Godbye World.

1 Garota Suicida.


Quem nunca acreditou em finais felizes? Eu acreditava, mas percebi que tudo tem um lado ruim e às vezes, ele vence. Suicidas sempre carregam um sorriso para guardar o que sentem, ou até para fingir que está tudo bem, mas acabam muitas vezes descontando seus problemas neles mesmos, com cortes. Guardo este diário para Mia, como presente de seu aniversário, ou apenas com respostas para suas perguntas intermináveis.

‘’Por que ela teve que fazer isso?’’ ‘’Por que não percebi a quão péssima ela estava?’’ eu a via gritar e chorar enquanto meu abominável corpo esta jogado no chão, sem vida.

—Eu não vou te perdoar por isso Ally, não vou.

Cheguei perto de seu ouvido e sussurrei, mesmo sabendo que não iria ouvir.

—Eu sei que não, desculpe.

Quando me virei vi minha mãe com um leve sorriso em seu rosto, como se estivesse feliz com a situação. Mia acabou percebendo que havia um diário perto de minhas mãos ao lado de meu corpo, pensei que ia começar a lê-lo ou apenas o jogar em algum lugar, mas ela o abraçou.

Depois que o serviço funerário veio para buscar meu corpo, eu segui Mia até sua casa, onde um dia foi tudo colorido, havia se tornado apenas uma casa normal, sem vida. Ela subiu até seu quarto e se deitou em sua cama, chorando. Após um tempo ela tirou de sua bolsa o meu diário e começo a lê-lo.

‘’ Mia, se está lendo isso, foi porque acabou para mim. Sei que parecia que eu estava bem, mas aquela ‘’felicidade’’ para mim não passou de ilusão. Você foi à única felicidade que houve em minha vida toda, sério. Não se culpe por isso, por favor, não me arrependo de cada momento que passamos juntas, mas não posso dizer que todos os momentos da minha vida foram felizes, porque não foram. Certo, você está aqui para descobrir o motivo de meu suicídio, não sei se todas as respostas estarão aqui, mas, antes de tudo quero agradece-la pelos meus pequenos momentos de felicidade. Obrigada. ’’

Ao terminar de ler a primeira pagina, Mia desabou em lagrimas.

—Eu... Desculpe-me Ally, se eu soubesse o que você estava passando... Eu poderia mudar isso.

O celular dela começou a vibrar, era seu namorado Endryl, ligando para ela.

—End, não estou a fim de falar agora talvez mais tarde...

—Quieta, apenas escute. A Ally deixou uma carta para mim antes de... Enfim talvez tenha chegado pra você também, veja na sua caixa de correio.

— Certo obrigado. Até amanhã

—Até

Ela saiu correndo até sua caixa de correio, porem não tinha nada. Eu não me lembrava de ter mandado algo, nem pra ela nem para Endryl.

—Mas...

Eu cheguei perto de seu ouvido e sussurrei.

— Depois eu volto. Durma bem

Para meu espanto, ela de alguma forma ouviu, pois virou sua cabeça rapidamente a minha direção. Dei alguns passos pra trás assustada, e acabei correndo, sem rumo. O mundo quando se está morta, é maravilhoso. As pessoas não te olham como se você fosse uma aberração, elas apenas te ignoram. Isso foi tudo o que eu sempre sonhei, sem pessoas me julgando, nada para atrapalhar minha paz e meu sorriso. Eu andava descalça pelas calçadas com um sorriso que nem mesmo eu conhecia. Acabei chegando à minha casa, fiz questão de entrar para ver o quão feliz minha casa estava. Subi a escada para a entrada hesitante, talvez por medo do que eu poderia ver lá. Abri as portas, para meu espanto uma cena que eu nunca havia imaginado, foi meu pai batendo em minha mãe. Passaram varias coisas pela minha cabeça, mas a mais sensata a se fazer era separa-los, mas foi em vão.

— Parem!- eu gritei, mas como se era de esperar, não me ouviram-.

— Não foi minha culpa!- minha mãe gritava chorando, e desesperada-.

—Se não fosse por você, isso não tinha acontecido! O que vou fazer agora? Não tenho dinheiro, a pensão acabou!-ele gritava e batia em minha mãe-.

Eu acabei dando meu grito mais forte, algumas coisas caíram. Assustado meu pai saiu depressa de casa, e deixou minha mãe jogada no chão.

—Foi você querida? Desculpe-me, se eu tivesse sido uma mãe melhor... Sei que lhe tratei mal, mas foi para que não descobrisse isso.

Senti uma lagrima escorrer pelo meu olho, mas acabei saindo correndo da casa. Ao virar a esquina vi um rosto conhecido, parei para tentar descobrir quem era. Era Tyler, meu amigo de infância, depois de anos sem nos ver... Porque ele escolheu justamente hoje para vir? Ele estava com um sorriso radiante, será que ele não sabia de meu suicídio? Eu acabei o seguindo, ele foi a um bar que estava do outro lado da rua. Ele pegou uma cerveja e ligou para alguém,e o bolso da minha calça jeans começou a vibrar. Eu fiquei assustada, como aquilo aconteceu?Como meu celular estava comigo?Eu acabei atendendendo, mesmo confusa.

—Tyler?

— Ah, oi Ally! Onde você está? Estou na sua cidade, podemos nos encontrar?

—Eu... Como você conseguiu me ligar?

—Com o celular talvez?

— Você... Não soube?

—Não soube o que?

—Eu... Morri, eu me matei Tyler! Como você está falando comigo?

—Hahaha-ele começou a rir- Está louca Ally? Acabou trocando os cigarros por maconha?

—Eu... Não estou brincando

— O que?

—Vá a minha casa, minha mãe te explicará melhor. -eu disse desligando o telefone-.

Ele se levantou da cadeira confuso, pagou a conta e foi a minha casa. Demorou cerca de dois minutos para que ele chegasse até lá, ele tocou a campainha e minha mãe atendeu com o rosto inchado de tanto chorar.

—Tyler?

—Ah, oi senhora Clark... Eu estou meio confuso, o que aconteceu a Ally?

—Você não soube? Ela cometeu suicídio está manhã, o funeral será no sábado... Pensei que estaria aqui pra isso.

—O-oque? Mas eu acabei de falar no telefone com ela...

—Deve ter sido um trote, acontece. Sabe Tyler, foi bom te ver. Mas preciso ficar sozinha, te vejo novamente no funeral. -Ela disse fechando a porta-.

Tyler sentou na calçada, e desabou em lagrimas. Eu sentei ao seu lado e apoiei minha cabeça em seu ombro, pensei que funcionaria então tentei mandar uma mensagem: ’’Desculpe-me’’. Seu celular vibrou, parece que a minha tentativa funcionara, ele enxugou seus olhos e ligou para mim.

—Ally, como nós estamos nos falando? Está fazendo algo a respeito?

—Não... Você não mudou nada, seus ombros ainda me aconchegam mesmo depois de anos.

—Oque? Você está aqui?- ele disse gaguejando e balançando a cabeça para me procurar- Ally o que aconteceu? Eu posso te ajudar?

—Eu te amo Tyler. Espero que encontre alguém para dizer isso. -eu desliguei a chamada e me levantei, ficando frente a frente a ele-.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.