Gods World
2 Um Pedido Estranho
Notas iniciais
No dia seguinte eu estava sentada lendo um livro quando alguém o tirou das minhas mãos.
Não precisei nem olhar para saber quem tinha sido. Respirei fundo antes de falar.
– Você pode devolver meu livro, Valdez?
– Não.
– E por que não?
– Porque se eu te devolver o livro, não vou ter com o que te chantagear.
– E por que diabos você quer me chantagear?
Ele ficou sem graça.
– Bem, é que vai ter um baile na minha antiga... Escola. E o diretor de lá é muito, hum, severo, e disse que ninguém entra se estiver sem par.
– E o que eu tenho a ver com isso?
– Ah, você sabe... Eu demorei muito para chamar alguém, e não sobrou nenhuma menina da escola sem par. Então gostaria de saber se você não poderia... – Ele respirou fundo antes de terminar a frase. – Me acompanhar.
– E você precisa roubar meu livro para pedir que eu o acompanhe em um baile?
Um sorriso convencido surgiu em seu rosto.
– Sim. É que caso você não quisesse me acompanhar, o que eu tinha 99,9% de certeza que não aconteceria, eu não o devolveria até que você concordasse em me acompanhar. Mas como você concordou, vou te devolver. – Esperei até que o livro estivesse bem seguro em minhas mãos e então o encarei.
– A questão, Valdez, é que eu não disse que sim.
Levantei e saí andando, enquanto ele me encarava, sem acreditar.
Estava quase chegando do outro lado do pátio quando ele entrou na minha frente.
– Hey, por favor! Se você me acompanhar nesse baile, eu faço o que você quiser.
Suspirei.
– Você não conhece nenhuma outra menina pra te acompanhar, não?
– Eu sou novo aqui, lembra? Não conheço ninguém.
– E de fora da escola?
Ele hesitou por um segundo.
– Eu não costumo ter muitos amigos.
– Ah, que legal. – Resmunguei. – E o que te faz pensar que eu vou te acompanhar pra esse... Baile?
– Bom, nós somos amigos, não somos? E amigos fazem coisas legais pelos amigos.
- É! Como pegar o livro deles quando eles estão lendo! – Ele pareceu irritado, então resolvi parar com a gracinha. – Mas o que te faz pensar que somos amigos?
Ele pensou por um tempo.
- Nós conversamos, rimos...
- Correção: VOCÊ riu, e ainda às minhas custas.
- Certo, desculpe por isso. Mas por favor, Jessie, vai comigo no baile. Juro que se você for eu faço o que você quiser.
- Até mesmo ficar longe de mim e parar de me zoar?
- Até mesmo isso.
Respirei fundo antes de dizer o que provavelmente mudaria minha vida para sempre:
– Certo, Valdez, eu vou a esse maldito baile com você.
Ele riu e me deu um abraço tão forte que quase fez com que eu ficasse feliz por acompanha-lo.
Quase.
Mal sabia eu o quanto esse baile realmente mudaria minha vida.
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