Go Rogue!

41 Capítulo 41 – Snow


Notas iniciais
A fic está de capa nova outra vez, feita por mim. =D

Capítulo 41 – Snow

— Recebemos o sinal, mas nenhum de nós conseguiu localizá-la, Cassian. A tempestade deve estar interferindo no sin—a-a—l...

— Bodhi!! – Cassian chamou.

Silêncio.

— Cassian... – a voz voltou.

— Onde vocês estão?!

— Eu encontrei Baze e Chirrut. Estamos há cerca de um quilômetro da base.

— Voltem pra base, agora.

— O que?! Não vamos deixar, você, Jyn e Kay.

— Estão muito longe, minha distância é maior que isso, não há porque arriscar a tripulação inteira. Se estão perto, cheguem à base e peçam ajuda! Kay está trabalhando pra captar o sinal de Jyn. O abrigo de emergência não fica muito longe daqui. Com sorte Jyn o encontrou.

— Cassian...

— Faça o que eu disse! Entro em contato em breve.

— Certo. Mas vamos sair se não disser nada dentro de duas horas.

— Vão logo!

Um som alto e a comunicação caiu novamente.

— Kay! – Ele gritou para ser ouvido através do vento gelado.

— Eu acredito que Jyn está naquela direção! – Ele apontou para a frente. O abrigo fica um pouco mais à esquerda, mas já é um bom sinal.

Cassian correu em seu tauntaun enquanto Kay os acompanhava. Correram por vários minutos até Cassian conseguir visualisar uma mancha escura em meio à neve que caía. O tamanho correspondia ao de um tauntaun, mas sem ninguém o montando. O capitão olhou para baixo, tentando avaliar as condições de seu próprio tauntaun, parecia um pouco cansado, mas ainda poderia aguentar alguma corrida.

— Vamos, garoto... Só mais um pouco.

O animal emitiu um ruído de entendimento e começou a correr novamente quando Cassian ordenou. Em pouco tempo os três estavam diante da tauntaun de Jyn, perturbada e aparentemente sozinha, mas ainda com o equipamento da rebelde preso em sua cela.

— Kay! Onde ela está?

O droid caminhou em volta do animal, parando onde Cassian não podia vê-lo muito bem.

— Aqui! – Ouviu K-2 responder.

O droid tentava tomar as rédeas da tauntaun em mãos enquanto ela desviava e Cassian pode ver Jyn com uma das mãos presa às rédeas, sendo arrastada na neve gelada e já um pouco coberta por ela, já um pouco pálida, a visão o fez gelar por dentro e não conseguiu evitar que seu coração acelerasse.

— Fique onde está! – K-2 pediu.

O droid soltou Jyn das rédeas e Cassian tentou se aproximar para acalmar a tauntaun e evitar que fugisse, por mais que quisesse voltar sua atenção para Jyn. Em alguns minutos conseguiu obter sucesso e quando olhou para Kay, ele vinha em sua direção, carregando Jyn.

— Não acho que tem ossos quebrados, mas deve sentir dor quando acordar devido à queda. Talvez tenha alguma lesão escondida pelas roupas. Devemos nos dirigir ao abrigo agora.

O droid acomodou a rebelde junto a Cassian, que a segurou firmemente com um braço, segurando as rédeas com a outra mão, enquanto Kay conduzia a tauntaun de Jyn na direção do abrigo. Não levaram mais que dez minutos para chegar, embora para Cassian parecesse uma eternidade a cada vez que olhava o rosto da esposa.

— Fique comigo, Jyn! Fique comigo, falta só um pouco, querida!

O lugar havia sido construído logo que a base rebelde se estabelecera em Hoth. Normalmente os abrigos escondidos eram bem menores, mas em áreas mais perigosas como aquela eram projetados com maior capacidade. Era grande o suficiente para acomodar dois tauntauns, dois humanos e um droid, além de caixas com suprimentos, roupas, kits médicos e um aquecedor. Kay ajudou Cassian a vir para o chão com Jyn, e assim que foram libertados do equipamento que carregavam os tautauns foram para um canto do abrigo e se enroscaram um no outro, logo caindo no sono. Kay encontrou alguns colchonetes e estendeu um deles no chão, o forrando com um cobertor, onde Cassian acomodou Jyn.

— Tente se comunicar com a base.

— Ainda não considero que ela está sofrendo uma hipotermina, mas está em risco. Vou tentar do lado de fora e rastrear a área por possíveis ameaças. Precisa aquecê-la o quanto antes.

— Farei isso. Tenha cuidado lá fora.

— Tentarei não demorar.

Cassian viu o droid sair e fechar a porta. Levantou-se rapidamente para acender as luzes, estava escuro dentro do abrigo e havia cortinas cobrindo as poucas janelas. Examinou Jyn rapidamente, tocando em seu rosto. Estava pálida e gelada. Colocou um cobertor perto do aquecedor enquanto procurava por roupas que coubessem nela em uma das caixas. Conseguiu encontrar, mas não estavam muito mais aquecidas do que a neve lá fora, então as deixou junto ao aquecedor também.

— Jyn... Pode me ouvir? – Perguntou enquanto a libertava de suas botas e roupas geladas, sem resposta – Vamos, Estrelinha – pediu um pouco mais desesperado removendo as próprias luvas e tentando aquecer os braços dela com o calor de sua pele – Jyn...

Seus olhos se detiveram na marca vermelha na lateral esquerda do corpo, parecia uma pancada, causada por algo grande. Correu com cuidado seus dedos por ela, mas Jyn não reagiu. A lesão estava começando a ficar roxa.

— Preciso de bacta.

O capitão se arrastou para a caixa de kits médicos, pegando um deles e encontrando bacta, material para curativo e bandagens. Jyn não reagiu nenhuma vez enquanto ele cuidava dela, deixando-o mais aflito a cada segundo. A respiração lenta o assustava, a pulsação em seu pescoço parecia boa, mas não o suficiente. Não demorou para pegar o cobertor aquecido e o colocar sobre ela depois de aplicar um curativo com bacta na lesão. A neve das roupas que Jyn usava começava a derreter lentamente e molhar o tecido. Cassian as colocou junto com as botas perto do aquecedor, pegando as roupas que encontrara e puxando o cobertor de cima de Jyn para vesti-la novamente, também colocando novas meias e luvas em seus pés e mãos. O que o consolava é que além do hematoma a pele não apresentava outros locais com vermelhidão e manchas roxas, que seriam o claro sinal de hipotermia avançada. Soltou o cabelo da rebelde e colocou uma touca em sua cabeça, tentando deduzir o que poderia tê-la derrubado de sua tauntaun. Em seguida pegou seu karpa extra no equipamento e envolveu Jyn com ele. Ela era tão pequena para seu tamanho que se estivesse com o corpo encolhido, poderia facilmente desaparecer dentro do agasalho.

— Acorde logo, por favor... – pediu se juntando a ela e puxando o cobetor sobre eles.

A abraçou o mais perto que podia e beijou sua testa, fazendo círculos suaves em sua bochecha com o polegar sem tirar os olhos de seu rosto por nenhum segundo. Longos minutos se passaram até a temperatura dela parecer um pouco mais elevada.

— Vamos, Jyn... Por favor, querida. Você ainda está viva, não desista. Nós estamos com a força e a força está conosco – ressitou o mantra de Chirrut.

— Cassian...

Kay havia voltado. Ouviu a porta ser fechar e o droid apareceu ao lado dos dois.

— A área está livre de perigos, eu consegui contato com a base. Estarão aqui o quanto antes, cerca de uma hora e meia se as condições lá fora melhorarem rápido. Há outros rebeldes espalhados esperando ajuda, mas nenhum deles com risco de morrer congelado como Jyn, por isso temos alguma prioridade. Você encontrou lesões?

— Ela tem uma pancada grande do lado esquerdo do corpo. Acho que algo foi atirado nela, e ela caiu. Mas quem ou o que faria isso?

— Wampas. O território deles não fica tão distante do lugar onde encontramos Jyn. As várias camadas de roupa, e a neve macia a protegeram enquanto ela provavelmente ficou pendurada na tauntaun e depois foi arrastada por ela e perdeu a consciência por algumas centenas de metros, tendo a grande sorte de não ser perseguida e virar comida.

— Você pode parar por aí. Não me diga as probabilidades.

— Você deveria se alimentar. A temperatura dela parece ter melhorado, vai ficar bem sem seu aquecimento adicional por alguns minutos.

Cassian olhou de K-2 para o rosto de Jyn novamente, ainda pálida, mas não tanto quanto antes. Pressionou dois dedos em seu pescoço e sentiu a pulsação um pouco mais forte. A respiração parecia melhor também. A deixaria por pouco tempo, apenas o suficiente para enganar o estômago com qualquer coisa. Se apoiou no cotovelo para se levantar e se ergueu lentamente, mas parou na metade do movimento quando jurou tê-la sentido tremer ao notar sua ausência.

— Jyn?!

Ela estava de fato tremendo, tremendo bastante agora.

— Está em choque... – falou assustado para si mesmo.

— Está recobrando a consciência – K-2 respondeu – Os tremores são uma reação natural do corpo para tentar gerar calor.

— Posso aguentar a fome um pouco mais, Kay – falou voltando para debaixo do cobertor pra abraçar Jyn novamente.

Os olhos verdes se abriram, mas por menos de um segundo antes de fecharem novamente. Ela parecia tonta.

— Jyn?

Um gemido baixo foi a única resposta além de mais tremores. Cassian esfregou suas costas e sentiu-a mover os dedos das mãos. Seus olhos se abriam e fechavam, várias vezes.

— Não se force – Cassian sussurrou colocando um beijo suave em seus lábios, ainda um tanto frios, pela primeira vez não se importando que Kay os estivesse observando.

Jyn o olhou por mais alguns segundos dessa vez, antes de fechar os olhos novamente. Cassian deduziu que havia dormido de novo, mas ao menos ela parou de tremer algum tempo depois e seu rosto ganhou um pouco de cor.

— Eu vou relatar a base sobre a situação – K-2 falou se retirando.

Cassian tomou seu tempo observando as sardas no rosto a sua frente, ela era tão bonita... Mesmo frágil e inconsciente. Continuou abraçando-a perto dele para esquentá-la. Quando Kay voltou com instruções, a respiração dela assumiu um ritmo diferente e um murmúrio deixou seus lábios. Então Jyn começou a tossir. Devia ter se engasgado ao tentar falar de repente. Cassian se ergueu, e a sentou o mais cuidadosamente que pode, apoiando-a nele.

— Água, Kay!

O droid pegou uma garrafa nas caixas de suprimentos e a entregou a Cassian já aberta.

— O isolamento térmico para os suprimentos foi bem pensado, ou essa água estaria tão gelada que seria uma péssima ideia você dá-la à Jyn.

— Respire fundo, Jyn – ele disse à rebelde, que ainda tossia.

Ela parecia consciente agora, pois fez o que ele disse. Quando a tosse diminuiu por alguns segundos, Cassian levou a garrafa a seus lábios, e Jyn bebeu com gratidão. Quando ele devolveu a garrafa a Kay, Jyn olhou confusa de um para o outro, e ao redor.

— Nossos tauntauns estão bem, estão dormindo no canto atrás de nós. Fale alguma coisa, Jyn...

— Não lembro bem... – ela sussurrou, se recostando a ele novamente.

— Você lembra de ter visto algum wampa? – K-2 questionou pacientemente.

Jyn o olhou por algum tempo como que forçando seus pensamentos.

— Sim. Apreceu do nada, gritou furioso, e jogou um pedaço grande de gelo na minha direção. É tudo que me lembro.

— Isso explica a lesão que encontrei – Cassian lhe disse – Você vai ficar bem, o bacta vai resolver. Kay, peça uma nova atualização.

— O sinal parece estar melhorando lá fora. Não devo demorar.

Quando o droid saiu, Jyn olhou em volta, as roupas que usava estavam junto com suas botas na frente do aquecedor, deviam estar no abrigo. Mexeu os pés e notou que usava meias, além das luvas e da touca que já havia percebido. Aquele karpa enorme devia ser de Cassian. Mudou um pouco de posição e percebeu que estava completamente vestida e algo doía perto de sua cintura, provavelmente a pancada causada pelo wampa. Começou a tremer de novo, e Cassian a empurrou para que voltasse a se deitar.

— Ainda bem que acordou – ele disse baixinho beijando sua testa e a abraçando perto dele outra vez – Fiquei com medo.

— Te deixar não está nos meus planos, capitão.

Jyn sorriu e fechou os olhos com a sensação reconfortante da mão protetora acariciando suas costas e o calor que emanava dele ajudando-a a se aquecer. Ela tornou a abrir os olhos brevemente para encará-lo, e o beijou. Cassian a retribuiu prontamente. Foi rápido, mas mesmo ele se sentiu mais aquecido com aquele pequeno carinho. Jyn se encolheu perto dele querendo que compartilhassem tanto calor quanto possível, ela ainda se sentia congelando por dentro. Os braços de Cassian em volta dela eram o lugar mais seguro e confortável do mundo.

— Devem vir nos ajudar em uma hora, talvez menos.

— E os outros?

— Estão bem, estavam perto da base, mandei que voltassem, embora eles quisessem vir procurar você. Eu estava mais perto de você do que da base, o que não importa, eu viria do outro lado do planeta te buscar se fosse preciso.

— Eu sei – Jyn respondeu com um sorriso.

— Você ficou presa nas rédeas da tauntaun. Kay acha que ela correu com você pendurada por algum tempo, depois você caiu. Te encontramos sendo arrastada na neve com uma mão presa nas rédeas. Se ela tivesse continuado indo mais longe quando você caiu... Eu fiquei aterrorizado, Jyn... Só de pensar nisso. Ainda bem que você não predeu seu rádio, e o rastreador de Kay conseguiu te localizar.

— Esqueça isso. Já estamos bem.

— Te amo muito, Estrelinha – Cassian beijou sua bochecha.

— Também te amo muito, meu herói – beijou o peito do marido.

Os dois compartilharam uma risada e não demorou muito até Kay voltar avisando que o resgate estaria com eles em cerca de quarenta minutos.