Golden Years
5 Corações
Notas iniciais
Eu já disse como amo meu despertador? Provavelmente não, porque eu odeio meu despertador. Terça feira, mais especificadamente terça –feira as seis da manhã. Está certo que todo mundo tem suas obrigações mas colocar este horário para estudar é sacanagem. Não que eu não goste de estudar, não é isso, porém acho que meu desempenho seria melhor se o processo de aprendizagem ocorresse em outro horário.
Saio de meu quarto trajada com minha roupa do dia, nada demais algo normal. O corredor não é longo, pelo menos não até o quarto do meu querido irmão.
— Gaara, já está no horário. – Bato levemente na porta e espero a resposta, esta que não vem. Bato novamente e espero com paciência e nada. Abro a porta com cautela, pois Gaara não é muito amável, ainda mais de manhã. Para minha surpresa não encontro ninguém no quarto e muito menos escuto o barulho do chuveiro indicando sua ausência total no andar de cima. Fito o relógio na parede fazendo aquele costumeiro tic tac irritante e percebo que meu tempo se foi. Desisto de acha-lo e junto minhas coisas descendo escada e saindo pela porta feito uma louca.
Seis e meia, enfim não estou tão atrasada como pensei. Já estou na saída da bairro onde moro e mais umas esquinas e chego na Lions. Eu gosto da escola, não tenho nada contra o pessoal que estuda nela. Até meu irmão se habituou a ela, está bem que ele só foi um dia, porém não se envolveu em nenhuma encrenca e isso já é um avanço. Turma da minha classe não é da piores, mas também fica não fica a desejar. Como dizer, tem uns elementos que poderiam ir para Marte, mas o restante só poderia mudar de escola. O tempo está agradável, reparando nesta coisas e pensando sobre outras nem me dei conta de que já me encontro em frente do portão. Já deve ser o horário das aulas pois a aglomeração já está frenética em frente ao portão. Não sei porque eles não entram quando chegam, esperam o maldito alarme soar para entrar nas salas. Parece até prisão. Costumo a reparar nas ações da pessoas, gosto de analisar seus comportamentos, seus movimentos e seus comportamentos físicos. Eles nós dizem muitas coisas sobre as pessoas, é claro sem sua permissão. Ando pelo corredor e chego em frente da minha sala, entro sem dizer nada, por sorte o professor seja lá quem for não está na classe. Sento em minha carteira habitual e me surpreendo quando olho para trás e vejo a cabeleira ruiva espalhada sobre a carteira. Idiota, eu perdi meu tempo procurando você. Agora vou fazer o que gosto, analisar as pessoas. A sala está quase vazia então até todos os lugares serem preenchidos vai entrar muita gente pela porta.
Abro meu livro e coloco ele próximo ao rosto, só para as pessoas não perceberem que estou olhando para elas. E lá vem o galã do ano, Sasuke, sempre com a expressão séria e fechada, passos firmes, procura alguém com os olhos pela sala porém não posso ver quem é já que me sento nas primeiras carteiras. Mas com certeza não é sua namorada, pois quando está se pendurou em seu pescoço a cara de desprezo foi visível, pelo menos para quem está observando. Seguiram para o fundo da sala. Deixo os dois de lado e sigo para o meu próximo alvo que atende... ops! Este eu não conheço. Cabelos compridos e de expressão fechada, por raios todos garotos desta classe tem cara emburrada. Vejo que me precipitei quando chega o meu próximo alvo. Shikamaru, feições leves e preguiçosas. Isso não é novidade, ele sempre está assim, até mesmo nos dias de avaliações finais. Segue para sua carteira logo atrás da minha. O professor chega e nem metade da classe está na sala. Estranho, ainda mais quando o professor atende pelo nome de Kakashi. Vou pegar meu colete salva vidas porque depois desta é o fim do mundo. Kakashi chegando cedo assim, pode crer que é sinal de desastre.
— Bom dia alunos. Vejo que a maioria ainda não chegou, vamos aguardar uns minutos se for necessário. – Aposto que se minha pessoa estivesse incluída no bando dos atrasados ele não teria a mesma postura.
— Com licença professor, me desculpe pelo atraso. – Minha atenção é desviada para porta quando escuto leves toques na mesma. Não é nada de extraordinário, é somente Hinata solicitando a permissão do professor, na verdade tem algo extraordinário, este algo é o fato de Hyuuga Hinata estar atrasada. É hoje que o mundo acaba. De cabeça levemente abaixada com a franja cobrindo a testa, segurando firmemente o caderno e pressionando contra o peito, sinal de insegurança. Sem dúvida um poço de timidez.
— É claro senhoria Hinata. – Kakashi permitiu gentilmente a entrada da mocinha na sala que foi diretamente para sua carteira. Concordo com sua decisão, não poderia ser diferente, mandar Hinata ir para direção por uns simples atraso seria por maldade. Se fosse o Sasuke eu apoiaria. Não tenho nada contra ele, na verdade só falta empatia. E lá vem a campeã do ano em atrasos, Sakura. A expressão de ser pega no atraso dela é demais, mas nada supera a cara que ela faz quando Kakashi chega na classe primeiro que ela. Se cabelo curto está molhado como sempre, suas sobrancelhas se juntam quando ela passa os olhos sobre os alunos presente na sala. Minha curiosidade é maior e rapidamente sigo seus olhos que param em cima do rapaz novo, um olhar de surpresa.
— Senhoria Haruno, não vai dizer nada? – Kakashi me retira da observação e Sakura de seus devaneios. Vejo ela simular um sorriso e ajeitar a mochila no ombro e depois morder o lábio inferior.
— É aluno novo? – Não consigo segurar o sorriso depois desta, é sem dúvida ela sabe se virar. Kakashi passa os olhos sobre a sala e localiza o alvo de quem Sakura mencionou.
— Entre Sakura. Já o notei senhorita e hoje é a última vez que tolero seu atraso. – A atenção de todos voltou para o garoto novo que se sentou ao lado do esquentado do Gaara.
— Com licença Naruto, mas não vai entrar? – Escuto uma voz baixa vindo de fora da sala e a atenção de todos volta novamente para a porta. E lá está ele, o aluno mais radiante e gente boa da Lions, Naruto e logo atrás dele Tenten.
— Professor com licença, podemos entrar? – Pergunta um pouco sério e sem seu costumeiro sorriso fixado no rosto como quando ele se atrasa. Não fui a única a perceber a falta deste acessório natural que cai como uma luva no loiro, a Hyuuga também notou, pelo menos foi isto que sua expressão demostrou.
— Podem sim e por favor tente não chegarem mais atrasados ok? – Somente vimos dois acenos com a cabeça em sinal positivo. Tenten se sentou como de costume sem falar um A, ação igualmente de Naruto que não deu o seu “Bom dia pessoal” ou “Como vai galera?” Somente se sentou e retirou o material da mochila detonada pelo tempo de uso. Logo depois chegou a namorada, Shion que simplesmente entrou na sala após a permissão cedida pelo professor sem questionamentos.
— Bom não podemos esperar mais ninguém, chegaram todos não é pessoal? – Kakashi pergunta para sala que não responde e fecha a porta para dar início aos trabalhos. Fecho meu livro e pego os materiais necessários para a aula.
— Bom continuaremos de onde paramos ontem, ou seja, na matéria de matemática. – Ouve uns murmúrios em protestos, fazendo o professor rir. O som de mãos batendo na porta chama a atenção do professor que larga o giz e vai abrir a porta. Neste momento todos os alunos devem estar olhando para a aporta mortos de curiosidade, incluindo eu.
— Bom dia senhorita Yamanaka, perdeu a noção de tempo? – Kakashi sendo gentil como sempre. – Entre e sente-se, a aula já começou. — Podemos ver de quem se tratava quando o rofessor abriu totalmente a porta. Ino Yamanaka, seus olhos azuis caiam diretamente em cima do lugar vago na classe. Sua faixa vermelha de cabelo se destaca nos fios loiros. Noto que sua respiração está alterada e um pingo de insegurança lhe atravessa, seus punhos cerrados denunciam isso.
— Com licença professor Kakashi. – Sua voz soa firme e automaticamente olho para trás para ver a reação do Uchiha que parece imparcial a presença da sua ex-namorada na mesma classe. Meu queixo vai ao chão quando vejo a loira se sentar ao lado da Sakura que torce a face em um movimento mínimo.
— Bom agora que estão todos presentes, gostaria de se apresentar senhor aluno novo? – Kakashi retira a atenção de todos de cima de Ino e volta para o aluno novo que levanta sua cabeça da carteira devagar, vejo que ele e meu irmão estão se dando bem, Gaara não falou com ele e ele não falou com Gaara, isso resulta em uma ótima relação. Ele passa a mão no cabelo e começa a virar o anel que tem no dedo.
— Meu nome é Neji. – Simplesmente falou com bem pouca informação para a tristeza de umas moças que se animaram com a presença do aluno.
— Seja bem-vindo, espero que se habitue a está classe. Agora vamos aos exercícios. Acharemos o cateto adjacente e a hipotenusa. – Ele volta para a lousa, mas a atenção ainda está sobre o tal de Neji. Todos olham para Naruto esperando que este puxe assunto, porém este não faz nada além de copiar. A porta recebe novas batidas, anunciando a chegada de alguém.
— É pelo visto não vai reder... de novo. – O professor resmunga sobre algo da matéria e seu conteúdo já atrasado. As batidas foram substituídas por porradas e a porta se abriu.
— Com licença professor, posso interromper sua aula por um instante? – Sério que ele perguntou isso? Tsunade Senju, o que será que ela está fazendo aqui agora?
— É claro diretora, fique à vontade. – Já havia interrompido mesmo. A atenção dos alunos está toda fixada na figura loira de seios enormes em frente da turma sonolenta.
— Bom dia meus queridos! Vim informar que neste semestre será implementado as atividades complementares obrigatórias, trocando em miúdos será necessário a participação de vocês, alunos em algum grupo após o termino das aulas. Este de culinária, basquete, natação, música, artesanato, leitura entre outros. Inscrevam-se no mural.
— Isso realmente é necessário? – Fiquei completamente surpresa quando meu irmão e o aluno novo falaram ao mesmo tempo.
— Pelo visto vocês já se habituaram Gaara e Neji e sim, é necessário. Mais alguma pergunta? – Soltou a bomba e esperou explodir, a sua irritação era visível.
— E se o aluno não obtiver tempo suficiente para participar das atividades? – A voz de Ino era carregada de tédio, mas sua pergunta era de valor e interessante.
— São somente 140 horas por semestre. Se realmente não tiverem tempo, o que imagino que tenham venham até a minha sala que conversaremos. Estamos entendidos? – A sala não respondeu e os saltos da diretora batendo contra o chão foram ouvidos. Foi diretamente para a porta e ficou no meio fio.
— Espero que sim, Kakashi. – Acenou com a cabeça e saiu. Por Deus está mulher é louca e ditatorial, pelo que eu sabia não foi feito nenhuma pesquisa com os alunos para saberem se gostariamos de ter o único tempo livre para ficar na escola.
— Pelo visto o senso que a Tsunade realizou teve sua aprovação a maioria dos alunos aprovaram o projeto de inclusão das atividades complementares. – Sem dúvida o professor só pode estar de brincadeira. Ainda mais está, além de bonito é super dotado, até leu meus pensamentos.
— Como é que é? Eu não me recordo de este senso ter passado na nossa classe. – A voz estridente da Karin machuca meus ouvidos, seria pior se a pergunta fosse sem nexo, mas a resposta é de meu interesse.
— Não passou nesta classe, a diretora não achou necessário já que a maioria dos alunos aprovaram a ideia antes do projeto chegar até a classe de vocês. – Depois desta me sinto em uma ditadura onde os comunistas não são bem vindos e muito menos informados sobre algo. É o que a diretora está fazendo, mesmo que, a maioria dos alunos aprovaram as atividades dos clubes eu, quero dizer nós do terceiro F não fomos comunicados e muito menos se importaram com nossa opinião.
— Tem um simples e evidente motivo para ela não ter solicitado a opinião de vocês, que já ficou visível qual é, ou seja, vocês são a oposição de qualquer coisa que se realize nesta escola. E como alguns alunos desta classe, por motivos desconhecidos, exerce uma grande influência sobre os outros, a diretora resolveu comunicar vocês por último, simples assim. – Às vezes acho que o professor poderia ser mais direto em suas palavras, afinal porque ele fez aspas quando falou “por motivos desconhecidos exerce uma grande influência sobre os outros”? Para mim exerce sim, e por motivos bem claros e não vou pontuar nomes porque vou ficar aqui o dia inteiro, mas como é desta classe coloque como foco principal um nome: Sasuke Uchiha.
— Agora chega de moleza seus vegetais e comecem os exercícios, detalhe para entregar e bom só temos mais quarenta minutos de aula, boa sorte crianças. – Ah Kakashi, você é tão legal, simplesmente solta a bomba e senta-se na cadeira para observar a sala se ferrar. Ainda bem que não vou mal em matéria alguma, mas coitado do Naruto deve estar desesperado com a atividade para realizar em tão curto espaço de tempo. Estranho, não estranho o Kakashi passar exercício com pouco tempo para fazê-lo, mas sim o fato do Naruto não protestar por isso.
O sinal toca após os quarentas minutos sofridos de exercício, é o momento que todos, ou a maioria se levanta para entregar as folhas de exercícios e sair para o intervalo tedioso. Mas deste momento, o de entregar a folhas, se pode aproveitar algo, como por exemplo o olhar da Karin fulminando Ino que passou na sua frente e de seu boy magia. Hinata está visivelmente incomodada como a presença do Kiba lhe enchendo os ouvidos, porém mantem um sorriso visível no rosto. Levanto para entregar a minha folha quando a aglomeração se desfaz. Saio com dificuldade da minha carteira meu quadril não é na espessura de um dedo, então esbarro na carteira e cadeira sempre que vou sair, um batalha e eu quase me esborracho na carteira do lado, na outra fileira.
— Tome cuidado senão irá ser pega em flagrante. – Sabe eu não sei porque estou ouvindo frases do além, pois não lembro de ter batido com a cabeça em um bom espaço de tempo, então resolvo olhar para trás e encontro o Nara me avisando de alo que eu não sei o que é.
— Do que está falando exatamente? – Está certo que ele não deveria se meter onde não é chamado, mas minha curiosidade é maior, ainda mais tratando se de um vegetal que dorme as seis aulas seguidas.
— Estou falando do fato de você ficar analisando as expressões dos outros, contudo não tenho nada a ver com isso, então...você que sabe. – Às vezes penso que ele poderia ficar dormindo nos horários pré-aula, intervalo e pós-aula. Admito que estou surpresa e aposto que ele percebeu isso, já que seus olhos analizam cada expressão facial e corporal minha e confesso que ele já me irritou com isso. Saio de perto do infeliz e vou entregar a folha para o professor mais gato da escola que atende pelo nome de Kakashi, vou adicionar uma qualidade Gostoso, professor Kakashi o gostoso.
Olho com o canto do olho e o Shikamaru ainda permanece do mesmo jeito de uns minutos atrás, mãos no bolso e um palito no canto da boca, olhos tediosos fitando os próprios pés encostado levemente na minha carteira. Droga, espero que isso não seja estratégia deste para me infernizar ainda mais, e daí, que eu fiquei olhando a reação dos outros. O corpo fala e está ai para ler quem quer e sabe. Chego em minha mesa e junto meus materiais deixando-os sobre a mesa de forma alinhada.
— Oh! Muito obrigada, mas você tem razão eu realmente deveria parar com isso e você de se meter onde não é chamado querido. – Me viro antes que ele me diga algo e saio batendo o pé, não por estar brava, na verdade sou uma pessoa bem calma e relaxada. Já estou no corredor indo em direção ao banheiro quando vejo uma imagem dos deuses. Um nome: Itachi Uchiha, ele é do terceiro ano A, eu não sei como ele consegue ser tão gente fina, apesar de eu nunca ter conversado com ele, porém é o que as línguas dizem e onde a fumaça a fogo não é? Talvez. Vou ao banheiro, este é o curso que tracei antes de sair da sala, rapidamente para voltar a classe, para que, eu possa comer meu lanche preparado especialmente por eu mesma e quando alcanço meu objetivo de regresso não me deparo mais com a criatura encostada na parede, ao certo deve ter saído para o intervalo, como a maioria da classe.
Ino povs.
Hoje realmente superou os outros dias, não sei como conseguiu ser chato superando todos os dias das minhas férias, talvez seja pelo fato de que não tenho mais ninguém, nunca tive na verdade, mas no fundo eu esperava uma reação de Sasuke, positiva o negativa quando me visse entrando pela sala, porém não esboçou nada, simplesmente nada. Eu queria, que no mínimo que fosse ele mostrasse um afeto negativo, repulsa, qualquer coisa que fosse visível aos meus olhos.
Contudo o dia parece estar melhorando, as aulas de hoje já foram e eu não consegui abrir a boca para falar uma A que fosse com a moça que me sentei ao seu lado. Não porque eu não queria, foi pelos simples fato de que eu não consegui colocar as ideias nos lugares. Mas isso já foi, como tudo já passou e não tem como voltar no tempo para arrumar mais nada, pelo menos não ainda. Agora estou indo para casa a pé, juntando isso ao dia de tempo agradável resultada em uma caminhada favorável, as folhas passam devagar, suspensas no ar seria melhor minha observação se não precisasse chegar rápido em casa. Diferente da maioria da escola, não sou de elite, não sou rica e chego a agradecer por isso, contraditório não? Não, eu acho que as coisas poderiam ser diferentes para nós, quero dizer para eu e meu pai. Se eu fosse rica, neste momento não estaria seguindo rumo para o orfanato da cidade, porque simplesmente não saberia de sua existência, a não ser para fazer caridade no final de ano. Isso me irrita de uma maneira absurda, está certo que toda ajuda é bem-vinda, mesmo que seja para as madames aparecerem bem na fita.
Não estou longe, só mais dez minutos e chego no orfanato, que se localiza no bairro Alvorada que fica coladinho com o Vila nova que por mera coincidência ou não é o bairro onde eu moro, ou seja, sou o carinha que moro logo ali. Dobro a esquina e já consigo ver a casa de dois andares a tinta amarela desbotada atrás de portões de ferro pintados de marrom, creio eu que fosse na intenção de combinar com a tinta amarela em um tempo que já passou talvez a aparência do local fosse agradável, diferente da de hoje, porém esta realidade está próxima de mudar porque hoje iremos pintar a instituição. Chego e empurro o portão menor, mas igualmente pesado ao maior. Para algumas pessoas é estranho o fato do portão ficar encostado invés de trancado pela possível eventualidade de elas fugirem, fato que já aconteceu, uma ou duas vezes, porém tudo foi resolvido, não temos muitas crianças no orfanato neste tempo, mas já tivemos, segundo a mulher que controla o local. Hoje só são onze, um número grande, mas já foi maior. Fito o gramado aparado, sinal de que a manutenção está a todo vapor, pensei em faltar para ajudar na parte da manhã, mas meu pai s posicionou contra.
— Ino, que bom que já chegou, já começamos a pintar atrás. – A voz animada da Anko distante, mas animada, ela é um pouco difícil, porém é uma ótima pessoa, as crianças que digam.
— Já vou, sou vou tirar o meu casaco. – Me esforço para desenhar um grito no ar que provavelmente alcançou fraco até os ouvidos de Anko, pelo som alto que sai do rádio que ela adora ouvir. Subo os degraus e abro a porta, esperando encontrar as crianças, porém não vejo uma alminha sequer, simplesmente pelo fato de que elas sairão por causa da tinta e seu cheiro forte. Retiro meu casaco após me livrar da minha mochila um tanto pesada, prendo o meu cabelo de qualquer jeito e coloco o avental para não manchar minha roupa.
Observo as paredes pintadas e os movíeis afastados para não estragar a pintura certamente porque a tinta ainda está fresca já que o processo de pintura se deu início hoje. Branco, uma cor que transmite paz, mas o mesmo tempo pode trazer lembranças dolorosas, como uma tela em branco abandonada pelo artista ou um teto branco de um quarto qualquer de um hospital, semelhante a que minha mãe ficou antes de morrer, entrevada numa cama apenas fitando o quarto branco do teto com seus lindos olhos claros. Queria pode-lo ter pintado, colocado cor em um desenho mais lindo possível, só para que, ela sorrisse o mínimo que fosse.
— E ai? Já matou seu leão de hoje? – Acho que estou tão absolvida em meus pensamentos que nem me dei conta de quando ele abriu a porta e entrou. Kabuto outro voluntário no orfanato, na verdade ele está estudando para medicina e presta serviço simples para as crianças aqui, no orfanato gratuitamente, se não me engano está no seu último semestre.
— Oi, não esperava ver você hoje aqui, hoje é dia de manutenção. – Me viro e lanço um sorriso para ele e como sempre ele ajeita os óculos na face com o dedo indicador.
— Pois é, nem eu. – Esboça um sorriso pequeno e coloca as mãos no bolso, gestos típicos dele. – Mas é que eu esqueci meu cadernos de anotações e já vou me embora depois que recupera-lo.
Seriamente pensei por um momento que ele iria auxiliar na pintura, mas isso não faz mal, ele já demais.
— Então tá! Boa sorte na sua procura, pois a parede me espera, tchau Kabuto. – Digo e saio pela porta, deixando o sozinho dentro da casa. O sol me cega quando saio da varanda, não me lembro de telo visto forte como agora, olho para a direta e vejo uma cena cômica: Anko tentando trazer a lata de tinta e os pincéis ao mesmo tempo. Deixo a risada escapar e ela percebe isso já que solicita minha ajuda.
— Estou indo Major. – Bato continência em uma brincadeira simples e vou ajuda-la.
— Meu Deus, o que houve com teu cabelo? Tem um ninho de rato morando ai? – Diz se referindo ao ninho dos meu fios, porém num completo exagero, não está tão mal assim, lhe mostro a língua em resposta.
— Deste jeito o futuro recém-médico vai desistir de você. – Faz sinal para que eu olhe para trás com a cabeça, após de questionar mentalmente a sanidade dela e olho e me deparo com Kabuto nos observando, quando ele percebe que eu o vi, acena com a mão e sai a passos largos em direção ao portão. Me viro para ela e faço sinal negativo com a cabeça, coloco a tinta e a misturo, após isso encharco o rolo com tinta e aplico a primeira camada sobre a parede, lhe atribuindo uma nova tonalidade de amarelo.
— Você está cheirando muita tinta Anko, Kabuto não tem segundas intenções comigo. – Ela me ergue uma sobrancelha, talvez numa tentativa de me dizer se realmente acredito em minhas próprias palavras.
— Não tá mais aqui quem falou, mas depois não diga que eu não avisei. E afinal o que tem demais, já está na hora Ino, ele é um bom rapaz e você tem que se relacionar novamente, é o que eu acho.
— Anko não vamos falar disso tá, não hoje, que tal você ligar o rádio já que você o trouxe até aqui? – Me livro de uma grande e tediosa conversa sobre minha vida amorosa que não existe mais depois do Sasuke, não me sinto segura para tentar conhecer outro cara agora, mesmo que eu não seja apaixonada por ele.
— Ah! Eu adoro está música, ainda bem que não perdi mais esta. – Isso me causa risos, a música a qual ela ama está nas paradas de sucesso e toca a cada meia hora e ela me vem com este papo “ainda bem que não perdi mais esta”? Cada louco com sua mania e eu com a minha, meu plano para hoje é acabar a pintura, ir para casa e depois ir para o almirante da cidade ficar em paz comigo mesma. O céu está claro, não parece guardar pingos de chuvas para mais tarde, será uma ótima distração para observar as estrelas e tentar não pensar na vida, melhor nele e no que aconteceu entre nós.
— Vamos Ino, coloque força nestes braços. – Acho que não vai adiantar explicar para Anko que isso é um trabalho pesado, mas seu olhar brincalhão denuncia que ela não está falando sério, já que estou fazendo o meu melhor. Lhe mostro a língua como uma criança contrariada e após isso caímos no riso, a música que Anko adora é substituída por outra que conheço bem. A voz dela é simplesmente inconfundível.
Mulheres com certa idade
Elas aprendem a confiar e julgar todas as respostas dele
Tendo feito o papel de esposa
Ela não desperdiça tempo
Porque tudo o que ela quer é na verdade emoções honestas
Aquela que ela não consegue não mostrar
Embora eu mal sabia seu nome
Eu conheço o amor e eu sei
Eu não quero te perder
Eu não quero mesmo dizer adeus
Eu apenas quero segurar este
Amor verdadeiro
Acho que é castigo, meu considerado amor verdadeiro está com outra, não quis perde-lo realmente, Sasuke era tudo para mim e agora não é um nada. E só de pensar que jurei a mim mesma para nunca decepciona-lo e consegui, mas não posso afirmar a mesma coisa por ele. Foi bom o nosso relacionamento, porém doloroso quando se findou, mas isso não é exclusividade só minha, isso acontece em todo final seja de relacionamentos ou de amizades, mas com o fim do relacionamento entre eu e ele abriu um abismo colossal. Dizem que quando uma porta se fecha outra se abre, bom não consigo achar nenhuma porta de saída para me desligar por completo dele, deve ser porque ainda é recente o termino, mas tudo bem, para ele é claro. Vou superar, na verdade acho que estou indo bem, não liguei ou procurei-o se quer uma vez. “Eu apenas quero segurar este amor verdadeiro”.
Mulheres que tem cometidos erros
São poucas receosas
Elas não gostam de se arriscar-se
Ela jogará o jogo da espera
Ela nunca fica impressionada
Este é o plano que está em execução, não deixarei se quer um vestígio que ainda gosto dele. Muita coisa acabou em mim depois de Sasuke, a alteração em minha personalidade foi evidente, talvez na verdade eu nunca tenho sido aquela garota extrovertida, alegre e megera, acho que me descobri após do que aconteceu. Tem coisas mais importantes no mundo do que meu cabelo armado e as unhas mal feitas ou até mesmo amores verdadeiros. Olho para pintura e vejo o resultado belo, queria ser uma parede também que com uma simples camada de tinta ficasse linda novamente sem seus rabiscos.
Por aqueles avanços Varonis
Eu sei apenas acabei de te conhecer
Talvez, eu deveria conhecer melhor
Mas quando você olha para mim daquele jeito
Há algumas coisas dentro que é tão verdadeira
Eu não quero te perder
Eu não quero mesmo dizer adeus
Eu apenas quero segurar este
Amor verdadeiro, amor verdadeiro
Eu realmente não queria dizer adeus, mas foi a primeira coisa que você fez Sasuke! Me abandonou na parte mais difícil e agora finge que está tudo bem e que nunca me conheceu ou sequer derrubou meus livros no corredor como a primeira vez que conversamos. Você está tão diferente, nunca consegui ler o que se passa dentro de você, mas agora nem seus olhos gritam mais, é pelo visto você está mais morto do que eu afinal. Eu nunca quis te perder, mas você praticamente fugiu, eu também fugiria, mas como se o “problema” era comigo? Contudo nós dois vamos sorrir no final das contas, você por sair ganhando e eu perdendo, mas vou ficar feliz por você... por enquanto.
Eu não quero te perder
E eu sempre quero me sentir deste jeito
Porque toda vez que estou com você
Eu sinto amor verdadeiro, amor verdadeiro
Diga-me que você é sincero
Você não está fingindo
Vamos fazer um acordo
Porque meu coração está dependendo de você.
Toda vez que passamos tardes juntos era surreal, você era meu cavaleiro de armadura brilhante. Contudo isso agora é tão absurdo que chega a ser ridículo, como você Sasuke. Acho que você nunca foi sincero afinal das contas e eu um simples tapa buraco na sua vida.
— E não meu coração não está dependendo de você.
— O que você disse Ino? Não consegui ouvir. – A voz de Anko me puxa para realidade e me pego olhando fixamente para parede feito idiota.
— Não disse nada, você quer uma mão para levar o material de pintura para a sala de deposito? – Quando mais rápido eu demostrar normalidade menor será o questionamento desnecessário, deduzi isso pela feição interrogativa estampada no rosto de Anko com mãos na cintura.
— Não, pode ir direto para casa pois já são sete e trinta e sete. – Começou a limpar a bagunça e fez sinal para que eu me fosse embora. Certo e hora de ir para meu castelo de fortaleza impenetrável conhecido também como casa normal. Pego minhas coisas e me despido de Anko de longe. Passa alguns minutos e empurro o portão com vontade, após minha saída o fecho novamente. Quando me viro vejo a garota que me sentei do lado hoje na classe, Sakura está pedalando em uma bicicleta laranja com pressa e ela parece estar tão feliz. Segue rumo para o bairro Vila nova, pelo menos é nesta direção que ela vai a mesma que a minha. Não sabia que ela morava no mesmo bairro que eu que é uns dos bairros maiores da cidade. Começo a caminhar rápido a noite já está próxima e mesmo Konoha não sendo uma cidade perigosa não vou ficar de bobeira por ai.
Após exatamente quinze minutos de caminha enxergo a rua da minha casa, o vento fica mais forte bagunçando ainda mais meus cabelos deixando a tarefa de retira-lo do rosto para minhas mãos. Quando consigo deixá-los numa forma que não embacem minha visão escuto o som do motor de um carro ao meu lado, olho para o carro e não reconheço o seu dono.
— Quer dar uma volta gracinha? – Seu sorriso de malícia é evidente quando a luz da rua atinge seu rosto alvo. Não sei quem é, se trata de um homem mais velho que eu, faço que não com a cabeça e retorno andar com passos mais apertados. Por Deus minha casa nunca pareceu tão longe como hoje.
— Ei gracinha espera ai, estou disposto a te pagar ou vai dizer que ainda não começou o expediente? – Fecho os olhos quando escuto sua risada, não olho para trás, mas percebo que ele me segue com o carro, por Deus ele está me chamando de prostituta.
— Não está escutando não vadia? – Ele joga o carro em cima da calçada quase me acertando, por reflexo consigo desviar mais o susto foi grande resultado num grito que cesso colocando a mão na boca, ele retira a roda do carro em cima da calçada voltando para rua estranhamente deserta. Que droga, eu não acredito que não tem um ser nesta rua a está hora da noite. Vejo com o canto do olho ele sair do carro devagar, já estava preste a correr quando outro carro chega atrás do carro do homem que impede a passagem de qualquer carro já que está no meio da rua. O homem fecha a porta e ignora o automóvel atrás do seu que começa a buzinar, olho para frente e vejo a esquina da minha casa, não sei porque olho para trás e vejo o homem vir na minha direção, mas este para quando o alarme do carro dele começa a apitar, forço a visão devido a mal iluminação da rua para ver o que está acontecendo com o carro do homem e consigo. O alarme disparou pelo simples fato de que o cara do carro de trás está comum taco de beisebol amaçando a lataria do pervertido da frente. Que estrago! O homem volta para trás atribuindo toda sua atenção a seu carro. Vou me embora correndo, não quero ver mais nada e nem saber quem livrou minha pele, pois pelo visto é muito agressivo.
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