Golden Years
16 Mais do que palavras
Notas iniciais
Seis horas em ponto e o maldito relógio começa a apitar. Hoje é domingo inútil, não tenho que acordar cedo, entretanto já estou desperto. Eu não sei o que houve ontem, apenas que foi bom. Depois que TenTen e Sasuke retornam, Naruto e Hyuuga partiram. Ficando apenas eu e ela.
Não sei se era a bebida, mas seu sorriso me deixou vidrado, me lembro de cada detalhe de seu rosto. Maldição! Não consegui segurar a onda e esperar o momento certo.
— Vai dizer que não prefere hard rock?
Sua voz forte e seu riso frouxo sendo morto pelo som do bar me fez querer leva-la para um local silencioso, ainda lembro dos movimentos dos seus cachos sendo prensados entre os dedos cheios de anéis. Ah Temari, você me pegou de jeito. Não consegui sequer dormir.
— Na verdade prefiro, mas topo qualquer coisa. – Ela mordendo os lábios me faz pensar em algo que eu não deveria, acho que combinamos demais para partir seu coração.
— Qualquer coisa? – Sua aproximação está cada vez mais curta, porém não tenho o que reclamar. Afirmo positivo cedendo mais convicção em minhas palavras e o riso travesso dar o ar das graças.
— Acho que é hora de irmos. – A afasto com a mão em um movimento sutil, não quero que se arrependa mais tarde Temari. Está completamente bêbada feito Hinata exceto em um detalhe: não está colocando tudo para fora.
Ela me deixa para trás e sai balançando o quadril e chamando a atenção dos homens do bar. Fecho a conta melhor ir atrás dela antes que faça algo. Não quero ser o responsável se algo acontecer com ela.
— Está frio aqui fora. – Temari grita mesmo a distância sendo curta entre nós. Sua risada me faz querer rir. O vento balança seu cabelo e os olhos perfeitamente delineados poderiam ser moldurados em um quadro. Abro a porta do carro para ela que não consegue, logo você Temari que diz não precisar de homem algum em sua vida. Tsc, como ela é durona.
Entro e tento achar as chaves, mas não a encontro, não estou bêbado o suficiente para perdê-las. Escuto o tintilar de uma batendo contra a outra, olho para o lado e vejo o molho de chaves no dedo da loira, sem dúvida a mais sensual do momento.
— Está procurando isso aqui? – Lanço um sorriso, você está me tirando do sério garota. Afirmo que sim e na tentativa de pega-las Temari sobe em cima de mim, posso sentir sua respiração pela aproximação.
— Espero não me arrepender por isso vegetal. – Não consigo pensar mais nada, apenas observo seus lábios aproximarem-se dos meus e em questão de segundos posso senti-los. O gosto deles me faz querer mais. Minha atenção desvia para sua mão que tenta abrir minha camiseta xadrez, mas logo desiste e segue para outro alvo: minhas calças.
— Vai com calma aí mocinha, não quero que se arrependa depois. – Desvencilho de seus lábios para desanima-la antes que eu me anime. O brilho em seus olhos pede por prazer, mas parece que há algo a mais neles. Não quero te machucar Temari.
— O que foi? Não estou incluída no seu perfil? – Ela fazendo bico é adorável, ela sai de cima das minhas pernas e volta para o banco. Não quero bancar o sentimental, mas se isso prosseguir tenho certeza que vai acabar em briga mais tarde.
— Não, apenas não quero que Gaara me espanque quando souber. – Articulo a resposta mais sem noção que poderia dizer no momento e seu desapontamento é visível. Mordo meu lábio inferior, eu sabia.
— Eu quero ir embora. – Droga Shikamaru, olha a merda que você fez. Giro as chaves e o rádio automaticamente começa a tocar uma música, desligo antes que a durona reclame. O silêncio prossegue até chegarmos na área residencial da cidade. Droga, eu não vou discutir uma relação supostamente amorosa sendo que ela nem existe.
— Temari, eu só... – O sorriso em seus lábios me faz cessar, ela está bêbada provavelmente não irá se lembrar disto, tsc e eu preocupado.
— Até mais Nara. – Sinto seus lábios pressionarem os meus rapidamente e sua mão apertar meu queixo e logo ela se afasta, descendo cantando do carro.
Droga, droga, droga! Mil vezes droga. Por vários motivos. Primeiro, eu deixei de transar com uma garota por que pensei no que ela iria sentir depois? O que é isso! E qual é a possibilidade de a oportunidade de isto acontecer novamente com ela? Nenhuma! Terceiro, e de tanto pensar nela não consigo dormir.
Me jogo na cama, ainda bem que é domingo e não preciso encara-la. Será que eu fui o único cara que teve está oportunidade ontem e desperdicei? Olho o teto pintando de azul com nuvens brancas como eu tinha pedido quando criança e meu pai nunca mais retirou isso. Meu passa tempo favorito, olhar as nuvens, mas acho que ainda está cedo para isso e tarde demais para algumas coisas.
— Filho já está acordado? Seu pai pediu para avisar algo sobre Arte e que a entrega é amanhã. – Escuto minha mãe gritar do corredor, que arte? Abro um olho e retiro meus braços atrás da cabeça.
— Merda, o trabalho de Arte, para amanhã. – E adivinha, eu não fiz.
Hinata Povs
Sair da cama não foi algo fácil de fazer, minha cabeça lateja a cada passo que dou. O café forte e preto amarga minha garganta, tenho que lembrar de não beber mais. Ontem foi maravilhoso, tirando uns detalhes é claro.
O fato de passar mal me envergonha, mas não me importo. Apenas consigo pensar nele ou melhor em como Naruto consegue ser ótimo em todos momentos, bons ou ruins. Aquele sorriso me deixou vidrada enquanto ele dizia como é importante distinguir as marcas de macarrão instantâneo. Todos se foram e eu nem mesmo notei, meu estomago estava revirando-se demais para isso e eu apenas conseguia nota-lo. Sem dúvida Naruto é excepcional.
Mesmo depois do banho gelado que Nane fez eu tomar não consegui parar sequer um momento de pensar nele. E a ideia mais absurda me apareceu. Nós, seria perfeito, mas impossível. Ele é tudo e eu sou nada. Somos totalmente diferentes, o que falta em mim trasborda em Naruto.
Uma vontade estranha me aflige, a vontade de vê-lo novamente e quando isso acontecer tenho medo, medo das famosas borboletas no estomago. Eu não quero me apaixonar, não por ele, isso apenas resultaria em dor. Acho que este interesse surgiu apenas pelo fato de nós passarmos praticamente o dia juntos.
Volto para meu quarto antes que, Nane faça eu comer algo. Olho me no espelho, não sei se ele me acha bonita ou interessante ainda mais depois do desastre com a bebida ontem. Ele me viu nos meus piores momentos. Ah, largue de besteiras. Volto para cama, mas não consigo sequer fechar os olhos. Lembro dele ontem, do dia em que veio até minha casa, do jogo de queimada e como ele parecia feliz. Só me faltava esta.
Ele me faz rir o tempo todo, não havia notado isso, entretanto ele faz todo mundo rir. Sinto medo de situações novas, de sentimentos novos. É cômodo ficar estável, sem reviravoltas dentro de si. Talvez eu deva dizer algo, tentar algo, mas é tão atraente ficar nesta posição, na retaguarda, mas seu sorriso não sai da minha cabeça, acho que ainda é efeito da bebida. Temari, você me paga esta.
Não vejo mal se interessar por Naruto, ele é tudo o que uma garota como eu poderia desejar, mas seria loucura, seria suicídio, por dois motivos: O primeiro ele nunca se interessaria por alguém como eu, segundo: um nome Shion.
Meu suspiro parece novamente, eu não quero me apaixonar. Eu deveria estar feliz, de certa forma estou superando o episódio Kiba, e bom eu pensei que nunca me interessaria por alguém, até me considerava estranha por isso, mas apenas consigo sentir medo.
Mudo a posição na cama, tento ler algo, talvez se eu parar de pensar nele isso passe. Mas até mesmo a matéria chata de física me faz lembrar dele, melhor de como ele odeia física ou qualquer coisa que envolva números.
Me pego rindo no reflexo da penteadeira apenas por pensar em situações que o envolvam. Fecho meus olhos na tentativa de dormir, ainda são apenas oito horas, entretanto escuto as batidas na porta do quarto.
— Filha, estou indo até a Igreja, sente se melhor? – Meu pai aparece pela fresta indicando onde vai, provavelmente irá solicitar minha presença, ainda mais por que acredita que eu voltei as onze horas da noite, então nego com a cabeça.
— Está bem, então fica para próxima missa, estou atrasado. – Ele some pela porta em questão de segundos. Sempre que está presente na cidade ele vai para Igreja aos domingos e arrasta Hanabi e eu, é claro.
Ele mal parte e Naruto toma meus pensamentos, ele vai estar lá em seu terno preto ao lado de seus pais caindo de sono. Como sempre.
Meu peito parece comprimir-se apenas de pensar em um beijo seu. Eu não consigo definir o que passa comigo, eu preciso de conselho. Contudo devo deixar isso passar, quando eu o ver novamente e caso este sentimento volte a ocorrer, então terei certeza que estou perdida.
— Eu não quero me apaixonar. – Pensar em Naruto é como está perdida no meio do nada e a minha bussola está quebrada e meu único norte parece ser ele. Seu sorriso, seu riso, seus olhos, sua voz. Tenho que me encontrar, talvez este reboliço seja apenas solidão fazendo eu acreditar que preciso de alguém, mas tinha que ser ele? Um dos garotos mais cobiçados da escola, com aquela namorada dragão? Ah péssima escolha.
Sinto meu estomago revirar pela segunda vez. Pelo menos a noite não foi toda perdida, descobri coisas que não sabia; sem dúvida meu forte não é bebida e parece que o papo de não confiar nas pessoas não tem muita convicção.
Naruto, você ganhou minha confiança e seria bom parar aí, mas algo dentro me faz acreditar que isso é apenas o começo ou seria apenas meu estomago reclamando?
Naruto Povs
— Amém! – Acho que este foi o décimo. O padre diz algo que não consigo compreender. Por que mãe? Por que me fez vir a igreja em pleno domingo? E daí que é dia de missa? Estou morto de sono e de ressaca. Me lembro de deixar a Hyuuga por volta das quatro e meia da manhã colocando tudo para fora em casa e como a senhora de camisola brega brigou comigo por trazer Hinata naquela situação. Ainda bem que trouxe. Tadinha da próxima vez não vou deixar embebeda-la.
Ela começa a falar coisas sem sentido e passa muito mal, também deve ser a primeira vez que bebe daquela maneira, enfim foi maldade.
Ninguém enxerga pelo lado positivo da situação. Do Gamba Hostil, tenho que lembrar de voltar naquele lugar, o qual meu padrinho me levou da primeira vez. Me lembro de ter saído antes da Temari e do Shikamaru. Danado, se deu bem. Só tem a cara mesmo de lerdo porque o resto é bem esperto.
— Naruto! Pare de espremer os olhos e seu concentre no sermão. – Escuto minha mãe me repreender baixinho, estou me concentrando, eu juro! Aí que fome, que sono, que tudo.
Observo o pessoal do lado, as mesmas beatas de sempre. Olho para o relógio, já são quinze para nove horas, horário que a missa acaba, amém!
Alguém senta ao meu lado, meu pai não está presente. Geralmente sento-me entre os dois para que eles fiquem me acordando de tempo em tempo. Viro-me discretamente e dou de cara com Hiashi. Agora, que a missa está no fim?
Meu estomago congela só de pensar na possibilidade de que ele sabe de ontem. Como sou burro, deixaram eu leva-la para casa, assim o idiota aqui levasse a bronca. Cumprimento com a cabeça em um simples aceno. Os minutos passam e o padre finaliza a missa. Agora vem a segunda parte desta chatice.
— Senhora Uzumaki, Naruto, tenham um bom domingo. – Escuto o Hyuuga diz e sair com uma boa porcentagem de puxa saco atrás dele. Esperto, bateu em retirada. Estranho ele nos cumprimentar. Escuto minha mãe suspirar.
— Vai Naruto, nem mesmo você merece está falsidade. – Ela beija minha testa e faz sinal para eu me mandar. Eu te amo mãe!
— Falo e disse, até mãe! – Saio em disparada antes que ela me repreenda pela redundância em minha frase. Finalmente ir embora e dormir até amanhã.
— Naruto! – Escuto alguém gritar meu nome, mas não paro de correr, vai saber quem é, mas tenho minhas suspeitas. Diminuo na corrida quando vejo o carro dos Hyuuga e eles conversando do lado de fora.
Pelo jeito a Hinata não está presente, atravesso a rua e vou para outra calçada vendo a família Uchiha entrando no automóvel e cara do Sasuke é pior que a minha. Cumprimento todos com a cabeça e continuo rumo a minha casa.
— Mãe lembrei que tenho que resolver um trabalho com o Naruto, não me espere para o almoço. – Escuto o idiota dizer e sua mãe contestar algo. Que desculpinha medíocre, causa até risos.
— Ei, me espera. – Viro para ver a cara péssima do Uchiha e me arrependo. Pelo jeito este domingo não vai ser fácil.
— Obrigado por emprestar teu carro e seu pneu reserva ontem. – Afirmo com a cabeça, não é para isso que serve os amigos?
— E o que você vai fazer agora? Já que não vai voltar nem para o almoço. – Ele coloca as mãos no bolso do terno preto igual ao meu. Como ficamos parecendo aprendizes de mafiosos vestindo isso.
— Não faço a menor ideia, mas para casa não vou. Todo mundo vai estar lá e eu não aguento almoços em família. – Queria que você ouvisse isso mãe, nunca mais iria dizer que eu sou revoltado.
— Entendo. – Entendo nada, os almoços em família é uma das minhas atividades favoritas.
— Naruto, me espera. – Escuto novamente alguém gritar meu nome, espero que não seja quem estou pensando, mas sua voz é inconfundível. Não estou com estomago para aguentar suas chatices.
— Sasuke, se importa em virar discretamente e ver quem é? – Digo e sem descrição nenhuma Sasuke olha para trás.
— Nada mais e nada menos que Shion, finge que não ouviu e sai correndo. – Escuto ele dizer com lentidão. Seria uma ótima opção, mas se você tivesse virado discretamente, agora não tenho saída.
— Não é o Sabaku? — Aceno para Shion que vem correndo nos saltos altos ou tentando correr com aquilo nos pés. Viro me e vejo Gaara no seu carro. Ele nos vê e acena. Bom é agora ou não é mais.
— Gaara espera, preciso falar com você. – Grito o máximo que consigo e bem a tempo de o ruivo parar e me esperar. Sasuke me olha com as sobrancelhas franzidas.
— Você vem ou vai correr o risco de ela dar em cima de você? – Digo a Sasuke e aceno para Shion em despedida. Que a verdade seja dita. Sem dúvida vou colocar um fim neste namoro sem pés e nem cabeça, porém hoje não.
— Eu vou. Não vai ser a primeira vez e nem a última. – Escuto o galã como pode ser convencido deste jeito? Vamos até o carro e entramos o mais rápido possível. Sasuke sentando na frente e eu atrás.
— O que você quer Naruto? – Escuto Gaara dizer sério e o idiota do Sasuke rir.
— Vamos sair daqui, então te conto. – Digo e Sasuke ri ainda mais fazendo a atenção do Gaara desviar se para ele.
— Ele está apenas fugindo daquilo. – Diz e aponta para Shion que desistiu de me alcançar quando viu o carro. Gaara afirma e começa a dirigir seja lá para onde for. Além de convencido é fofoqueiro.
— Não sabia que não gostava de mulheres. Agora entendo aquele papo sobre objetos de ontem. – Escuto Gaara dizer, filho da mãe está tirando uma com minha cara. Mostro-lhe o dedo do meio e ele não dá a mínima enquanto o Uchiha apenas sabe dar risada. Incrível que não tenha esquecido, quem sabe assim para de partir corações. Como fiquei sabendo? Por fontes seguras.
— Isso explica tudo, não tinha pensado nisto antes. Mas não se preocupe Naruto, não sou uma pessoa preconceituosa e tenho certeza que Gaara também não. – Sasuke diz fazendo Gaara abrir um sorriso, estes caras são estranhos. Zoem o tanto que quiserem, eu não ligo.
— Vê se não enche Sasuke. – Como está engraçadinho. Gaara para o carro em frente a um prédio meio acabado, deve ser sua casa.
— Entre se quiserem. – Recolhe umas sacolas enquanto Sasuke desce do carro e eu faço o mesmo. Estou perto da casa da TenTen, vou almoçar lá.
— Vai ficar parado no meio da rua idiota? – Escuto Sasuke dizer e fazer sinal para segui-lo. A suava gravata já sumiu do pescoço e eu nem vi quando tirou, será que além de convencido, fofoqueiro também é Ninja?
Subimos um lance de escada, mas qual é o apartamento de Gaara? Sasuke abre uma porta no segundo andar. Tomara que seja a porta errada para ele levar uma bronca, mas para minha decepção é a certa.
— Você acha mesmo que eu não sabia que porta era? Já estive aqui anteriormente. – Droga, acho que estava espremendo os olhos novamente. Entrei depois do sabidão e encontrei Gaara sentado em uma poltrona vermelha. Sasuke entra e senta no sofá, que intimidade!
— Ah, sentiram saudades? – Do corredor aparece Neji que pega as sacolas de Gaara. Sasuke joga o ombro para cima em resposta. Sento me próximo do Uchiha um pouco desconfortável pela situação. O silêncio prevalece até a porta ser aberta com brusquidão fazendo a atenção de todos seguir para ela.
— Neji eu... – Sakura entra pela porta vestida com seu uniforme da lanchonete, mas não termina sua frase ao ver Sasuke sentando no sofá, olho para o Uchiha enquanto todos esperam Sakura falar. Ele não está surpreso, mas a presença dela o incomoda. Deve ser por conta de ontem, coitada da Sakura teve que passar o dia com este cara.
— Morreram e esqueceram de enterra-los, foi? Estou indo trabalhar. – Escuto ela dizer e logo some porta fora.
— Sasuke a TenTen conseguiu arrumar o teu carro? – Neji pergunta com um pouco de sarcasmo fazendo a atenção de Sasuke sair da porta.
— Sim e ainda me ajudou a trocar o pneu. – Cruza as pernas e Neji nega com a cabeça enquanto Gaara tenta rir, por que aquilo que ele fez não foi uma risada. Não entendo está precipitação de Neji em relação a TenTen.
— Neji parece ter problemas com mulheres que desempenham atividades supostamente masculinas. – Gaara explica o motivo de seu riso e Neji franze as sobrancelhas parece que seu humor foi por água abaixo.
— Vai dizer que joga basquete também? – O modo que ele falou me diz que ele não quer resposta, mas não posso perder a oportunidade.
— Não, mas joga futebol e muito bem. – Digo e Neji acena com a mão em sinal de tanto faz e some pelo corredor. Só faltou o Shikamaru aqui. Coitado dele na hora que Gaara descobrir que ele pegou sua irmã, vai morrer e senão morrer vai chegar perto. Diferente de mim que quando o pai da Hinata souber de tudo, eu já estarei morto. Será que ela está melhor?
Sasuke Povs.
Rosa, como passei a odiar está cor. Eu deveria ter ido para casa e aguentado a falsidade dos Uchihas no almoço do que ter que a ver logo de manhã. Mas eu admito que a culpa é minha, desta vez; afinal por que raios quis acompanhar Naruto?
Sakura, admito que não fiquei surpreso no momento que fui revelar as fotos em meu estúdio improvisado no closet, já que meu pai não me deixa montar um de verdade. E encontrei no negativo, da suposta câmera quebrada fotos tuas, era previsível. Maldita insônia fez me acordar no meio da madrugada e agora estou aqui, sentado no sofá ao lado do cara mais burro e escandaloso do planeta.
Neji retorna de onde estava e me pergunto como ele a suporta. Eu apenas fiquei um dia com ela e praticamente surtei. Ou é muita paciência ou muito amor.
— Sasuke, idiota ele está falando com você. – Naruto me cutuca e eu retorno para realidade, apenas nego a garrafa de cerveja que Neji oferece, está cedo demais para beber em meu conceito.
— Sakura falou muito bem de você. – Escuto Neji dizer em um tom irônico. Jamais Sakura diria algo que presta em relação a minha pessoa, ainda mais depois de ontem.
— Imagino, eu a tratei muito bem. – O melhor possível, mas fazer o que se ela é detestável? Ainda consigo sentir seu cheiro doce, ah como eu odeio doces. O momento na cabine da carreta foi o mais esquisito que poderia ocorrer, mas foi necessário, momento este que praticamente a peguei no colo, faltou pouco.
— A relação entre vocês é muito forte, não é? – Naruto abre a boca para fazer uma observação desnecessária, mas o comentário de Neji me interessa.
— Hum, não é o que você está pensando Naruto, apenas amigos. – O loiro afirma contente com a resposta, porém sinto que ela foi direcionada mais a mim do que a ele. Qual é a sua?
— Sei, está mais para irmão mais velho. – Gaara diz após beber da sua cerveja e Neji sorri brevemente com a observação.
— Pode ser, eu a conheço a pouco tempo, entretanto as circunstâncias nos aproximaram muito. – Acredito, afinal quem iria querer algo além de amizade com ela? Seria como se atirar no escuro, do tempo que passei com ela, aprendi duas coisas, a primeira: ela é louca. A segunda: imprevisível.
— Circunstâncias? – Naruto questiona e por incrível que pareça o loiro fez outra questão que a resposta ganha meu interesse.
— Sim, mas falar sobre elas não me cabe. – Seus olhos caiem sobre mim, acho que mostrei me interessado demais em suas palavras. O silêncio que segue é perturbador, mas ninguém dá a mínima, exceto Naruto que fica inquieto e levanta par andar pelo cômodo, abrindo as gavetas dos moveis feito criança.
— Olha só este cara, parece o pai da Hinata, mas não tem aquela expressão de cão com raiva. Não é Sasuke? – Naruto vira com o retrato e me mostra a foto. E ele está certo nas duas observações. Neji se incomoda com a ação de Naruto, mas fica em silêncio.
— Sim, agora vamos embora, antes que nos expulse. – Me levanto do sofá e Naruto guarda o retrato. Gaara se arruma na poltrona como se fosse levantar-se.
— Está certo, vou ir almoçar na casa da TenTen, fica aqui perto. – Eu não sei onde você vai, a única coisa que interessa é sair daqui. Seguimos até a porta e Naruto sai em disparada largando me para trás. Aceno e vou embora sem esperar pelas despedidas.
O tempo instável se estabilizou, agora o céu está completamente azul. Procuro Naruto, mas ele já sumiu, tsc que ótimo companheiro. Eu poderia me perder nesta parte da cidade, mas já estive diversas vezes próximo daqui, quando ainda namorava com Ino.
Ela está novamente próxima demais, eu pensei que nunca mais direcionaria a palavra a mim, mas parece que não guarda rancores, entretanto ela não tem motivos para fazer isso. Az vezes é necessário fazer o que é melhor deixando tudo de lado: seus princípios, valores e a maldita moral.
Espero que um dia ela possa compreender que eu também sinto muito. Eu não poderia ficar ao seu lado após o ocorrido, apenas fiquei assistindo ela definhando sendo alvo de todos. E então entrou as férias e ela praticamente sumiu e agora está novamente como era antes, como se nada tivesse acontecido.
Bom, o passado é intocável, o que nos pertence é o futuro. No qual ela não fará parte. Dobro mais uma esquina indo em direção para casa, está cedo demais para voltar. Não tenho opção, melhor ir ver a ruiva e não ser bombardeado amanhã por ela com suas perguntas tolas e sem sentido.
Gaara Povs.
Dormir, é o que mais quero no momento. Após a saída repentina de Naruto e Sasuke retornei ao meu quarto com uma finalidade: apagar. Acho que isso será impossível, cada vez que fecho os olhos sua imagem vem a mente.
Definitivamente não sei o que acontece comigo, nunca soube, mas nestes últimos dias tem piorado. Deste do episódio do hospital a situação está mais complicada e ela sempre está presente. Eu queria saber por quê, por que ela estava lá, como se ela tivesse algum motivo para fazê-lo. Mas isso não foi o mais estranho.
Ontem a tratei mal e horas mais tarde senti o desejo de tê-la apenas por um momento. Cena ridícula. Ino é tudo o que uma garota queira ser, mas ninguém consegue enxergar atrás daquele sorriso irritante que tem algo errado. Talvez seja isso que me incomoda tanto, ela consegue esconder de todos e eu não.
Mas ontem, ela estava tentando tanto compreender o porquê daquilo que não se preocupou em manter a pose, foi o momento que eu a vi. Parecia machucada demais para que eu ferisse mais com minhas palavras e então apenas fiquei quieto, tentando descobrir porque não machuca-la. Quero distância de você Ino, pelo simples fato de pensar que você me compreende e eu me conheço o suficiente para saber que ficaria louco por isso, por não existir julgamento.
Mas ao mesmo tempo que não quero em minha vida eu tento ignorar esse desejo de usa-la por algumas horas como faço com todas outras garotas. E esta possibilidade é nula, pois a vejo a todo momento por mais tarda que seja ela aparece e não quero cobranças.
Apesar de todos naquela escola maldita informar que a loira é mais uma vagabunda qualquer arrependida, eu sei que ela está frágil demais para um envolvimento casual. Não sei o que aconteceu entre ela e o Uchiha, não dou ouvidos para desocupados, mas sei que não foi besteira. E ela passa tempo demais fingindo que está tudo bem, mas eu sei que não. É só olhar com atenção e vai ver aqueles olhos pousarem sobre os ombros de Sasuke com fúria.
E sem dúvida não quero isso para mim, mas seus lábios, seu corpo, seu cabelo me faz ter vontade de tê-la. Porém aqueles olhos azuis, odeio azul. Olhos alertas a próxima decepção, seu sorriso falso gritando que está tudo bem e convencendo a si própria que está me faz querer esgana-la. A minha frustação chega a não ser nada perto da dela.
Posso ver, talvez ela não tenha percebido, seus olhos com pena de mim, tenta esconder, mas ela está lá. Pena, como nos olhos de todos que me conhecem e sabem da minha triste história de vida. Tsc, eles não sabem de nada e tentam fingir que compreendem. Mas com Ino é diferente, ela também não sabe nem dez por cento da minha vida, entretanto a pena em seus olhos é diferente. Talvez seja um equívoco, mas ela me compreende sem sequer uma explicação minha.
Isso pode ser reconfortante, mas também é assustador. E eu sei que quando nós fossemos para cama, esse interesse iria sumir. Afinal nunca precisei de ninguém e não vai ser agora, ainda mais de uma pessoa com mais problemas que eu. E porque ter uma se você pode ter todas que quiser?
Sempre alguém irá partir seu coração, então que eu seja mais um, não irá fazer diferença. E eu sei que depois de transar com ela meu sono não vai mais sumir. Afinal sempre foi assim e acho que Ino não vai se importar de ser só mais uma, deve estar acostumada com decepções.
Ino Povs.
A chuva caí intensamente e logo passa, assim está sendo nas tardes quentes de setembro, mas hoje ela está demorando passar. O que me deixa sem alternativa e faz meus cobertores serem extremamente sedutores.
Eu não consigo entender, mas meu sono foi para o ralo desde ontem quando Gaara me deixou próxima da minha casa. Gaara, por que você fez aquilo? Não me diga que está se apaixonando? Que absurdo pensar algo deste gênero, no máximo que ele possa querer de é sexo e nada mais.
Eu até poderia, mas acho que não consigo mais. Nada que seja apenas momentâneo me satisfaz e minha frustação seria terrível. Solidão é castigo. Deve ser por isso que ele está machucado daquela forma, não sei o que houve e tenho dúvidas se quero saber. Tenho medo de comparar momentos trágicos e perceber que o meu não foi nada, como descobri naquele grupo de apoio que Tsunade me enfiou.
Provavelmente ele deve ter participado de um, mas isso não me interessa. Ontem realmente foi ótimo, até poderíamos repetir a dose, exceto pela parte final. A qual eu descobri uma sensação estranha. Sentir seu perfume, sua proximidade, me fez quere-lo. Eu reconheço que não sentia desejo por alguém algum tempo, tudo estava recente demais para eu pensar nisto.
Mas ele fez. Mordo meus lábios apenas em pensar seu corpo sobre o meu. E eu não vejo motivos para que isso não aconteça, apenas receios. Não sei se estou forte o suficiente para dormir com alguém e não me apaixonar, não me apegar.
Sendo assim, melhor não. Está na cara do ruivo que nada parecido com isso iria rolar. Realmente eu não entendo, talvez Sasuke estivesse certo quando dizia que eu me interessava por caras difíceis. Sasuke, eu que pensei que nunca mais olharia para sua cara. Eu queria ter ido embora de Konoha, mas me recordo como se fosse hoje Tsunade dizendo que não dá para viver a vida inteira fugindo de situações difíceis, uma hora vai ter que encara-las, cedo ou tarde. E melhor que seja cedo.
Hum falando agora parece que foi fácil, mas não passou nem perto de ser. E eu aqui querendo arrumar mais problemas, pois tentar qualquer coisa que envolva Gaara é como querer atirar na própria testa, problema na certa.
Ino, por que você não pode se interessar por garotos como o Naruto? Olha para ele, todo fofo sem saber o que fazer para ajudar Hinata. Foi uma das últimas coisas que lembro antes de entrar no carro.
É como se meus dezessete anos de existência tivessem virado pó e a única coisa que consigo pensar e no maldito momento com Gaara. Chega a irritar. Talvez fosse melhor envolver com alguém, acho que está na hora. Sasori diz não se importar com o que dizem, talvez envolver me com ele seja uma boa ideia. Ele é interessante e não é tão canalha como os outros.
TenTen Povs.
— Agora após ver este documentário, quero uma dissertação sobre o Serviço Sanitário –SS na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Se obtiverem dificuldade assistam ao filme: Amém!
A voz morta da professora é entediante. Trabalho, mais trabalho. Todos anotam sem animação, agora não sei dizer se é pelo tema extremamente empolgante o se é pela segunda feira. Dia da semana que temos que entregar o trabalho de Arte. Todos estão com eles nas carteiras a maioria escolheu fotografar apenas Hinata mantem uma tela média coberta ao seu lado.
Tédio, o sinal apita novamente e a professora de história parte com seus livros no braço, mal ela sai e o de Arte entra empolgado, coitado vai se decepcionar. Hoje sentei me sozinha, pois as duplas que não fizeram o trabalho faltaram e depois certamente justificarão com uma desculpa esfarrapada.
— Bom dia meus amores, espero que todos tenham realizado meu pedido, pelo contrário irão para o exame sem mesmo fazer a segunda prova. – Os resmungos começam, admito que pegou pesado com o pessoal que não fez, ficar de exame é o mesmo que reprovar na matéria dele, que azar!
— Agora sentem com seus parceiros e apresentem seus trabalhos. – As palminhas seguem até todos sentarem com seus parceiros e quando a algazarra termina seu sorriso é enorme. Gaara ao meu lado apenas acena com a cabeça, colocando o envelope sobre a mesa.
— Vamos lá, comece vocês. – O professor aponta para Shikamaru e Karin, a qual torce o rosto, deve ser pelo fato de não ter feito nada, porém Shikamaru está sossegado demais. Retira algo da bolsa e parece ser mais um trabalho de ciência do que Arte, mas tudo bem né!
— Quer explicar Karin? – O professor pergunta e o Nara apenas ri, deixando claro que ela não participou do trabalho, seja lá o que for. O professor olha para Shikamaru pedindo explicação e este suspira.
—Ah, vamos lá. O senhor disse para capturar algo cotidiano a qual não atribuímos importância, enfim aqui está. – Ele gira algo que não consigo ver e as duas pontas de metal começam a soltar faíscas até se estabilizarem em uma corrente alternada de energia, como um mini-raio. Genial!
— Energia é algo que não damos valor até ficar sem, é cotidiano e eu diria essencial. – A expressão do professor é indefinível, não dá para saber se aprovou ou não. Tenho que dizer que foi o máximo, deve ter dado um trabalho para reproduzir um gerador de energia em miniatura.
— Hum, me surpreendeu Shikamaru, adorei, algo bem diferente que eu esperava. Meus parabéns! – O professor o parabeniza pelo trabalho e pede para deixar em sua mesa.
— O que isso, a maior parte foi Karin que fez. – Alguns alunos se divertem com a brincadeira do Nara, devo admitir que a expressão da ruiva não foi a melhor.
— Agora vocês dois. – O professor diz e aponta para Naruto e Hinata que se entre olham. Ah Naruto falou tanto como a Hyuuga desenha bem, vamos ver.
— Bom, o nosso trabalho resume se em uma pintura. – Hinata diz baixo, mas o suficiente para todos entenderem. Retira a proteção da tela e mostra para o professor que se maravilha. Uau! É realmente estonteante, perfeito.
— Hinata está uma maravilha, agora Naruto me diga qual foi sua colaboração com o trabalho? – Agora complicou, aposto que Naruto não fez nada. Ele sorri abertamente tentando formular uma resposta rápida.
— Professor, este lugar é real, foi Naruto que me levou até ele. – O professor sorri com a informação que Hinata passa e o afirmar do Naruto com a cabeça não cessa.
— Muito bem. Agora Lee e Tayuga. – Observando os dois, Naruto e Hinata sorrindo pela aprovação é algo agradável de se ver, quem vê pensa que os dois compõem um casal.
— Poderia ser melhor, mas tudo bem. TenTen e Gaara. – Saio da minha observação e nem vejo o desastre do trabalho do Lee. Agora é nossa vez. Gaara me olha para que eu explique nosso trabalho.
— Bom o nosso trabalho é expresso em uma fotografia. – Abro o envelope e vejo a foto pela primeira vez, o único problema que na foto estou eu, de costas com o uniforme da escola sobre o píer. Ah que vergonha. Percebo que demorei quando Gaara retira a fotografia maior do que as comuns e mostra para o professor.
— Um dos lugares de Konoha e a TenTen foi a modelo. – Escuto ele dizer e coloco a mão no rosto. Retiro quando o professor vem e pega a fotografia na mão e mostra para o restante da classe. A saia de prega azul e a camisa branca destacam-se na paisagem, apenas perdem para as arvores floridas e a água em um tom de azul mais claro. Se ele não dissesse que sou eu ninguém notaria e eu também não.
— Muito bem, além da paisagem você capturou uma pessoa. Estamos em contato o tempo todo, isso é cotidiano, Homens são seres sociais, vivemos em grupos. Sem o outro não conseguimos viver. Meus parabéns, genial.
O professor cessa com sua explicação, pensei que a aula fosse de Arte e não de Sociologia, e aponta para outra dupla.
O barulho de algo sendo aberto chama minha atenção para trás. Numa cartolina está um desejo infantil, provavelmente feito por criança. O professor olha interrogativo se realmente aquilo encaixa-se no requisito.
— Explique. – Cruza os braços e Shion sorri não sabendo o que dizer, Neji suspira e se ajeita na cadeira, vendo que é ele irá explicar o trabalho.
— Caramba, você não ouviu nada do que eu te disse? – Pergunta para Shion que franze as sobrancelhas e ele nega com a cabeça.
— Simples, isso é um desenho, provavelmente todos já fizeram um quando criança. E provavelmente seus pais não deram a atenção merecida. É algo que os adultos não atribuem valor, pensando ser algo que faça seus filhos ficarem quietos pelo menos por um minuto, mas não atribuem importância porque é apenas mais um desenho em meio de tantos outros, feitos todos os dias e não estão nem um pouco se importando com o sentimento posto nele.
A explicação cessa e os queixos caídos são tantos que nem dá para contar. Caramba, como este grosseirão fez toda esta analise em cima de um mero desenho? Faz muito sentido. Sakura está sorrindo com a explicação de Neji e Gaara está mergulhado em pensamentos. É fez muita gente pensar.
— Vendo por este ângulo, está muito bom. Espero que os visitantes da exposição tenham a mesma capacidade de leitura. Meus parabéns para dupla. Agora os dois S. – O professor diz e eu não consigo entender, mas até apontar para Sakura e Sasuke e minha ficha caí.
Sasuke cutuca Sakura para que ela explique, mas ela se nega fazendo o professor esperar, por fim Sasuke desiste e suspira.
— É uma fotografia do nascer do sol a uns cinquenta quilômetros de Konoha, as pessoas que passam por lá não notam a paisagem por seca demais ou pela ansiedade de chegar a cidade. É algo que nos vemos todos os dias, entretanto não damos importância por que elas sempre estarão lá, no mesmo lugar e do mesmo modo, feito o sol.
Sasuke termina e todos parecem surpreendidos com sua explicação, mas sua parceira de trabalho está vidrada em sua figura sem perceber, acho que ela esperava algo diferente.
— Hum, Sakura explique a composição da fotografia. – A rosada é arranca do mundo paralelo que deve ter criado e ainda de boca entre aberta assimila o pedido. Ela pega a foto e Sasuke a olha rapidamente e como se seus olhos dissessem: não estrague tudo agora.
— Bom, como Sasuke disse a paisagem é visivelmente seca, sem vida. Provavelmente ele deixou a foto em preto e branco para realçar este sentimento, que as coisas estão sem vida. – Sakura fez uma pausa analisando a fotografia, porém por um momento seus olhos foram parar em Sasuke de uma maneira muito rápida.
— Entretanto se observar bem, pode se ver o orvalho nos galhos secos e o nascer do sol atrás e seu brilho refletindo nas gotinhas de água, como se aquilo fosse um sinal que tudo irá ficar bem. Mostra que até em meio da tristeza, do seco, da morte considerada como vilã, pode existir um novo começo, uma nova esperança. Pois o que as plantas precisam? De água e luz e no meio do nada existe estas duas coisas. É como olhar o que a de melhor nas pessoas, no início apenas pode enxergar as coisas negativas, como na foto, mas se observar bem vai perceber que não é apenas isso.
O silêncio na sala é enorme, muitos pensam no que foi dito e agora os olhos de Sasuke pousam sobre a cabeça da Sakura que ainda fita a foto com comoção, já vi aquele olhar antes. É um misto de surpresa e admiração, o mesmo olhar que ele direcionava para Ino em seus dias dourados.
O professor está de boca aberta assimilando a interpretação da aluna, Temari sorri inconscientemente enquanto Ino olha pela janela pensativa. Será que Sasuke teve a mesma análise? Se sim, será que foi por este Sasuke que Ino era apaixonada? Sem dúvida foi a coisa mais linda que ouvi hoje.
— Ah, por favor, é apenas uma foto qualquer. – Karin estrala com os lábios e cruza os braços, fazendo todos voltarem a realidade. Os olhos de Ino pousam rapidamente sobre Sasuke esperando a reação do mesmo sobre o comentário da sua namorada, mas ele nada faz.
— Não, não é apenas uma foto, você mais que ninguém deveria saber. Você sabe a diferença entre o nascer do sol e o pôr do sol? Não, não é? Pede para seu namorado explicar. – Sakura diz revoltada com a ignorância de Karin, provavelmente isto foi um rompante. Sasuke a olha surpreso por meros segundos e logo desvia o olhar. Neji ri colocando as mãos atrás da cabeça.
— Sakura, se importa em dizer qual é a diferença? – O professor pergunta confuso pela distinção entre os dois momentos, eu também queria saber, acho que a maioria da classe não sabe.
Karin cala-se pelo olhar reprovativo que recebeu do Uchiha. Sakura sorri minimamente e encara Sasuke com intensidade, como se fosse explicar para ele e não para o professor.
— É simples de manhã tem orvalho e o jogo de luzes são diferentes. –Sasuke arca a sobrancelha e Sakura deixa de encarar, acho que foi ele que disse isso para ela.
— Uau! Estou impressionado com o trabalho dos dois, ainda mais por sua interpretação Sakura. – O professor comenta e bate palmas fazendo o restante da sala acompanhar, exceto algumas pessoas que se negam. Eu não tinha visto este lado dela e nem dele.
— Bom o nosso é um curta metragem de crianças brincando. – Tamari diz e mostra a fita cassete.
— Deveria ter avisado para ter trazido os equipamentos para visualizar meninas, mas tudo bem. Eu sei que o de vocês vai estar ótimo, como a dupla S. – O professor pede que mais dois trabalhos sejam expostos e recolhe tudo em uma alegria sem fim. Realmente alguns surpreenderam. Não esperava isso de Neji, sempre de cara fechada e depois me vem com uma explicação desta me faz descontruir meu conceito detestável que crie. Acho que me precipitei novamente.
Neji Povs.
Sasuke, estou tentando te avisar discretamente, mas você não quer me ouvir. Seu interesse por ela está começando a aparecer e provavelmente depois de hoje ela não vai sair da sua cabeça. Bem típico dela, foi assim comigo, mas por motivos diferentes.
Contudo você não percebe, se nega a ver. Não teria problema nenhum em se apaixonar por ela, a não ser pelo simples fato de ser quem é. Ela te odeia, pelo menos é o que me diz, entretanto sei que não é bem assim.
Minha explicação salvou o trabalho, não esperava que a maioria apresentasse projetos dignos. Sem dúvida os destaques foram da dupla S, da Hyuuga e do cabeça de fogo. Surpreendente.
A falação sem fim do professor continua e as duplas se desfazem, adeus Shion. Gaara retorna a sentar do meu lado em completo silêncio, típico dele.
— Surpreendeu pimentinha. – Digo e ele me olha furioso, acho que por conta do apelido. Retiro as mãos da cabeça enquanto a maioria comenta sobre os trabalhos.
— Hum e você com sua explicação sentimental. – Gaara diz, aposto que tocou seu coração, ainda mais com o pai que você tem.
— Pelo menos surpreendeu uma pessoa. – Observo Gaara apontar para a mesa da TenTen. Levanto a sobrancelha, como assim surpreendeu? Espero Gaara terminar de falar, mas ele não abre a boca. Droga deste jeito vou ter que perguntar.
— Ah é, surpreendi? – Observo Gaara cruzar os braços e balançar a cabeça negativamente.
— Sim, acho que ela não te acha tão babaca como antes. – Observo ela conversar com outra garota, babaca? Ela prende o cabelo em dois coques e eu que sou o babaca da história?
— Ela é mais do que aparenta ser, deveria investir. – Depois de ouvir o ruivo dizer, o olho só para ver se realmente é ele sentado ao meu lado.
— O que foi? A explicação da Sakura te deixou sentimental? Vai dar um de cupido? – Digo e ele escora na cadeira fechando os olhos como se fosse dormir.
— Hum, não é isso o que você está tentando fazer de certa forma comigo? – Ele diz e aponta para Ino conversando com Temari, fui pego no fim das contas.
— Achei que não tinha percebido, não vejo mal nenhum, iria te fazer um bem danado entrar em um relacionamento que dure mais do que uma noite. – Digo e ele ri, qual é? Não disse nada absurdo.
— Falou o cara que está sozinho e não vem mudando de assunto, quem está em pauta aqui é você. – Não tenho tempo para isso e ela não me atrai em nada. No fim das contas Gaara saiu melhor que a encomenda.
— Qual é Gaara, eu não estou comendo ninguém com os olhos, diferente de você. – Coloco a mãos no ombro e não consigo manter a seriedade com a cara que Gaara faz. É todo mundo está vendo.
— Já estou resolvendo esta questão. — A voz séria me causas risos. Sei, vai pensando que vai conseguir algo daquela garota. O sinal finalmente bate, horas de ir para segunda parte do jogo, enfim casa. Procuro Sakura com os olhos, mas não consigo achar e meu amigo já sumiu.
Espero o tumulto se dissipar, a vontade de ir embora é tão grande que a maioria se aglomera na porta obstruindo a passagem. Idiotas!
Me levanto da cadeira com preguiça, apenas de pensar que existe uma pessoinha me esperando dá vontade de ficar aqui o resto do dia. O corredor está quase vazio, estaria se não fosse umas pessoas se agarrando e outras desorganizadas carregando suas coisas.
— Senhor Hyuuga, eu garanto que avisaria se soubesse de algo em relação a Hizashi. – Escuto a louca da diretora praticamente gritando. O que será que está acontecendo? Pensei ter ouvido o nome do meu pai, mas isso é impossível, por que motivo Tsunade estaria gritando isso?
Os passos no corredor quase vazio me fazem pensar em algo absurdo. Não, isso não pode estar acontecendo. Tento entrar em uma das classes, mas todas portas estão fechadas, que droga, olho para frente e consigo ver Tsunade andando ao lado dele, em seu terno preto, de expressão furiosa. Pensa rápido, se ele me ver vai ser encrenca na certa.
Coloco o capuz e abaixo a cabeça, impossível que ele irá me parar, porém vejo Tsunade de olhos arregalados quando Hiashi resolve abordar os poucos alunos que estão no corredor, droga, hoje não! Sigo na mesma direção que a deles, deve ter uma saída alternativa do segundo andar. Droga, maldita hora que resolvi ficar de bobeira.
— Rapaz, espere por um momento. – Escuto sua voz altiva me chamar, estou perdido, finjo que não escutei e continuo a andar como se não fosse comigo, o único garoto no corredor.
Observo o corredor em uma tentativa de achar qualquer coisa que me de asilo. E mais a frente vejo uma garota recolhendo material do chão e colocando em seu armário. E agora ou não é mais. Me aproximo e ajudo a guardar, não faço ideia de quem é, mas não importa.
— Pelo amor de Deus Hiashi, eu já disse que ele não está aqui. – Escuto Tsunade argumentar, é as dúvidas se foram de alguma maneira ele descobriu minha existência. Era de se esperar, afinal ele é um Hyuuga.
— Garoto, espere gostaria de questiona-lo. – Novamente sua atenção é desviada a mim, acho que fingir que estou ajudando não está causando o efeito que desejei. A garota dos livros já está em pé e começa a dizer algo. Com o canto do olho vejo os dois se aproximarem de mim. Levanto rapidamente e abraço a garota que se assusta, mas não me empurra. Seus olhos castanhos estão arregalados pela surpresa, a única coisa que consigo ver, viro discretamente e Hiashi não parece desistir de falar comigo.
— Neji, o que você está fazendo? – O sussurro da garota me lembra de já ter ouvido está voz. A Empurro fazendo a encostar no armário. Desculpe, mas melhor levar dez tapas do que ele me ver. Sinto os lábios da garota que fica estática pela surpresa, entretanto cede passagem. Droga, vou me arrepender profundamente depois.
— Com licença, mas vocês... – O beijo forçado por mim ganha vivacidade, escuto a voz de Hiashi mostrando que ainda está presente, percebo a falta de ar da garota, mas não posso deixa-la respirar neste momento, agora não. Intensifico ainda mais o beijo, os lábios macios parecem frágeis para a pressão que coloco sobre eles, acho que não vou sair vivo desta.
— Ah Hiashi, deixa os dois, você acha mesmo que seu sobrinho iria agarrar uma garota em ambiente público? – Tsunade resolve ajudar, me afasto minimamente, mas não desfaço o abraço. A garota está tão assustada que não se move e nem fala nada, apenas sua respiração descompassada é audível, ainda bem que minha estatura é maior, caso contrário ela já havia se desvencilhado.
— Tem razão, um Hyuuga nunca faria este tipo de indecência. – Tsunade ri e os dois seguem na mesma direção, certifico me se realmente partiram. Me afasto, suspiro aliviado, essa foi por pouco.
— Mas que droga você pensa que está fazendo? – Paro de olhar para o corredor e olho para a garota de cabelos soltos praticamente gritando. Oh não! Seu rosto está vermelho e sua roupa um pouco amassada; ela vai me matar.
— TenTen, eu posso explicar. – Sinto o arder após o tapa que recebi no rosto. Aí, de todas as garotas do Lions tinha que ser ela?
— Me desculpa. – Digo e soa ridiculamente, desculpas! Observo seu peito subir e descer rapidamente, seus olhos estão furiosos, seus punhos cerrados e seu cabelo solto. O que aconteceu com os coques? Eu não teria agarrado se a reconhecesse. Escuto novamente os passos no corredor, estão voltando.
— Desculpa, depois te explico, mas agora tenho que ir. – Não espero resposta e começo a correr em direção a saída, que droga até parece praga do Gaara, maldito.
TenTen nunca mais vai olhar para minha cara e com razão. Agora entendo a reação estática, provavelmente isso nunca aconteceu com ela, afinal não é todo dia que as pessoas saem agarrando outras. E só de pensar que a vejo todos os dias.
Eu deveria ter desconfiado, pelo menos considerado a possibilidade de isso acontecer, mas não. Pensei que Tsunade daria um jeito sozinha. Contudo a Hinata deve ter aberto a boca e nem posso culpa-la por isso. Eu não faria diferente.
Para se livrar de uma situação complicada consigo criar outra, genial Neji, meus parabéns. Desta vez me superei, que idiotice.
Temari Povs
Bebidas alcoólicas, o que dizer sobre elas. Deixa me ver: causa uma sensação de alegria, relaxa seu corpo, desliga seu cérebro e as consequências de suas ações não parecem nada.
Seus efeitos não se diferenciam no meu organismo, mas eu não a culpo. A responsabilidade é completamente minha, inclusive o ataque sem freio sobre o vegetal. Ah que droga que eu fiz? Não, não reclamo do beijo, este que foi ótimo e se surgisse a oportunidade novamente não deixaria escapar. Droga foi a expressão do Nara e o que ele deve estar pensando: mais uma vadia qualquer.
Não que eu tenha problemas com vadias, eu adoro vadias. Elas fazem o que querem, com quem querem e na hora que querem. Isso não é o máximo? Chato é este povo desocupado que fica comentando sobre o que elas fazem o deixam de fazer.
Ele me surpreendeu primeiro pelo seu jeito e segundo pelo seu trabalho. Qual garoto que tem a oportunidade de ficar com uma garota e desperdiça? A resposta correta é Shikamaru.
Admito que depois de analisar o contexto sua atitude foi digna, afinal eu estava para lá de bêbada, eu deveria agradece-lo por isso. O corredor está completamente vazio, como de costume não estou no horário e sim atrasada. Até pensei que o vegetal cogitasse o fato do meu atraso para não ficar sozinha com ele até os outros chegarem, mas não foi.
Empurro a porta e a maioria está no local, até mesmo Gaara que afina seu instrumento, todos compenetrados em suas tarefas. Procuro Shikamaru com os olhos e encontro com fones deitado no chão e com os olhos fechados.
— Oi Temari, tudo legal? – Naruto apoia a mão no meu ombro fazendo a minha atenção desviar, afirmo que sim e ele se afasta. Apoio no batente da porta, não sei se devo atrapalhar o vegetal, ele parece estar muito bem sozinho.
— Eu acho que podíamos ver o tempo, é preciso melhorar. – Escuto Sasuke dizer sentando em um patamar junto com o restante, apenas Neji não está presente. Entretanto sua vizinha sim, Sakura conversa com as outras meninas exceto TenTen que não está presente. Todos ocupados e em silêncio, pelo jeito levaram a sério a bronca da Tsunade. Sendo assim não tenho escolha.
Vou até o fundo da sala e sento me perto do Nara que abre o olho minimamente, apenas para ver quem ousa atormenta-lo.
— Hum, pensei que não iria vir. – Ele retorna a fechar os olhos e apoia as mãos na cabeça. Eu também não, pensei que não viria depois do ataque neurótico do papai do coração, apenas porque cheguei tarde em casa.
— Pois é, eventualidades acontecem. – Escoro na parede e ele sorri por um instante. Pelo jeito ele não está nem aí para o que aconteceu e com razão, afinal não aconteceu nada entre nós.
— Vem aqui o que houve? Ataque de consciência? – Novamente abre os olhos com lentidão, acho que não está afim de conversar.
— Pelo jeito. – Refiro me a atitude do pessoal e o que recebo como resposta é isso. Mordo meu lábio inferior, é não está afim de conversar. Levanto e vou sentar em outro canto quando TenTen resolve entrar pela porta envergonhada. E quando coloca seus olhos sobre mim vem em minha direção.
— Temari aqui está sua apostila. – Ela me entrega e não consigo nem dizer obrigada, pelo jeito seu dia não está sendo fácil. Folheio a apostila de conteúdo referente ao grupo de música sem interesse. Aí, péssima ideia vir aqui, porém ainda bem que vim, senão eu alimentaria este interesse em ascensão pelo vegetal. E pelo modo que se comportou presumo que não seja a melhor coisa a ser feita. Razão, bendita razão, adoro por ser majoritária e os sentimentos desenfreados que fiquem em segundo plano, não estou afim de pagar de idiota.
Sasuke Povs.
Realmente o mundo da voltas, mas estou começando a achar que o meu parou. Ao certo deve ter quebrado alguma engrenagem justo na figura feminina conhecida como Sakura.
Tenho que admitir que ela impressionou hoje na aula de Arte e por um milésimo de segundo cheguei a pensar que ela não é tão detestável assim, porém ela provou que estou errado no momento de explicar a diferença entre o nascer e morrer do sol.
Tinha que provocar, disto apenas consegui apreender mais uma coisa sobre ela: presta atenção nas coisas que os outros dizem, incluindo eu. Não que isto importe, está observação é inútil, feito ela.
Contudo a análise da fotografia fez um pingo de admiração brotar por segundos. Realmente ela parecia ter lido a minha intepretação, mas sobre o papel do sol e do brilho do orvalho quase invisível eu não esperava. Nunca ninguém tinha feito algo semelhante, nem mesmo Ino, a qual foi a pessoa que cedeu mais atenção não conseguiu chegar nem perto da interpretação da Haruno.
E agora ela está lá, concentrada em sua folha de papel como se fosse a coisa mais importante do mundo. Realmente todos estão cedendo ao projeto, faço o mesmo, porém não sei se vou suportar. Juro que pensei que está fase final do colégio iria ser rápida e sem complicações. Contudo o tempo não passa e eu estou aqui, com pessoas que nunca tinha falado anteriormente.
— Eu acho que a maioria do solo poderia ser da Ino. – A Hyuuga comenta baixo e como se tivesse dito estas palavras para Naruto já que direciona o olhar para ele. Deve ter feito algo ou não. Não dá para saber o que acontece com as garotas.
Mesmo depois do episódio bar ninguém parece estar afim de fazer amizades, eu garanto minha parte. Talvez eu devesse repensar melhor, Naruto e os outros não são ruins assim, mas ela, nem mesmo amizade. Coleguismos já é o suficiente. Fito novamente a partitura, de tanto olhar praticamente a decorei, porém melhor assim do que ficar encarando este pessoal.
Não parece ser o único a querer se mandar daqui, Temari bate o pé impaciente contra o chão. É não está fácil para ninguém. Alguns largam as folhas em qualquer lugar ficando sem fazer nada, feito Shikamaru que deve estar dormindo.
Sakura Povs
O dia que não tem fim, eu só quero dormir. Este negócio está uma chatice, onde estão as pessoas rebeldes deste grupo? Cadê as rebeliões e a frase que marcou o movimento em suas horas de ouro: Eu não vou participar disto.
É, pelo visto se foram e me deixaram aqui, com estas meninas que não param de falar. Depois de meia hora lendo e relendo, dividindo e decidindo eu resolvo parar e vejo que não sou a única. Sasuke dedilha um violão com calma.
Tenho que admitir que ele é um rapaz de talentos. Quem diria hein? Com certeza eu não, mas estou sendo presenteada com a infelicidade de presenciar. Alguns parecem cansados ou entediados, pertenço aos dois grupos.
— Acho que podemos ir embora. – TenTen em pé próxima a porta diz, concordo perfeitamente e acho que ninguém vai discordar.
— Falta apenas meia hora, vamos esperar o horário acabar. Não quero que Tsunade reclame. – Sasuke diz. Oh, quem é você e o que fizeram com o irritadinho? É, pensando bem ele tem razão. Neji entra pela porta aparentemente soltando raios pelos olhos, o que será que aconteceu? Coisa boa não deve ter sido. TenTen cede passagem rapidamente, olha ele é um grosseirão, mas acho que não iria passar em cima de você.
Ele senta e eu espero ele me chamar para ir embora, mas não escuto nada além de Ino estalando seus dedos. Faço sinal com a cabeça mostrando a porta, mas ele nem atribui importância. Que ensaio bom, se fosse um templo de meditação não estaria assim.
— Qual é gente? Vamos tocar alguma coisa. – Naruto levanta do chão determinado a tocar algo, porém enxergar o acenar negativo dos garotos e retorna a deitar. Sasuke suspira vencido por algo que desconheço.
— Vai, toma aí e toca alguma coisa para o tempo passar. – Estende o violão para Neji que faz uma expressão de tanto faz e desvia seu olhar rapidamente para TenTen. Hum, que suspeito.
— Está bem, que ouvir o que donzela? – Cutuca Sasuke com o cotovelo que faz um sinal de tanto faz. Ele fica em silêncio e provavelmente pensa em algo. Quando olho para o lado vejo Ino deitada na perna da Hyuuga, aí eu também queria um travesseiro fofinho. Que intimidade, enfim todo mundo doído neste lugar.
O violão começa com seu som incrivelmente belo, fecho meus olhos após encostar na parede, se a melodia prosseguir assim irei dormir. Escuto a voz de Neji acompanhar o ritmo e apenas ela e o violão dizem algo no local.
Dizer eu te amo
Não são as palavras que quero ouvir de você
Não é que eu não queira
Que você diga, mas se ao menos você soubesse
Como poderia ser fácil me mostrar que você sente
Meus olhos abrem automaticamente quando escuto a segunda voz. Sasuke acompanha perfeitamente o som. Seria fascinante se não fosse ele. Os dois parecem tão apaixonados cantando isso, mas não passam de cretinos.
Mais do que palavras é tudo que você tem que fazer para
Torna real
Então, você não precisaria dizer que me ama
Pois eu já saberia
Está música é maravilhosa, Neji retorna a cantar sozinho e levanta levemente o rosto para olhar as expressões de seus colegas de equipe. Acho que ele foi subestimado pelos outros também. Mal cesso de olhar para Neji e Sasuke retorna em meu campo de visão.
O que você faria se meu coração fosse partido em dois?
Mais do que palavras para mostrar o que você sente
Que seu amor por mim é real
O que você diria se eu jogasse essas palavras fora?
Depois você não poderia tornar as coisas novas
Só dizendo eu te amo
O que você faria se meu coração fosse partido em dois? O que Sasuke faria? Arrependo rapidamente de pensar nisto. Chega ser absurdo de tão ridículo.
La di da, la di da
Mais do que palavras
La di da, la di, da
Agora que tentei conversar com você e te fazer entender
Tudo o que você tem que fazer é fechar os olhos e estender
As mãos
Os dois parecem ter ensaiado está música diversas vezes. Agora que tentei conversar com você e te fazer entender, acho que está parte foi para alguém. Entender, é isso o que eles não conseguem. Gaara sentando na cadeira de braços cruzados, como se eles fossem uma fortaleza e a ameaça fosse a música de letra estonteantemente apaixonada.
Para me tocar, me abraçar, não me deixar partir jamais
Mais do que palavras é tudo o que você tem que mostrar
Então, você não precisaria dizer que me ama
Pois eu já saberia
Eu queria um amor assim, onde não fosse necessárias palavras. Apenas o olhar diria tudo, explicaria tudo e faria o outro entender. Mas amor não existe bem, o que existe é paixão, sentimentos passageiros.
O que você faria se meu coração fosse partido em dois?
Mais do que palavras para mostrar o que você sente
Que seu amor por mim é real
O que você diria se seu jogasse essas palavras fora?
Depois você não poderia tornar as coisas novas
Só dizendo eu te amo
Feito o olhar dele, negro e intenso, entretanto é impossível enxergar qualquer coisa neles, como se não tivesse nada lá. Neji finaliza a música que mais parece uma declaração de amor depois de uma enorme confusão. Mais não caberia explicações, verdades absolutas, os motivos, por que no final são apenas palavras. E o amor, se é que ele existe, é mais do que isso, mais do que palavras.
Hinata me cutuca levemente fazendo meu olhar deslocar da figura do Uchiha, aí acho que pisei na bola. E agora as conclusões precipitadas surgiram, tenho certeza. Será que realmente um Eu te amo não resolveria tudo? Afinal a maior loucura é se expor, perder a razão por alguém e no fechamento das contas descobrir que não significou nada.
Hinata Povs
O que você faria se meu coração fosse partido em dois? De certa forma tenho a resposta para esta pergunta, meu coração já foi partido em dois e ele me defendeu. Eu estava certa. Certa sobre o medo das famosas borboletas no estômago, elas aparecem quando coloquei meus olhos sobre ele.
E no momento que Naruto sentou se ao meu lado, todas elas, as borboletas resolvem bater as asas. E como apenas uma brisa gelada as fizessem parar meu interior gelou se por inteiro quando o seu costumeiro sorriso brotou nos lábios.
Acho que isso não é um bom sinal. Talvez eu esteja equivocada, talvez trate apenas de um mal estar. Talvez, talvez e talvez!
São tantos que me fazem ficar irritada e agora estou aqui, juntando minhas coisas com receio de observar seu pequeno escândalo. Eu nunca fui boa nestes negócios do coração, nesta matéria eu reprovo e feio. Essa música foi linda, mas admito que se eu não tivesse ouvido estaria melhor, senti a solidão.
Com dezessete anos a maioria das garotas já tiveram no mínimo um namorado. E eu mal cheguei perto dos lábios de um. Acho que tem algo errado comigo e não com eles como diz a Nane. Mas opinião de mãe não conta.
Pense como o papai e largue de besteiras. Essa ilusão de sentimento puro e verdadeiro é apenas para filmes dos anos 60.
Minha reflexão se vai e Naruto já não está mais no local, foi embora e nem se despediu ou fui eu que não ouvi pensando em bobagens. Retiro me em silêncio as pessoas restantes estão concentradas demais para que eu tire sua concentração no ato de me despedir.
Meus passos são os únicos no corredor, até ver a equipe de líderes de torcida subindo para o segundo andar. Parece que vai ter jogo e elas estão ensaiando em dobro. Vou em direção contraria, não quero ver nenhuma nem que seja pintada de ouro.
O vento bagunça meu cabelo, o clima anda meu louco, mas quem sou eu para julga-lo. Apresso o passo, afinal Dimas me aguarda em frente ao portão. Viro para o lado antes de entrar no carro somente para ver um gatinho de rua passar correndo e me deparo com a seguinte cena.
Sobre o capô do carro está a loira com o uniforme das líderes de torcida aos risos e entre suas pernas está o loiro mais radiante que conheci também sorrindo. Os dois parecem felizes, sinto algo remexer em meu peito. Não porque estou apaixonada por ele, mas sim por acreditar que poderia ser párea contra Shion.
— Senhorita, quando quiser. – O motorista me arranca de meus devaneios e indica a porta do carro já aberta. Observo por mais um instante a cena decorrente, e novamente como nos filmes o beijo está preste a ocorrer.
Entro no carro e não aguardo a cena, prefiro não ver. Talvez ter presenciado isso seja bom, afinal ninguém pode viver de ilusões. Ah! E lá me vem o maldito talvez. É, absolutamente incerteza é o mal do século.
Shikamaru Povs.
Tentar alcança-la no corredor está sendo uma tarefa difícil, mas nada que um esforço não resolva. Admito eu pensei que eu estava seguro de mim, depois de passar um bom tempo refletindo sobre o que aconteceu, por que aconteceu alguma coisa. E tentar definir se devo ou não esquecer. Enfim decidi que deveria deixar para lá, afinal a culpa é sempre da bebida e eu, um cara que não sou muito bom nestas coisas de romantismos e estes trecos sobre o coração, fiquei no mínimo receoso. Receoso de levar um fora, do que parece, ser a única garota que me interessei dos tempos para cá.
Entretanto depois da linda música que preferia não ter escutado, senti a necessidade súbita de falar qualquer coisa com ela. Na verdade, queria receber outro beijo, mas depois da maneira que me comportei durante o ensaio o máximo que vou conseguir serão palavras, e bem rusticas e talvez hostis. Vou descobrir agora.
— Por que tanta pressa? – O movimento que faz com a cabeça para fulminar me faz seus cachos balançarem. Entretanto os olhos furiosos que pensei que encontraria não existem. Pelo jeito Temari é bem resolvida consigo mesma.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Oi, o que devo a honra vegetal? – Ela mal termina e aperta o passo. Equivoquei me, acho que não é tão resolvida do modo que pensei.
— Vegetal? E assim que me chama nas horas vagas? – Seu sorriso sarcástico aparece. Estou começando a achar que foi uma péssima ideia está explosão de consciência e sentimentalismo. Bem problemático. Ela morde o lábio e cessa seus passos apenas para encarar me.
— Sim, mas não nas horas vagas, é o tempo inteiro. E quando refiro ao tempo inteiro é mesmo. – Ela dá-me as costas. Entendi a indireta, será que errei em te deixar em casa quase sã e salva, vestida e sem arrependimentos? Estou começando a achar que sim.
Seguro levemente em seu braço esquerdo apenas para ela parar de andar com passos largos e minha intervenção funciona.
— Está dizendo que sou um cara sem iniciativa? Senti me ofendido. – Coloco a mão no peito fingindo estar magoado, porém este gesto não a fez sorrir como as outras garotas, não funcionou.
— Se serviu, então vista. – Seus passos retornam, pensei que Temari fosse um pouco mais controlada ou é apenas a tensão no momento que a deixa a sim e a pouco importância que estou cedendo a suas, vamos dizer ofensas.
— E posso saber o motivo de tanta fúria? Um dia ruim ou um cara vegetal demais? – Retiro a mãos do bolso, apenas para garantir, não que eu leve tapas com frequência, mas nunca se sabe.
— Hum, acho que já tem a resposta. – Pelo modo ela não está pouco se importando com o que diz, também não cabeira, afinal não faço o tipo de fofoqueiro. Lembro novamente do seu beijo, do seu corpo sobre o meu. E aquela apontada aparece novamente. Minha razão fez acabar com qualquer chance com ela. Maldito momento em que não cedi atenção.
Seguro novamente em seu braço e ela olha torto, sua irritação chega a ser palpável. Contudo não a solto com a primeira vez e a expressão séria congelada de seu rosto perde espaço para a de surpresa quando sem sua permissão e consciência a encosto na parede levemente.
— Sabe Temari, estudos dizem que quando uma pessoa fica irritada do nada ou é falta de algo ou alguém. E eu acho que sei o que causa essa irritação. – Bom, o que vier é lucro. Sua estatura é similar a minha, até mesmo nisto ela acerta. Aproximo me devagar dos seus lábios, afinal não estou afim de roubar beijo de ninguém. Só vai acontecer se ela quiser.
Seus olhos são ainda mais vibrantes de perto, mas deixo de observa-los quando sinto a macies da sua boca quente, calor similar a de seu corpo colado ao meu. Ela foi tão rápida que nem mesmo vi quando arrancou meu palito de brincar da boca.
O mordiscar no meu lábio inferior feito por ela aparece para que possa respirar com o afastamento dos nossos lábios, mas eu desejo tanto continuar com está atividade complementar que não cedo espaço a prensando mais contra a parede. A intensidade aumenta e outro desejo começa a surgir. Sua cintura definida parece ser frágil para o tanto de força que coloco sobre ela.
O ar me falta infelizmente, retiro uma mão da sua cintura e levo para seu pescoço depositando logo em seguida na nuca, entrelaço meus dedos em seus fios e puxo gentilmente para não machucar fazendo ela soltar meus lábios.
Abro meus olhos antes que ela faça e percebo que realmente estamos juntos demais, seu peito sobe rapidamente e sua regata cinza está torta deixando uma pequena parte de seus seios a mostra apenas o sutiã vinho impossibilita qualquer visão.
— Então, acho que realmente falta iniciativa da minha parte. – Digo fazendo ela recordar que quem começou o beijo foi ela. Abre os olhos, retira a mão dos meus ombros e coloca em meu colete empurrando sem força, apenas para que eu entenda que solicita espaço.
Me afasto como pedido enquanto ela limpa o batom fora dos seus lábios. Gesto que me faz fazer o mesmo. Ela bate na roupa, arruma os cabelos e abre um pequeno sorriso.
— É, para sua primeira tentativa, não foi tão ruim. Aguardamos as próximas, Nara. – Ela arruma a mochila no ombro esquerdo, aperta meu queixo como da primeira vez e me larga sozinho no corredor. Passo a mão no pescoço, ainda posso sentir o gosto do seu beijo.
Temari não parece ser uma garota que se apega fácil. Mas parece existir uma certa reciprocidade entre nós. Eu não sei o que ela pretende, mas se for para ter o que acabei de receber, topo tudo o que ela quiser. Ou quase tudo.
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