Golden Years
4 Folhas
Notas iniciais
— Passe me o alicate. — Falou com a maior concentração possível no momento, nós já estamos a horas naquela operação.
— Não corte o fio de bombeamento, isso pode afoga-lo. — Me ordenou pela segunda vez, era sempre assim e eu apenas o obedecia, não que eu não gostasse de receber ordens, afinal eu sabia o que estava fazendo e ele não precisava ficar falando como seu eu fosse uma novata.
— Falta pouco, conecte o fio de ignição. — Direcionei um olhar reprovador para ele, mas ele não pode ver já que sua concentração está voltada no que faz. Suspiro e conecto o fio, neste momento apenas escuto o ronco do motor atingindo o meu ouvido, meu pai provavelmente sorri e finalmente tira o rosto do motor.
— Boa Tenten, continue assim que iremos terminar todos os pedidos antes da hora.
— Pai eu posso concertar um carro sozinha. — Fiz um bico e ele sorriu ainda mais, tentou limpar as mãos com graxa e veio em minha direção.
— Vamos você deve estar cansada, já que mal chegou da escola e desceu para a oficina. — Passou a mão pelos meus ombros e seguimos para o segundo andar. Minha casa não era aquelas coisas como as que ficam na Avenida Europa, mas eu adorava ela do jeito que é. Não muito grande, uma pintura bonita somada com simplicidade e simpatia. É assim a maioria das casas do meu bairro, Vila nova, que de nova não tem nada. As casas todas similares, mas com histórias diferentes. A minha uma casa de parede amarela e com uma nova moradora desde que a mãe desta faleceu e a partir de então ela teve que morar com o seu pai em outra cidade, na cidade de Konoha. Faz um ano que resido nesta casa, neste bairro, nesta cidade calma.
Não que eu não goste de onde vim as coisas não eram muitos diferentes, nem o fato de encherem meu saco por causa de meio jeito, que identificam-se com as masculinidades, não me importo muito acho que já me acostumei. Estudo na Lions e é nesta escola que sou motivo de piada. Não tenho amigos lá, e olhe que já faz um ano que estudo nesta instituição particular, resumindo todos são filhos de pessoas ricas é claro excluindo os bolsistas, julgo eu que também me encaixo neste requisito, como mais alguns alunos, e não pense que não pagamos por isso, pelo menos não a mensalidade, francamente não consigo achar nada lógico ou engraçado em humilhar alguém por este não ter dinheiro, e bom é isso que alguns alunos da Lions fazem, mas ainda guardo o sonho de que um bolsista se revele contra o sistema e soque a cara de um dos opressores e de preferência que este seja da minha sala, para que, eu possa ver de camarote.
Essa era a minha rotina, Vila nova não é perto do Lions, na verdade se localiza em uma raio bem distante do outro lado da cidade. Volto andando para casa, mas tem dias que venho correndo feito o Flash, na verdade tento, mas que sabe um dia eu consiga.
— Filha preste atenção ou irá cortar o dedo com a faca. — Escuto meu pai me repreender da mesa, aposto que ele percebeu a viajem mental que fiz pelo sorriso tonto nos lábios. Tomate, eu gosto de tomate, mas com sangue não fica muito bom. Bem que meu pai me alertou, porém foi tarde demais, cortei meu dedo novamente, que droga!
Largo a faca em cima da tabua e levo o dedo levemente cortado até a boca, apoio uma mão na cintura enquanto literalmente chupo meu próprio dedo olhando pela janela. O dia está encantador, o frio está cedendo ao calor e isso é ótimo, pelo menos para minha pessoa que odeia frio. O céu já está azul e uns pássaros rascam o céu brincando. Hoje entrou um aluno novo na classe, tomara que este seja bolsista, pois tem perfil de violento semelhante aos garotos do bairro, porém não creio que ele seja pobre, pelo contrário. Além disso ocorreu um fato estranho, a tal de Karin namorando o Sasuke, na verdade isso não é estranho, estranho é ele assumir um relacionamento com a ruiva sendo que até pouco tempo atrás namorava uma loira, creio eu que o nome dela é Ino que não estava na classe, de certo deve estar em outra turma.
— Querida estou indo tomar um banho, hoje irei jantar com a Rosanna. — Meu pai me tirou de meus devaneios meio encabulado passando a mão na nuca esperando minha manifestação sobre seu encontro.
— Então esfregue bem a mãos para sair os resquícios de graxa, divirta-se pai. — Seus olhos castanhos igualmente aos meus exibem um brilho surreal, apenas fez sinal positivo com a cabeça e saiu da cozinha. Rosanna era uma mulher linda e simpática, nunca tive problemas com ela, nem quando minha mãe faleceu, afinal não tinha motivo para implicar com a namorada de meu pai, ele e minha mãe eram separados. Chego até agradece-la por estar na vida de meu pai. Já está entardecendo, olho para o relógio em cima da porta e confirmo minha tese, são seis horas da tarde e eu nem terminei meu lanche, um desastre completo.
Naruto povs
Nunca adorei o teto branco de meu quarto como agora, ele está lá, branco e inalterável até que alguém tente altera-lo, mas quem estaria disposto a essa ação? Ninguém, pois pra que alterar algo que já está bom?
Adoraria que eu pudesse comparar o relacionamento de meus pais com o teto branco de meu quarto, seria ótimo ver os dois novamente como o teto. Inalterável e sem disposição alguma para ser alterado por alguém ou por eles próprios. Se é que isso é possível.
Estão mergulhados no processo de separação que nem notaram a minha falta do colégio hoje, afinal era o que eles mais cobravam de seu único filho, digo eu, que fosse para escola. E agora olhe só para mim, estou aqui jogado na minha cama fitando este maldito teto sem animo algum. Não pensei que realmente fosse sério o papo de divórcio entre os dois, eles dificilmente brigavam e não compreendo o motivo das brigas recentes e diárias. Pensei que isso não me afetaria, pelo menos não deste modo, deste jeito profundo e doloroso, até parece que um está tentando matar o outro, mas o único atingido pelo tiros sou eu e eles não parecem perceber ou não se importam.
A posição já está desconfortável e a visão também, viro de lado e analiso o chão de madeira, liso e bem encerado que me faz cair todas vezes que entro correndo no meu quarto, geralmente para pegar minha bola de futebol e sair em direção do bairro Vila Nova, do outro lado da cidade, para jogar bola com a garotada da minha idade já que os dos meus bairros não prestam nem para isso. Acho que eu deveria morar naquele bairro com meus pais, quem sabe eles não precisam de novos ares e de menos fofocas geradas pela gente do Europa. Adoro minha cidade, sou natural de Konoha, mas de um tempo para cá tudo ficou cinza, como se a separação de meus pais deixasse minha vida sem graça, mas julgo eu que é o fato de minha idade, pois quando se é criança não existe tempo ruim, na verdade mal podem esperar a chuva para pular nas poças de água. Escuto a porta bater, deve ser uns dos dois, mas confirmo meu erro quando vejo os saltos altos. Não sei para que ela usa isso, diz ela que é para ficar mais alta e me alcançar sem dificuldades. Não disse nada e invadiu meu quarto castigando o chão com seus saltos pretos.
— Naruto você está bem? por que não foi para a aula? — Não sei o que mais me irrita, o fato de suas perguntas excessivas ou a falta de preocupação nelas. Senta em minha cama e passa a mão em meus cabelos. Shion é minha namorada já faz sete meses, desde que transamos em uma festa e eu me comprometi em um relacionamento, já que ela me afirmou ser virgem e me amava, não sou malandro e muito menos filho da mãe então firmei o namoro com ela. No início foi difícil, mas depois acabei me acomodando nesta situação, ela me dava o que eu queria e eu o que ela desejava. Eu sou popular no Lions, não por ser rico ou gostosão tipo o Uchiha metido, mas sim, creio eu por ser simpático com todo mundo e Shion necessitava de alguém para retornar a a andar com sua gangue de metidas depois de um certo incidente ocorrido que a envolveu. Eu não me importo com os boatos, na verdade eles já desapareceram, sempre tem algo novo ocorrendo na escola que atravessam seus muros e ficam pairando nos ares da cidades até todos saberem da bomba do momento. Quando Shion foi pega beijando outra menina no vestuário não foi diferente, então ela necessitou achar um cara que estivesse disposto a ficar com ela para comprovar sua orientação sexual, não sabia disto quando comecei a namora-la, apenas obtive conhecimento do assunto após uns meses de namoro.
Mal esperou a minha resposta e começa a falar em meus ouvidos sobre o retorno das aulas, sobre as roupas utilizadas ou os alunos novos. Depois de alguns segundos minha atenção já está no teto novamente e ela não parece perbecer isso e continua a falar, se não fosse pelo sexo, a única coisa que me prende a ela, eu já tinha posto um fim nesta babaquice. Seu corte de cabelo é semelhante da garota Hyuuga, a franja cobrindo a testa, mas para por ai. O batom vermelho que ela usa já destaca e entrega toda sua personalidade oposta da garota tímida de cabelos azulados. Sinto o seu corpo pesar sobre o meu e noto que ela está sem blusa e sem camisa. Vejo a morder o lábio inferior desmanchando o contorno perfeito dos lábios. Vermelho, uma cor diferente, mas prefiro o branco de meu teto, ele me parece mais certo por enquanto. Então era isso o que ela queria? Sexo.
— Que isso Naruto, vai se anime, eu vim até aqui para te distrair. — Ela senta em cima de meu membro propositalmente e retira o sutiã roxo. A janela está aberta e isso deixa seus seios duros denunciando o frio que está sentindo, fito os seus olhos cheios de malícia e novamente observo seus lábios vermelhos, isso me faz lembrar de minha mãe, mais especificadamente de seus cabelos ruivos. Sinto suas mãos esfregarem meu peitoral ainda coberto pela camisa preta.
— Vamos, olhe para mim. — Percebi que novamente meus olhos estavam fixos no teto, volto minha atenção para ela antes que se aborreça e comece com seu discurso sofrido. Aproxima os seus lábios para perto dos meus, mas antes que ela consiga me beijar coloco minhas mãos em seus ombros freando sua aproximação, ela me fita com as sobrancelhas franzidas pronta para questionar minha ação, olho além dela e percebo que a noite já chegou.
— Shion, hoje não. — Apenas digo e espero pelo bombardeamento de palavras, mas resolvo continuar antes que ela comece evitando o drama.
— Fique aqui comigo, mas hoje não estou afim, você sabe a situação que está aqui em casa e não estou animado nem para isso. — Observei ela pegar o sutiã emburrada e logo após vesti-lo sem falar nada. Volto para minha análise minuciosa ao teto que agora não está tão branco devido ao entardecer.
— Você quem sabe, mas não reclame depois. — Ela me disse com a voz nervosa, coloquei minhas mãos atrás da cabeça e suspirei, não estava disposto a discutir a relação, não agora. Talvez fosse até a oportunidade de terminar, mas acho que a separação de meus pais por hora já estava de bom tamanho. Observei ela vestir a camisa fina e logo após jogar o casaco grosso por cima.
— Não vai ficar? — Perguntei e vi ela balançar a cabeça em sinal negativo, voltei a olhar o teto questionando o apoio que minha namorada tem oferecido em momento difíceis e cheguei à conclusão que não foram muitos, aliás nenhum. Talvez se fosse outra garota as coisas seriam mais facil..
— Vai rolar uma festinha dos populares lá pela 21:00 e eu não vou ficar aqui, todas meninas vão estar lá. — Me disse quando arrumava o batom vermelho que ela mesma desmanchou. Não disse nada em relação a isso, na verdade não estava me importando. Todos na escola se perguntavam por que de Shion estar namorando comigo já que somos diferentes e minha fama de simpático e legal com todo mundo acabou refletindo nela que adorou de início, mas até o momento que as pessoas que não fazem parte dos populares começarem a tentar falar com ela. Era simplesmente horrível a reação dela, eu me desculpava depois com o pessoal até quando a maioria começou a se afastar de mim quando Shion estava do meu lado, resumindo converso com poucas pessoas que aturam a Shion.
— Só não me coloque um par de chifres na cabeça. — Falei baixo, e percebi ela me olhar pelo espelho. Caminhou até a porta e colocou a mão no batente, tomou ar como se preparasse para dizer algo, notei toda sua reações pelo espelho que ficava encostado próximo a janela e reflete a porta.
— Se continuar assim, vai receber um. — Saiu batendo os malditos saltos contra a madeira, levantei me e sentei. Talvez fosse bom dar umas voltas a pé pela cidade, ir até Vila Nova e encontrar o time improvisado, bater um papo e voltar andando para casa, mas vila nova é distante e minha disposição é pouca, talvez ir na festa dos populares, mas eu não sei o endereço, fora de cogitação. Levanto eu vou para o banheiro tomar um banho para relaxar. Nada melhor do que sentir a água batendo em minha costas, apoio minha mão na parede em minha frente e mergulho a cabeça em baixo do jato de água quente, observo a água descendo pelo ralo, fecho meus olhos que começam a arder não pela água, mas sim pela minha vida que parecia estar indo junto com a água, ralo abaixo.
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O tempo está agradável, o vento não está forte, mas também não deixa as folhas quietas no chão, não estou indo em direção a festa, na verdade estou andando a esmo, sem um destino final, mas não me distanciei de casa já que estou no jardim Europa ainda, eu odeio este lugar, nós poderiamos muito bem morar eu outro lugar mais agradável do que esta droga de bairro de gente mal educada e sem um pingo de simpatia, na verdade eu nem sei quem são meus vizinhos, também não faço questão de saber. Olho a placa que revela o nome da rua, Avenida Europa, a rua com os casarões que abrigam as pessoas mais ricas da cidade, penso em retornar e pegar outra rua para minha caminhada, mas resolvo ir nesta mesmo que é sem saída, pois tem uma mansão no final da rua que ocupa um bom espaço e o terreno atrás dela é de propriedade privada. Vou observando a numeração, meu forte não são números, na verdade eu não tenho forte em matéria alguma, mas me esforço um pouco em todas. Número 243, uma da primeiras casas que revela seus donos pelo brasão feito de metal instalado na parede próximo a porta principal de entrada, os Uchihas, uma família tradicional de Konoha. O céu está estrelado ao estremo, deve ser pela poluição mínima e as luzes fracas da rua que possibilitam um vislumbre maior dos astros. Uma estrela cadente, chego a sorrir com a possibilidade tosca da realização de meu pedido, então não resolvo fazer nenhum, deixe que outra pessoa que a viu o faça, quem sabe não tenha mais sorte que eu. Retiro minhas mãos dos bolsos da calça jeans e olho a hora com dificuldade pela luz fraca da rua, me surpreendo pelo horário avançado, uma hora em trinta e sete, nem percebi o tempo voar, resolvo voltar antes mesmos de chegar no final da avenida que aparentava ser curta e volto para trás, afinal amanhã tenho que ir para a escola e ema horas desta a briga do dia já deve ter acabado.
Abaixo para amarrar o cadarço quando encontro um par de sapatilhas, olho para as pernas nuas até um pouco acima dos joelhos e logo um tecido leve e floridos as cobre, continuo a subir o olhar para saber que é a dona da sapatilhas rosa bebê e do vestido florido claro. Vejo os olhos grandes e os cabelos azulados caindo sobre a jaqueta jeans com detalhes rasgados lhe atribuindo um ar de surrado. É a Hinata, ela continua parada em minha frente com os lábios entreabertos e uma mão fechada apoiada no seu peitoral.
— Hinata não é? Boa noite. — Questiono já sabendo a resposta, mas preferi falar desta maneira já que não tinha intimidade com a moça, após amarrar o cadarço me levanto e coloco as mãos nos bolsos. Sorrio para ela e ela apenas afirma com a cabeça.
— Boa noite Naruto. — Sua voz macia invadi meus ouvidos, gostaria de questionar o que ela fazia na rua uma hora desta, mas isso não é de minha conta, aliás ela estava na rua de sua casa mesmo que esta estivesse um pouco distante. Um silêncio paira entre nós dois e eu forço um sorriso. Penso em dizer algo mas um gatinho chega e começa a se esfregar em minhas pernas, me afasto e empurro com delicadeza o bicho com a perna sem machuca-lo, vejo que ela observa cada movimento que faço, fico sem graça quando não consigo afastar o gatinho de duas cores.
— Sai bichano. — Começo a conversar com o gato como um perfeito idiota, pelo menos deve ser o que a Hyuuga pensa.
— Vem chico, saia de perto. — Ela disse chamando o gato, que julgo ser dela, ainda bem que não maltratei o bicho, não que eu faça isso, mas vai saber o que as pessoas pensam.
— Então até mais Hinata. — Esfrego meus cabelos com uma mão enquanto ela pega o gato no colo.
— Tome cuidado, já esta tarde. — Digo para ela que está de costa devido minha ultrapassagem.
— Até amanhã Naruto, também tome cuidado. — Escuto sua voz um pouco distante e ouço seus passos lentos sendo calados pela distância, me viro e observo o balançar de seu andar, uma visão digna, o vento leva todo seu cabelo para um lado levantando os fios no ar enquanto seu vestido marca sua silhueta devido ao tecido que se agarra e seu corpo por causa do vento, enquanto o gatinho com a cabeça em seu ombro me olha curioso, ela não olha para trás e resolvo ficar parado até que ela abra o portão imenso de sua casa, não que eu esteja preocupado, mas não quero sentir culpa ao pegar o jornal da manhã e ver na primeira página em letras garrafais anunciando uma tragédia com a primogênita dos Hyuugas. Ela abre o portão menor e entra, percebo que ela olha em minha direção, mas não consegue me ver já que estou escorado no poste numa distância grande. Depois de um tempo consigo ver a luz do andar de cima acender de certo é o quarto da garota.
Apresso o meu passo para voltar para casa, me distraio com uma facilidade absurda é tanta coisa para pensar, para resolver e eu não consigo fazer nada, nem pelo menos acompanhar uma colega de classe, um total fracasso. Mas uma coisa tenho certeza, amanhã é outro dia e minhas obrigações não vão parar por que minha vida está um saco. Amanhã é terça e tem aula.
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