Golden Heart

5 A nova equipe


*Jennifer*

Depois de vários meses treinando quase sem parar, Will sentiu que precisava sair da torre. Ele sentia falta de andar pelas ruas, sentir o vento no rosto, ver pessoas que não conhecia e sair comigo. Ele insistiu tanto, que nós dois fomos ao mercado, comprar coisas para fazer de almoço.

Nós estávamos escolhendo o molho de tomate, quando alguém passou com o carrinho no meu calcanhar.

– Desculpa, eu não te vi! Se precisar, eu tenho band-aid.

– Tudo bem, não precisa. – Respondi tentando esconder a minha antipatia por ele.

O garoto era provavelmente dois anos mais velho do que eu. Tinha cabelo castanho claro ondulado até o pescoço e olhos verdes. Ele começou a olhar para Will, que desviou o olhar e voltou a procurar o molho de tomate.

– Eu não acredito... – Disse o garoto em um tom de surpresa. – Willian?

Will olhou para o garoto e arregalou um pouco os olhos castanhos. Obviamente, os dois já se conheciam.

– Daniel?

Pelo tom da voz de Will, ele sentia saudades de seu passado, porém ao mesmo tempo o temia. Daniel o abraçou sorrindo e o interrogatório começou:

– Caramba, como você cresceu! O que aconteceu? Como está o pessoal da vila? Que cicatriz é essa? Aquele monstro...

– Por favor – Will interrompeu – não toque nesse assunto. — Ele estava sério como no dia em que nos conhecemos – Não moro mais naquela vila e nem quero mais pensar nela. Agora eu moro com os Titãs.

Daniel olhou para ele preocupado. Pela sua expressão facial, percebi que ele desconfiava do que havia acontecido com Will antes de ele me conhecer.

– Está bem... Mas você está morando com os Titãs? Que legal! – Ele disse tentando reanimar o clima. Depois olhou para mim como se tivesse lembrado que eu estava lá. – E quem é a sua amiga?

– Ela é a Jennifer. Jen, esse é o meu amigo de infância, Daniel Velchev.

– Muito prazer. – Ele disse apertando a minha mão. – Nós temos que nos encontrar um dia, Will. Matar saudades dos velhos e bons tempos.

– Você pode ir para a torre comigo e com a Jen. Nós vamos fazer macarrão de almoço.

– Você aprendeu a cozinhar? Pelo que eu me lembre, você era péssimo com isso.

– Ele ainda é – eu disse.

– Então eu faço o almoço para vocês. – Ele disse sorrindo.

Daniel parecia o tipo de homem que não se irritava com nada e adorava fazer as outras pessoas felizes. Quando chegamos à torre, depois de ser apresentado para o resto do grupo, ele começou a fazer o almoço. Enquanto cozinhava, explicou que havia crescido em um orfanato, cuja dona era uma senhora. Ele sempre a ajudava a cozinhar, limpar o orfanato e a cuidar das crianças, porque ele era o mais velho de lá.

Ele também disse que queria muito aprender a lutar para proteger as pessoas de quem gostava, então aprendeu sozinho. Depois, durante o almoço, nós nos apresentamos ao Daniel, que falou brincando:

– Dá até para formar um novo grupo de heróis.

– E por que não? – Respondeu Robin. – Vocês estão em cinco. Todos lutam muito bem e querem ajudar as outras pessoas.

Nós nos entreolhamos hesitando a ideia.

– Kathy não quer ajudar. Ela nem queria lutar quando chegou aqui. – Eu disse, tentando impedir a formação do grupo. As únicas pessoas com quem eu me dava bem eram meus pais, que não estavam mais comigo, e Will. Os meus outros amigos eram livros.

– Na verdade, eu quero. – Ela respondeu.

– Seria legal fazer esse novo grupo de heróis. – Disse Rosie. – Eu concordo com Robin. Nós somos cinco e somos fortes. Por que não?

– Cinco? Eu estou dentro? – Perguntou Daniel.

– Claro que sim. – Disse Will brincando. – Nós precisamos de comida boa.

– A equipe vai precisar de um líder. – Disse Ciborgue. – Quem vai ser?

– Eu voto na Jen. – Respondeu Will imediatamente.

– Eu? Por quê?

– Porque o líder tem que ser muito inteligente. Não que o resto seja burro, mas você é a pessoa que tem um raciocínio lógico mais desenvolvido. Nos cinco anos que moramos nas ruas, eu pude perceber que seus planos quase nunca falham.

Todos concordaram.

– Legal, qual vai ser o nome da equipe de vocês? – Perguntou Mutano.

– Que tal... Golden Heart? – Respondeu Daniel.

– Coração dourado?

– Sim… Porque o ouro vale muito, assim como o que temos em nossos corações.

– Sangue? – Perguntou Rosie. Daniel riu e respondeu:

– Não, nossas histórias e sentimentos.

Todos concordaram com o nome. As coisas voltaram a mudar. Um dia, eu moro em casa com meus pais. Em outro dia estou morando nas ruas com Will e em outro, estou liderando uma equipe de heróis.

– Beleza, então nós somos os Golden Heart. Mas nós quase não nos conhecemos. – Disse Rosie. – Para que o grupo seja forte, precisamos confiar uns nos outros e isso só será possível se cada membro falar sobre si.

– Isso é verdade. – Disse Kathy. – A líder pode começar.

Todos olharam para mim. Fiquei com medo de diminuir a confiança que eles tinham em mim, mas era justo eles me conhecerem. Então comecei a contar a minha história.

Notas finais
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