Goddess Of Truth
7 A arrogância de um príncipe - Parte I
Notas iniciais
A família real foram os primeiros a chegarem à caixa forte de Asgard, onde alguns dos mais valiosos e poderosos tesouros e armas eram mantidos a salvo das mãos indesejadas. Quando os três guerreiros e Sif chegaram descobriram o porquê a família real tinha parado e entraram na sala. Os guardas estavam no chão já sem vida, corpos e partes de gigantes de gelo aniquilados estavam espalhados. O destruidor, uma armadura duas vezes o tamanho de um asgardiano normal sem rosto tinha acabado de virar-se e colocar a caixa dos antigos invernos, um cubo branco azulado, de volta no pedestal ao qual pertencia, antes de retornar ao lugar onde era mantido, uma área pequena da sala protegido por uma grade de ferro.
Odin desceu as escadas avaliando o dano, principalmente seus guardas caídos. Luthien aproximou-se e verificou cada guarda, mas não havia nenhum resquício de vida, ela esperava que as valquirias tivessem recolhido suas almas, virou-se e olhou o rei que a fitou com tristeza por seus guerreiros caídos.
—Os Jotuns devem pagar pelo que fizeram! —Thor rosnou enquanto olhava seus homens caídos.
— E o que isso traria, além de desencadear uma guerra?— Luthien questionou-o com racionalidade. Essa era a ÚLTIMA coisa que eles poderiam precisar no momento, uma guerra sendo deflagrada. Era algo bárbaro, para ela, sangue por sangue. Um lado atacou, o outro buscaria retaliação e isso nunca terminaria, pois um lado sempre se sentiria desprezado e isso só levaria a um banho de sangue inútil.
Ela notou, embora duvidasse que Thor tivesse também, que Odin parecia mais cansado que normalmente, mais lento e mais tenso. Tinha sido uma das razões pela qual a coroação deveria acontecer, não por que Odin pensasse que o filho estava pronto, mas porque ele estava tentando manter-se firme o suficiente para que tudo estivesse em segurança. O sono de Odin, um transe meditativo ao qual o pai de todos se submetia afim de recuperar sua força. Há tempos Odin vinha postergando o sono de Odin, isso significava que ele duraria mais, o tempo era indefinido. Asgard precisaria de um rei no trono, por isso ele seguiu com a coroação.
O derramamento de sangue e a guerra NÃO era o que Odin precisava no momento.
—Eles pagaram com suas vidas! —Odin respondeu.—O destruidor fez o seu trabalho, e a caixa esta segura. Está tudo bem.
—Está tudo bem?!—Thor zombou. —Ele arrombaram a caixa forte da armas! Se os gigantes de gelo tivessem roubado qualquer uma destas armas...
—Mas ele não roubaram.—Odin o cortou em um tom cansado.
—Mas eu quero saber porque....
—Eu fiz uma trégua com Laufey, o rei dos Jotuns.
—Ele acabou de violar esta trégua! Eles sabem que o senhor está vulnerável.Nós devemos agir!
Luthien ficou em silencio enquanto observava Odin fechar os olhos, parecendo perceber naquele momento, que apesar dos planos anteriores, não podia permitir que Thor assumisse o trono. No momento que subisse ao poder, ele declararia guerra contra Jotunheim e ninguém poderia impedi-lo como rei, nem mesmo Odin, especialmente vulnerável como ele estava. E isso significava que Thor não subiria ao trono até que o sono de Odin tivesse passado. Assim mesmo que o trono ficasse para Thor como regente em sua ausência, os demais poderiam se opor a ele e deter seus planos.
O rei virou-se para os demais:
—Deixe-nos! — ele ordenou. Os três guerreiros, Sif e Luthien deram um passo para trás batendo com a mão em punho sobre o coração e preparam-se para deixar a sala. —Você não, Luthien.—ele disse quando ela se virou para deixar a sala. —Você deve ficar.
Luthien parou, virou-se e assentiu. Não era incomum que o rei solicitasse sua presença. Além de excelente diplomata, ela se provara excepcional estrategista, comandante cautelosa e uma mulher sábia, razão pela qual Odin tornara-a conselheira, oferecendo opiniões e conselhos quando necessário. Houve alguns momentos que ela conseguira fazer Thor repensar em algumas decisões com argumentos sábios. Era por isso que Odin manteve sua presença.
Odin esperou que os três guerreiros e Sif saíssem e fechassem a porta, antes de se virar para Balder, Loki, e Thor.
—E que ação você tomaria?— indagou o filho mais velho.
—Eu marcharia para Jotunheim como você fez um dia —Thor respondeu de cabeça erguida. — Ensinar-lhes-ia uma lição, quebraria seus espíritos para que nunca mais se atrevessem a tentar violar nossas fronteiras novamente.
—Não é assim que você deve ser visto pelo seu povo — objetou Luthien.— é melhor ser amado do que temido.
—Você está pensando como um guerreiro.— concordou Odin.
—Isso foi um ato de guerra! — declarou Thor e virou-se para Luthien. —Certamente, até mesmo você concordaria com isso.
—Guerra implicaria em um ataque decidido — ela respondeu.— uma luta aberta e violenta. Isso foi uma tentativa de roubo, eles agiram rapidamente e precisamente para tentar incitar uma batalha ou uma guerra.
—Foi um ato de poucos, condenado a falhar— Odin concordou, oferecendo a Luthien um pequeno sorriso. Ele a tomou como sua protegida, por isso. A moça era notoriamente sábia por si mesma, mas ele tinha sido dotado de sabedoria depois de se sacrificar e perder um olho para beber um gole da fonte da sabedoria, por isso ele começou a orientá-la não apenas nos caminhos da sabedoria que vem com a vida, mas no que era necessário para governar um povo também.
—E veja como eles chegaram longe! — Thor gritou gesticulando.
—Nós encontraremos a falha em nossas defesas e a reparemos.
—Como rei de Asgard, eu...
—Mas você não é rei! —gritou Odin que segurava gungnir com tanta força que parecia se apoiar nela. —Ainda não. —disse mais calmo.
Thor olhou furioso para o pai antes de se virar e sair irado da caixa forte batendo as portas tão forte atrás dele que até Luthien se encolheu ao som. Ela olhou para Odin, vendo ele fechar os olhos e esfregar atesta.
—Vá atrás dele —Odin disse a ela quando fez menção de aproximar-se dele para verificar se estava tudo bem.
Não importava o quão violento o conflito verbal entre ela e Thor fosse, não importava o quão feroz fosse as brigas entre eles... havia uma conexão entre eles. Não importava o quão frio, chateado ou irritado estivessem nunca poderiam ficar assim por muito tempo. Havia uma preocupação que irradiava entre os dois, e ambos sempre conseguiam apaziguar as coisas quando precisavam.
Luthien deu uma aceno antes de se virar e ir procurar Thor, precisava encontrá-lo antes que ele fizesse algo tolo.
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