Good Gone Girl
21 Capítulo 21 – Nada Dramático.
Notas iniciais
Capítulo 21 – Nada Dramático.
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Eu confesso que nunca fui uma garota muito vaidosa.
Nunca fiz questão de usar decotes, minissaias e roupas “da moda” (ainda mais porque essa “moda” de hoje em dia não dizia nada para mim), porém, eu nunca quis me sentir tão bonita em toda a minha vida. Disse a mim mesma que seria por uma conotação simbólica: eu precisava esfregar na cara de Mike que eu estava totalmente curada (e não me refiro apenas ao machucado no meu braço).
Por isso eu visto uma roupa nova, procuro tutorial de maquiagem na internet e chego ao cúmulo de tomar alguns goles de licor de laranja para ficar mais solta. Quer dizer, eu queria estar matadora hoje. Queria arrasar, queria... me sentir poderosa.
Qualquer coisa longe do que eu já senti na vida.
— Ah, você já está pronta! – Ellie disse surpresa quando eu abri a porta do meu quarto para ela. – Nós esperávamos te ajudar a se arrumar... Mas pelo visto você fez um bom trabalho sozinha, parabéns.
Ela bateu palminhas de empolgação, como uma mãe contente em ver o filho fazendo alguma coisa sozinho. Pensar nisso quase me fez rir, mas não quero rir. Quero ser uma garota sarcástica e escrota, como os caras gostam. E daquelas que nunca são pisadas porque estão acima disso.
— Você está matadora – Sasha concordou
Bem, já que essa era a intensão, eu me sinto satisfeita comigo mesma.
Eu havia escolhido uma saia preta e curta, de cintura alta, com um top preto e uma blusa de renda transparente por cima. Eu acho que nunca me acostumaria com salto alto, mesmo assim, experimentei sair com um par. Até agora, não havia caído de cara no chão, o que era um ponto positivo, acho.
— Eu quero sair matando mesmo – respondi. – Vamos comemorar a alta do meu braço. Sim ou claro?
Elas riem (que porque nunca me viram tão empolgada para sair na vida) e então seguimos para a estação da universidade, onde pegamos o metrô. As duas garotas embarcam em uma conversa sobre uma notícia que Ellie havia lido no celular sobre os benefícios do sexo na vida das pessoas. E algo sobre a utilização de sêmen de cavalo em produtos para rejuvenescer a pele.
— Eca – eu disse fazendo careta.
— Não quero pensar em como eles coletam isso – Ellie confessou, fazendo careta. Então ela balança a cabeça e disse: — Ai meu deus, eu pensei!
Fazendo com que Sasha e eu ríssemos.
Não consigo fazer nenhum comentário espirituoso sobre o assunto porque não tenho essa presença de espírito. O resto do caminho conversamos sobre essas pesquisas ridículas (tipo usar sêmen de cavalo para a pele) e questionando se a humanidade teria, enfim, ido longe demais.
Quando chegamos no lugar da vez, dessa vez numa boate, o lugar estava lotado. Tivemos que esperar uns bons minutos na fila. Mas o lugar era enorme e iluminado e cheio de gente. Pessoas bonitas e produzidas. Eu quase me sentiria inferior se não estivesse tão produzida quanto elas.
Eu estava arrasando! Eu estava muito gostosa.
As músicas que tocavam era uma daquelas que todos sabiam, menos eu. Nunca fui antenada em gostos musicais. Minhas músicas são baseadas em: gosto e não gosto. Diferente de Sasha e Ellie que sabiam as letras e até mesmo a coreografia. Elas dançavam com o corpo: braços, pernas, quadris e cintura. Eu dançava feito um robô. Dois passinhos para um lado, um passinho para o outro.
— Rebola essa bunda, Bell! – Sasha gritou para me animar.
Eu quase ri. Mas a verdade era que eu não sabia como “rebolar a minha bunda”.
Na verdade, eu questionava a existência da mesma.
Mesmo assim, eu tento, e de repente eu sinto que (se alguém gravasse ou batesse foto) eu poderia virar um meme. Algo do tipo: “Procura-se uma doadora de bunda urgente para que essa garota possa rebolar a bunda dela” e marcar a Kim Kardashian ou a Nick Minaji. Eu achei a ideia particularmente engraçada.
— Você está muito travada – Ellie disse, pegando-me pela mão. – Vamos tomar uma tequila e você logo fica mais solta que o arroz da minha mãe!
E então vamos para o bar.
Nós três viramos copos de tequila e então tudo pareceu mais fácil.
Dançar pareceu mais fácil, rir com elas e me divertir com o fora (um tanto cruel) que Sasha deu em um garoto pareceu mais fácil. Afinal, eu provavelmente sentiria pena do garoto se tivesse em sã consciência. Na verdade, eu estava com elas quando percebi que um garoto estava me olhando, encostado na parede.
Não sei se eu o conhecia, ou não, mas tenho certeza que ele estava me encarando.
E isso fez com que eu o encarasse de volta.
Se eu estivesse sã, esse seria um momento em que eu desviaria o olhar e me perguntaria se tinha algo na minha cara (algo tipo, sêmen de cavalo há). Porém, eu queria saber se ele teria coragem de chegar até mim e me falar o que há de errado com a minha cara. Eu havia levado horas para fazer uma “make perfeita”.
— Para de olhar ou você vai espantar ele! – Ellie gritou do meu ouvido.
Virei para ela.
— Como assim espantar?! – Gritei de volta.
Será que meu rosto estava pior do que eu imaginava?!
— Oi!
Eu dei um pulo de susto.
Atrás de mim estava o garoto que estava me encarando.
Pareceu um daqueles episódios de Doctor Ho: “Don’t Blink”. Me virei para falar com Ellie, e puff ele apareceu atrás de mim com duas bebidas. Acho que uma era para mim do modo como ele a estendia.
Quê?
— Oi... – Eu disse, hesitando. Olhei para a parede onde ele estivera e então para ele novamente. – Edward Cullen é você?
Ele franziu o cenho como se não entendesse.
E eu não explicaria a piada para ele ou seria zoada.
— Na verdade, eu sou Brendan – Ele se apresentou, gritando no meu ouvido.
— Isabelle – Eu respondi, com um sorriso tenso.
Ele estendeu a bebida para mim novamente e eu a peguei... Por que era isso o que ele queria né? Que eu a pegasse, digo. Mas então, nesse momento, Ellie e Sasha aparecem do meu lado, como duas guarda-costas e dizem:
— Opa, opa, opa! Antes da princesa beber o drink dos outros, precisamos beber primeiro! Ordem da casa real! Sabe como é, para prevenir atentados!
Eu pergunto que merda era aquela, quando Sasha dá um gole na bebida que ele me ofereceu. Ela faz uma expressão de dúvida, e faz um sinal para Ellie fazer o mesmo. Eu estou me segurando para não rir, quando ela faz um O.K. com a mão.
— Parece que está limpo! Mas estamos de olho rapaz! – Elas gritaram.
Eu olho para elas, esperando que elas tenham uma justificativa para aquilo. Porém, elas apenas riem da minha cara e voltam a dançar. Mas sempre prestando atenção em nós dois. Eu consigo sentir o cheirinho de conspiração, que elas emitem. Elas querem que eu fique com ele, provavelmente porque ele é bonitinho. Bonitinho de um jeito britânico.
Alto, esguio e loiro. De olhos claros e do tipo que é pontual para as coisas.
— Princesa? – Ele perguntou divertido.
Tenho certeza que neste momento, foi o álcool que falou: “Nossa, seria engraçado fingir que sou outra pessoa, de qualquer outro lugar”. “Bem, seria engraçado fingir que sou uma princesa. Toda garota quer ser uma, não?”.
E foi o álcool quem me fez dizer fazendo sotaque francês:
— Princesa Isabelle, de Mônaco.
Como minha mãe era francesa (e eu praticamente cresci ouvindo o seu sotaque) não era difícil forjar um. Quando mais nova, eu a imitava e isso a deixava bem chateada.
Ele parece surpreso, mas então eu lhe digo:
— Shh, não espalha. Estou numa visita informal à Inglaterra.
Não sei se ele acredita ou se apenas finge acreditar. De toda forma, sua expressão torna-se cúmplice e ele me dá uma piscadela. Esse gesto poderia servir para as duas teorias: “prometo não contar” ou “prometo não avisar ao hospício que você fugiu”. Mas eu acho divertido enquanto dançamos algumas músicas.
E quando ele me beija do nada.
Não nego que tive um momento de hesitação.
Em que estranhei o modo como seus lábios se moveram sobre os meus e suas mãos seguraram minha cintura. Eu praticamente só sabia o nome dele e ele já estava me beijando. Sem contar que... Bem, seus lábios pareciam estranhos. Eu certamente precisaria de um tempo para me acostumar com aquele beijo... babado e que nunca chegaria ao fim (aparentemente).
Pergunto-me porque meu primeiro beijo com Alexander foi melhor (se ele também era só um estranho na hora) e se isso tinha a ver com o nível do álcool no meu organismo ou se isso significava que o ruivo beijava melhor (se fosse uma competição).
E então eu me perguntei porque eu estava pensando em Alexander agora.
Provavelmente, porque Alexander viraria meu parâmetro para tudo, já que ele era a melhor pessoa com quem eu já fiquei... E, ai meu deus. Se eu estava com ele numa amizade colorida, ficar com outro cara não era errado? Quer dizer... Parecia errado.
Lembro-me de Chris dizendo alguma coisa sobre não ter nenhum compromisso...
Então talvez o problema fosse comigo?
Eu não tinha maturidade para ficar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo?
— Você está bem? – Ele perguntou quando se afastou.
Acho que é falta de educação dizer o quanto o beijo dele não me fez sentir nada.
E o quanto eu me dispersei no meio do nosso beijo.
— Eu acho que estou cansada – é tudo o que eu digo.
Solicitamente, ele segura a minha mão e me leva para algum lugar calmo para sentarmos. Uns bancos acolchoados que ficavam num canto escuro da boate, fiquei um pouco tensa e cheia de expectativas. Quer dizer, um cara que me leva para qualquer canto escuro era no mínimo duvidoso, certo?
No entanto eu bebo um gole do drink que ele me ofereceu (e que eu enrolava para beber porque era muito doce para mim). E ele me pergunta sobre minha rotina de princesa.
— É meio chato sabe? Acordar tarde, ir à eventos e não precisar fazer nada porque sua família é rica – Eu respondi, lembrando-me do meu papel. – Um sonho de princesa.
Ele riu da minha piada.
E eu não acredito que ele estava acreditando naquela brincadeira.
— Quem é você? – Ele perguntou, enfim, curioso.
É, óbvio que não.
— Eu sou Isabelle, sou americana e estudo literatura e escrita criativa na Universidade de Nottingham – Eu respondi, quase fazendo uma reverência. – Menos empolgante, né?
Ele sorriu. Seu sorriso era gentil. Do tipo que você gostaria de receber quando estivesse num dia horrível ou quando estivesse nublado. Não sei porque sou tão romântica, mas acho que faz parte da minha alma poética. Provavelmente, eu havia puxado isso do meu pai. Ninguém era mais sensível que ele.
— Você parece tanto com uma princesa, que eu quase acreditei — Ele respondeu, pegando uma mecha do meu cabelo em seus dedos e a colocando atrás da minha orelha.
Apesar de eu achar suas palavras muito falsas, quase ensaiadas, eu fiquei vermelha. Ele pegar no meu cabelo parecia muito íntimo e o jeito com me olhava... Me fazia sentir... Não sei. Como um quadro numa exposição de arte. Não como uma mulher desejada, mas como uma garota bonita.
Pergunto-me porque achei suas palavras tão... vazias.
Respirei fundo. Talvez fosse só minha impressão.
— E você? – Eu perguntei, esperando que minha voz não falhasse. – Quem é?
— Brendan Fraser. Eu trabalho como administrador da empresa de tecidos do meu pai – ele respondeu. – Menos empolgante que a sua história, garota americana de olhos bonitos.
Eu sorri quando ele falou dos meus olhos.
Muitas pessoas falavam dos meus olhos. Mike chegou em mim elogiando-os, Alexander disse que eles o deixavam louco... E lá estava ele de novo. Alexander. Usá-lo como parâmetro OK, agora deixá-lo me assombrar como um fantasma já era demais... Ou talvez eu apenas estivesse sendo dura comigo mesma. Eu comentei Mike também.
Brendan seria o tipo de cara que eu gostaria de conhecer e namorar na Inglaterra.
Educado, engraçado, gentil e do tipo que não poupava elogios, por mais constrangida que isso me deixasse... E foi quando eu descobri o que me incomodava em suas palavras: ele falava comigo como Mike falara no início (com palavras bonitas, feitas para agradar quem as ouvisse).
Essa descoberta foi um choque para mim. Será que, diferente do que eu pensava, eu não teria superado Mike? Ou será que ele havia me tornado cética quanto aos flertes de outros rapazes? Desconfiada de frases melosas e bonitas?
— E as duas doidinhas ali? – Ele perguntou apontando para as minhas amigas...
Que executavam uma complicada dança de acasalamento com dois machos.
Se eu não conseguia mexer a minha bunda, imagine dançar daquele jeito.
— Minhas melhores amigas – Respondi. – E minhas guarda-costas.
Ele riu.
— Algo me diz que você é quem cuida delas – Ele retrucou.
Não tenho coragem de lhe explicar o quão redondamente enganado ele está, então eu apenas dou de ombros. E tomo mais um gole da bebida já derretida que ele me deu. Talvez, olhando de onde estávamos, eu realmente parecesse mais sensata. Porém, em questão de vida... Bem, elas estavam há anos-luz na minha frente.
— Sabe, é mais interessante ficar sentado aqui. Dá para te ouvir melhor – Ele comentou, divertido. – Lá na pista é uma loucura.
— Eu também prefiro – Confessei. – Não sei dançar tão bem quanto elas.
Ele sorriu.
— Você estava encantadora dançando lá – ele retrucou.
Novamente, parece mais uma frase vazia. Feita para me agradar.
Pergunto-me quem usa a palavra “encantadora” espontaneamente.
— Você é um bom mentiroso – eu respondi, tentando parecer divertida.
Nós passamos o resto da noite sentados ali, conversando e, ora ou outra, ele me roubava uns beijos. Mas em nenhum momento ele ousou uma mão atrevida ou deu a entender que me queria em outro lugar (tipo assim, na sua cama). Parte de mim, não soube o que aquilo significava e parte de mim achava que ele provavelmente não me achava excitante o suficiente para querer transar comigo.
Ou talvez ele achasse que eu era uma “garota diferente” daquelas que estavam na pista de dança rebolando. Podia parecer idiotice pensar assim, mas Mike havia pensado quando chegara em mim daquele mesmo jeito, não é?
Um jeito charmoso e (aparentemente) sem segundas intensões.
Ele havia chegado assim em mim, lembrei-me. Nunca dera a entender que queria, essencialmente, transar comigo. E ele só chegara porque acreditava que eu era virgem... Como se eu pudesse sair correndo, caso ele demonstrasse desejo por mim. E era provável que naquela época, eu saísse correndo mesmo. Mas hoje em dia, era o que eu mais queria.
De repente, eu senti que havia falhado comigo mesma.
Aparentemente, não adianta ter uma roupa “matadora” e “make perfeita”... Se eu ainda agia como... Como qualquer coisa que seja longe de femme fatale. Qualquer coisa longe de ser um “mulherão da porra”.
E, mais doloroso que isso, era pensar que, talvez, eu não tivesse superado o que Mike fez. Talvez a dor do que ele fez (o modo como me humilhou) nunca me deixasse, transformando-se em receio, medo e desconfiança quando alguém falasse daquele jeito comigo de novo.
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Por volta das duas horas, decidimos ir embora porque Sasha brigou com alguém e houve confusão. Eu não estava na briga, só sei que elas apareceram e disseram que precisávamos ir porque não aguentavam mais ficar ali. O que foi bom por um lado, porque eu não aguentava mais ficar ali com Brendan também.
Porém, ele pediu o meu número. E eu dei porque não soube dizer não.
A Belle Descolada meneou a cabeça em reprovação.
— Ele era bonitinho – Ellie comentou com tom malicioso, enquanto andávamos pela rua. Não preciso perguntar a quem ela se referia.
Eu concordei com a cabeça.
— É, acho que ele era – eu respondi. – Me tratou como uma dama do século XIX.
Elas riram.
— E isso não é bom? – Sasha perguntou. – Ser tratada como uma dama?
Esta é uma boa pergunta.
Porém, a verdade era que eu não queria ser tratada como uma dama. Eu não queria alguém que fosse gentil comigo, eu acho. Alguém que me respeitasse, sim... Mas não alguém que me tratasse como se... Me desejasse como mulher. Talvez eu esperasse outro tipo de pessoa. Um tipo que não usasse palavras bonitas que pareciam falsas.
— Eu acho que quero ser tratada... Sei lá, com desejo – Eu respondi enfim. – Não como se eu fosse uma boneca que precisa ouvir palavras bonitas.
— Você não gosta de ouvir palavras bonitas? – Sasha perguntou confusa.
— Não quando elas parecem vazias – Eu respondi. E como se Sasha e Ellie precisassem de uma explicação melhor para a minha aversão à ele, eu digo: – Ele... Falava comigo como... Como Mike falava... No início.
As duas garotas não pararam de andar, mas percebi a tensão que apareceu em seus músculos. E então senti um braço de Ellie ao redor de mim e a mão de Sasha acariciando o meu braço. Esse seria o máximo de afeto que eu teria dela, eu sabia disso. Por isso ela era tão legal.
— As palavras dele pareciam calculadas, como que para me fazerem feliz... E eu não sei porque sinto que é tão difícil acreditar nelas – Confessei-lhes.
— Provavelmente porque você já acreditou uma vez? – Sasha sugeriu.
Dei de ombros. Foi o que eu tinha pensando.
— Então por que você deu o seu número para ele? – Ellie perguntou indignada.
Eu dei de ombros. Sentindo meu rosto corar ao dizer:
— Não soube como não passar.
Ao invés de ficarem indignadas com a minha falta de maldade, elas apenas riem como se fosse algo bonitinho. Como uma criança que não consegue mentir ainda. Eu amo/odeio quando elas agem assim. Mas sei que, de certa forma, elas estavam certas. Eu faria a mesma coisa se fosse elas; como elas.
— Bem, se você não gostou de conversar com ele, uma hora ou outra você vai ter que dar um fora – Sasha me lembrou. – E é por esse tipo de coisa que prefiro ser escrota logo de primeira. Para a pessoa fica em choque, sacou?
— Pensei que você fizesse isso porque gostasse de fazer garotos chorarem – Eu respondi, esperando que ela entendesse que era uma brincadeira.
Ela ri para mim e diz com sarcasmo:
— Hey, toda garota sabe que “fazer garotas chorar” é um hobby para garotos – Um sorriso venenoso se formou em seus lábios. – Só estou retribuindo o favor.
Ellie ri do comentário.
— Bem, eu tive dó de dar um fora no cara que diz: “Você parece tanto com uma princesa, que eu quase acreditei”.
Um riso explodiu de Sasha, surpreendendo-me.
— Ele disse isso?! – Ela perguntou, quase gritando.
— Aham. Isso e “Você estava adorável dançando lá”.
Ela ri ainda mais. Ellie tenta não rir e diz:
— Ah, é bonitinho, vai...
— Fica com ele então – Sasha retrucou, dando um empurrão na loira.
— Acho bonitinho para minhas amigas— ela se corrigiu.
— É. Por que pimenta nos olhos dos outros é refresco – a ruiva retrucou. – A Bell é que teria que lidar com o principezinho lá. Se ela não quer, ponto final. E, sim, eu a estou defendendo porque eu entendo perfeitamente que ela não queira ele. Também achei ele muito cheio de floreios para o meu gosto.
Fico aliviada em não ter sido só eu quem houvesse percebido aquilo.
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Elas me deixam no alojamento e, como sempre, ele estava vazio. Provavelmente, Chris fora passar o fim de semana com o namorado, o que me deixaria ali: triste e sozinha, naquela escuridão e com aquela frustração sexual que eu não saberia dizer de onde havia vindo (talvez da falta de interesse de Brendan).
Eu troco de roupa, mas não tenho coragem de desfazer a maquiagem. Parecia muito trabalho para ser jogado fora. Se não for para acordar com a cara toda borrada, eu nem me maquiaria daquele jeito. Então apenas tiro minha roupa e coloco um moletom. Nem me preocupo em colocar uns shorts. Chris não está aqui mesmo.
E isso não melhora minha frustração porque, quando me olho no espelho de frente para a minha cama, sinto que estou muito gostosa. E o fato de ninguém estar lá para apreciar era triste. Eu me achava gostosa de moletom e calcinha e não vou tentar entender o porquê. Só acho que era mais sexy do que qualquer roupa que eu colocasse.
Eu me jogo na cama e tento dormir. Mas parece que estou animada demais para fazê-lo. Como se eu estivesse ligada na tomada. Tento não pensar em nada, e fechar os olhos, quando de repente me pego pensando: “E se eu estivesse transando com alguém agora?” e essa simples pergunta fez meu corpo se incendiar.
Porque eu pensei em Alexander.
E em como ele era bom naquilo.
E no como era errado eu pensar nele fazendo aquilo quando eu havia beijado outro cara. Meu Deus, eu podia não ter nada sério com ele, mas me sentia uma traidora.
Será que ele estava ocupado agora? Provavelmente, como era sábado, ele deveria estar no bar. Atendendo as garotas bonitas e conversando com o barman, que parecia ser seu amigo. Eu provavelmente o atrapalharia se ligasse agora... Porém, ainda há um pouco do efeito do álcool que diz: “atrapalhar um pouco nunca machucou ninguém”, “você deveria ligar para ele e comentar sobre a sua enorme vontade de dar para alguém”.
E também foi um pouco do álcool que respondeu: “essa parece uma boa ideia”.
Também foi ele quem fez com que minha mão se mexesse, pegasse o celular abandonado num canto da cama e discasse o número de Alex na minha agenda eletrônica.
— Bell?— Ele atendeu.
Seu tom estava bem surpreso e nem sequer tentou disfarçar isso.
— Oi... Você está ocupado? – Eu perguntei.
Era óbvio que estava só pelo barulho ao redor. O som de rock inconfundível como um plano de fundo para a sua voz grave. Até que ele vai para um lugar mais calmo.
— Eu estou no Pub Irlandês agora— Ele respondeu. – Aconteceu alguma coisa?
E agora? Como eu vou falar para ele que eu só queria perturbar?
— Hum... Na verdade... Não. Tipo, nada sério e nada dramático – Eu confessei, quase ouço uma risada quando eu digo “dramático”. – É só que... Hum... Eu estava aqui sozinha... Pensando algo tipo “Nossa, que legal seria estar transando com alguém agora” – Faço uma pausa, mas ele não diz nada. – Só que, aparentemente, a única pessoa disposta a transar comigo está ocupada. O que só me deixa uma alternativa.
Okay, agora seria o momento em que Alexander iria me dar um esporro por eu ter ligado para ele só para encher o seu saco. Tipo: “Ô garota, quem você acha que é para me ligar para falar sobre seu fogo no rabo? Eu estou trabalhando, sabe?”. Não que ele fosse falar desse jeito. Alexander tinha um pouco mais de classe.
Porém, ao contrário, ele disse:
— Que alternativa?
Sua voz soou um pouco mais grave que o normal.
Mordi o lábio inferior, enquanto meu coração perdia umas batidas.
O álcool respondeu:
— Me tocar pensando em você.
Provavelmente, um grande incêndio não teria tido a mesma intensidade do que o calor que se espalhou pelo corpo, quando o ouvi soltar o ar lentamente. Pode parecer algo normal (ele só soltar o ar), porém, lembrou-me do quão era excitante quando ele fazia isso. Era tão “estou tentando manter a calma porque ela está me deixando excitado” e eu nunca pensei que fosse excitante deixar alguém excitado com palavras.
E então eu me pergunto porque eu consigo ser cara-de-pau com ele. E não com um estranho que eu conheci numa boate enquanto estava com a cabeça cheia de tequila?
— Por que você está fazendo isso comigo? — Ele perguntou.
Sua voz pareceu um tanto... tensa. Ou excitada.
— Porque eu queria ser má... Só um pouquinho – Eu confessei.
— Ah, está conseguindo. Você está conseguindo ser beeem malvada. Parabéns— Ele respondeu. – Quase conseguiu me fazer largar tudo para tocar você eu mesmo.
Um arrepio percorreu a minha espinha.
— Bem... Já que você está ocupado, vou brincar de “Se Alexander estivesse aqui”— eu digo. – Boa noite. Bom trabalho, seja lá o que você faça aí.
E então eu desliguei.
Por algum motivo sentindo-me satisfeita comigo mesma.
Quem iria entender esse cara que, pelo telefone, me fazia sentir um pouco melhor. Na verdade, eu acho que eu tentar ser mais provocante com ele me dava um pouco mais de confiança. Talvez porque ele me desejasse mesmo e isso me fizesse sentir menos rejeitada. Não devo ser de todo mal já que alguém me queria, né?
Bem, “Se Alexander estivesse aqui...”. Ele provavelmente me jogaria na minha cama. Ele adora fazer isso. Me carregar, seja lá para onde seja (seu sofá, sua cama, minha cama...) e então me largar ali. Por um segundo. Tempo o suficiente para seus olhos analisarem meus cabelos bagunçados e meu desespero por tê-lo em mim.
“Se Alexander estivesse aqui...” Ele então cobriria meu corpo com o dele e me beijaria. Tocaria os meus seios, os apertando-os suavemente, mas com firmeza. E então sua boca iria para o meu pescoço e ele me morderia, enquanto suas mãos desceriam o zíper do meu moletom cor-de-rosa. Para descobrir que estava sem sutiã e de calcinha.
Eu me toco como acho que ele me tocaria. “Se Alexander estivesse aqui...” ele provavelmente sugaria meus seios, lamberia os meus mamilos, enquanto sua mão me tocaria lá em baixo. Primeiro sobre a calcinha. Depois eu a deslizo por meus quadris, novamente, com a sensação de nada era tão gostoso como aquilo. Aquela ilusão de ser gostosa e resolvida.
E então eu me toco.
Primeiro pressionando levemente meu clitóris. A sensação é semelhante à colocar o dedo na tomada. Descargas elétricas percorrem o meu corpo e eu deixei escapar um suspiro. Antes de arriscar colocar um dedo em mim.
Estou tão molhada e excitada que meu dedo desliza, sem resistência ou desconforto. A sensação é maravilhosa. Libertadora, mas não parece ser o suficiente. Fechei os olhos e imaginei Alexander sobre mim, me tocando do seu jeito. E então começo a mexê-lo dentro de mim. Tentando chegar cada vez mais fundo. Os arrepios se intensificaram, concentrando-se em meu ventre.
Lembrei-me dos seus olhos claros e ardentes. Eles estariam me olhando. Sempre estavam observando as minhas reações, como se me ver em prazer lhe excitasse.
Tento colocar mais um dedo e me pergunto como ele faz isso. Parece tão apertado, tão delicado, mas ao mesmo tempo, sinto-me tão confortavelmente preenchida que solto um gemido. E então mexo meus dedos, fazendo agradáveis movimentos de vai-e-vem. Depois, experimentando movimentos circulares.
Solto mais um gemido.
“Se Alexander estivesse aqui...” ele colocaria a língua dele, pensei. Sentindo falta dela. Ele me chuparia daquele jeito maravilhoso que me faria ver estrelas por trás das pálpebras. Um desejo que eu não poderia satisfazer naquele momento.
Ao invés imagino que ele está sobre mim novamente. Dessa vez me penetrando e meus dedos fazem os movimentos que ele faria. Estocadas vigorosas, firmes e ritmadas. Eu solto um gemido. Gosto disso. Gosto muito disso. Eu sentiria seu hálito no meu rosto e sua mão por todo o meu corpo. Apertando meus seios, minha barriga, minha bunda...
Meus músculos das costas e das pernas estavam tensos. Quase doloridos, mas meus dedos apenas se tornaram mais rápidos e mais rápidos. Até que me visse dividida entre respirar e gemer... Terminando com uma explosão de alívio e cansaço.
Olho para o meu reflexo no espelho: os cabelos bagunçados, os lábios entreabertos com a respiração pesada e o rosto corado. Era uma cena constrangedora e, ao mesmo tempo, fascinante. Pensar que era isso o que Alexander provavelmente via, fazia-me sentir exposta... Mas não era inquietante, entretanto.
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