Going Back In Time Party
18 Sobre Amar
Lisa caminhava tranquila no shopping, indo alguns metros à frente, olhando as vitrines das lojas com um olhar bem atento. Nunca visitara aquele shopping de Lima, porque jamais estivera em Lima, e nunca na vida pensara em viajar para aquele lugar. Talvez pudesse voltar para Nova Iorque, ao fim de tudo, com algumas lembranças para as amigas e para os pais, quando a viagem terminasse. Quem sabe não encontrasse alguma roupa ou comida típica da região? Só assim conseguiria tornar aquele momento uma coisa inesquecível.
Estava olhando para uma vitrine que só expunha vestidos roxos, elegantes o bastante para festas de casamento, brilhantes, permeados com lantejoulas, quando um homem parou ao seu lado, verificando os mesmos vestidos. Não achou que devesse dar atenção alguma a ele, porque já estava acostumada a ouvir desaforos de caras que faziam exatamente o que aquele estava fazendo agora. De qualquer forma, não conseguiu ignorar quando ele lhe dirigiu a palavra.
– Gostou de algum?
– Gostei de todos – ela respondeu, a visão focada nos vestidos, quase dando a impressão de que a mulher não estava mesmo ali. – Se eu pudesse, levaria cada um deles, mas não há muitas ocasiões na minha vida para que eles sejam usados. Tenho uma festa agora, mas...
– Eu pago pra você.
– Sério? – Lisa perguntou de imediato, espantada.
Não obteve resposta por um bom tempo. Depois de um longo momento de reflexão, o homem respondeu:
– Não. Não devo ter dinheiro nem para metade de um desses vestidos.
Só então Lisa decidiu olhá-lo e o reconheceu de imediato. Não conseguia se lembrar de qual era o seu nome, mas já o vira antes. Não foi na festa na casa daquele amigo da Santana?, perguntou-se e balançou a cabeça vagarosamente em afirmativa, recordando-se dos detalhes. É claro que foi.
– Muita bondade sua – ela falou. – Mas se não pode pagar por um vestido desse, acho que não temos mais o que fazer aqui então, não é mesmo?
– É claro que temos – Puck retrucou, o sorriso malicioso de sempre já estampado em seu rosto, entrando em ação. – E é uma coisa que não custa nada, desde que você queira fazer também.
Lisa arregalou os olhos. Puck sustentou seu olhar assustado, curvando as sobrancelhas no que ele considerava uma dança sexy do olhar infalível na hora de conquistar uma mulher.
– E onde você quer fazer isso? – ela perguntou, de repente.
Puck não respondeu. Curvou-se para frente e beijou-a. Com os braços em torno da mulher, que o beijava com a mesma vontade, guiou-a pelo corredor ao lado daquela loja, que dava acesso aos banheiros. Entraram em qualquer um, sem saber se era masculino ou feminino, e embrenharam-se num box. Ali havia espaço suficiente para que os dois fizessem o que bem entendessem, sem se preocupar. Mesmo assim, se alguém decidisse entrar no banheiro, é claro que veria dois pares de pés por debaixo de porta, se já não bastassem os barulhos incessantes que Lisa não conseguia evitar de fazer.
– Eu sabia que você não era lésbica – Puck disse e voltou a beijá-la.
– Só gosto de experimentar coisas novas – Lisa falou enquanto tirava a camisa de Puck.
Nesse mesmo instante, Santana e Brittany lutavam na mesma cama para saber quem seria a primeira a tirar a blusa da outra. Beijavam-se com ferocidade, com saudade, relembrando os tempos antigos, quando encontros como aqueles sempre eram comuns quando as aulas no McKinley terminavam. Com tão intensa dança amorosa, o lençol cor-de-rosa que cobria a cama logo foi parar no chão, fazendo com que as duas se amassem sobre o colchão liso, sem nada por cima.
Mike e Tina também aproveitavam aquela manhã para colocarem as relações amorosas em dia. Com tanto trabalho para ser feito, de ambos os lados, momentos como aqueles haviam se tornado escassos. No hotel que haviam alugado, eles se beijavam e se acariciavam como jamais haviam feito em um bom tempo. Tina adorava o corpo de Mike, e ele pensava o mesmo sobre ela. Mal podia acreditar que, por mais que tivessem um ao outro, não se amassem daquela forma todo dia, como deviam estar acostumados a fazer.
Kurt e Blaine não estavam diferentes. Blaine, por mais que sentisse culpa por estar traindo o namorado, que, para ele, agora não passava de uma pessoa importante que passara pela sua vida, beijava Kurt e o puxava para si em seu quarto de hotel do jeito que devia ter feito durante todos os anos que se passaram até aquele momento. Se sentia um completo idiota por ter deixado o seu primeiro e maior amor de toda a vida partir, como se não tivesse importância nenhuma. Seus dedos percorriam o corpo de Kurt e o sentiam se arrepiar com frequência. Kurt curtia tanto aquilo que não havia palavras para descrever como.
Artie andara sendo o brinquedinho da professora de matemática do McKinley há algum tempo e ninguém sabia disso, e não saberia, se dependesse dos dois. E era bom que isso jamais chegasse aos ouvidos do Figgins, principalmente o fato de que, quando não tinham o que fazer, eles costumavam se encontrar em um armário de vassouras, fazendo muito mais do que deviam, longe dos olhares das centenas de alunos.
E Mercedes, naquela noite, fizera uma excelente “colheita”. Muitos achavam que, por ser mais cheiinha, ela não tivesse casos amorosos, ou pelo menos que eram mais raros do que os que aconteciam com as mulheres mais bonitas. Nunca estiveram tão enganados. Em uma noite, Mercedes e o que ela costumava de chamar como sua “gordelícia” foram à caça em uma balada que ela já conhecia em Lima, e os beijos e ficadas com desconhecidos foram inúmeros. Uma dessas ficadas resultou num encontro mais próximo, que acabou terminando em seu quarto de hotel, altas horas da noite. Nada que não tivesse continuado naquela manhã de sol.
Rachel e Finn eram mais amorosos. Já haviam feito amor antes, mas, para Finn, com Rachel a coisa era diferente, tinha que ser feita aos poucos, como a construção do clímax de uma peça de teatro. Antigamente, ele não gostava muito disso, mas aprendeu a gostar e, melhor, se adaptou a esse costume. Deitava-se na cama com Rachel e a beijava terminantemente, com paixão, num ritmo mais lento, como uma canção da Broadway que demonstrasse o mais profundo sentimento já sentido. Abraçava-a, e ela o abraçava. O cheiro do seu corpo, tão próximo, tão palpável, era o que ditava aquele clima de romance que ele tanto gostava. Podia passar o dia inteiro entrelaçando seus dedos em seus cabelos que sabia que se sentiria o homem mais completo de todo o mundo. Ali estava a mulher que ele amava. Ali estava a pessoa com quem ele devia gastar toda a sua vida.
O mesmo acontecia com Quinn e Sam. Quinn gostava de saborear cada segundo de um momento como aquele, e cada nuance da cena que se compunha enquanto Sam explorava seu corpo, beijando-a aqui e ali, era de extrema importância. O momento ia sendo gravado para que, mais tarde, fosse reproduzido como um filme em sépia na sua mente, e ela adorava quando as circunstâncias levavam a situações como essas. Enquanto Sam beijava seus lábios, ela sentia explosões em seu estômago que faziam a pele de todo o seu corpo, dos pés à cabeça, se arrepiar. Ele percebia isso em seus dedos e tornava os carinhos mais tranquilos, como se quisesse, também, guardar aquele toque para si. Aliás, Sam era tão paciente que, para Quinn, era perfeito. Não era como os outros homens – como o Puck – que simplesmente não veem a hora de despi-la e dar prosseguimento com o combinado de uma vez por todas. Sam sabia amar.
E era por isso que ela não pensava, em hipótese alguma, em largá-lo. Nunca mais. Não depois daquilo. Não depois de todas as promessas que agora, depois de adultos, eles fizeram.
– Preciso de você para sempre, Sam – ela disse num sussurro enquanto ele esfregava o seu corpo no dela, beijando-a no pescoço.
– A gente nunca mais vai se separar, Quinn – ele sussurrou também, ao pé do seu ouvido. Quinn sentiu o corpo inteiro se arrepiar novamente. A sensação era excelente.
– Brittany, você é tão... – Santana começou a dizer enquanto Brittany tentava beijá-la. – Mas eu não consigo me ver longe de você.
– Quando eu for ao mercado sozinha, estaremos longe, Santana, e isso não é difícil de imaginar – Brittany disse de volta. – E eu te amo.
– Eu também te amo – disse Tina para Mike. – E não me lembro da última vez que eu te disso antes.
– Você não precisa dizer, se eu consigo ver isso em você – Mike falou e beijou Tina demoradamente. – Você me faz feliz.
– É você que me faz feliz – disse Kurt, fazendo uma pausa para respirar. Blaine parecia insaciável. – E agora eu percebo o quanto isso faz sentido.
– Preciso consertar minha vida, Kurt, e dessa vez você não vai fugir de mim – disse Blaine aos sussurros. A Kurt, sua voz nunca pareceu tão agradável, nem durante um solo de Katy Perry. – A partir de hoje, ficaremos juntos até o fim!
– Como devia ter acontecido no princípio – Rachel murmurou. – Eu nunca, nunca, devia tê-lo deixado acreditar naquela ideia idiota de ficar longe de mim. Eu devia ter largado o sonho da Broadway e ter ficado com você para sempre!
– Eu não era um idiota naquela época, Rachel. Estou sendo idiota de amor agora, nos seus braços – Finn disse e tornou a beijá-la.
– E você é o idiota mais gostoso que eu já vi na minha vida! – disse Mercedes, enrolada nos lençóis com o estranho, fitando-o com seus belos e grandes olhos negros.
– E o que a gente faz agora? – ele lhe perguntou, um sorriso malicioso no rosto, uma mão alisando seus cabelos.
– A gente fica – disse Quinn, sentando-se na beira da cama, enrolada nos lençóis que ela e Sam haviam usado até então. — Não podemos ir embora e deixar a Going Back In Time Party para trás.
– Por que você acha isso? – disse Sam, ainda deitado, fitando as costas nuas da garota, meramente cobertas por seus cabelos louros, que não eram tão compridos.
– Porque, assim como você é importante pra mim, eles também são.
Sam franziu o cenho, sem entender.
– É claro que de uma maneira diferente – Quinn prosseguiu. – Mas não podemos ignorá-los. Eles estão esperando que a gente vá, então a gente vai, porque nos importamos com eles. – Ela virou-se para trás e encontrou o olhar sonolento de Sam. – E vamos nos divertir muito.
Sam vacilou um instante, mas conseguiu sorrir, e não foi um sorriso falso. Naquele instante, Quinn se sentiu tão feliz quanto jamais se sentira.
Quis beijá-lo novamente e assim o fez.
Notas finais
Como vocês gostariam que fosse o final? :]
Fale com o autor