Glowing Eyes
9 The Institute
Notas iniciais
“Almocei” na casa do Liam e quando percebi que já eram quase duas horas da tarde. Naquelas horas que fiquei com Liam, eu havia me desligado de tudo. Mas é claro que isso não ia durar para sempre.
Assim que cheguei em casa mamãe me avisou que eu tinha visita e que ela iria na casa de uma de suas amigas.
A visita era Alec. Estranhei, será que ele não soube que eu estava bem pela Clary? Isso soava completamente egoísta, eu sei. Foi mal, Deus.
— Alec, hey! O que você está fazendo aqui?
— Vim ver como você estava... E te trazer notícias.
— Como você pode ver, eu estou bem. Mas que tipo de notícias? — questionei.
— Os Caçadores de Sombras estão organizando uma reunião com os líderes dos seres sobrenaturais daqui. Matilhas e clãs de vampiros, principalmente. Nós vamos nos reunir no Instituto no próximo Equinócio.
— Instituto? O que é um Instituto? — Isso estava me deixando confuso.
— Eu vou te mostrar, você quer vir?
— Claro! Só vou pegar meu casaco lá em cima e já volto. — avisei, me dirigindo para o meu quarto.
Alec já estava me esperando no lado de fora. Com uma moto. Arqueei uma sobrancelha:
— Você sabe como pilotar isso, não é?
— São as pequenas coisas que você aprende quando é parabatai de Jace Herondale. — disse Alec. Decidi nem perguntar o que diabos era parabatai.
Alec subiu na moto, e eu sentei atrás dele, de um jeito estranho o envolvendo o corpo dele com os meus braços para ter onde me segurar. Ele estava tenso com isso, não pude deixar de sentir o seu abdômen definido.
— Pelo Anjo, tem como isso ficar mais embaraçoso? — Alec resmungou.
Concordei com ele. Aquilo estava passando dos limites de “situação embaraçosa”. Finalmente, o Caçador de Sombras acelerou e saímos para Deus-Sabe-Onde.
Concentrei-me no vento batendo no meu rosto, na momentânea sensação de liberdade, esquecendo onde a minha mão estava e tudo mais que estava acontecendo comigo.
+++
— Alec, por que estamos na praça da Igreja?
Já tinha estado ali várias vezes, mas nunca tinha notado nada de extraordinário. Será que era por que eu não estava procurando por algo assim? Esperei por uma resposta de Alec, mas não recebi nenhuma.
Em vez de me falar alguma coisa, ele começou a andar, atravessando a praça em direção à Catedral da cidade. Quando já estava perto o suficiente, ele parou.
— Então? O que é o Instituto? — perguntei, impaciente. Isso já estava me tirando do sério. Alec virou-se para mim:
— Concentre-se Will. Eu sei que você consegue!
— Concentrar-me no quê, exatamente?
— Na Igreja... No Instituto... Vamos lá! — ele parecia mais ansioso do que eu mesmo.
Fiz o que ele pediu: me concentrei. Apertei os olhos a fim de ver alguma coisa escondida, algum detalhe que eu deixei escapar, mas não achei nada. Aquilo só podia ser uma pegadinha, ele está me testando!
Já estava pronto para sair dali quando alguma coisa me chamou a atenção:
Um enorme portão surgiu ao lado da Catedral. Tenho certeza que não estava ali antes. Cheguei mais perto para ler o que estava escrito em letras grandes na estrutura enferrujada: Instituto. De repente uma segunda Igreja apareceu na praça, maior e com um estilo gótico, feita de pedras e com tochas espalhadas pelas laterais, com grandes janelas e torres. Parecia um dos cenários de Hogwarts, dos filmes de Harry Potter. Ah, só um detalhe: ela estava por cima da construção original, dos “humanos normais”, flutuando no ar.
Olhei para Alec, que estava quase dando pulinhos de alegria, e depois para o resto das pessoas que se encontravam na praça. Eles conversavam, caminhavam e brincavam com seus cachorros. Para eles, tudo estava bem.
— Eles não conseguem ver nada disso? — questionei.
— Não, só o povo do nosso mundo. — Aquilo me confundiu. Isso queria dizer que eu fazia parte do mundo deles? Alec quase lendo meus pensamentos completou: — Eu estava pensando se você tinha sangue de Caçadores de Sombras de alguma parte da sua família. Bem, é isso ou você tem a visão. Mas da última vez que achamos isso... Foi a Clary.
Então quer dizer que Clary não nasceu Caçadora de Sombras. Interessante.
— Como faremos pra descobrir se eu sou ou não?
— É bem simples, na verdade: você tenta abrir os portões.
Fiquei um tempo pensando. Será que eu tinha sangue de... Como é que Jace havia falado? Nephilim! Será que alguém da minha família era um deles? Pensei em minha mãe, mas descartei a ideia. Ela com certeza não era. Mas meu pai... Só tem um jeito de descobrir.
Andei até o portão do Instituto, hesitante. Olhei para Alec.
— Eles não vão perceber nada? — apontei para as pessoas que estavam na praça.
— Digamos que neste momento eu e você estamos ocultos por magia.
— Caralho! — não havia outra palavra pra descrever isso — Vocês podem, sei lá, andar por aí abaixando as calças de todo mundo e...
— Não — Alec me interrompeu, balançando a cabeça negativamente e ao mesmo tempo se segurando para não rir — De jeito nenhum.
“Tudo bem, vamos lá, Will! Você consegue!” repetia para mim mesmo em pensamento. Agora eu estava realmente querendo que eu pudesse abrir o portão.
— Hã... Eu, William Harding peço... Permissão para entrar no Instituto... — Se isso fosse tudo mágico mesmo, deveria ter que falar alguma coisa assim, não?
— Essa foi boa, Will. Mas não acho que é necessário... — Alec falou.
Foi quando eu ouvi um estalo vindo da muralha de ferro. Ai. Meu. Deus. Acho que estava destrancando ou algo assim. Minhas mãos já estavam tremendo. Dei um passo para trás, para poder olhar melhor. Devagar, o grande portão se abriu completamente, revelando Clary e Simon esperando ansiosos em um caminho de pedras que levava ao que parecia ser a entrada.
Minhas pernas estavam meio bambas, e não era por causa do frio que se instalou na cidade. Clary acenou para eu entrar, hesitei um pouco antes de reunir coragem e ir até lá. Isso significa... Isso significa que havia mais segredos na minha família do que eu imaginava. O que mais eu não sabia?
Quando passei pelos portões, Alec me seguiu.
— Bem-vindo ao Instituto de Silver Roof, William Caçador de Sombras! — exclamou Simon, animado.
— Não brinque com isso, Lewis — disse Alec. Clary sorriu, e eu também.
— Vamos, Izzy e Jace estão esperando vocês lá dentro — disse ela.
Não vou dizer que eu sabia por onde havíamos entrado, porque isso seria uma mentira. O Instituto tinha vários corredores que pareciam intermináveis, com tochas de alguma pedra brilhante em cada um deles.
Por fim, chegamos à cozinha. Jace estava apoiado em uma espécie de passa-prato que dividia o cômodo enquanto Izzy lavava a louça — acho que eles não tinham uma “runa” para isso.
— Então quer dizer que Will conseguiu — observou Jace.
— Pois é, parece que eu não sou tão mundano quanto você pensava — respondi, na lata. Clary gargalhou e abraçou o namorado, que estava com uma cara de bobo.
Izzy me ofereceu um pedaço do bolo que ela havia feito. Mas recusei (educadamente) depois que Alec sussurrou no meu ouvido que a comida dela era horrível.
— Então, como vocês vieram parar em uma cidade como Silver Roof? — perguntei para eles, estava mesmo curioso.
— Nós éramos do Instituto de Nova York — falou Jace — mas depois de uma série de acontecimentos tivemos que ser transferidos. Por causa do que aconteceu e por Simon, que precisava de um lugar mais remoto para completar o treinamento.
— Ele e eu seremos parabatai em breve! — exclamou Clary, animada.
— Ah, isso. O que exatamente são parabatais? — indaguei, era a segunda vez que tinham falado essa palavra para mim hoje.
— São dois guerreiros, Caçadores de Sombras, que fazem um juramento, como uma ligação. Eles lutam juntos, vivem juntos, tomam banho jun... Não, espera, isso não — explicou Jace, com humor, fazendo todos rirem.
— Então você e Alec são parabatai.
— Sim, por isso viemos juntos para cá. Não podemos nos separar, infelizmente. — Alec acrescentou, continuando a explicação. — E como Jace e Clary estão namorando, e ela e Simon prestes a fazer o juramento, nos mandaram todos juntos para cá. E Isabelle também, já que ela é nossa irmã.
— Normalmente, a Clave não liga para isso de namorados e laços de sangue. Mas nós meio que somos “especiais” para eles. E os pais de Alec e Isabelle são importantes para o Conclave — falou Clary.
— Isso que acontece quando se salva o mundo e toda a raça dos Nephilim — disse Simon, orgulhoso, e completou: — A Clave é uma espécie de governo para nós, eles que controlam tudo.
— Só não entendi uma coisa: como diabos há um Instituto em uma cidadezinha como Silver Roof? — pelo que eu ouvi, Institutos só existem em cidades grandes.
— No passado, Silver Roof era uma cidade muito importante, comerciava todo o tipo de coisa. Tinha tudo para ser uma das maiores do estado, se não fosse um ataque de demônios, que destruíram praticamente tudo. Também fez o Instituto ser desativado, até nós voltarmos para cá — explicou Izzy.
— Ah, sim. Aí está uma coisa que o Sr. Westover não sabe sobre a nossa história — falei baixinho, lembrando-me do meu professor chato de história.
Mas parece que isso não era tudo o que eles tinham para falar. Algo no jeito em que me olhavam dizia que alguma coisa estava errada. Ou melhor, alguma coisa estava errada comigo. Resolvi perguntar:
— Aconteceu alguma coisa? Vocês estão tensos...
— Estamos assim porque agora que descobrimos que você tem sangue de Caçador de Sombras correndo nas veias, teríamos que reportar isso para a Clave, o mais rápido possível — falou Jace, hesitante.
Refleti sobre aquilo. O que aconteceria comigo? Não tinha certeza, mas de uma coisa eu sabia: eu teria que deixar Natalie e Liam... Não, isso não pode acontecer. De jeito nenhum.
— Vocês não podem fazer isso! É sério, não façam isso! — eu estava prestes a me ajoelhar no chão. Clary veio para perto de mim, passando a sua mão no meu braço e tentou me reconfortar:
— Sabíamos que essa seria sua reação... Nós vamos resolver isso, confie em mim, nós iremos.
— Eu posso fazer uma busca por informações — disse Alec. — Não tenho grande peso no treinamento de Simon e posso ligar para Magnus, ele com certeza irá comigo.
— Magnus quem? — já havia ouvido esse nome, só não lembrava onde.
— Meu namorado — respondeu Alec. O feiticeiro. Mas quem era eu para julgar? Eu mesmo estou namorando um lobisomem. Ele pegou o seu celular e foi para o corredor.
— É isso, então. Will se você quiser ir para casa eu te levo até a saída. Com certeza é muita coisa para processar — ofereceu-se Clary.
— Claro, obrigado — E assim fomos até os portões do Instituto.
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