Goddess Of Truth
8 A arrogância de um príncipe - Parte II
Notas iniciais
Thor estava no meio do salão de banquete, que estava arrumado para as festividades depois da coroação, com uma expressão de fúria. Ele se virou de repente para uma das longas mesas, a raiva e frustração eram visíveis em seu rosto quando ele agarrou uma das mesas e a virou sem se importar com a comida e decoração que ele arremessara ao chão. Ele olhou para a mesa como se ela tivesse cometido um grande ato de injustiça, antes de se virar para os degraus que levava a varanda e sentar-se nele com um resmungo.
—Como eu sabia que entraria aqui e encontraria a mesa derrubada? — indagou uma voz do outro lado do salão.
Thor ergue os olhos de onde ele se sentou e olhou furtivamente para a linda mulher morena finamente vestida sorrindo para ele algo que naquele momento só alimentava sua raiva.
— Eu não estou com disposição Luthien.
Ela revirou os olhos cinzentos e disse:
—Posso ver agora que foi uma benção sua coroação ter sido interrompida.
—Como se atreve... —ele se levantou furioso.
Mas ela ergueu a mão, fazendo com que ele parasse, então gesticulou para a mesa caída.
—Você acabou de ter uma atitude birrenta, Thor.Eu preferiria um homem do que um menino sentado no trono de Asgard.
—E eu preferiria uma mulher do que uma harpia tentando me consolar agora. — ele retrucou.
Ela ignorou a ofensa e foi em direção a ele:
—Eu não sou uma harpia, elas são feias e definitivamente não se parecem comigo.
Ele deu a ela um olhar sem expressão para a sua observação.
—O que você quer Luthien?
—Eu quero que você entenda o que significa ser um governante — ela disse parando em frente a ele. —significa deixar sua raiva de lado e ver o que está diante de você.
—Como? — ele quase zombou. Quase, pois saiu muito suavemente para ser verdadeiro, parecia... desesperado, esperançoso e confuso tudo ao mesmo tempo.
—Se você aceitar meu conselho... — ela olhou para ele antes de continuar. —Thor... —ela suspirou e agachou-se diante dele e olhou-o nos olhos. — Quando se é rei, você não pode reagir como você gostaria. Você deseja entrar na tempestade e enfrentar os inimigos, mas você não pode. Fazer isso significa lançar-se em uma guerra contra os Jotuns, e seu povo ficaria no meio disso.
—Mas foram eles que quebraram o tratado!
— Mas quem ordenou isso? — apontou ela. — Se foi Laufey, então sim, eles quebraram. Mas e se não foi? Se foi um grupo de renegados? Você realmente se aproximaria de um rei e exigiria satisfação por algo, que talvez ele não tenha conhecimento?
—Você faz grandes pressupostos nisso. — advertiu ele.
— Eu devo, tenho que pensar em todas as possibilidades, além do mais você não me escutaria. — ela sorriu para ele, fazendo com que ele também começasse a sorrir. Luthien viu a raiva começar a se desfazer. —Você precisaria de uma prova de que Laufey sabia e ordenou o ataque, ou então não será os Jotuns declarando guerra, mas você. Realmente deseja que seja seu primeiro ato como rei? Uma guerra?
—Não. — ele suspirou.
—Se serve de consolo — uma voz diferente foi ouvida e eles olharam para cima para ver Loki saindo de trás de um pilar. —eu acho que você esta certo — disse ele sentando-se ao lado de Thor. — Sobre os gigantes de gelo, sobre Laufey, sobre tudo. Se alguns deles conseguiram penetrar as defesas de Asgard uma vez, quem garante que não tentarão novamente. Na próxima vez com um exército?
Luthien franziu o cenho para Loki, conhecia o suficiente o poder das palavras para saber quando elas estavam sendo usadas contra alguém, sabia da suposta “língua de prata” de Loki e ela podia ver, na maneira como Thor tinha se endireitado e ficava animado com isso, que ele estava começando a concordar com Loki.
—Sim, exatamente! — Thor exclamou.
—Então devemos esperar! — ela aconselhou, lançando um olhar reprovador para Loki — Deixe que Laufey ataque com seu exercito primeiro, então. Só, então uma guerra será justificada.
Loki assentiu, parecendo concordar com ela, embora suas palavras seguintes fizessem-na duvidar.
—Não podemos fazer nada sem desafiar nosso pai.
Estava claro para ela o que essa frase causaria em Thor, e foi confirmado quando os olhos de Thor adquiriram um brilho familiar.
— Thor, não! —implorou ela, prevendo o que ele faria. Era quase capaz de adivinhar o argumento que ele elaboraria para rebater os seus graças às palavras de Loki.
— Por que não? — ele sorriu. — como você mesma disse, Luthien, eu não sou rei, então esse não será meu primeiro ato, logo não estaremos fazendo isso sob o comando de um rei, mas, como renegados, assim não estaremos infringindo o tratado. É a única maneira de garantir a segurança de nossas fronteiras.
—Não foi isso que eu quis dizer e você sabe disso. —ela franziu a testa, incapaz de encontrar outro argumento. Ela odiava isso, em todos os momentos juntos ele realmente aprendeu a debater e usar suas próprias palavras contra ela.
—O que você quer dizer com nós? — foi nisso que Loki prestou atenção, mas o olhar que Thor deu a eles foi resposta suficiente. — É loucura!
—Loucura!— exclamou Volstagg entrando junto com Fandral, Hogun, Balder e Sif. — O que é loucura?
—Nada! Thor só estava brincando!
—É melhor, mesmo! —Luthien olhou para Thor, embora soubesse que Loki estava atrapalhando por algum motivo, por que dizer que Thor estava brincando era o mesmo que desafiá-lo a provar isso.
—A segurança de nosso reino não é brincadeira — Thor defendeu, antes de sorrir para os outros — Nós vamos para Jotunheim.
—O que? —exclamou Fandral.
— Thor, de todas as leis de Asgard, essa é uma que você não deve quebrar. — opinou Sif sacudindo a cabeça.
—Isso não é uma jornada para Midgard, onde você convoca relâmpagos e trovoes e os mortais o adoram como um deus. Isso é Jotunheim! — disse Balder.
—Se os gigantes de gelo não o matarem, seu pai o fará! —Volstagg concordou.
—E se você for morto, você sabe o que aconteceria? —Luthien acrescentou.
—Loki assumiria o trono — Thor respondeu com facilidade, como se ele estivesse entregando ao seu irmão uma carta ou algo assim.
—Eu estava falando da sua mãe! —Luthien respondeu. —Você tem idéia do que sua morte causaria a ela?
Thor parou por um instante.
—Ela iria chorar minha morte heróica — ele concluiu, embora houvesse uma pitada de arrependimento em sua voz, mas ele vinha de uma cultura de canções e baladas sobre heróis, ele daria a sua mãe a honra de morrer como um.
— E amaldiçoaria você por ser um tolo. —advertiu Luthien.
—Meu pai abriu caminho em Jotunheim, derrotou seus exércitos e tomou a caixa. — disse ele. — Só estaríamos procurando respostas.
—Isso é proibido! — exclamou Sif.
Thor pareceu quase considerar recuar quando ele viu Luthien olhando para ele. Mas em seguida sorriu, Luthien sabia que não era um bom sorriso, era o sorriso que ele usava quando estava planejando usar o que ele sabia contra os outros para conseguir o que queria.
—Meus amigos —ele sorriu. —vocês se esqueceram do fizemos juntos? Fandral. Hogun. Balder.Quem os liderou nas mais gloriosas batalhas?
—Foi você. —respondeu Hogun.
—E Volstagg, a iguarias tão suculentas que você pensou ter morrido e ido para Valhalla? —disse virando-se para o amigo.
—Foi você.
—Sim! — exclamou dando um tapinha nos ombros do guerreiro.
— E quem provou que estava errado quando todos zombaram da idéia de uma jovem donzela ser um dos guerreiros mais ferozes que esse reino já viu? — disse ele a Sif.
—Foi eu, — replicou ela.
—É verdade, mas eu apoiei você Sif. — concordou ele. —Meus amigos nós vamos a Jotunheim. —afirmou ele.
—Espere! —Luthien cortou a frente de Thor impedindo que ele saísse. Ela detestava ter tal atitude, mas era necessário. — Eu vou junto.
—Como? — Thor indagou.
—Foi o que você ouviu eu vou junto, ou antes, mesmo de você pisar na ponte do arco-íris seu pai vai ficar sabendo. — chantageou ela. Não gostava daquilo, mas era o único jeito de impedir Thor de começar a guerra da qual advertira.
Luthien incitou sua montaria a ir mais depressa conforme eles avançavam para a entrada de Bifrost, o observatório da ponte parecia cada vez mais brilhante conforme eles avançavam. Ajeitou seu manto quando desceu do cavalo.
—Belo manto! — elogiou Fandral. Imediatamente ela virou-se para ele e o olhou atentamente, os olhos dele não haviam captado nada de mais. E de fato seu manto era um item excepcional, feito de um tecido sedoso, leve e quente o suficiente e fresco quando necessário. Difícil de precisar suas cores: parecia ser cinzento com a nuance do crepúsculo sob as arvores; apesar disso , quando movimentado ou colocado sob outra luz, era verde como a água sob as estrelas, ou castanho como campos fulvos à noite, e de um prata-escuro sob a luz das estrelas. Valquírias e Amazonas o utilizavam exclusivamente, eram chamados de manto de cisne, camuflava seu usuário dos olhos inimigos.
No observatório o guardião de Bifrost os esperava. Heimdall, com sua pele escura e armadura dourada, com as mãos apoiadas no punho de sua poderosa espada.
—Mantenha suas armas embainhadas e suas bocas fechadas — advertiu Loki assim que todos desmontaram. — Isso vai exigir sutileza e sinceridade...
— Você tem certeza de que você deva falar Loki?— Luthien o interrompeu afirmando um fato, pois ele claramente não tinha uma das duas coisas.
—Não força bruta — continuou Loki ignorando-a. —Deixem isso comigo. — disse ele enviando a Luthien um olhar aguçado antes de se virar para Heimdall. — Heimdall...
— Você não esta vestido adequadamente — Heindall o cortou.
— Como?
—O frio de Jotunheim. Ele vai matá-lo se ficarem tempo demais, até mesmo Thor. Você acha que pode me enganar? — ele olhou para o grupo. — Eu, quem observa tudo?
—Nós esperávamos — Luthien assentiu. — até mesmo Argus tem que fechar os olhos em algum momento.
— Basta! —Thor deu um passo a frente. — Heimdall, podemos passar ?
Heimdall olhou para ele por um longo tempo antes de falar:
—Durante séculos, eu guardei e a mantive a salvo daqueles que desejaram nos prejudicar. E em todo esse tempo, nunca um inimigo escapou dos meus olhos...até hoje. Desejo saber como isso aconteceu.
—Então não diga a ninguém a onde estamos indo — Thor passou por Heimdall sendo seguido pelos demais.
Heimdall subiu na plataforma no centro da sala e encaixou sua espada na alavanca de controle da ponte, mantendo as mão sob o punho de sua arma enquanto se dirigia ao guerreiros:
—Um aviso, vou honrar meu juramento de proteger este reino como guardião da ponte, mas se seu retorno ameaçar a segurança de Asgard, Bifrost permanecerá fechada para vocês e morrerão no frio de Jotunheim.
—Não tenho planos de morrer hoje. —Thor comentou.
—E alguém planeja morrer? — Luthien comentou com dureza. Esse não era um bom plano, não era um movimento inteligente, nem um pouco.
Ao contrario dos Jotuns que vieram tomar a caixa, eles não estavam indo com a mesma intenção. Os Jotuns tinham ido claramente apenas roubar a caixa, não incitar uma guerra ou matar todos os asgardianos. Thor, no entanto, estava indo a Jotunheim com a esperança secreta de uma batalha pela guerra.
Heimdall olhou para Luthien antes de mover sua espada na alavanca, abrindo o portal na direção de Jotunheim. Um vento varreu a sala enquanto a energia se concentrava criando um vórtice e se conectava ao mundo dos gigantes de gelo.
—Está tudo pronto. Vocês podem ir.
—Você não pode deixar a ponte aberta para nós? — Volstagg perguntou.
—Para manter a ponte aberta eu teria de liberar todo o poder destruiria Jotunheim.
—Ah, não importa então...
Thor andou até a entrada do vórtice e o atravessou sem sequer olhar para trás, forçando os outros sete a segui-lo. Eles foram sugados e transportados direto para o mundo do Jotuns.
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