Good Enough: Even If You're Not Here

3 Capítulo 3: A Primeira Vez Que Cozinhamos Juntos


Notas iniciais
Essa Short Fic foi criada para o Desafio do Dia dos Namorados. Boa leitura!

A Primeira Vez Que Cozinhamos Juntos

Claus,


Não devo demorar-me muito mais aqui, mas chegaram alguns poucos, porém importantes fatos aos meus ouvidos. Ignore minha primeira carta, por hora.


Serão necessários 200 dos meus homens, o castelo tem apenas 12 soldados, sequer sei como esse rei ainda está de pé. A situação do povo é precária, faltam alimentos, roupas, remédios, quase como se estivessem sem esperanças, me envergonho por ter, apenas agora, me encarecido disso. Estou solicitando os meus homens por que pretendo invadir o reino vizinho, tive uma pequena prova deles, não me são ameaça, porém temo não conseguir libertar os cativos, defender Okien e lutar ao mesmo tempo.


Não deve mandar qualquer inexperiente, apesar de não representarem perigo a mim, devemos treiná-los apenas com os humanos por enquanto.


Quero as melhores fardas, minha armadura e armas, quero o máximo de proteção, como o habitual, não pegue leve.


Precisarei também de alimentos e roupas, sementes para plantio e um pouco de ouro. Se meu pai achar que estou pedindo demais, por favor, interceda, sei que ele o ouviria com absoluta atenção.


Meu pai... protegeria os dele, não é? Devo honrá-lo. Honrei minha mãe em E Oh In, vou pôr meus sentimentos de lado e honrar ao meu pai aqui.


O rapaz de minha carta anterior viu muito mais do que deveria de mim, lhe disse mais do que o necessário. Não consigo manter a discrição necessária com ele, não consigo mentir. Apaguei as memórias em que estou envolvida, por tanto creio ainda me safar por mais alguns dias. Infelizmente, não consigo evitar tocá-lo ou ansiar por esse contato. Meu lobo tem resistido de modo precário, apesar da lua estar longe, ele está prestes a eclodir. Não posso ficar mais do que os próximos cinco dias, o estarei esperando ao quinto dia, se não estiverem aqui, irei sozinha.


Se eu quiser ficar, dê-me a ordem e leve-me pra casa.


Amélia.


[Manhã do Terceiro dia]

Na manhã seguinte à pequena luta contra os invasores de Okien, desejava cumpri com todos os seus afazeres, o que incluía os desaparecidos, precisava saber quantos deveriam ser resgatados, para que, quando os trouxesse, não houvesse um único a menos. Porém, o rei não a quis receber, sequer permitiu à rainha lhe dirigir uma única palavra, o que significava que não teria permissão para deixar o palácio. Não desistiu, iria então até o Conselheiro Real solicitar o registro de desaparecidos ou a permissão para tal, claro, se ao chegar lá não tivesse descobverto que Ion, o mordomo, servia também como Conselheio e outras tantas posições impossíveis de serem administradas pela mesma pessoa.


Aquele reino que outrora certamente fora forte, um reino que em outros tempos tentara enfrentar ao seu, havia caído em desgraça. A memória de seu pai estaria manchada se permitisse a continuidade daquilo.


Consternada, caminhou até o quarto do Alfa. Podia ver como o castelo era mal cuidado na área onde os servos habitavam. Os corredores eram frios, húmidos, empoeirados, completamente diferentes das áreas às quais haviam lhe apresentado. De certo, aquela era uma área que envergonhava ao rei, ele não podia cuidar do próprio povo. Chegando ao quarto de Ion, bateu na porta, ouvindo um murmúrio baixo. Podia se concentrar e recuperar o som, claro, se quisesse, o que não era o caso.


Abrindo a porta, o rapaz pareceu assustado.


— Alteza. — Cumprimentou, curvando-se.

— Está tudo bem, levante. Soube que é também, o Conselheiro do rei, por isso vim pedir algumas informações.


— Perdão?


— Acaso estou enganada?


— Não alteza, possuo muitas funções, dentre elas, ocupo esse cargo.


— Preciso da lista dos desaparecidos. Algo detalhado. — Pediu. "Quero saber se existem características determinadas naqueles que levam".


— Não temos algo assim, alteza.


— Não tem o nome dos desaparecidos? Quem sabe dos sequestrados, certamente deve haver... — Um pensamento do rapaz veio até si sem qualquer cuidado, a resposta fora negativa. — A lista, Ion, teu rei não possui uma? Os sequestrados não foram listados?


— Perdoe-me, senhora. Listamos apenas os cidadãos que estão aqui.


— Então há um registro de todos eles? Um onde eles estejam listados?


— Recentemente nós o atualizamos, esse... registro foi destruído.


Dando um sorriso que apenas poderia ser dito como macabro, assentiu.


— Um documento foi destruído? Não deveria sequer estar impressionada. — Teria de apresentar-se ao povo, falar com cada um dos cidadões e pôr em uma maldita lista, haviam poucas formas de deixá-la irritada, como tal povo conseguia? — Traga-me Giovanni, nós iremos sair, avise-o, por favor. — Tencionava sair dali, não fosse saber que o Alfa desejava dizer-lhe algo; algo referente ao seu Ômega.


— Senhora, eu posso falar-lhe...

— Apenas diga.


— Seja paciente com ele. Não temos o costume de deixar Ômegas saírem e a senhora dá os ares de uma Alfa, podem comentar... A repútação de um Ômega é tudo...


— Vosso príncipe não tem o que temer em mim, se obedecer ao que digo. — Cortou. — Eu não usaria força contra o Ômega.


Os olhos dele estreitaram. Havia cometido um pequeno deslize e ele notou.


— Perdão? — Ion poderia jurar que havia ouvido com clareza. O cheiro da princesa o poderia enganar, porém, mesmo que o fizesse, a dominância dela não poderia evitar ser notada se a desafiasse. Esperava, ao menos, não estar indo longe demais ou que de fato estivesse correto, pois sabia que o contrário causaria sua morte.


— Sei o que está pensando. — Afirmou. "Claro, uma vampira que dá os ares de uma Alfa era o pior que podiam suspeitar." — Eu não machucaria o homem que se deita comigo... — Afirmou, pondo intencionalmente duplo sentido em sua frase. — Mas aquele que dorme contigo é o exato oposto. — Com um sorriso malicioso, tocou a lateral do rosto do rapaz, acariciando com o polegar o lábio inferior dele. — A forma presunçosa com que deduzem toda e qualquer coisa sem qualquer sentido, me deixa furiosa. — Seus olhos tornaram-se negros e o reflexo verde atrás deles deu medo ao Alfa que ajoelhou-se frente Amélia.


— Perdoa-me, senhora, não quis contrariá-la. — "Como é que já a deixei brava? Não foi provocação o bastantes..." — Não machuque meu Ômega, por favor, seja piedosa.


Infelizmente, ela já não tinha muito o que fazer; se Ion desconfiava de seu segredo no terceiro dia que estava lá, como o impediria de dizer qualquer coisa ao rei? Mais do que apenas isso, como o faria temê-la à ponto de respeitá-la?


— Não quero forçar vossa submissão, mas se precisar, eu farei. — A fala novamente saiu errada, conviver com os lobos não fazia-lhe qualquer bem, apenas tornava seu lobo mais real. Ergueu o queixo dele, para que a olhasse. — Levante-se.


— Não me atrevo. Por favor, perdoa-me, senhora.


— És um mordomo, não? — Viu-o anuir. Colocaria medo naquele Alfa. — Virás comigo ao meu quarto. Tens um corpo bom, serei benevolente com o teu garoto, se fizer o que eu quero.


— Minha senhora, por favor...


— É um não?


— Eu... não ousaria. — Queria que apenas a voz embargada dele bastasse, infelizmente, sabia que aquele não era o caso, precisava de mais.


— Então levanta e vem. — Enquanto caminhavam, podia sentir medo, humilhação, vergonha, tristeza, decepção, angústia, provenientes dele, também ouvia o som das lágrimas tocando ao chão, aquilo a agradava, o medo, a submissão... Sabia que era errado, entretanto necessário. Ion encolhia-se sempre que outros passavam por ele nos corredores e todos olhavam para ela por que fizera um Alfa chorar. Havia posto, muito sutilmente nos pensamentos de um Beta "Preciso avisar o noivo". Breve, o rapazinho ruivo estaria lá. — O que foi, estás com dor?


— Não senhora. — Murmurou.


— Medo? — Ao ver que pensava no namorado, ficou irritada. — É curioso vindo de alguém que deixou fazer o mesmo com o próprio noivo...


— Não tenho escolha...


— Devias ter morrido lutando para protegê-lo, mas o ofereceu a mim. Não posso reconhecê-lo como um Alfa. — Abriu a porta do quarto, esperando-o entrar. — Entra. Tire tudo e sente na cama, mantenha a roupa íntima, vamos fazer disso um mistério. — Sentia certo nojo das palavras que saíam de seus lábios, porém era inevitável. — Te farei um dos meus, terá de vir frequentemente.


— Frequentemente...?


— Não acha que Giovanni é suficiente pra mim, certo? É muito jovem. — Aquela fora uma boa mentira, sequer conseguia lidar com o garoto, daí a ele não ser o bastante era excuso.


— Estou certo de que ele está fazendo o seu melhor, senhora.


— Quando o seu melhor não é o suficiente, o que posso fazer? — Dizer aquilo era nojentos demais! Claro que o Ômega era suficiente, até mesmo mais do que isso, Giovanni era dela! Muito, muito dela... — Vamos, comece pela camisa.


Apreensivo, Ion começou. Quando todos os botões da camisa foram abertos, num rompante, a porta também. Que se inicie a distração.


— Oras, o ruivinho atraente... — Olhou-o de cima à baixo, gostara da roupa dele, constatou também que todos os Ômegas vestiam apenas branco. — Já que está aqui, deve se juntar a nós.


— "N-não." — Ele sequere havia pronunciado, mas ouvira o abençoado coração do rapaz.


— Não?


— Não pode tocar ao meu noivo, majestade.


Seus olhos foram a Ion;


— Ion está aqui por vontade própria, menino.


— Não está, sei que não! Alfa, vamos voltar.


Dentre as leis de Okien, segundo o que estava vendo na memória do jovem ruivo, apenas um deles poderia ser oferecido. O casal aceitou que apenas ele seria dado, quando, negociando com o rei, implorou para que o irmão não tivesse de fazer o mesmo. O rei não podia dar o corpo de Ion a quem quer que fosse, do contrário, teria de pagar com a própria vida.


— Deve falar com ele então. — Estava encantada com o rapaz. Ele era tão fraco fisicamente, sequer notara que o estava lendo, porém a desafiava sem medo. — Apenas fiz um convite e ele aceitou. Não responderá ele, Ion? Estou forçando você? Voce pode sair quando quiser.


— Ômega, saia. — Ordenou.


— Voce não me trairia...


— Eu concordei! — Batendo no próprio peito, assustando ao ruivinho, o moreno se ergueu. — Eu aceite, vim sem qualquer ordem, concenti, Ômega. Quero ficar. Saia.


— Iongjae! — O nome havia ficado pior! Não era possível, quem daria um nome daqueles para uma pessoa?! É claro, a autora! — Eu não aceito. Não dou permissão. Não pode tocar no meu Alfa, majestade.


— Está me desafiando?


— Saia daqui, Ômega. Quero...


— Estou desafiando, majestade. Não deixo que toque meu Alfa.


— Então vou matá-lo.


— Princesa, por favor.


— De acordo.


Com um olhar, Amélia fez o ruivo tirar a blusa e soltar o cabelo, seu Alfa estava assustado.


— Gostam de dor, certo? Todos masoquistas... Eu disse, Ion, você não deve ser chamado de alfa. Acho que entende agora o que deveria ter feito quando seu Ômega foi selecionado. Ele ofereceu a própria vida, não sente vergonha? Estaria humilhada em teu lugar. Teu instinto ordena que proteja, então deves proteger! Vista-se, Ion, pode sair, o garoto será suficiente, ao menos tem personalidadde. Ao menos desempenhnará resistência.


— Senhora, não foi o que combinamos...


— Acredito que te mandei sair.


— Juro que não questiono mais.


Os olhos de Améliia foram à cama e o garoto seguiu até lá, deitando-se.


— Então vai ficar aqui? Não digo por mim, mas teu garoto parece acanhado.


— Eu imploro, alteza, deixa meu Ômega.


— Implorar, às vezes não é suficiente. Tem momentos em que deve usar a própria força, mas você não tem, não é? Não ama teu Ômega o suficiente pra me questionar ou pra me deter.


— Alteza, não pode questionar o meu amor. Ele é tudo o que eu tenho. Por ter sido tão dificil consegui-lo, não me atrevi a questionar, coloquei-me em meu lugar, mas o está forçando! — Ajoelhando aos pés dela, chorava sem tentar esconder. — Submissão dói, alteza. Ele não quer, princesa, por favor, seja piedosa. Nunca mais questiono, por favor, por favor... Farei tudo a que me ordenar, juro que nunca mais questiono, por favor...


Afastando-se uma duzia de passos, ergueu os punhos.


— Está me desafiando, certo? Tente me acertar de verdade, eu não pegaria leve apenas por que não sabe lutar.


— Senhora, eu não ousaria.


— Não? Então saia, talvez seja agradável fazer um harém.


— Não. Meu Ômega não vai prostituir, não está a venda...


— Verdade? Dois dias atrás estavas me oferecendo ele, sinto-me tentada a aceitá-lo agora.


— Não tem minha permissão.


— Não estou pedindo.


— Aceito seu desafio alteza.


Com um sorriso, esperou que a atacasse. Após desviar dos ataques dele facilmentte, pôde ver a frustração nos olhos do Alfa por não poder vencê-la e decidiu para-lo por ali, segurando seus punhos.


— Vê? Sou muito mais forte. Agora pareces mais atraente... — Deixou uma ordem gravada em sua mente. — Se te atreveres a deixar, qualquer que seja, tocar teu Ômega, eu vou te matar. Teu Ômega, entendeu? Não existe a possibilidade de deixares tocar, de deixares beijar, se deixares, eu vou te matar. Não importa se vais morrer, tens de proteger a honra dele, assim, também progerás a tua. Pega teu noivo e sai, não te atrevas a me fazer repetir.


— Não questiono nunca mais, senhora.


— Chame Giovanni. Qualquer ideia tolo tua e volto a trazê-los aqui.
Correram em direção a porta, temerosos e chorando, com roupas em mãos, porém com medo suficiente para que não a olhassem mais.
Fora rude? De fato.


Se precisaria seguir de tal modo para ser respeitada e manter seu segredo a salvo, então o faria.

[Manhã do quarto dia]

Apontando para os soldados do rei, informou aos seus:


— Devem protegê-los também. Não tem o mesmo treinamento, por isso, é essencial que os mantenham seguros. Gostaria de mandá-los fazer a segurança interior do castelo, porém o rei insiste que eles montem guarda, aumentando assim vosso trabalho.


— Nem mesmo nos esforçaremos, Amélia, ainda bem que estão aqui, assim podemos ter alguma diversão. — Afirmou Ezendrel, um rapaz negro com 900 anos, infelizmente era um vampiro inferior, não poderia aumentar muito mais suas habilidades místicas, apesar de ser um excelente guerreiro.


— Divertido ou não os perigos existem. — Alertou. — Não posso deixar de preocupar-me.


— Sabemos disso, senhora. — O filho dele, Meliodas, sorriu. Estava em seu segundo ano na Guarda Real, não sabia porque ele estava lá, tinha apenas 315 anos. — Todos vamos nos encarregar de mantê-los a salvo, sem arrisca-nos.


— Devo tê-los treinado muito bem. — Acariciou o rosto do jovem, com um sorriso, notou também, no exato momento em que tocou o jovem, o aroma do Ômega. Virou-se em direção ao rapaz, Giovanni estava sério ou fora contrariado com demasia veemência, já que sua expressão era amarga. — Venha. — Estendeu a mão a ele. — Deve conhecer aos meus soldados antes de sairmos. — O Ômega segurou sua mão e trouxe-o para mais perto de si. Não importava o que fizesse, não conseguia afastá-lo. Após qualquer mínima insistência, cedia, por isso, desistiu. Não faria mais do que tocá-lo sem qualquer intenção a mais, apesar de seus homens não entenderem o mesmo. — Este é Ezendrel, meu segundo em comando. E este jovem é Meliodas, seu filho que não deveria estar aqui. — Brincou. Ambos curvaram-se ao rapaz e o impediu de fazer o mesmo, Giovanni não deveria se curvar a qualquer um, apenas não podia verbalizar. — Vamos ao local que designou e faremos a refeição aos teus súditos.


— Pensei que seria à noite...


— Lamento informar-te que eles devem comer frequentemente, porém, assim o é. — O menor parecia constrangido, não entendeu porquê. Seus soldados pareciam repentinamente felizes. — Alguns dos meus farão a segurança do castelo, assim, nós iremos até o local, faremos o jantar e a lista dos desaparecidos, farão nossa proteção por lá.


— E-Entendo...


— Precisa de algo? Meliodas fará tua proteção aqui dentro e eu lhe protegerei do lado de fora, peça a ele todo o necessário, ainda devo organizar os soldados por aqui, tudo bem?


— Sim, senhora... — Murmurou Meliodas, sorrindo para Giovanni.


— Está muito ocupada?


— Não. Porém a segurança é importante. Vá com ele, logo os encontrarei.


— Entendo. — Tentou curvar-se, mas o impediu.


— Não... Não deves te curvar a mim, à teu pai certamente, porém não a mim. — Acariciou o rosto dele, sentindo-se fraca. Queria continuar tocando a ele, seria um grande erro, poderia ir sem qualquer hesitação a tal erro e estaria feliz. — Vá... — Pediu.


— Com sua licença.


Com a ida deles, respirou um pouco mais leve.


— Amélia? Tudo bem?


— Sim...


— Teu namorado pareceu descontente com tua escolha.


— Somos amigos.


— Amigos? É uma brincadeira?


— É a verdade.


— Pude ver perfeitamente tal "amizade" e não foi bem isso que vi. Não vê a forma como o olha? Quero dizer, é claro que não, mas... Veja com os meus olhos.


— Não é necessário, eu não o vejo como um amigo, é óbvio que teus olhos vem isso. Vamos deixar meu infortúnio de lado, venha, temos que guardar o castelo.



[Duas horas depois, 10 horas da manhã]


— Ele é bem gentil. — Afirmou, Giovanni. — Ajudou-me com todo tipo de coisa. — Amassava a farinha junto da água, transformaria aquela massa em um macarrão e estava certo de seu sucesso. — Disse-me que você o ensinou a lutar...


— Sim, ele aprende rápido. Ponha mais farinha. — Jogou algumas couves lavadas na água quente e cortava uma abóbora em cubos, jogando-os na água. — Ponha mais força. — Ao ver que o rapaz não conseguia, pôs-se detrás dele, mantendo-o entre seus braços. — Assim. — Mostrou, porém ele pareceu muito constrangido para responder, por isso afastou-se. — Deve esticar a massa bem, e pôr muita farinha, é o mais importante. Depois de fatiá-la, deixe-a descançar na farinha, entendeu?


Ele assentiu.


Longo minutos depois, tomou coragem para falar, a sopa já estava pronta, mas ele teria sua chance de servir a sua:


— Assim? — Questionou, cortando a massa.


— Sim. Olhe aqui, vou pôr no fogo, a água já está quente.


— Sim.


— Faça. Logo irá cuidar disso sozinho, acha que consegue?


— Tudo bem...


Pôs os olhos sobre o rapaz, triste. Queria levá-lo consigo, queria ficar ali com ele, qualquer hipótese, desde que estivessem juntos. Porém não era possível. Logo iria embora.


Quando o primeiro senhor chegou na barraca e quesionou o preço da sopa, dizendo que era gratuito e que deveria trazer sua família, Amélia entregou-lhe uma vasílha cheia. Depois dele, muitas outras pessoas vieram, o dia desde então, fora cheio. Cheio de pessoas educadas e necessitadas. Cheio de Giovanni e aquele aroma que a estava deixando louca. Cheio de comentários sobre o possível noivado e de sorrisos demasiado largos para soldados que estavam de serviço.


Aquele dia foi bom. O completo oposto ao que estavam acostumados.


Na barraca próxima da água, no centro da cidade, Amélia sentava-se junto de vários cidadãos, anotando detalhes e características sobre os desaparecidos. Giovanni ainda cuidava a barraca e alimentava aqueles que iam até si, o povo murmurava o quanto sua noiva era gentil e bondosa, o povo não sabia que ela estava de partida, ou mesmo que estava pretendendo fugir do príncipe. Sabiam que recuperaria aqueles que foram perdidos e aqueles que foram levados.


A princesa era gentil. O príncipe tinha sorte por ter alguém assim. O povo era esperançoso.


O povo não sabia quão errado estava quanto às ambições de Amélia, viam apenas a forma que os estava tratando e acreditavam que era boa. Quanto ao que desejava, o povo era inocente demais.

Notas finais
Obrigada por ler e se você é ghost, eu também já fui, mas 'cê não vai saber das atualizações! Não perca histórias tão maravilhosas!