Golden Years
20 Meu primeiro momento perfeito
Notas iniciais
Dizem que quanto mais quer se evitar uma pessoa, mais ela é atraída até si. E parece que comigo não está sendo diferente. Faz mais de um dia que acabou a primeira reunião do grupo de música após termos vencido a primeira etapa.
Claro, tirando o episódio do bar e os encontros nada planejáveis dentro do ambiente escolar que nós nos reunimos para discutir sobre o campeonato, enfim e foi neste encontro que decidimos qual será nossa próxima música e como iremos executa-la. E eu querendo ou não isso tem tudo a ver com magnetismo com tal pessoa.
Não sei por que apenas afirmei positivamente com a cabeça quando Ino veio com a proposta da coreografia dançante, provavelmente por que eu adoro dançar. Não vou mentir que gostei da ideia, mas até ela apontar quem seria meu parceiro na dança.
Tentei entender por qual motivo teria que ser ele e Ino me explicou: Sasuke é único entre os outros garotos que sabe dançar pelo menos um pouco. Meu mundo caiu em questão de segundos.
Havia adorado a ideia até o momento, acho que com Sasuke não fora diferente. Seus olhos caíram sobre minha figura sem empolgação. E me recordo de cada sílaba que saiu de sua boca.
— Aposto que Sakura não sabe dançar, deixe Hinata executar a coreografia desta vez.
Não sei dançar! Não sabe nada garoto cheio de marra. Foi então que cometi meu segundo erro, não consegui segurar a onda e provoquei uma catástrofe.
— Está ótimo, eu posso fazer a coreografia sem problemas. – Por que? Por que fui abrir minha boca grande? Deveria ter deixado a Hinata cantar a música e dançar com o Uchiha, mas não meu orgulho idiota foi maior. Foi então que veio luz do fundo do poço.
— Mas quem irá tocar o piano? – A voz mansa do Nara me encheu de esperança enquanto o mesmo lembrava o restante que o único ser que sabia tocar piano é o Sasuke. Contudo a doce Hyuuga resolveu se manifestar pela primeira vez na reunião.
— Eu também sei, posso tocar se não houver problemas. —Não, não e não mil vezes! O rosto de Ino se iluminou com a ideia provavelmente diabólica para sorte do meu inferno particular. E deste modo ficou decidido: Hinata tocará o piano no ambiente adaptado para encenação, eu cantarei durante a execução da coreografia junto a Sasuke enquanto Ino e a Hyuuga ficam no coral como figurantes em cena. Ótimo! Todo mundo feliz e partimos para terceira etapa, caso passemos, é claro.
E agora estou aqui, partindo para escola de dança que não frequento o tanto que gostaria. E quando chegar lá, espero que Sasuke já esteja presente. Pois, pelo visto o garoto mais desejado do colégio não sabe tudo. E deste modo ensaiaremos a coreografia até ficar perfeita.
A noite está incrivelmente agradável e meu passeio de bicicleta seria bem mais agradável se o destino que me espera não fosse trágico. E feito maldição encontro o carro do mocinho da história estacionado do outro lado da rua, quase em frente à escola de dança.
Não posso mentir em afirmar que estou surpresa, pensei que não iria comparecer ou que se atrasasse chegando no final da aula. Mas não, ele já está aqui.
Procuro o com os olhos após descer da minha bicicleta, seria provável que ele tivesse adentrado o local, mas tenho minhas dúvidas, já que se trata do Sasuke e ele anda meio imprevisível de uns tempos para cá. Pensando deste jeito até parece que somos amigos ou algo deste tipo.
—Sakura, estou aqui. – Escuto o timbre suave, me viro e o encontro encostado próximo a porta principal. Sua expressão estava dócil e não parecia irritado como hoje de manhã na sala de aula.
— Ótimo, vamos lá. – Passo pela porta o deixando para trás, provavelmente ele deve ter descruzados os braços cobertos por uma camisa preta e está preste a me seguir. Percebo os olhares sendo direcionados em minha direção, mas não se dispersam rapidamente como o de costume e assim tenho a certeza que estou sendo seguida por ele.
Não vou ser hipócrita de dizer que ele não é bonito ou passa despercebido. Sasuke é o tipo de cara que toda garota gostaria de ter para si. Subimos os degraus da escada de madeira rumo as saletas de danças. Viro para vê-lo automaticamente, suas mãos estão nos bolsos das calças e observa o local com olhar firme.
Timidez, acho que está palavra não existe no dicionário de Sasuke. Deixo a bolsa no chão, no canto da sala, a qual é composta por um piso extenso de madeira e um espelho gigante posto na parede. Como senti saudades! É inevitável não sorrir, nem a presença dele, que até o momento não está sendo nenhum martírio mata a minha felicidade de estar aqui.
As ocupantes da sala recolhem suas sapatilhas e saem deixando o local com os olhos fixos em Sasuke e com tímidos sorrisos nos lábios. Retiro meu casaco e começo a me alongar enquanto Sasuke solta sua mochila no chão. Eu deveria questiona-lo o tanto que ele sabe sobre dança, mas este momento está sendo maravilhoso e eu não quero que suas palavras secas estraguem. Franzo o cenho e não consigo estacar o meu riso fraco. Será que estou tão equivocada em relação a Sasuke? Ele sabe dançar?
— Sakura, me avise quando estiver pronta. – O olho pelo espelho e vejo ele colocar meias nos pés.
Vejo seus olhos me fitarem através do espelho e seu riso fino aparece quando sua atenção retorna para seus pés. Paro de me alongar enquanto ele se levanta.
— A TenTen me passou o esquema da coreografia hoje mais cedo. – Sua voz forte está calma comparada com as outras vezes que foram me direcionadas. Afirmo positivamente segurando na barra de ferro.
— Acho que devíamos começar com os passos mais simples primeiro em vez das acrobacias. – Quando montei a coreografia junto da Temari e ela falou que a temática do cenário seria os anos 60 foi inevitável não incluir os passos ousados das acrobacias aéreas, mesmo que fosse o Sasuke que iria meu jogar para o alto de hora em outra. Ele afirma e fica parado ao meu lado e meu sorriso tonto aparece novamente.
Se ele não sabe dançar ele engana muito bem. Toda coreografia em dupla, geralmente é ensaiada singularmente para decorar os passos antes que haja entrosamento entre os dois integrantes e ele parece saber isso.
Ele observa meus passos pelo espelho e acompanha devagar. Vejo ele contar os passos com os lábios de forma muda, mas sei que o faz pelo movimento nos mesmos. Ficamos nos passos por entorno de quinze minutos até Sasuke se desequilibrar por um breve momento.
Eu deveria gargalhar, mas apenas seguro o sorriso. Não sei o que houve com o Uchiha, mas ele não está sendo o pior parceiro de ensaio que já tive até o momento. Continuo com os passos fingindo não ter visto seu pequeno deslize, entretanto o mesmo deita no chão e começa a rir com as mãos postas no rosto.
Ele está diferente...diferente do Sasuke de sempre, diferente do Sasuke que fumava escutando aquela música no carro no meio do nada. Vejo seus olhos fitarem os meus, como se esperasse algo que viesse daqui.
— Eu admito, não sei dançar do modo que você dança. – Diz olhando para o teto, acho que está sendo difícil deixar estas palavras saírem. Ele me fita com o semblante sério e eu fico petrificada quando percebo seus olhos pairarem sobre minhas pernas cobertas por meia finas rasgadas nos joelhos.
Meu constrangimento é evidente e sinto o arder no meu rosto. Sasuke, por que faz estas coisas? Queria gritar em seu ouvido, mas apenas viro meu rosto esperando que o grosso de sempre retorne. Sigo para o rádio e o ligo apenas para quebrar o clima estranho.
A música que iremos dançar roda na fita e o silêncio e totalmente quebrado. Minha respiração está descompassada pelo meu constrangimento e é difícil admitir, mas estou receosa em relação a Sasuke. As palavras que ele disse quando estava bêbado no meu sofá volta em minha mente feito tsunami.
Adoravelmente detestável. O que ele disse não faz o menor sentido em minha cabeça, coloco ar nos pulmões e encaro sua figura no meio da sala, ainda deitado no chão e fitando o teto. Sasuke, seja o que for fazer, não torne a coisa que eu mais amo na vida em um tormento.
Não quero me lembrar de suas ações quando, no meio da noite ou debaixo do chuveiro lembrar do seu sorriso ou de seu comportamento agradável. Por que, quando este momento acabar e amanhã a realidade voltar eu sei que este seu lado não estará mais presente.
— Sakura, dança comigo? – Sinto o frio gélido subir pela minha espinha. Ele levanta e estende uma mão em minha direção, seu sorriso fino é visível enquanto ele me olha pelo espelho. Sem permissão meus pés vacilam em sua direção. Oh não Sasuke, não faça isso comigo.
Sasuke Povs
Já ouviu falar da teoria da ação e reação? Então, não foi uma das melhores ações que já realizei, mas a reação da Sakura foi a melhor que estou vendo. Suspiro enquanto observo ela aplicar pequenos passos em minha direção. Vou lhe mostrar do que sou capaz, garota.
Está certo que não sei dançar perfeitamente, na verdade arrisco poucos passos. Entretanto conheço alguém que sabe perfeitamente e está atende pelo nome de Mikoto, vulgo mãe.
Não sei o que meu deu, mas na hora que recebi o esquema e a bela provocação da Sakura horas antes senti a necessidade de não passar vergonha na frente dela. Então cheguei em casa e corri para saia da mamãe, tsc que ridículo! Mas o esforço de pedir sua ajuda e passar horas e horas ensaiando com ela e ouvindo suas perguntas incessantes, finalmente consegui executar a coreografia sem falhas...ou quase isso.
Ao menos minha mãe saiu sorrindo do salão e provavelmente irá encher os ouvidos do meu pai, enfim mais um ponto marcado ao meu favor. E agora estou aqui, com a detestável e convidei-a para dançar, mais na intenção de quebrar o clima que criei a olhando como uma mulher do que para provar que não sou o idiota que ela pensa que sou. E agora estou aqui de mão estendida esperando pela sua, feito nos filmes tolos de romance.
Sinto sua mão pegar a minha e a sensação da sua pele fria me puxa para realidade. A olho e vejo o desafio no seu fundo das suas pupilas dilatadas. A música para e após uns segundos o som animado invade meus ouvidos e ela solta minha mão.
Encaramos o espelho e os passos começam, sigo seu ritmo indo para esquerda e antes que ela se afaste mais a puxo pelo braço no momento exato que a música exige a fazendo deitar no meu braço, ela cruza as pernas um tanto suspensas e como se aplicasse um chute no ar retorna a pôr os pés no chão, seguindo a coreografia.
Admito que é difícil acompanhar seus passos, seus olhos me observam pelo espelho durante a música e cada vez que tenho que toca-la parece mais difícil de pega-la. Seu sorriso aparece durante a dança e logo some entre os fios de cabelo. A jogo para cima e logo sinto o peso de sua coxa esquerda em meu ombro, ela se joga para trás e sinto a extensão de seu corpo tocar minhas costas.
O medo de derruba-la me toma por completo e por reflexo arco para frente invés de deixa-la tocar o chão com suas mãos e sair realizando uma estrela.
Seu corpo pende todo para trás e minha meia esquerda desliza no piso de madeira bem encerado. Irei cair em cima dela se não fizer algo. Me jogo para o lado e sinto o piso frio bater contra meu ombro em um choque violento. Fecho os olhos pela dor, até parece que quebrei.
Procuro a com os olhos e encontro ao meu lado de olhos cerrados, me apoio em meu cotovelo e me arrasto para mais perto. Retiro os fios do seu rosto e ela parece estar desmaiada, que droga! Coloco meu ouvido em seu peito e percebo sua respiração ofegante.
— Sasuke, o que pensa que está fazendo? – Escuto sua voz e rapidamente retiro minha cabeça de seu peito, realmente o que eu estava pensando?
Sento-me ofegante e observo ela fazer o mesmo, coloca a mão na cabeça e começa a rir sem parar. Ótimo, no final acabei pagando de palhaço. Apoio meus cotovelos nos joelhos e ela deita novamente.
Acabo rindo por conta da sua risada contagiante, é a primeira vez que a vejo assim, rindo desenfreadamente. Seus olhos encontram os meus, seu rosto está avermelhado pelo riso constante. Deito ao seu lado fitando o teto.
— Você tinha que ver o nosso tombo. – Seu corpo está próximo ao meu, posso até mesmo sentir sua respiração bater em meu pescoço. Nosso.
Nunca tive um nosso, sempre foi meu ou minha. Meu carro, minha namorada, minha casa. Ou sempre fui de alguém, meu namorado, meu filho, meu, meu e meu! Nunca um nosso.
Viro para fitar seu rosto, seus olhos são lindos desta distância e seu riso é viciante. Viro para cima de si e a surpresa em seu rosto é evidente. Lembro de sua fotografia em meu estúdio improvisado, a qual foi retirada acidentalmente. Não tenho dúvidas que ao vivo e a cores ela é mais bonita.
Seu peito sobe pela respiração profunda e bate contra o meu. Sua boca está entre aberta e parece atrativa demais comparada com outra de uma garota qualquer.
Meu braço que sustenta meu corpo a prende, mas ela não se deu o trabalho de perceber isso, pois se ela quisesse sair da onde esta, ou seja, parcialmente em baixo do meu corpo ela sairia.
Seu cheiro me entorpece e não consigo parar de olha-la, seu calor faz o estranho desejo de toca-la subir para superfície da minha pele. Eu sei, irei me arrepender profundamente por isso, mas nunca me neguei a nada e não vai ser agora.
Sem pensar ou hesitar prendo seus lábios levemente nos meus, seus olhos se arregalam pela surpresa. Se desvencilha e afasto-me.
—Sasuke. – O sussurrar do meu nome e apagado quando faço sinal de silêncio colocando meu indicador sobre meus lábios. Pego seu queixo com delicadeza e me aproximo novamente, vejo seus olhos fecharem lentamente e meu sorriso é inevitável.
Não me negaria isto Sakura, não é? Seus lábios tímidos não são macios, estão um pouco ressecados, afasto me minimamente apenas para lubrificar os meus e retorno a beija-la agora de forma mais voluptuosa, mas mesmo assim ela se mantem em movimentos tímidos. A necessidade de tê-la por completo me consume e sem um fiasco de razão, a puxo para cima de meu corpo, agora a única coisa que a prende são meus braços.
O que eu estou fazendo? Retiro meu braço de cima de si e o beijo se desfaz, mas continuo de olhos fechados. Sinto o seu corpo se suspender sobre o meu e neste momento resolvo encara-la, sua expressão é totalmente vazia e o sentimento de arrependimento começa a brotar.
— Por que você fez isso? – Sua frase sai pausada enquanto ela recolhe suas coisas e veste sua blusa. Não faço a mínima ideia. Talvez apenas para provar ao meu ego que posso ter o que eu quiser, eu não sei.
— Não foi nada demais, não precisa dar importância a isso. – Minha voz sai seca demais para meu gosto e não sei se isso é ruim ou não. O flash do seu riso torna a minha mente. Levanto e a vejo próximo a porta do salão.
— Sasuke, você não pode fazer o que quiser. Não pode beijar uma garota e dizer que isso não importa. – Vejo seu cenho franzido e seus olhos estão com um brilho diferente. Sinto algo queimar dentro do meu peito, como se o que ela dissesse fosse importar alguma coisa.
— Quando sair encoste a porta. – Vejo ela me dar as costas e partir rapidamente. Tsc, mas que droga eu pensei que estava fazendo? É obvio que a Sakura não é uma garota que se passa uma noite e adeus.
É incrível como consigo complicar ainda mais, entre tantas garotas eu tenho vontade de beijar logo ela. A única garota que mostrou detestar me e agora provavelmente odiar.
Meus impulsos estão cada vez maiores, não bastava lembrar dela a todo momento. Será que eu não consigo fazer nada sem gerar confusões? Bom, seja o que for, amanhã estará tudo normal e este momento será apagado de vez da minha memória. Senão, eu não me chamo Uchiha Sasuke.
Ino Povs
O apito do árbitro soa e a partida se finda e como mais uma vez nós perdemos. Bom, não dá para ganhar todas, não é? Observo a arquibancada que ainda mantém espectadores e me pergunto por qual motivo ainda estão na quadra.
Gaara recebe uma bolada de Neji e a única coisa que consigo pensar é qual o nível de mentalidade e dupla personalidade tem estes dois? Mistérios que nem a ciência podem resolver. Deixam a arquibancada e seguem provavelmente para o vestiário, sendo assim fica apenas umas garotas na quadra incluído a gangues das mocreias. Incluindo Karin, por qual motivo não se pendurou no pescoço do Sasuke e saiu junto a ele?
— Vamos para a próxima aula. Vai ter o resultado do melhor trabalho de Arte. – Temari chega contente. – Seguimos para o vestiário cansadas. É verdade que perdemos, mas tentamos ganhar e estamos cansadas por este esforço.
— Hinata! – Olho para Hinata que anda ao meu lado com o rosto avermelhado por conta das atividades físicas. Viro me no automático e dou de cara com Shion. Sua expressão é de fúria, mas o que Hinata tem a ver com isso? Sakura chega do além e Temari aguarda pelo pronunciamento da loira. Hinata espera o manifesto da animadora de torcida que defere um sorrisinho medíocre.
— Hyuuga, eu não esperava isso de você. – A confusão no rosto de Hinata é visível, como no meu também não deve estar diferente. Karin sorri e eu consigo prever o desenrolar da história.
— Você não acha que paquerar um homem compromissado não é feio? – Finalmente ela defere seu veneno, possivelmente falando de Naruto, pois este é formalmente o seu único namorado.
— Está falando exatamente do que moça? – Temari pergunta passado na frente de Hinata que está estática.
— Não se intrometa! Estou falando da atitude promiscua desta santinha aí para cima do Naruto. – O tom de voz se eleva e o riso aparece.
— Acha mesmo que eu não sei o que Naruto está fazendo e com quem? – Não para de falar e meus ouvidos já começam a reclamar. Hinata enche os pulmões de ar como se estivesse pronta para falar poucas e boas, mas creio que isso não irá acontecer.
— Então você deve saber que Hinata não está fazendo nada de errado, Naruto é apenas um amigo. – TenTen afirma provavelmente tentando colocar sua amizade com Uzumaki como exemplo de que não há está possibilidade nem com ela e nem com Hinata.
— Ah, por favor. Você é praticamente um homem e eu vejo os olhares cobiçadores da Hyuuga para cima do Naruto. – Karin diz e tenho certeza que foi ela que colocou minhoca na cabeça da Shion, a mesma não está nem aí para o loiro.
— Deveria ter desconfiado que era você por de trás disto. –Não consigo segurar me, Hinata sustenta um olhar perdido.
— Shion...não é o que você está pensando. – A voz soa baixa, mas o suficiente para todas ouvirem. Por Deus! Agora Hinata irá regredir em suas ações, voltar a ser um poço de timidez.
— Hinata...ela não pensa. Vamos embora. – Temari diz e sai arrastando Hinata consigo. Olho mais uma vez para Karin, acho que nem o Sasuke merecia esta cruz.
— O recado foi dado. Da próxima vez garanto que vai ser bem pior. – Shion se afasta batendo o pé. Uau! Esperamos as líderes de torcida sumirem do nosso campo de visão e a primeira a rir é a Sakura.
— Sério isso? – Pois é, inacreditável o nível de hipocrisia da garota em relação a Naruto. Ela não se importa o mínimo sequer com o garoto. Entretanto tenho certeza que Hinata será prejudicada com está falsa devoção. Realmente está visível o crescente sentimento por Naruto e tenho minhas dúvidas se este sentimento não é reciproco.
Naruto Povs
— Sobe logo nesta corda Naruto. – Escuto a voz do desgraçado do Sasuke novamente, onde eu estava com a cabeça para colocá-lo no mesmo time que eu. É tão difícil subir nesta corda maldita. E pior que se eu não conseguir vou ouvir as reclamações do time até não querer mais.
— Naruto! Não quero ir para o chuveiro por último...sobe nesta corda. – Ah, também não sei por que escolhi você Shikamaru. Para compor minha equipe na aula de educação física. Sinto minha mão deslizar da corda e logo minhas costas bater contra o chão frio do ginásio.
— Acabou! A equipe vermelha vai para chuveirada primeiro, enquanto os perdedores irão guardar as bolas. – O professor diz e minha vontade zerada de levantar do chão transforma-se em zero absoluto, feito o que eu recebi na prova de geometria.
Não basta perder, tem que guardar as bolas de vôlei as quais eu nem usei. Levanto e não vejo mais nenhum membro da minha equipe, que equipe hein! Recolho as bolas espalhadas pela quadra, apenas tem umas garotas em quadra, incluído minha namorada que parece bem irritada com algo.
Deixo imediatamente o local antes que ela me veja, ajeito o saco em meu ombro e saio em disparada até o armário localizado no final do corredor.
—Está uma bagunça isto aqui, pior que meu quarto. – O quartinho não é pequeno, mas está superlotado atribuindo está impressão de compacto. Entro no meio da bagunça tentando colocar o saco no fundo, quando sem saber o que me atingiu sou empurrado ainda mais para o meio da bagunça. Santa tartaruga!
— Shion, você está equivocada...não tenho nenhum interesse em Naruto, me tire daqui. – Conheço a voz e nem preciso virar para saber quem é. Hinata grita em alto e bom som, mas o que está acontecendo afinal?
— Não banque de idiota, vai ficar trancada aí até alguém sentir sua falta. – O riso da Shion só não é mais claro devido os socos que Hinata defere na porta desesperadamente. – Ou seja, não vai sair nunca.
Termina sua frase e deve ter ido embora, certamente irei ter uma longa conversa com ela. Tanto eu e Hinata estamos no escuro, no mínimo ela nem deve ter notado que estou aqui. Sinto-me envergonhado, pois pelo o que eu entendi sou o motivo de sua reclusão.
Levanto me fazendo um barulho enorme resultando em um grito de Hinata, isso vai ser embaraçoso.
— Calma, sou eu! O Naruto. – Tento achar o interruptor para acender a luz e por fim consigo realizar está tarefa difícil. Seu rosto é tomado de desespero, mas ao me ver uma vermelhidão começa a toma-la.
— Naruto me desculpe... – Seu embaraço aumenta quando sem perceber eu a olho dos pés a cabeça. Não é todo dia que a vejo trajando roupas justas. Como sou um idiota. Empurro umas coisas para obter espaço, mas na verdade estou tentando quebrar este clima desagradável, contudo ela não precisa saber disto.
— Olha, me desculpe pela Shion ela age muito no impulso. – Digo sem a olhar nos olhos e tento arrombar a porta dando solavancos com o ombro, mas não vai adiantar. Sua cabeça está baixa e suas mãos postas em frente a seu peito, como se elas fossem lhe proteger.
Desisto minutos depois e sento me entre a bagunça, não escuto sequer uma sílaba sair de seus lábios e as palavras dita por ela anteriormente me toma a mente.
Realmente, não haveria nem uma chance de se interessar por um cara feito eu, que nem consegue por um fim em um relacionamento. Isso é depressivo e o silêncio dela também.
— Sem problemas... eu só quero dizer que não tem cabimento o que ela pensa. – Sua fala sai rápida, mas consigo entender, seria por isto seu embaraço todo?
— Claro que é. – Afirmo abrindo o meu melhor sorriso, seria loucura cogitar tal coisa. Estaria louco em acreditar que Hinata possa se interessar.
—Seria loucura! – Deixo escapar meus pensamentos em voz alta e vejo o arregalar de seus olhos.
— Claro que seria. – Sua voz baixa retorna e o afirmar positivo com a cabeça se segue firme. Observo ela se sentar no chão e começar a bater os dedos indicadores. Sempre a vejo fazer isto, deve acalma-la ou algo do gênero.
— Shion teria uma síncope só de pensar que estou trancado aqui com você. – Digo tomando sua atenção. Meio contraditório Shion tranca-la aqui para que Hinata se afastaste e eu estar aqui neste exato momento. Que burra! Mas ela não sabia que eu estava aqui, então... O sorriso dela aparece, ela fica tão diferente bêbada, mas eu a prefiro assim. Como se fosse meu direito preferir algo.
— Tem alguma ideia para sairmos daqui? – Sua pergunta é muito relevante e eu adoraria ter a resposta. Procuro algo que possa me servir na tarefa de arrombar a porta, mas nada fica evidente. Pelo jeito vamos ficar aqui até alguém sentir nossa falta. O silêncio permeia o ambiente, mas minha mente está completamente turbulenta.
A possibilidade da teoria da Shion fica martelando em minha cabeça. Hinata é tudo o que um cara poderia querer. Ela ri das minhas piadas que todos afirmam ser sem graça, atribui importância para meus dramas exagerados e escuta minhas explicações sobre macarrão instantâneo sem reclamar. Talvez essa teoria seja válida, mas apenas em termos. Tenho certeza que ela apenas me enxerga como um amigo.
Escuto o sinal soar indicando o termino das aulas. Tudo mundo vai embora e eu não, que droga. Hinata está aflita, talvez tenha algo importante para fazer... preciso tira-la daqui. Levanto me e dou mais solavancos na porta. Hinata se afasta o máximo possível, para que, eu consiga mais potência. Bato meu ombro na porta maciça de madeira e nada de um resultado efetivo.
Desisto novamente e não enxergo alternativa a não ser gritar e torcer para alguma alma boa passar pelo corredor do ginásio. Está porta não deve ser invencível, vou derruba-la! Agora é uma questão de honra. Vejo a confusão no rosto de Hinata em relação a minha atitude repentina.
Pego o máximo de distância que consigo e agora ou nunca mais. Vou em direção a porta, posso até sentir a dor que o impacto irá resultar e por reflexo fecho meus olhos.
— Naruto! – Escuto o grito de Hinata e o impacto que pensei que obteria foi bem menor, pois ao invés de bater meu ombro contra a porta na verdade senti foi o piso gelado do corredor. Pelo o que entendo do momento estou bem no meio do corredor. Que dor!
Abro meus olhos e vejo o rosto de Hinata a cima do meu visivelmente preocupada. Olho para porta aberta e para o zelador a seu lado, mascando um palito de dente com o canto da boca. Agora que este idoso resolveu aparecer?
— Esses jovens! Cada vez mais estranhos. – Sai com seu carrinho de limpeza nos deixando a sós. Os dentes aparecem em um sorriso aberto e acabo rindo da situação. Fico deitado no meio do corredor e Hinata senta-se ao meu lado ainda rindo.
— Ainda bem que o zelador apareceu, caso não você estaria desmaiado pela força do impacto. – Escuto sua voz e fito seu rosto. Está muito mais calma agora, seus olhos transmitem paz e o rubor em sua face a deixa encantadora.
Se eu pudesse passaria meu tempo todo com ela. Sua regata deixa a forma de seu tronco bem mais definida e pela primeira vez penso em algo inapropriado, para ela é claro.
— Naruto, está tudo bem? – A confusão em seu rosto retorna e levanto me rapidamente. O que eu estava pensando? Passo a mão na nuca bagunçando meus cabelos e olhando para qualquer canto onde a figura feminina não esteja.
— Claro. Melhor a gente ir, não é? Está ficando tarde. – Tomo coragem para fita-la novamente e começo a andar, mas ela fica parada no corredor. Provavelmente pensando em dar o troco em Shion e olha que não seria uma má ideia.
Mas é só olha-la novamente que está ideia de vingança está fora de cogitação, Hinata nunca faria uma coisa deste feitio, mesmo se fosse algo simples como trocar o shampoo da Shion por tinta ou algo do gênero.
Pausa. Ela não, mas eu com certeza faria e pensando bem, por que não? Ela está merecendo e pelo o que sei sobre a minha namorada ela só se importa consigo mesmo.
— Hinata vem comigo, temos que fazer algo antes. – Abro meu melhor sorriso para passar confiança, a puxo pelo pulso sem deixar espaços para questionamentos. Se eu for descoberto irei morrer, mas Hinata merece rir depois desta.
Ela me segue quieta até a sala especifica de educação artística. É infantil o que irei fazer, mas é tão legal.
— Escolhe uma cor. – Digo e sem hesitar ela escolhe a tonalidade roxa. Ótima escolha. Sigo para o corredor assoviando e Hinata apenas com um singelo sorriso nos lábios e sem questionar nada das minhas atitudes no mínimo suspeitas, contudo até eu cessar em frente ao armário da Shion, o qual eu sei a combinação. Otária!
— Naruto, o que pretende? – Seus olhos estão curiosos. Você vai ver. É impossível não rir apenas de imaginar a cena. Hinata deve estar achando que sou louco por rir sem motivos. Procuro o shampoo e o acho. O qual diz ser totalizante, tsc não entendo nada destas coisas.
Enfim quando abro a tinta em tubo e o frasco de shampoo a Hyuuga se dá conta do meu projeto, leva a mão até a boca, deve estra horrorizada. Despejo o conteúdo sem um pingo de arrependimento ou incerteza na alma.
— Por você Hinata. – Deixo o frasco onde estava e apago qualquer evidência de adulteração. Hinata sorri, passo o braço por seus ombros e me sinto completamente vingado.
— Me lembre de nunca ser sua namorada. – Escuto seu murmúrio e pela sua expressão acho que não era para eu ter ouvido. Como se eu tivesse chances. Além de ser paciente em me ouvir, de ter me visto correndo pelado, ainda é minha cumplice. Não seria nada mal me apaixonar por você.
Neji Povs
Momentos, isto é o que define sua vida. Momentos bons ou ruins e vou confessar, tenho uma forte queda pelos momentos bons. Ainda mais se for o último, o qual ainda está fresco em minha memória e a sensação presa em minha pele.
Sabe aquele papo de que iria ser apenas mais uma garota ou uma diversão momentânea em que tentei me convencer e a Gaara também? Então, acho que não passou de palavras vazias. Garota, o que você fez comigo?
Não vou dizer que estou apaixonado, isso é coisas de garotas. Bem que com aquela garota não tem disto, não há definições de papéis masculinos ou femininos. Os quais sempre atribuí importância exagerada.
Mas ela parece ser a única garota da face da terra. Pelo que me recordo bem não me lembro de achar nenhuma garota que me instigasse de tal modo. Ela está me torturando e nem sabe. Deveria mandar uma breve notificação e ir junto dentro do envelope.
Não faz nem duas horas que a vi pela última vez, mas uma vontade absurda de vê-la surge junto com cada passada de minuto no relógio. É, talvez eu esteja mesmo ferrado. Quem diria Hyuuga Neji preste a cair de amores. Tenho apenas uma coisa a dizer sobre isso: Que absurdo.
Não imaginava e é difícil admitir que TenTen é mais do que aparenta. Paguei minha língua e pagaria uma segunda vez apenas para ter novamente meu último momento bom. É só fechar os olhos para lembrar da água gélida e de seu corpo quente.
— Acorda, dormir é no quarto. – Recebo uma almofada voadora no rosto e nem preciso abrir meus olhos para ver quem é. O que será que ele quer desta vez. Enquanto eu estou preste a cair de amores ele já caiu apenas não percebeu, mas não vou dizer absolutamente nada. Pelo menos ele não fica com aquela expressão amarrada no rosto 24 horas.
— A TenTen pediu para avisar que irá ter ensaio extra hoje. – Observo seu riso fino gerado por minha reação ao mencionar o nome da garota. Sem dúvida Gaara é um afortunado. Mas por qual motivo ela não me avisou? Enfim evitando me, isso era previsível.
Afirmo sem animo esperando que ele prossiga com o diálogo, mas o mesmo se cala. Pois a porta abre e sem cerimônias entra a Haruno problemática. Entra e senta-se no tapete sem manifestar um A. Gaara nem se incomoda mais com suas entradas e saídas repentinas.
Ela está completamente distante deste planeta desde que voltou do ensaio da coreografia com o Sasuke. Logo não precisa ser um gênio para deduzir que a partir deste ponto ocorreu algo que modificou seu comportamento.
Gaara transmite a informação do ensaio extra a Sakura e mesmo assim seu semblante continua o mesmo. Bom seja o que for mexeu com ela. O silêncio se instala por completo. Sem a pequena aqui este lugar parece um cemitério. Ausência justificada pelo passeio repetindo com a dona deste prédio.
Olho para Gaara absorto em seus pensamentos e para Sakura submergida nos seus. O que me resta é pensar nos meus atos e sinceramente eu prefiro assim, apenas para poder pensar nela novamente.
TenTen Povs
Já ouviu falar naquele jargão popular? Recuar apenas para pegar impulso? Pois bem, desconsidere a parte do impulso e recue o máximo que puder quando não souber o que fazer.
Eu vou enlouquecer, parece que tenho uma bomba relógio em algum lugar no meu estômago e é apenas ele entrar em meu campo de visão que a mesma é acionada. Então conte em ordem decrescente até seu primeiro riso mal dado e ela explode. Seu jeito grosseiro de ser parece ter evaporado após o nosso beijo. E aquela conclusão de babaca que o enquadrei é destruída por completo.
Pelo jeito eu me dei mal. Acho que me afeiçoei a ele e juntos as suas mudanças radicais de conduta. Entretanto existe um vozear bem lá no fundo da minha cabeça dizendo que isso não vai acabar bem. E tenho minhas dúvidas se quero seu conselho, por que acabar bem ou mal agora tanto faz. Porém a única coisa que sei fazer é recuar.
E agora estou aqui, esperando o entrar pela aquela porta larga junto dos outros que ainda não estão presentes, ou seja, quase todos exceto pela Temari, Shikamaru e Sasuke, os quais aguardam impacientemente a chegada dos outros.
Sasuke verifica a porta várias vezes com o olhar de forma veloz e quando por ela entra os que faltavam ele fixa o olhar. Neji entra sem pressa com Gaara ao seu lado. Desvio o olhar para folhas de papel em meu colo apenas para não olhar diretamente para si.
E por fim chega Ino e Sakura aos risos. Sem dúvida o laço de amizade das duas está se fortalecendo cada vez mais.
— Onde está o idiota do Naruto? – Sasuke diz mal-humorado fazendo me notar sua ausência, como também de Hinata. O quadro pintado pela Hyuuga ficou em primeiro lugar sendo seguida pela fotografia de Sasuke. Mas ela nem mesmo recebeu a notícia, pois como o Uzumaki eles estavam ausentes da classe.
— Não podemos esperar, vamos fazer o que nos cabe até que Naruto e Hinata resolvam aparecer. – Shikamaru diz de forma lenta e preguiçosa fazendo Temari sacudir a cabeça em reprovação, mas mantendo um sorriso fino nos lábios.
Todos afirmam positivamente e pelo teatro da Shion hoje mais cedo aposto que a Hyuuga jamais estará junto neste momento com Naruto, infelizmente devem estar milhas e milhas de distância.
Hinata Povs
Ainda estou tentando entender o que aconteceu e em que o rompante de coragem e descontração irá resultar, ambiente e fenômenos que me fez convida-lo para fazer uma atividade restrita minha. E as únicas coisas que afirmam que não estou sonhando é o seu sorriso e o ronco do motor de seu carro nos levando para o meio do nada.
Naruto não cessa em suas palavras e eu tento acompanhar cada informação nova, mas ainda estou processando os fatos de hoje cedo. Após colocar tinta no shampoo de sua namorada ainda ficamos mais um tempo juntos imaginando o alvoroço que isso iria causar.
E foi aí que eu me certifiquei por completo, estou apaixonada por ele. E por mais que minha razão gritasse em meus ouvidos que o anseio de ficar próximo a ele é errado, o mesmo anseio não se dissipou e Naruto não parece notar ou finge muito bem.
A noite está ideal para realizar uma das minhas atividades favoritas e a vontade de proporcionar a mesma sensação que sinto ao realiza-la, me fez convida-lo. Rimos juntos por que nos nós esquecemos do ensaio extra com o pessoal hoje, mas quando propus em anular a atividade ele se negou firmemente.
O ronco do motor cessa e escuto sua última frase. Observo ele olhar para o céu animado e tenho a breve sensação que ele irá se decepcionar com o que o prometi.
— O céu está sem nuvem alguma Hinata, com certeza eu vou ver um meteoro. – E este é o artefato citado, que talvez ele iria ver uma estrela cadente rasgando o céu, mas acho que ele ignorou o talvez. Como também a informação de que estes eventos costumam demorar horas para ocorrer, quando ocorre. Tem que ter muita sorte para ver um logo de primeira.
— Naruto, talvez não dê para ver um hoje. – Digo com cuidado, é um crime desfazer um sorriso tão belo quanto o dele. Saímos do carro e posiciono o telescópio em um terreno nivelado.
Naruto vem com um cobertor e forra o chão. A brisa está fresca, mas mesmo assim ele traja sua blusa cor laranja extremo. Procuro o cinturão de Órion e quando o encontro o chamo. A lanterna própria para estes eventos posta no chão é a única coisa que não deixa o breu nos engolir. Indico o local de posicionar o olho no telescópio e seu sorriso só não aumenta mais pois isso seria impossível.
— Isso é incrível, elas são muito lindas. – Acho difícil que alguém discorde da belezas das estrelas. Ele observa atentamente como se tivesse acabado de descobrir algo esplêndido.
Afirmo com a cabeça quando seus olhos resolvem me fitar. Sorrir não é escolha, é inevitável. Algo desvia sua atenção das estrelas e ele percorre com os olhos a planície em completo breu.
— Hinata hoje é nosso dia de sorte. – Diz baixo, ato que não é de seu feitio e apaga a lanterna e somos engolidos pelo breu. O barulho dos insetos e animais rastejantes preenche o ambiente e me deixa em estado de alerta.
Naruto pega em minha mão de leve e junto da sua aponta para o norte, como se houvesse algo lá, mas não consigo ver nada, apenas sentir o toque de sua pele suave na minha.
— Não está conseguindo ver? – Ele pergunta baixo, mas agora pela proximidade entre nós. Balanço a cabeça em sinal negativo, forço a visão e absolutamente nada aparece.
— Vagalumes. – Meu corpo estremece pelo passar de seu braço em meus ombros e como se fosse um feitiço vários pontos verdes piscam no meio da escuridão. Naruto me surpreende puxando nos para trás. Agora o que está em meu campo de visão são estrelas e vagalumes. Isto é perfeito. Deitados no cobertor fitando corpos celestes e pirilampos piscas-piscas. A sensação de euforia parece mortificar meu corpo em um estado de transe que eu não queria sair nunca mais.
— Naruto. – Eu o chamo, pois, seu silêncio é demais e tenho que admitir: silêncio e Naruto não são sinônimos. Ele não me responde obrigando-me a ligar a lanterna. Seus olhos estão fechados, não me diga que dormiu.
Volto a deitar e observar as estrelas. Só mesmo o Naruto para fazer umas coisas destas. Um meteoro risca o céu, pena que ele não o viu.
— Ei, Hinata! Você viu a estrela cadente? – Me assusto pelo tom escandaloso, ele se senta retirando o capuz. Pensei que tinha dormido. Afirmo que sim.
— Então faz um pedido. – Escuto sua voz, eu poderia pedir tanta coisa, mas este momento está perfeito e eu não quero estraga-lo. E não acredito que meu pedido irá se realizar, afinal é apenas uma rocha. E se fosse para pedir algo eu iria querer está vivendo este momento sem mais ou menos.
— Naruto, você sabe que é um pedaço de rocha, não é? – Questiono e ele afirma que sim.
— Bom se você não vai fazer, faço eu. – Ele me faz sorrir com estas coisas. Naruto é excepcional, ele é incrível.
— E então, o que foi? – Ele ri e nega com a cabeça, como se a revelação do desejo anulasse sua realização. Sua mão arruma minha franja com cuidado e percebo a distância diminuir. Meu peito começa a queimar por dentro. Eu deveria estar receosa, mas não consigo pensar em nada de concreto, muito menos em consequências.
Cerro meus olhos e seja exatamente o que as estrelas quiserem. Acho que o pedido que não fiz está preste a se realizar.
O toque de seus lábios é gentil e o alisar da costa da sua mão em minha face também. Sinto a pressão aumentar e sua língua invadir minha boca. Não sei muito o que fazer, apenas deixo ser conduzida pelos seus movimentos.
O meu primeiro beijo, com minha primeira paixão apenas com as estrelas coladas no céu e os vagalumes dançando no ar sendo testemunhas. Por favor, se for um sonho não me acorde. Este momento é perfeito e não vai ser nem um pingo de razão que fará estilhaçar.
Ficará preso em minha memória para o resto da minha vida, independente do que prossiga a seguir. Seus lábios se afastam dos meus e para finalizar de forma esplêndida observo seu sorriso ganhar proporções maiores. No meio deste breu a única coisa que possibilita está visão encantadora são os tímidos raios de luz da lanterna.
— Naruto, estou apaixonada por você. – Minhas palavras saem sem minha permissão, meu coração só falta parar quando o sorriso em seu rosto se desfaz após minha declaração impensada. Entretanto o sorriso retorna e o calor de seus lábios também. Ao certo morri e estou no meu paraíso perfeito e nem mesmo o inferno que virá a seguir estilhaça o meu momento. Meu primeiro momento perfeito, como o dos filmes em preto em branco.
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