Go To Hell
3 Esperança...
“Olá, meu nome é Simon...À mais ou menos cinco anos, o mundo provou do verdadeiro inferno, quando uma maça estranha trouxe com elas, máquinas robóticas que em quase um ano pulverizou mais de um quarto da população Mundial , agora, cinco anos depois, os um quarto que restam da raça humana lutam contra essas máquinas buscando o fim desse inferno, e eu contarei com todos os detalhes essa árdua batalha buscando um futuro melhor...Meu Nome é Simon, e eu vou contar a você o nosso possível fim.”
Abri os olhos ainda sonolentos, nem percebi quando havia dormido, olhe para os lados e bufei, nada havia mudado, no fim era apenas um sonho, cinco anos se passaram desde que o mundo foi engolido pelas trevas, os poucos sobreviventes conseguiram encontrar um lugar para ficar sem ser constantemente ameaçados por aquelas máquina malditas.
Morava a cinco anos em uma antiga usina de esgoto, assim como várias outras pessoas e famílias, acabamos sendo forçados a se acostumar com o cheiro de esgoto e umidade, sem ter outra opção estamos todos no mesmo barco.
–Olha, a bela adormecida resolveu acordar?
–Hã?-olhei para cima vendo e reconhecendo o dono daquela voz rouca-Al...
Alphonce, ou Al como éramos costumados a chama-lo, olhava para mim com um sorriso, ele era um cara de cinquenta e poucos anos e que me ajudou a escapar do ataque dos robôs a cinco anos, ele era um ex militar com experiência em todas as áreas do exercito, ele disse que começou sua carreira no exercito, depois de alguns anos ele cresceu tanto no exercito que resolveu tentar algo novo, então foi para a Marinha, lá ele aprendeu mais sobre como batalhar no mar, logo depois que constou o posto de capitão decidiu novamente mudar sua área, foi fazer parte da Aeronáutica se destacando em primeiro lugar com seu Saab JAS 39 Gripen, um avião de caça, ele batalhou no mar, na terra e no ar e se tornou um herói e incentivo para muitos jovens e mesmo depois de ter se aposentado ele ainda dava aulas aos novatos nas três áreas, Al brinca que se tivesse mais tempo no exército ele teria tentado aprender algo sobre medicina também, mas quando pensou nisso já estava para se aposentar.
Ele era o cara mais incrível que eu conhecia, e suas histórias fascinavam a todos, foi ele que me trouxe para cá quando já não sabia para onde ir, hoje, Al faz parte do grupo responsável por buscar alimentos, remédios e sobreviventes do lado de fora.
–Já voltaram? Achei que demorariam mais-começo apoiando meu braço em uma das minhas pernas.
–Não conseguimos avançar dessa vez, haviam muitos por lá...Mas pretendo voltar amanhã para procurar por mais remédios e alimentos...Aí, já que não está fazendo nada, bem que poderia me ajudar com essas caixas de alimentos...-fala ele me olhando, suspiro.
–Não tem outra pessoa para fazer isso?-perguntei me levantando, ele bufa.
–Se tivesse não pediria para me ajudar garoto...-ele resmunga me fazendo rir, caminho para perto de algumas caixas médias, cada uma deveria pesar pelo menos uns 50 ou 60 quilos, seguro duas caixas, uma em cada braço acima de minha cabeça, olhei para Al que me olhava pasmo.
–O que foi?-pergunto, ele nega.
–Nada...Apenas...Não consigo me acostumar com a força desses braços-ele murmura, dou de ombros.
–Isso não é nada...-caminho para perto de uma tenda improvisada, colocando as caixas uma em cima da outra, quando saí e me abaixava para pegar mais duas caixas, escuro alguém me chamar, e pelo tom de voz, estava irritada.
–SIMON!!!-ainda de costar faço uma careta reconhecendo a voz.
–Hiii, já vem a encrenca...-murmura Al, suspiro e olho para trás, Jade vinha correndo com uma expressão de raiva em seu rosto.
–O que foi que eu fiz agora?-perguntei coçando a cabeça.
–Quantas vezes tenho que dizer para não carregar essas caixas pesadas com seus braços, sabe o quanto foi difícil para construí-los?-ela reclama me olhando raivosa, olhei para meus braços e suspirei.
–Não seja exagerada, esses braços não são tão sensíveis quanto imagina, você mesma disse que foram feitos para batalhar...-falei rolando os olhos.
–Eu sei! Foi eu quem os inventou, mesmo assim, consertar esses braços é mais difícil do que imagina, principalmente pela escassez de ferramentas que temos...-ela suspira-Seus braços foram criados pera nossa salvação, são as únicas coisas que conseguem destruir aquelas máquinas, sem eles, estamos perdidos...-ela diz baixando a cabeça, suspirei e puxei sua cabeça em um meio abraço.
–Me desculpe, prometo cuidar mais desses braços está bem?-falo olhando para a frente, ela funga em meu peito.
–Tá...-resmunga saindo do abraço, ela olha para o lado, para Al-E você Al, não invente de erguer essas caixas sozinho também, você pode ter servido na Marinha, Aeronáutica e no exército, mas não é tão novo assim, por tanto peça ajuda de seu filho, aquele vagabundo não faz nada para ajudar alguém, pelo menos faça ele ajudar você-Jade despeja suas palavras em Al que sorri coçando a cabeça sem jeito.
–Ei...-chamei sua atenção vendo que ela pegou pesado.
–Está tudo bem Simon, Jade tem razão quanto ao meu filho, mas ele está sofrendo muito ainda e...-começa ele mas Jade o corta.
–Isso não é desculpa Al, seu filho não é o único que sofre por conta de uma perda, todos nós aqui perdemos alguém importante, mas nem por isso ficamos parados sem fazer nada...Ele precisa saber disso e só você pode fazer com que ele perceba isso...-fala cruzando os braços, Al suspira.
–Acho que tem razão, irei falar com ele...Mas agora deixe-nos voltar ao trabalho, pois ainda temos muito o que fazer mocinha..-ele comenta piscando e voltando a sua rotineira alegria, ela sorri.
–Certo, logo chamarei vocês para o almoço...Até já rapazes-ela comenta dando as costas, suspirando me abaixo para pegar as caixas-AL UMA CAIXA POR VEZ, UMA CAIXA!!-Jade grita de longe me fazendo bufar e soltar uma das caixas, Al apenas riu.
Olhei para meus braços novamente e suspiro me lembrando de quando havia recém chegado no “Buraco”, era o nome que colocamos para a usina de esgoto onde morávamos. Eu havia sofrido um acidente por conta do ataque a cinco anos, o acidente foi grave o suficiente para eu ter de amputar meus dois braços até os ombros, lembro que cheguei nos braços de Al em uma das tendas que haviam construído para os feridos.
“–Aguente firme garoto!! Estamos chegando! Aguente firme!!-a voz de Al ressoava em minha mente, meus olhos buscavam encontrar alguém de minha família, não conseguia mexer meus braços, eu olhei para o rosto velho de Al e ele olhava para a frente bastante aflito, tentei perguntar o que estava acontecendo, e quem era ele, mas não conseguia falar, parecia que todo meu corpo estava dormente, senti minhas vistas vacilar e um sono muito grande me atingir, estava quase apagando quando escutei a voz dele novamente-Acorte!! Fique acordado garoto!! Não vou deixar você morrer!! Fique acordado...-ele exclama me dando um tapa no rosto, abri os olhos, me perguntando porque ele estava me ajudando? Alias porque ele disse que eu estava morrendo? Eu estava morrendo? Não sabia, não sentia nada, não sentia nem mesmo dor alguma, meu corpo estava dormente, só sentia muito sono.
–Rápido! Traga ele aqui! Temos que ser rápidos!!-uma outra voz se fez presente em minha mente, olhei para o lado vendo um homem com bigode e olhos castanhos assim como os cabelos gritar palavras que não conseguia ouvir, senti ser colocado em algo macio e em seguida apaguei, a última coisa de que me lembrava antes de apagar era da expressão de Al gritando para que eu ficasse vivo, mais nada.
–Maldição! Ele está perdendo muito sangue! Como esse garoto ainda não morreu?!-o médico gritava enquanto que, com a ajudar de algumas enfermeiras, cortava a blusa do garoto, ficaram pasmo ao ver o estado dos braços do garoto, estavam negros, e apodrecia cada vez mais rápido, o médico trincando os dentes é rápido e com a ajuda de uma das três enfermeiras retirou o resto das roupas do garoto-Temos que amputar os braços dele o mais rápido que conseguirmos, essa coisa está sugando a vida dele e rápido, vamos! Temos que cortar os braços dele fora antes que chegue em seu coração!!-ele exclamou para a mulheres que confirmaram o ajudando.”
Fui atendido as pressas, eu era o único com um ferimentos grave naquela hora, o médico que me atendeu era pai de Jade, disseram que eu tive pelo menos três paradas cardíacas no meio da cirurgia, acharam que eu não viveria por muito tempo, mas consegui resistir a cirurgia e a recuperação, mas eu estava acabado, sem meus braços o que eu poderia fazer? A promessa que havia feito, de derrotar aquelas coisas, foi destruído com aquele acidente.
Mas por sorte Jade estava estudando a algum tempo sobre mecânica robótica, e estava criando um novo braço biônico, e quem foi sua primeira cobaia? Acertou quem disse o cachorro, mas ele morreu no processo, depois de um mês tentando criar novamente braços mecânicos ela conseguiu criar um protótipo parecido com os dos robôs que até então ainda destruíam a terra, eu sem muito o que escolher, me ofereci para ser sua primeira cobaia humana dela, e olha eu aqui, com duas potentes armas no lugar dos braços.
Passei por um treinamento junto de Al que me auxiliou durante dois anos, até que eu consegui-se usar todo o poder daqueles braços, consegui e posso dizer que sou o primeiro ser humano com braços robóticos com raios na palma das mãos, com ele avançamos muito mais rápido em nossas pesquisas sobre aquelas coisas, pois consegui derrubar uma delas na primeira vez que usei os poderes deles, desde então esperamos a hora certa para contra atacar.
Sem muito o que fazer, fui caminhando para o lado de fora de nosso esconderijo, o buraco ficava atrás de uma colina no centro de um antigo lago que fora abandonado após a construção de uma nova usina do outro lado de Nova York, o lago secou sem a drenagem ficando apenas o fosso e a abertura para a parte subterrânea da usina, abri a comporta redonda e saí de lá, caminhei até a borda do buraco e subi uma escada até a parte de cima, subi um pequeno morro de terra e fiquei olhando os destroços do que sobrou da cidade após cinco anos de destruição, parecia aquelas cenas de fim do mundo de alguns filmes antigos, como...”2012”, ou ainda do filme “Apocalipse: O fim do mundo”. Suspirei me sentando recostado em um pedaço de placa da usina, coloquei os braços para trás da cabeça ficando ali por um bom tempo, fixado em cada detalhe de “nova” Nova York.
–O que faz sozinho aqui?-olhei para trás depois de um bom tempo contemplando da paisagem, Jade estava em pé no morro me olhando com as mãos para trás do corpo, ela sorri quando a olhei-Oi...
–Oi...-murmuro, ela se senta de pernas cruzadas em meu lado.
–Porque gosta de ficar aqui? Não fica com medo de ver toda essa destruição?-ela pergunta olhando para frente, voltei meus olhos para a cidade.
–Não sinto medo...Olhando para lá eu fico imaginando um modo de destruir aquelas coisas...Por isso fico aqui...-falei simplesmente, ela suspira.
–Não sei como pode estar tão calmo...Ou não sentir medo...Não passa por sua cabeça que a qualquer momento as pessoas ao seu redor podem desaparecer e acabar ficando completamente sozinho?-pergunta ela abraçando os joelhos, a olhei por um tempo vendo o vento levar seus longos cabelos castanho para trás, enquanto ela tinha os olhos cerrados para a cidade, seus dedos apertavam seus braços até ficarem brancos, provavelmente aquele pensamento já havia passado por sua cabeça várias vezes, suspirei voltando meus olhos para a cidade novamente.
–Não sinto nada disso...Não consigo sentir absolutamente nada...Desde que meus pais e minha irmã morreram a única coisa que sinto é uma vontade de estourar a cabeça de todas as aquelas malditas máquinas...-Jade me olhou por um tempo e em seguida baixou a cabeça.
–Entendo...-murmura, olhei para ela e sorri de lado.
–Mas posso dizer que...Seria impossível encontrar outra mecânica tão incrível como você...-falei, Jade olhou para mim e seus olhos brilharam, ela sorriu envergonhada.
–Obrigado Simon...-fala ela, confirmo com a cabeça e ela se levanta-De qualquer forma, o almoço está pronto, vim aqui lhe chamar e já ficamos tempo demais aqui...Vamos?-ela estende sua mão e sorrindo de leve seguro me levantando.
–Vamos baixinha...-murmurei recebendo uma cotovelada na barriga, ri e olhei para trás, para a cidade ficando sério novamente, estendi meu braço para a cidade e cerrei o punho–“Tenha certeza...O fim de vocês está próximo...Não vou deixar que mais nenhum de meus amigos fiquem com medo...Nunca mais”

Fale com o autor