Notas iniciais
Dois capítulos kkk

A estátua de Odin começou a se mexer para frente e areia caiu no meu rosto. Tremeu.

Gritei quando uma outra caverna se formou atrás dela, e era rochosa. Vibrava em tons de laranja. Tinha diamantes presos por toda a escultura, nas paredes, parte superior, e também tinha água por toda parte.

– Jes? — alguém gritou entrando na caverna. Alex.

– Alex? — estreitei os olhos. Não sei se já estava pronta para ter sua visão, ou talvez nem queira ficar com ele novamente. Ele pode ser meu irmão, mas isso não lhe da o direito de machucar meu coração dessa maneiro, nunca, então eu imaginei ele caindo de um precipício dos grandes e sorri. Ta, não sorriria se ele estivesse caindo de um precipício de verdade. Mas quem liga para alguns devaneios?

– Que coisa, Jane. Onde você esteve? — ele estava ofegante. Eu só consegui pensar o pior, que merda, Jane, ele só fez o que você pediu! Para de se mortificar!

– Com certeza não era com as filhinhas! — respondi rispidamente.

Ele apareceu ofegante dentro da caverna e eu pude vê-lo, normal.

– O que? — perguntou, confuso.

– Esquece. Natacha pode me explicar, por gentileza, que porra acabou de acontecer aqui?

– Que linguagem imprópria. — ela revirou os olhos. — Mas vamos lá. Esse é Odin e esse é Thor, os dois são deuses nórdicos. Quando sua lágrima caiu dentro do templo deles, foi como um... Milagre.

Ah, sim, sem dúvida um milagre. Se contar o fato dela ser louca, de eu ser louca e, por fim, porém não menos importante, Alex estar ficando furo da vida de tão louco e seduzindo anãs, gigantes, e muito bonitas! Para falar a verdade, não quero olha-lo agora, pronto, nova regra, me proíbo de olhar para ele enquanto não voltarmos pra casa. E quando isso acontecer, eu mesma, garantirei que nunca mais nos encontramos nessa vida. Pronto.

– E porque a lágrima ficou dourada?

– Como você acha que saberíamos quem deveria entrar na caverna? Seria, como dizem, burrice, sabe.

– Sem dúvida, burrice. Agora, já que você mostrou seu objetivo estonteante sobre o que estamos fazendo aqui... — apontei — quero voltar para casa. Imediatamente! — bati o pé no chão, para enfatizar.

– OK. Vocês podem seguir por esse túnel, no final dele, acharam alguém que os leva-la direto para onde mais desejam.

– De avião?

– Não, isso seria contra as regras. Para vocês saírem do túnel e ir pra onde mais desejam, precisam passar pelas provas e, sabendo o que sei, acho que provavelmente seu destino irá demorar alguns... dias, talvez. — ponderou, tamborilando os dedos nos lábios, pensativa. — Fany! Oh, querida, não me olhe assim, estou tentando ajuda-la aqui.

– Mas você não explicou nada! Nem o propósito de estarmos aqui; não sabemos nem como entramos na areia movediça, e ainda viemos parar aqui! Natacha me ajuda!

A caverna tremulou novamente jogando várias passadas de ar cheio de poeira no meu rosto, fazendo-me engasgar.

– Isso não me cheira nem um pouco bem. — interrompeu Alex, se colocando entre mim e Natacha. — Você mente víbora traiçoeira. Eu e Jane temos outra forma de sair daqui, sã e salvos, pela floresta. Assim como chegamos.

Natacha rosnou para Alex de uma forma nada feminina, ela não sabia se ficava irritada ou chateada. Fiquei com receio de ele estar se metendo numa coisa que não é dele, de estar se jogando no perigo como eu faria no passado não tão distante — mas, apesar de tudo, eu mudei — e acho que ele deveria se libertar da promessa que me fez noites atrás. Sobre me proteger.

– Calma, Alex, ela só está tentando ajudar.

– Oh, sim, mandando você para dentro de uma caverna de cristais só porque você chorou e isso, se tornou dourado como ouro. Pelo amor de Deus, Jane, uma vez na vida olhe da minha perspectiva. Tem algo de muito errado aqui.

Ele virou pela primeira vez e olhou nos meus olhos; imediatamente me apavorei, ele parecia prestes à ter um ataque de excesso de fúria em cima de Natacha e, isso, não iria acabar nada bem para nenhum de nós. Por isso, peguei seu rosto nas mãos e implantei um beijo nas suas duas bochechas bem lentamente, demorando o máximo que minha mente conseguia aguentar, prevenindo qualquer impulso de beija-lo (O que me lembrava da noite passada. Como ele havia pegado meu rosto nas mãos, e como nossos lábios estavam em atrito perfeito um com o outro)

Ele cobriu minhas mãos com as suas, relaxando visivelmente. Mas ainda havia algo nos olhos. Mágoa, percebi derrotada, ele ainda estava sentindo o impacto das palavras como eu sentia. O sentimento de compaixão mútua passou quando lembrei que ele poderia muito bem tem se divertido com as garotinhas pequenas desse lugar, e ainda nem ter lembrando-se de mim. Eu o dispensei! Da forma mais horrível o possível. Tentei me lembrar e repeti esse mantra várias vezes.

Com um sorriso ultra triste passei os dedos na sua bochecha antes de me afastar, podia sentir a união se quebrando arredia e forte, mas consegui ordenar aos meus pés para que andassem para longe dele, e logo.

Natacha nos disse para que seguisse na caverna por alguns momentos, eu achava que era para testar o espaço ou algo assim, mas só me dei conta do meu problema quando a porta começou a se fechar e eu estava há metros de distância da claridade. Gritei correndo o mais forte que meus pés conseguiam acompanhar, porém não forte, não rápido, não feroz, o bastante pra alcançar a porta antes que se se fecha. Sabe qual é a pior parte? Não foi ficar presa dentro do lugar mais assustador e claustrofóbico do mundo, e sim ver que segundos antes da porta se fechar por completo que, comprovando sua loucura, Alex pulou para dentro da rocha brilhante.

Pousei a mão na porta da caverna numa última esperança de que, talvez, não estivéssemos tão ferrados quanto achava. Errada de novo. A parede continha líquido oleoso e em todas as minhas tentativas frustradas de bater nela, só consegui arranhar à mão. Não havia saída que não fosse andar para dentro da caverna. Franzi o cenho quando olhei para Alex, ele estava de verdade com uma tocha na mão, e ela brilhava divinamente iluminando grande parte há nossa frente, talvez uns dois metros.

Quando perguntei onde ele achou a tocha, ele só deu de ombros, despreocupado e disse:

– Natacha achou que iriamos querer enxergar o caminho.

Tudo que respondi foi um aceno de cabeça, e tomando toda à coragem, comecei a andar para dentro da caverna. Havia desenho, porém incompreensíveis, e tinha algumas manchas vermelhas na parede que preferi não tentar identificar a origem. Mas desconfio que seja sangue. Tive que, várias vezes, reprimir a ânsia de vômito.

Algumas horas depois, andando pela caverna quando tive um breve vislumbre do sol, que logo desapareceu diante dos meus olhos. Que droga! Isso já estava começando a ficar repetitivo, e eu não gostava nada disse. Tentei me distrair amassando com força os dedos na blusa de flanela azul claro. Porém, a cada passo que dava algo na minha visão periférica mudava em contrastes de cores brancas.

– Acho melhor pararmos para descansar por aqui, estou esgotada e exausta. — Admiti com cautela.

– Se deu conta da minha existência agora? Porque passamos horas andando em silêncio. — rebateu, bravo.

Meus joelhos cederam no chão com força, suspirei ao sentir um pouco de sangue na mão. Estava ralado, apenas.

– Desculpa por estar te ignorando. Estava tentando achar um jeito de sair daqui... Vivos.

Olhei para cima e vi que ele examinava meu joelho com curiosidade, mas não se aproximou, só me fitou calado como se estudasse todos meus movimentos, calculista. Eu mereço isso, pensei.

– Acha que consegue fazer uma fogueira? — perguntei.

– Escoteiro. Lembra? — disse com orgulho. Começou a andar de um lado para o outro enquanto eu permanecia sentada olhando, ofegante, sim, não julguem, estava mesmo admirando o que ele fazia maravilhada. O que posso fazer? Ficar olhando a mercadoria não quer dizer que necessariamente vou compra-la, hein?

Minha mente começou a viajar para outros lugares bem melhores do que uma caverna escura, e eles eram bons...

Eu estava sentada na mesa à direita de Bob, ele tentava, sem sucesso, me animar contando histórias sobre fantasmas (o que foi péssima ideia em relação a mim). Depois de um tempo ele desistiu. Voltou sua atenção para mamãe que estava bêbada tentando fazer um discurso sobre uma garota que nem conhecia, e olhe, falar sobre ela ter acne não foi uma boa jogada. Ainda mais depois que instruiu milhares de sabonetes na frente das pessoas, a noiva estava tentado — desastrosamente — esconder a raiva dando várias risadas falsas. Tadinha. Não deveria ter escolhido uma dermatologista para ser madrinha e dona do brinde.

"Você viu o Alex?" Bob perguntou, corando forte sobre os olhares aquisitivos dos seus parentes. Ele engoliu toda a taça e se preparava para outra.

"Achei que ele tivesse ido embora."

"Eu queria ter ido, teria arrastado sua mãe pelos cabelos... Com todo o respeito." Arght, achei que fosse vomitar. "Mas ele foi pegar gelo e não voltou até agora. Pode ver se ele está bem?" implorou, mas dava pra ver que, em qualquer oportunidade, ele arrastaria todos nós de lá antes que a noiva pegue uma arma e comece com o ataque de fúria. E o primeiro alvo seria mamãe.

Meu estômago revirou em pensar em ir atrás dele. Entretanto, sobre o olhar de piedade de Bob, que parecia tão desolado quanto o patinho feio, cedi.

Amarrei meu cabelo para cima e sai da festa, subindo as escadas e me deparando com a escuridão. Droga. Droga. Droga. Andei menos de dois metros até cair no chão, de cara, e doeu! Eu havia tropeçado em algo. Bom, sendo mais específica, alguém.

"Ah, Jes, você está bem?" Alex pegou meus braços e tentou me levantar, mas estava tonta.

"Deixa-me no chão um pouquinho"

Senti um galo pulsar na minha cabeça. A luz do celular de Alex me iluminou.

"Isso vai ficar feio" ele passou o dedo na minha testa, tirando gentilmente a cabeleira da franja. "Coloque isso aqui"

Minha visão estava turva e não tinha certeza de que, se por algum acaso... Era possível o Alex ter quatro irmãos gêmeos? E por que ele estava dançando? Acabou de me machucar!

Ele me deu gelo.

"Como sempre desastrada, Jane."

"Você estava no caminho! Não conta." vociferei brava.

Não sei como aconteceu exatamente. Mas o clima antes brincalhão ficou muito tenso e eu comecei a arfar baixinho. Os seus dedos passaram de acariciar minha testa até moldar meus lábios de leve. Algo nos seus olhos mudou. Tah, não posso dizer que também não queria pegar-lhe em um mata leão e arrastar para minha cama... Só que eu olhava para ele e ele olhava pra mim, e tudo que existia, tudo o que eu queria. Angh! Tudo o que desejava. Era que ele me beijasse.

E... Bom... O que aconteceu em seguida foi um puro ato de doidera alcoólica misturada com tonteira por causa do calo, e bom, um bocado de tesão. Mas não paix... Dane-se. Na maioria foi paixão escondida por tanto tempo se sobrecarregando! Eu o amava. Eu o amava. E assim...

A porcaria do devaneio acabou! Porque nesse mesmo instante, um punhado de aranhas assassinas se jogaram sobre nós.

Elas eram brancas e gigantes, tinham oito pernas e dois olhos negros que analisavam intensamente, não pareciam animais irracionais. Na verdade, como estamos nesse lugar, acho provável que sejam mais inteligentes quê Alex.

Me levantei do chão. Elas vinham de todas as direções do túnel, até do teto.

Eu gemi. E Alex suspirou pesadamente atrás de mim, podia sentir seu medo emanando de todos os polos... Espera! Eu estava morrendo de medo. Como não poderia? Estávamos prestes a morrer por aranhas possuídas pelo demônio!

– Eu vou te contar uma história. — anunciou Alex.

– Jura? Agora? — indaguei furiosa.

– Sim. Era uma vez um casal de pobres coitados, eles se amavam, mas a garota cismou que não queria ficar com o garoto, que era incrivelmente lindo e charmoso. — acrescentou. — Então uma noite os dois se juntaram aí...

A caverna estava ficando numa cor cada vez mais amena. A tocha cheia de óleo na minha mão perdia a cor, como uma grande vela, e eu me apavorava a cada segundo.

– E?

– Eles morreram! — Exclamou.

– Que porra, Alex! Isso é para me fazer se sentir melhor? — Gritei dando vários passos para trás, até sentir suas costas nas minhas.

– Entretanto, morreram se amando. E nós, bom, sabe a resposta né, Jane?

– Não. Não. Não! Não pense em jogar a culpa em cima de mim. Você é o pior contador de histórias do século, Alexander Thornton! Vai morrer sabendo disso.

Solucei, e sabia que era nosso fim, sabia que deveria estar fazendo às juras de amor eterno para ele. Mas ele é tão irritante.

– Vamos fazer um acordo?

– Não! — berrei quando uma das aranhas gigantes subiu na minha bota, peguei a tocha e comecei a bater em mim mesma.

– Se a gente sair daqui vivos... Você promete que vai parar de levar consideração o que os outros pensam? E eu prometo que... — ele clareou a garganta. — Que se você não me quiser mais... — podia sentir a dificuldade dele ao dizer o restante: — eu vou sumir da sua vida.

– Fala sério, Alex, não me de grandes esperanças. — brinquei ainda que nervosa.

Meus olhos se encheram de lágrimas desesperadas. Esmaguei algumas aranhas com as botas fortemente, mas algumas ainda conseguiam passar por entre as botas e fazerem cosseguinhas no pé.

– E se elas foram mortais?

– Então estamos ferrados!

– Jane... — ele segurou meus ombros e de maneira abrupta nos colocou cara a cara. Ele passou o polegar pelas lágrimas que caíam. — Não chore. — sussurrou. E então gritou. Uma aranha o picou. Ok. Mexer comigo é uma coisa calma, relex até, mas picar o meu irmão! Subi minhas botas até meu alcance e deslizei os dois dedos por ela, enchendo-os de meleca de aranha morte, e levo até o nariz.

– É óleo! No chão, Alex! Acha que consegue correr muito rápido?

– Vai colocar fogo no chão! — ele estava histérico. — Vai colocar fogo na caverna! Porra, estamos nela.

Analisei seu rosto um último segundo antes de dar-lhe um beijo digno de um Oscar. Com relutância consigo me afastar dele.

– Consegue correr? — perguntei ofegante,

– Até o fim do mundo.

– Creio que não precisaremos de tanto. — E sorri. Passo os braços a sua volta e aperto-me contra ele fortemente — Vai tudo ficar bem.

Peguei a tocha e coloquei no chão. O que aconteceu a seguir me assustou até a morte, as aranhas, uma por uma, foram explodindo como foguinho e fogos de artifícios. Agarrei a mão de Alex e assim disparamos para longe delas, que agora nem se importavam em matar a gente, e sim sair sem virar pipoca. Esmagamos várias, e algumas, as espertas, se agarrou há nossas roupas como garra-bicho.

Corremos por minutos antes de a explosão ficar fora do nosso alcance. Assim que meus pés sentiram o impacto de correr tanto, desabei no chão arfando compulsivamente, e Alex seguiu meu exemplo. Esperava que ele não levasse o beijo na outra caverna como insinuação, porque não foi, estava apenas dando-lhe incentivos. Isso.