e começou a me tocar, flagrando o fato de que eu estava tão excitado quanto ele estivera minutos atrás. Eu tive um espasmo e me encolhi, um gemido baixinho me escapando.
Guilherme ergueu o rosto para me olhar.
“Relaxe.” Ele pediu transmitindo confiança. “Seria sacanagem não te ajudar com isso.” Sorriu de lado. Eu não sabia como ele conseguia ter um sorriso maldoso, sexy e tranquilizador ao mesmo tempo, mas acabei relaxando, ainda que minhas mãos agarrassem os braços dele, apertando-os com força.
Fechei os olhos e puxei o ar, numa espécie de suspiro. Gozei ridiculamente rápido, sujando a camiseta dele.
“Ah, droga.” Murmurei.
“Tudo bem. Pode tomar outro banho se quiser, ou pegar outra roupa. As suas estarão secas daqui a pouco.” Ele falou, se afastando. “Vou abrir a porta pro Vilão antes que ele a derrube.”
Eu corri pro banheiro antes que o Vilão entrasse correndo na casa e decidisse me atacar e cheirar minhas partes baixas de novo. Me olhei no espelho vendo meus cabelos bagunçados e meu rosto afogueado. Apertei minhas bochechas com as mãos, e um biquinho de peixe surgiu involuntariamente nos meus lábios. Que diabos...! Isso estava mesmo acontecendo. Tipo, mesmo, mesmo? Eu joguei água no meu rosto, tentando me acalmar. Estava difícil processar. O que o Guilherme queria comigo? Iríamos sair como ficantes? O que ele havia visto em mim? Como ele poderia agir tão naturalmente por estar pegando um garoto – no caso, eu?
Praticamente hiperventilei apoiado à pia. Suei tanto que decidi tomar uma ducha rápida, que mal durou cinco minutos. Depois sai do quarto, espiando, e fiquei feliz ao ver minhas roupas sobre a cama. Me vesti rapidamente e só então fui para a sala. Mal abri a porta e duas patas enormes bateram no meu peito e eu quase caí de bunda no chão. Recebi uma lambida do Vilão em cheio na bochecha.
“Hei, calma lá, garoto!” Eu exclamei, rindo. Guilherme rapidamente afastou o husky de mim, e eu consegui ficar em pé com mais facilidade. Deus, como eu sou fracote.
“Ele realmente desenvolveu alguma paixão por ti.” Guilherme revirou os olhos, e depois me olhou com cuidado. “Essas calças não caem bem em ti.”
“O quê? Por quê?” Perguntei confuso, olhando para baixo. Eu gostava delas, e o Vilão pareceu latir discordando do Guilherme. Acariciei o topo da cabeça dele. Bom garoto.
“Apertadas demais.” Gui deu de ombros, indo jogar-se no sofá. Franzi a testa, pronto para perguntar desde quando isso era algo ruim, mas ele deu uns tapinhas na própria coxa. “Vem pra cá namorar um pouco.”
Eu arregalei os olhos, ficando totalmente sem jeito de novo. Droga, já havíamos nos pegado de tudo que é jeito, e eu corando! Que ridículo, Davi, recomponha-se, respirei fundo e me aproximei. Quando estava perto, Guilherme me puxou para seu colo, e eu sentei sobre suas pernas, meus pés sobre o sofá ao lado dele.
“Quer sair depois? Podemos pegar um cinema, tem um filme que eu ‘tava querendo ver.” Ele comentou, acariciando minha coxa.
“P-Pode ser. Não achei que tu era do tipo que curte cinema.”
“Eu adoro ver filmes no cinema, em casa sinto preguiça, pelo menos sem companhia, às vezes até vou sozinho. Mas geralmente vou com a Marília, ela também adora.” Comentou, acariciando também minha nuca com a mão enorme.
“Eu também adoro!” Garanti. A Marília era legal, mas ele continuaria saindo com ela e ficando com ela sem compromissos? “Pode me convidar sempre pra ir.” Mordi o lábio.
Guilherme sorriu.
“Pode deixar.” Voltou a me abraçar e nós nos beijamos de novo.
Aquilo era tão bizarramente bom, eu estava ridiculamente apaixonado e sabia que era extremamente perigoso sentir-me assim tão cedo. Mal sabia como aquilo acabaria, mas era melhor não pensar muito.
Um tempo depois, após muitos beijos misturados com conversas aleatórias em que tentávamos nos conhecer ainda melhor, nós saímos da casa dele e fomos para o cinema mais próximo.
Eu estava louco pra encontrar com a Tati e contar tudo que havia acontecido!
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