Good Enough
1 Where it all started
Meus passos faziam barulho, meu coração batia num ritmo alterado, eu podia saber disso pelo pequeno colar no meu pescoço. Eu era a "única" naquele lugar da casa, pelo menos era o que eu pensava. Eu podia sentir ele perto de mim, mais perto do que nunca. Mas eu não podia o ver, só podia sentir ele. Abaixei minha cabeça pra ver novamente o machucado no meu pé, que era quase invisivel por causa do sangue nele, havia caido novamente naquela sala horrivel. Olhei para cima e vi novamente aqueles belos olhos castanhos, sem forma humana, eu queria saber quem era... Eu sentia algo por aqueles olhos, eram inrresistiveis como chocolate, que era a cor daquelas belas orbes. Quem era? Onde eu havia o conhecido? Minha cabeça doeu e a sala ao meu redor girou. Me joguei no chão, e deitada ali começei a pensar em como toda aquela tortura havia começado...
"Aquele dia, o dia que pela primeira vez encontrei teus olhos azuis, a primeira vez que senti algo mais forte que nem a palavra amor poderia explicar. Aquilo não era uma simples atração, nem amor a primeira vista. James Owen Sulliven, aluno novo da escola Hammer Resistance. Ele atravessou a porta deixando um rastro de perfume no ar, o melhor cheiro para mim. Me debruçei sobre a carteira, pela primeira vez depois de tanto tempo controlando meu coração das garras da paixão, ele foi roubado quando James olhou para a sala dando um aceno. Me debruçei e falei alguns palavrões tão baixinho que ninguém sequer notou que eu havia falado algo. Me levantei e arrumei meus oculos exageradamente grandes para uma pessoa pequena como eu. Olhei discretamente para o aluno novo, ele prestava atenção na aula, anotava tudo, com um belo sorriso no rosto. Sussurei um 'merda'. Ele era bem alto, fora do normal de uma pessoa da idade dele, um aparente bom humor que parecia não acabar, um pouco forte, tatuagens, isso representava que talvez eu iria me meter com um rockeiro novamente, ele devia ser repetente, ou então os pais não davam a minima pra ele, um piercing debaixo dos labios e outro transversal na orelha e os olhos azuis. Por que eu tinha que ter olhado para seus olho? Eu sou um tipo de pessoa que tem um fraco pelo olhar das pessoas, o olhar dele transpassava uma imagem de pureza, alegria, pra alguém que parecia um 'bad boy' ele tinha um olhar de criança de dez anos, algo raro hoje em dia, e a coisa mais linda pra mim. Não sei quanto tempo se passou desde que eu parei para olhar ele, cheguei a conclusão de que não havia prestado atenção na aula inteira por causa dele. Iria pegar a materia na biblioteca depois. Anotei a tarefa de casa e olhei novamente para ele, tentei ser o mais discreta o possivel, foi então que ele virou pra olhar em minha direção. Seus olhos azuis se encontraram com os meus, senti o meu rosto ficar rubro. Virei pra frente e sussurei outro 'merda'. Me levantei, peguei os meus cadernos e sai o mais rapido que pude da sala. Iria cabular depois dessa. Corri para o banheiro feminino do ultimo andar, era o único lugar que eu podia cabular tranquilamente, grande parte das pessoas dessa escola tinha medo de lá, exclusivamente as meninas. Entrei, e procurei meu celular na bolsa. Contatos, começei a procurar o nome de Frank. Achei e liguei para ele, do jeito que era vagabundo deveria estar cabulando aula com o Gerard no banheiro, pedi pra que ele não tivesse desligado pra fazer 'certas coisas'. Um, dois, três, quatro, cinco toques, a voz de Frank entrou nos meus ouvidos rapidamente.
-Garota, no dia em que eu decido ir pra aula e passar de ano você me liga. O que você tem contra meus estudos?
-Ah, porque eu pensava que só em milagres, sonhos, ou coisa parecida você iria estudar.
-Haha, muito engraçadinha você. O que me diz de novo? Deve ser importante, porque você quase não liga no meu celular, só fala comigo ao vivo e a cores...
-É que, é que...
-Não me diga que você está caindo na laia de outro
-Você lê pensamentos por acaso?
-Não, eu te conheço. Se lembra que somos amigos de longa data e já namorei contigo?
-Claro que eu lembro babaca! Também lembro que você me deixou porque virou gay...
-Mas continuo te amando como Best Friend Forever — Ele falou a palavra inglesa de um jeito engraçado.- Como ele é?
-Lindo!
-Nossa, muito especifica você! Já sei exatemente como ele é!
-Não Frank, ele não parece o Gerard...
-En-gra-ça-di-nha. Não imaginei o Gerard
-Imaginou sim
-Não imaginei
-Sim
-Não
-Sim
-Não
-Chega?
-Chega.
-Fala logo garota, como ele é!?
-Alto, magro, tatuado, piercing debaixo dos labios e transversal na orelha, olhos azuis...
-Deixa eu adivinhar, você olhou nos olhos dele antes de tudo?
-Isso
-Não é a toa que você se apaixonou por ele na hora que olhou nos olhos dele.
-Por justa causa que eu me odeio! Lá vou eu me fuder de novo.
-Nerdzinha, não pode falar esse tipo de coisa! Você é ainda um bebe!
-E você um repetente marrento que não consegue prestar atenção em UMA aula sequer.
-Eu estava prestando atenção até você ligar...
-Eu não acredito, mais facil você estar imaginando cenas porno entre você e o Gerard ou fazendo um monte de coração no caderno escrevendo o nome dele. Conta outra!
-Eu tava prestando atenção sim!
-Tá, finje que eu acredito Frank!
-Chata.
-Chato — Rimos alto e juntos.
-Vou sair "queridinha", quero passar de ano dessa vez.
-Só dia trinta e um de fevereiro que você consegue.
-Então deixa eu estudar! Beijo bobona
-Beijo bicha eletrica!
Desliguei o celular com um sorriso no rosto, Frank era a pessoa que conseguia me animar simplesmente pelo jeito bobo de ser. O sinal tocou, arrumei meu uniforme e sai do banheiro. Fui correndo até a cantina, queria encontrar pegar logo o meu lanche e ir ficar no meu canto no ultimo andar. Passei pela cantina sem olhar para os lados, não queria encontrar aquele olhos novamente. Bati contra alguma coisa e cai no chão, fechei os olhos pra não ver quem era. Sussurei uns sete 'merdas' e abri meus olhos. Mil e uma palavras passaram na minha cabeça quando encontrei os olhos azuis. Ele estendeu a mão para mim.
-Desculpe-me — Ele falou, a voz dele quase me matou. Doce e suave...
-Não, eu que peço desculpas — Disse me levantando e arrumando minha roupa e oculos. As palavras quase não saiam — Eu estava andando sem prestar atenção. Desculpa mesmo.
-Não foi nada demais. Você se machucou? — Acenei que não com a cabeça, não conseguia mais falar nada. — Tem certeza, eu posso te levar pra enfermaria?
Minha vontade foi de responder que não tinha muita certeza, mas fiz que sim com a cabeça, peguei meu lanche e sai correndo. Não fui para o ultimo andar, iria embora, chega de aula por hoje, chega de James por hoje, chega de acidentes com ele. Iria pra praça, precisava esfriar a cabeça dos acontecimentos de hoje. Passei primeiro em casa para deixar os materiais por lá, minha mãe me mataria por sair da aula mais cedo se chegasse em casa antes do horario e visse meus materiais por lá, mas dei de ombros, isso já havia acontecido e dei uma desculpa esfarrapada pra ela. Mandei uma mensagem para Frank para ele me encontrar por lá depois, Gerard poderia ir junto, contanto que eles não ficassem se agarrando na minha frente. Já chegava eu ter pego os dois transando no dia que eu fui na casa do Frank entregar umas coisas a ele. Cheguei na praça e faltava meia hora para o final de aula do Frank, resolvi desenhar alguma coisa. Esboços, rabiscos, tudo um lixo, a única coisa que vinha na minha cabeça eram aqueles olhos perfeitos, que impediam que eu imaginasse qualquer outro tipo coisa. Desisti e coloquei uma música o mais baixo que pude no celular. Sex on Fire do Kings of Leon ecoava baixinho do meu celular, eu sibilava a minha música favorita no silencio daquele parque. A música acabou e olhei no relogio, meio dia e quinze e nada daquelas duas bichas. Alguns palavrões dos quais eu não sabia que conhecia se passaram na minha cabeça. Começei a xingar alto em francês, ninguém ia entender mesmo...
-Merde! Dieu me damne! Damn! Fils de pute! Pourquoi ne pas arriver bientôt, bon sang!?
-Nossa quanto estresse, chérie. — Exceto Frank, que havia acabado de chegar e havia feito aulas de francês comigo.
-Désolé, merde bûcher!
-Dá pra falar na minha lingua? Eu não fiz francês com vocês dois se vocês esqueceram... — Disse a "ruivinha", também conhecida como Gerard Way.
-Ela tá estressada porque atrasamos. Estressada não, preocupada já que a conheço bem... A professora nos segurou até um pouco mais tarde. Desculpa mesmo.
-Je sais très bien que j'aurais pu essayé de partir plus tôt en sachant que j'étais en difficulté, Frank. — Revirei os olhos e Gerard fez cara de interrogação. — Não foi nada demais Gerard, ele entendeu...
-Agora fale em detalhes o que aconteceu, francesinha.
-Bem Frank, lá estava eu estudando...
-Traduzindo: Metendo a cara nos livros.
-Posso continuar tampinha?
-Pode, nerdzinha
Então contei tudo o que aconteceu, desde a hora que os garotos entraram e eu vi James até o momento que esbarrei com o dito cujo no refeitório. Gerard estava com um sorrisinho estampado no rosto e Frank com cara de 'eu não quero que você sofra por um qualquer'. Virei amiga do Gerard depois que ele e o Frank começaram a namorar, ele ficava na espectativa de eu achar alguém legal pra mim, não pra largar logo do pé do namorado dele mas pra ser feliz. Eu conhecia aquele sorrisinho na cara dele...
-Que bom que está gostando de alguém! — Ele disse animado — Bem, pelo jeito que ele te tratou no refeitório ele parece ser gentil. Mas por ser um cara tatuado, com piercings e o caralho a quatro posso dizer que ele pode ser também um rockeiro ignorante, como grande maioria de sua espécie... — Eu e Frank reviramos os olhos.
-Não se esqueça que você também rockeiro Gerard, assim como eu e Frank.
-Mas somos menos assumidos...
-O Frank é T-O-D-O tatuado — Separei as silabas em alto e bom tom num tipo de piada.
-Mas ele é fofo.
-Obrigado amor.
-De nada amoreco.
-Chega de boiolice na minha frente, pelo amor de todos os Deuses existentes!
Frank me mostrou a lingua e selou os labios de Gerard. Revirei os olhos e ri deles. Seria impossivel em todo esse mundo ter um casal gay mais fofo e ridiculo como esse, era incrivel como os dois se tratavam. Ficamos na pracinha até começar a escurecer, nos despedimos e vi Frank sussurar um 'hoje você vai dormir lá em casa" pro Gerard. Achei melhor não tentar prestar atenção no resto, me traumatizaria demais. Cheguei em casa e minha mãe estava na cozinha, fui até lá falar com ela.
-Boa noite mãe.
-Boa noite. Aonde você estava Jenny?
-Na pracinha com Frank e Gerard.
-Vai jantar?
-Não, estou sem fome. Que horas papai vai chegar?
-Meia noite.
-Então tá. Boa noite.
Beijei sua buchecha e fui para meu quarto, me trancando por lá. Liguei meu computador e coloquei música no ultimo volume. Shut Me Up começou a tocar, minha mãe odiava quando eu escutava esse tipo de música, mas foda-se. Me deitei na cama enquanto cantarolava, meu momento precioso era esse, precisava pensar nos fatos que aconteceram hoje. Me levantei da cama e abri meu guarda-roupa. Procurei por debaixo de todos os meus livros e achei um com um "Jenny Caroline Smith" escrito na capa. Um livro que eu só escrevia quando estava apaixonada, o abri e vi as fotos de Dominic e um pouco mais na frente de Frank. Peguei uma caneta e abri em uma pagina nova, escrevi com as letras mais bonitas que pude:
"James Owen Sullivan. Os olhos azuis."
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