Go Rogue!
39 Capítulo 39 – Aqui comigo
Capítulo 39 – Aqui comigo
"Você vai ficar bem! Resista, por favor!"; "Força, Jyn!", a voz de Mon Mothma, a única reconhecível, falou; "Ela tem febre, está ardendo!”; “Tem ferimentos! Preparem um tanque de bacta!"
Estava sendo gentilmente removida para uma maca e envolvida num cobertor enquanto alguém colocava uma máscara de oxigênio em seu rosto. Depois sentiu o movimento de ser empurrada através de corredores e notou a luminosidade do ambiente variar conforme se movia, deixando o barulho de pessoas desesperadas na base rebelde para trás. Onde estava Cassian? Os dois estavam abraçados na praia. Jyn sentiu uma angustia atordoante começar a crescer dentro dela e de repente queria gritar, chorar, exigir por explicações de onde ele estava, mas não conseguia abrir os olhos, nem emitir qualquer som.
Bacta. Estava flutuando num tanque de bacta. Por um instante teve a vaga lembrança de uma silhueta borrada, que aparentava pertencer à Mon Mothma, parada em frente ao tanque por um longo tempo, em silêncio. Jyn abriu os olhos brevemente e não podia ouvi-la, mas no que pode focar do lado de fora, e com seu limitado conhecimento de leitura labial, pode deduzir que ela dizia “Obrigada, Jyn”. Seus olhos tornaram a se fechar e tudo ficou escuro outra vez. Pelo que lhe pareceu uma eternidade depois, estava deitada numa cama macia. Silêncio. Um cobertor quentinho. Seus cabelos estavam soltos. Usava roupas brancas e muito mais leves que as que vestia antes. Máscara de oxigênio, soro em sua mão, fios de um monitor cardíaco ligados a seu peito. Ainda nenhuma explicação ou sinal da presença de Cassian ou de qualquer um de seus amigos. Jyn entendeu... Por que ela sempre tinha que continuar viva?
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— A galáxia é ainda mais cruel do que pensei... Cada um. Ela levou cada um deles. Talvez queira me punir. Por que eu sempre tenho que ficar viva sozinha? – Jyn questionou séria, mas logo soluçou e as lágrimas que segurava há dias correram por seu rosto.
Ela agradeceu por estarem sozinhas num andar alto da base. A rebelde permitiu que Mon Mothma a abraçasse, e ficou grata com o silêncio que veio junto com o gesto. Não havia palavras para curar aquela dor. Primeiro sua mãe. Então seu pai, depois Saw, seu pai sendo novamente e realmente arrancado dela para sempre. Kay, Chirrut, Baze, Bodhi... Cassian. As lágrimas correram com mais força ao pensar nele. Não era justo! Todos tinham suas vidas e seus papéis naquela luta. Ela era apenas um artifício extra para a Aliança, por que justamente ela tinha que ser a única a viver?
— Por que eu não podia simplesmente morrer também? — Perguntou antes que pudesse pensar.
— Talvez você ainda tenha um propósito, Jyn.
— Como pode aceitar como recruta alguém que faz um questionamento tão egoísta?
— Todos aqui passaram por isso um dia. Mas muito poucos tiveram a coragem de questionar em voz alta como você. Isso não a torna fraca ou incapaz, Jyn.
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Naquela noite ela não achava que conseguiria dormir. Um quarto lhe foi dado, não um quarto qualquer, o quarto “dele”. Todas as coisas dele estavam lá, apesar de não serem muitas, e Jyn poderia decidir o que fazer com elas. Cassian não tinha parentes vivos, e todos os seus amigos mais próximos estavam mortos. E ninguém que vivesse em Yavin 4 precisava ser muito atento para perceber que Jyn se tornara a pessoa mais próximo a ele nas últimas semanas, alguém em quem ele realmente confiava. Ela não sabia o que Cassian havia dito sobre ela, mas todos ali pareciam respeitá-la e aceitá-la bem, e o general Draven estranhamente parara de importuná-la com sua desconfiança quando a própria Mon Mothma diante de todo o conselho a oficializou como um membro da Aliança Rebelde.
Ela deu um passo a frente ao perceber que ficara parara na porta do quarto perdida em pensamentos. Acendeu a luz e a ajustou para não ficar muito forte. Havia uma cama, provavelmente a mais confortável em que Jyn já teria dormido em sua vida desde que perdera seus pais. Uma pequena mesa com duas cadeiras, alguns livros de assuntos variados empilhados nela, e um rádio. Um armário. Jyn o abriu. Encontrou reservas de comida e água numa gaveta, uma caixa com peças metálicas de droids, blasters e algumas ferramentas. Pendurou e dobrou as peças de roupa que havia ganhado da Aliança no espaço livre ao lado das peças que já estavam ali. Um parka, duas calças, algumas camisas, coletes, e roupas de dormir. Uma outra gaveta tinha roupas de cama, e um par de botas estava num canto do armário, bem em frente aos pés de Jyn. Ela poderia rir ao notar o quanto os pés dele eram maiores que os dela, mas aquilo fez seus olhos arderem e transbordarem novamente. O quarto estava impregnado com o cheiro dele, que era ainda mais presente no armário. Jyn respirou fundo tentando se tranquilizar e começou a se livrar de suas roupas e equipamento. Olhou para seu blaster A180, havia sobrevivido à Scarif, o blaster que ela tinha roubado dele. Deixou no armário e seguiu para o banheiro.
Jyn nunca tivera muitos problemas para seguir em frente após perder alguém depois que se acostumara com a quantidade absurda de vezes em que isso acontecia, mas dessa vez estava doendo tanto quando perdeu seus pais, e ela não se importaria de ficar ali debaixo da água quente para sempre. Desligou o chuveiro e se secou, indo para o quarto se vestir.
— Você devia estar aqui comigo – falou para si mesma quando já estava meio vestida e puxou uma das camisas do capitão ao lado das suas no armário.
Jyn a vestiu, mais uma vez percebendo o quanto ela era pequena perto dele, e indo se deitar. Puxou o cobertor com força em torno dos ombros, tentando suprir a falta do outro corpo que esperava ter ao lado do seu. Agarrou seu cristal kyber com uma das mãos.
— Cassian... – sussurrou com dor.
“Confie na força, Jyn”, as palavras de sua mãe ecoaram em sua mente quando ela adormeceu.
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— Sargento Erso. Missão de reconhecimento no planeta Hoth. Nave danificada, incapaz de levantar voo.
— Descreva a situação – alguém falou de Yavin 4.
— Houve uma tempestade, a nave foi arrastada até a borda de um desfiladeiro. Ainda assim a estou usando como abrigo, porque não há nenhum outro. Uma das assas foi quebrada ao meio e desapareceu. O vento ainda é moderado e poucas funções da nave estão funcionando.
— Uma nave aliada está próxima, vamos enviá-la. Aguarde no mesmo lugar.
— Tem wampas na região. Tenho certeza que vi um lá fora há alguns minutos.
— Fique onde está e tente não chamar atenção. Como estão suas armas?
— Acho que são a única coisa que ainda funciona bem.
— Faça contato em caso de emergência.
— Copiado.
Jyn encerrou a comunicação, embora achasse que de nada adiantaria pedir ajudar pelo rádio se um wampa furioso a atacasse de repente. Ficou sentada na x-wing observando a neve cair na paisagem completamente branca lá fora.
— Sargento Erso.
— Erso na escuta – respondeu imediatamente ao ouvir a voz de um droid.
— Quando voltar, compareça imediatamente à sala do conselho. Há algo que precisa saber o mais rápido possível.
— E o que seria?
— O compartilhamento desse dado pode interferir se tornando uma distração perigosa para sua sobrevivência. Será informada quando chegar. A própria Mon Mothma estará a sua espera.
— Copiado.
Não se deu ao trabalho de responder mais nada, preferia não perder seu tempo discutindo com droids. As unidades BB8 eram os únicos droids com os quais se valia a pena manter uma conversa. Os R2-D2 também podiam manter uma boa cobversa de vez em quando, e também C3-PO. Outros eram bem petulantes como K-2SO, e outros conseguiam ser tão irritantes e chatos quanto droids médicos.
Não tentou pensar muito no que quer que fosse que Mon Mothma queria falar com ela, não iria adivinhar de qualquer forma, e voltou a concentrar-se na paisagem branca. O R2-D2 surgiu atrás dela informando alguma coisa.
— O que?!!
Foi tudo que Jyn teve tempo de falar. A nave balançou e bateu violentamente de volta ao chão. E isso continuou acontecendo. Ela segurou-se da melhor forma que podia para se erguer um pouco e tentar olhar do lado de fora. Ela abafou um grito e caiu sentada de novo quando o rosto deformado e monstruoso de um wampa adulto apareceu do lado de fora. A criatura gritou furiosa e continuou empurrando a nave. Jyn olhou para o desfiladeiro, desse jeito iam cair! O wampa socou o vidro, o quebrando e obrigando Jyn a proteger o rosto com os braços. Aproveitando que o monstro tinha ido para o outro lado, colocou o droid do lado de fora e depois saiu, puxando os óculos de proteção sobre os olhos e sacudindo os estilhaços de vidro de suas roupas. A nave estava quase caindo ladeira abaixo, mas Jyn teve a má sorte de ser vista. O wampa correu em sua direção e o R2-D2 começou a gritar, correndo na direção da criatura branca e tentando eletrocutá-la, mas a grossa camada de pele e pelos brancos permaneceu impenetrável e o droid foi simplesmente ignorado.
Jyn atirou no wampa, que se inclinava, mas continuava correndo como se nada tivesse acontecido, e ela passou a agredi-lo com seu tonfa quando ele chegou perto. Mas se Jyn já era pequena perto de outros humanos, ela não passava de um inseto ao lado daquele wampa. A mão gigante do monstro a atingiu com força na lateral do corpo e ela foi atirada na neve. O droid voltou a atacá-lo enquanto ela tentava se levantar, mas a resposta foi outro gritou aterrorizante e o wampa quase esmagando o R2 antes dele correr para longe. Jyn estava ficando de pé quando a mão enorme a agarrou pelo pescoço e a ergueu. Prendeu o tonfa ao cinto e agarrou o braço branco que a prendia, tentando não se sufocar. Sacudiu as pernas tentando se soltar, embora soubesse que era inútil com a força que o wampa tinha. A outra mão a golpeou, rasgando sua roupa e ferindo seu ombro e seu braço. Uma dor escruciante correu por seu corpo e qualquer força para lutar começou a ser lentamente drenada.
Seus olhos verdes correram pela neve, o R2 não estava mais visível, a nave também não, o que indicava que havia caído. Mais um grito a fez encarar o rosto horrendo do wampa, que andou com ela até a borda do desfiladeiro. Jyn respirou fundo, refletiu. Não havia o que pudesse fazer. Os tiros do blaster e o tonfa não eram suficiente. E mesmo uma pessoa grande não poderia lutar em níveis de igualdade com aquela criatura. Então esse era o fim? Depois de dois meses ela veria seus amigos de novo. E veria Cassian. Veria seus pais, e Saw. Jyn fechou os olhos, e sorriu. Viver ou morrer... Ela estava aliviada com qualquer uma das opções. Então apenas esperou. Mas a realidade não foi compatível com suas expectativas. Ouviu o R2 gritar e alguma coisa muito forte atingiu o wampa, ela podia jurar ter ouvido um tiro. Os dois caíram, mas o monstro levantou e correu na direção do disparo, ferido e mancando, mas ainda correndo. Jyn bateu em algo, ou alguém e sentiu-se escorregar pela ladeira de neve abaixo dela quando algo a prendeu firmemente ao chão, e por mais impossível que ela considerasse ser, parecia um braço humano.
— Eu sabia que se alguém era capaz de lutar com um desses e ficar viva até o socorro chegar, só podia ser você.
Jyn abriu os olhos ao reconhecer a voz do velho amigo. Há quantos anos não se viam mesmo? Focou o rosto de Han Solo. Ele estava meio enterrado em seu karpa e óculos, mas podia reconhecê-lo. Apesar da dor em seu braço conseguiu sorrir de volta para ele.
— Estava começando a pensar que estivesse morto.
— Olha quem fala... Vamos subir isso antes que a gravidade resolva terminar o que começou.
— O que foi aquilo? – Jyn perguntou quando começaram a se esforçar para subir.
— Chewie o atingiu. Lembra daquela arma que ele carrega?
— Eu não ia querer ser atingida por aquilo.
— Pois é. Mas ele ainda pode ter problemas. Um wampa é um wampa.
Os dois finalmente conseguiram se agarrar à borda para subir. Han a empurrou pra cima, subindo em seguida. O wampa gritava ao ser atingido, mas se recusava a cair. O R2-D2 emitia ruídos nervosos enquanto girava em torno do próprio eixo. Chewbacca atirava impiedosamente no wampa, junto com outras quatro pessoas que Jyn não podia identificar. Os tiros começaram a sessar quando a criatura branca correu para longe, desaparecendo na neve e deixando um rastro de sangue que se estendia atrás dele. As armas foram abaixadas e três das quatro figuras adentraram a Falcon junto com o R2. Chewie olhava o wampa em fuga, para o caso dele voltar. Uma das pessoas estranhas continuava ali.
— Eu não disse que o desvio era necessário? – Han falou alto para ser ouvido por ele.
O estranho os olhou, e apesar do karpa e dos óculos esconderem quase todo o rosto, Jyn notou imediatamente a mudança de expressão de neutro para totalmente abismado. O homem tinha barba e era familiar a ela. O coração da rebelde disparou, e seu cérebro tentou protegê-la impedindo-a de acreditar no que via.
— Cabelo castanho claro, quase ruivo, olhos verdes, sardas, e menos de um metro e sessenta. Essa é a sua garota? – Han perguntou.
O olhar de Jyn continuou preso nele quando Han se levantou e a ajudou a fazer o mesmo. Jyn gritou quando seu braço doeu ao se apoiar nele para se levantar. Não precisou de mais do que isso para o outro homem correr na direção deles.
— Dois minutos, ou vamos morrer congelados aqui – Han falou para ela – Entrem logo, vamos cuidar desse braço.
Jyn assentiu e seu olhar se prendeu ao outro indivíduo. Estava muda e não tinha palavras para aquele momento. Ele chegou mais perto e tirou sua mão de cima do braço ferido para que ele mesmo pudesse ver o estrago. A mão enluvada acariciou a sua e a outra puxou os óculos do rosto lentamente. Aqueles olhos castanhos tão doces e acolhedores estavam olhando para ela outra vez, da mesma maneira que haviam olhado na praia de Scarif. Jyn fechou os olhos quando ele soltou sua mão para tirar delicadamente os óculos que ela usava, embora não soubesse do que estava com medo. Polegares gentis acariciaram suas bochechas e suas testas foram unidas. Quando os olhos verdes se abriram outra vez, lágrimas além de seu controle correram pelo rosto, e a rebelde viu os lábios dele dizerem sem som, “Jyn...”.
Os dois pares de olhos se fecharam de novo e Jyn chorou ainda mais quando seus lábios foram pressionados contra os dela e as mãos fortes seguraram seu rosto. Foi a segunda vez que ela pensou que poderiam morrer se beijando, ela não se importaria, e tinha certeza que ele também não.
— Cassian... – falou com voz e choro misturados quando se separaram e ela o abraçou com força, ignorando a dor em seu braço.
— Jyn... – sussurrou abraçando-a forte e enterrando o rosto em seu ombro bom.
— Escapar agora, abraçar depois – ouviram Han falar de repente – Vamos morrer aqui se demorarem mais um minuto fora da Falcon.
Quando se afastaram Jyn pode ver que Cassian também chorava, mas ele lhe ofereceu um sorriso e começou a guiá-la para dentro da nave. Quando já decolavam Jyn ouviu ruídos do R2 se afastando para algum lugar e os ruídos de Chewie a chamando. Ela sorriu para o wookie e os dois se abraçaram.
— Senti sua falta também – a sargento falou.
— Jyn?!
Outro susto. Os olhos claros se arregalaram e ela se soltou de Chewie, olhando para o corredor tentando localizar de onde ouvira a voz de Bodhi.
— O que?! Ela realmente está aqui?!
Baze dessa vez. Após os breves segundos em que ela decidiu que não estava alucinando vendo Bodhi, Chirrut e Baze andando em sua direção, ela mesma se adiantou para abraçar os três amigos longamente.
Após saltarem para o hiperespaço e entrarem em piloto automático, Han se levantou da cadeira do piloto e se espreguiçou, se livrando da roupa de neve e observando com um sorriso os quatros amigos abraçados e falando todos ao mesmo tempo. Havia encontrado os quatro rebeldes desesperados por uma carona para Yavin 4 em um dos planetas que havia passado. Tinham encontrado uma nave imperial abandonada e saído de Scarif no último segundo, resgatando milagrosamente o capitão Andor das ondas mortais. Ele quase morrera várias vezes no transporte e nas semanas seguintes. E só conseguiram tratamento médico e tanques de bacta porque Bodhi tinha conseguido vender a nave numa espécie de mercado negro na cidade. Dali em diante, após curados, levaram dois meses até se depararem com a sorte de Cassian reconhecer Han de breves encontros no passado quando ele e Chewie entraram em um bar. E aquele fora um dos dias mais agitados do contrabandista. Assimilar que quatro rebeldes dados como mortos estavam vivos, que a presença imperial no planeta os impedia de fazer qualquer contato, que temiam ser descobertos a qualquer momento, explicar a eles detalhes sobre a destruição da Estrela da Morte. E como uma ironia do destino, ser interrompido por Leia e Mon Mothma no transmissor no exato momento em que desmentiria a lamentável afirmação deles de que sua líder estava morta.
— Jyn, Chewie vai te levar pro seu quarto, pra cuidar desse braço – ele falou, lamentando ter que interromper o momento, mas um ferimento de um wampa não era algo a ser ignorado.
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Jyn tirou os óculos e o karpa arruinado e sentou na cama do mesmo quarto onde dormira na Millenium Falcon tantos anos atrás. Cassian trancou a porta e sentou ao seu lado com o kit médico. Mas antes de qualquer coisa estavam presos em outro abraço forte como se quisessem se tornar um só. Poderiam passar a eternidade abraçados, nunca seria o suficiente. Cassian beijou seu rosto, sua testa, seu nariz, seus lábios.
— Jyn... Achei que estivesse morta.
— Você não sabe como foi difícil acordar sozinha em Yavin.
— Fiquei feliz em ver Chirrut, Baze e Bodhi comigo, mas em muitos momentos parecia que Chirrut não ia resistir. E você não estava lá. Nunca foi tão difícil aceitar que eu tinha perdido alguém.
Outro beijo.
— Nunca mais quero que você saia da minha vista – ela falou, acariciando o rosto dele.
— Nem eu que você saia da minha – respondeu com mais um beijo.
Suas mãos se uniram e a dado momento a mão do braço ferido de Jyn apertou a dele com força e um murmúrio escapou dela, estava sentindo dor. Cassian parou o beijo suavemente.
— Me deixe cuidar de você.
— O que aconteceu?
— Bodhi disse que quebrei algumas costelas, tive queimaduras e muita febre. Fiquei quatro dias em um tanque de bacta. Chirrut ficou dois. Baze e Bodhi apenas um. Havia algumas pessoas contra o Império escondidas lá, elas facilitaram pra nós. Tivemos muitas sorte. Fique quieta – ele pediu quando pegou uma faca pequena e rasgou o que restava de tecido da manga da camisa de Jyn.
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— Aonde estamos indo?
— Meu quarto – Jyn lhe disse.
Após longas horas de explicações e procedimentos quando chegaram em Yavin 4, finalmente puderam se instalar para descansar. Bodhi, Baze e Chirrut haviam ganhado aposentos na base, e receberiam treinamento extra agora que faziam parte oficial da Rebelião, embora todos fossem continuar como a tripulação dos Rogue One. No caminho para Yavin Han lhes dera um presente, um droid imperial que roubara alguns planetas antes de resgatá-los, e no dia seguinte poderiam reativar K-2.
— Jyn, onde ficam seus aposentos?
— Não quer ir comigo?
— É que é o mesmo caminho dos meus. Isso é bom.
Ele emitiu um risinho ao chegarem na porta de seu próprio quarto. Jyn segurou sua mão e entrelaçou seus dedos, fazendo com que a olhasse.
— Espero que não se importe de eu ter ocupado o pouco espaço livre que você tem. E de ter usado suas camisas de vez em quando.
— Obrigado por ter feito isso, meu amor – o capitão sussurrou em seu ouvido, a puxando contra o peito e beijando seus cabelos.
Jyn inspirou fundo quando uma sensação imensa de felicidade e amor a invadiu.
Em meia hora estavam instalados. Tomaram banho e Cassian trocou os curativos em seu braço e seu ombro, aplicando mais bacta. Deitaram juntos debaixo do cobertor e se abraçaram tão próximos que compartilhavam a sensação de seus batimentos cardíacos e o calor tão desejado do corpo um do outro.
— Você está aqui – Jyn falou pela quarta vez naquele dia, como se temesse ter sido tudo um sonho, novamente deixando a barba dele arranhar suas mãos – Eu te amo tanto.
— Eu também te amo. Quero você perto de mim... De todas as formas, Jyn.
— Bem vindo em casa.
Cassian sorriu. Ela disse que ele estava em casa, e ele sabia que ele estava. Foi o suficiente para os dois se perderem finalmente um no outro. Jyn parecia completar sua vida como se sempre tivesse estado nela. Sim, estavam cansados, precisavam dormir, mas seus olhares não conseguiam se desprender, e logo o mesmo valia para seus lábios.
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— Tenha certeza de que ele não vai ficar doido e nos matar – Bodhi falou apreensivo.
— Já viu isso acontecer? – Baze perguntou.
— Parece que sim – Chirrut falou antes que Bodhi respondesse – Ele não tem boas lembranças disso.
O monge recebeu os olhares intrigados de sempre, mas rapidamente a atenção se voltou para o droid imperial sentado entre eles no hangar. Cassian o ativou e todos deram um passo atrás. Os olhos de Kay aos poucos se iluminaram e o corpo mecânico começou a se mexer. A cabeça se movimentou de um lado para o outro enquanto o droid parecia catalogar as pessoas em volta.
— Cassian – ele falou, e pela primeira vez alguém podia jurar ter ouvido alegria em sua voz – Jyn, Bodhi, Chirrut, Baze... Princesa Leia, o contrbandista Han Solo e seu wookie co-piloto.
— Chewbacca – Han falou – e Luke Skywalker – Ele apontou o garoto louro ao lado de Leia.
— Obrigado pela informação... Mon Mothma, general Draven. Quem vai me explicar por que não estamos mais mortos?
— São pouco mais de dois meses de informações pra você processar – Jyn começou.
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