Glee - INTERATIVA
11 Tudo em dobro
Notas iniciais
Pov. Gabriela
Minha garganta dói de tanto cantar, mas é por uma boa causa, arrecadar dinheiro para o Glee e ganhar um solo.
O chapéu no chão contém algumas notas, o resto está guardado em uma caixa trancada.
— Última música pessoal — aviso minhas companheiras, Gabrielle e Lucy.
— Já não era sem tempo! Minha garganta está doendo — reclama Lucy e eu apenas ignoro.
— Precisamos fazer algo especial para ganharmos bastante dinheiro — digo e elas concordam. — Tenho a música perfeita, ou melhor dizendo, as músicas perfeitas.
https://www.youtube.com/watch?v=KzARx0EuDgc
***
A caminho da sala do coral, tento contar o dinheiro e todos me olham com curiosidade. Nunca viram uma menina andando com uma caixa de dinheiro nestes corredores?
Na verdade, eu me lembro que ano passado Katherine usou uma caixa de dinheiro como caixa de lencinhos de papel, dou um sorriso ao lembrar o episódio.
Entro na sala do coral e me sento perto de Lucy e Gabrielle, na verdade, essa é a primeira vez que sento com o pessoal popular.
— Quanto dinheiro temos? — pergunta Gabrielle.
— Ainda não tive tempo de contar, mas posso dizer que temos bastante.
— Espero que o suficiente para ganharmos.
Passo os olhos pela sala. O grupo de Kate, Samwell e Kristen discute decepcionados sobre algo. Kyle joga dinheiro para o alto, enquanto Matt tenta tomar as notas dele. Lysandra, Diana e Nicole contam o dinheiro normalmente.
Holly e Halley chegam juntas, acho que essa é a primeira vez que as vejo tão próximas, e me lembro dos boatos da festa.
— Vocês acham que é verdade aquilo sobre a Halley? — pergunta Gabrielle baixinho.
— É claro que sim, olhe para a barriga dela, está enorme! — Lucy responde um pouco alto demais. — Só me surpreende que não seja a vadia da Holly em seu lugar.
— Pensei que fossem amigas — falei.
— E nós somos — confirma Lucy, tornado oficial o fato de eu não compreender os populares.
Jay chega animado.
— Bom dia, pessoal! Hoje é um grande dia, teremos o resultado do concurso de quem consegue mais dinheiro! — anuncia e todos gritam. — Muito bem, me passem as verdinhas para que eu possa contá-las.
Coloco a caixa sobre o piano, feliz por não ter perdido meu tempo contando.
Jay demora um tempo para terminar de contar todo o dinheiro arrecadado, mas antes de o sinal bater, anuncia:
— Muito bem, já temos um vencedor, mas primeiro vamos ver quanto os outros grupos conseguiram — ele pega o papel onde anotou tudo. — Em último lugar, com 78 dólares, Kate, Samwell e Kristen.
Alguns gritam aliviados por não serem eles, os membros do grupo gritam com Samwell.
— Deixe-me explicar! — ele grita. — Estou de castigo, por isso meu pai me proibiu de gastar dinheiro! Assim que eu sair do castigo trago mais dinheiro.
— Ok... Em terceiro lugar, com 82 dólares, Lysandra, Diana e Nicole! — novamente gritos. — E agora, o que todos estavam esperando! Com 165 dólares, 10 dólares a mais que o segundo lugar... Kyle, Matthew e Halley!
Fico um pouco chateada, queria ganhar, mas posso superar.
Lucy levanta e tira 20 dólares da bolsa.
— Nada disso, o que vocês não entregaram não vale — diz Jay. — Parabéns, vocês ganharam um solo nas seletivas! Venham aqui na frente mostrar que são vencedores!
Mais gritos de felicidade e frustração.
— Mas eu tenho uma má notícia, creio que o total de 480 dólares que arrecadamos não seja o suficiente para manter o Glee.
Uma tristeza abala a todos. Será esse o fim do clube Glee?
— Talvez esse cheque de mil e quinhentos dólares ajude — diz Holly, levantando-se e andando até Jay e Halley.
— É... Talvez ajude... — brinca Jay.
— Holly, você é o máximo! Como conseguiu esse dinheiro? — pergunta Halley.
O sorriso de Holly some.
— Mamãe nem percebeu que estava assinando um cheque. Ela nem ouve o que eu digo — responde meio triste, como se fosse algo particular destinado à irmã, que lhe deu um sorriso compreensivo.
— Você merece esse solo mais do que eu, você trouxe mais dinheiro do que todos — oferece Halley.
— Não, você deve ter o solo, canta melhor do que eu e trabalhou duro por essa oportunidade — responde Holly.
— Eu insisto, não quero chamar mais atenção — ela passa a mão carinhosamente pela barriga e todos olham curiosos. — E Caso estejam se perguntando, eu realmente estou grávida de três meses do Matt.
Ao terminar a frase, os dois se beijam até o sinal bater e Jay chamar Halley para conversar. Queria ficar e escutar, mas tenho que ir para a aula.
Pov. Halley
— Halley, sua barriga parece bem maior que o normal para três meses — diz Jay, quando todos já deixaram a sala.
Realmente minha barriga está enorme e cresce mais a cada dia, as pessoas acham que eu já estou com cinco meses de gravidez. Não sei como minha família e o pessoal da escola não descobriram antes, minha barriga já está na linha do peito.
Agora é a hora de pegar o dinheiro que juntei e ir ao médico fazer um ultrassom para verificar se está tudo certo com o bebê, como as pessoas já vinham me instruindo há meses.
***
O líquido era gelado, mas minha atenção estava toda no monitor a minha esquerda.
— Não têm com o que se preocupar, os bebês estão bem.
Respiro aliviada e aperto a mão de Matt, quando percebo.
— Bebês? — Matt e eu perguntamos em sintonia.
— Sim, são gêmeos!
Desespero-me, essa é a pior coisa que poderia acontecer, meu plano era ficar com o bebê, mas não sei como vou fazer com dois! Além disso, minha barriga ficará maior, só meus pais para não perceberem isso.
Ao mesmo tempo sinto um alívio, os bebês estão bem e é isso que importa, me preocupo comigo depois.
— Parabéns, você chegou ao segundo trimestre da gravidez, que é considerado por muitas a melhor fase, as náuseas devem passar e os riscos de aborto espontâneo também. Também é hora de considerar comprar roupas novas, pois sua barriga vai crescer bastante — instrui a médica. — Quanto ao ganho de peso, você já engordou 5 quilos, o que é normal, comer direito é muito importante para seus bebês.
A médica dá mais instruções e depois Matt me leva até em casa.
— O que vamos fazer com dois bebês? — pergunto antes de nos despedirmos.
— Cuidar muito bem deles.
POV. Holly
Halley chega desesperada em meu quarto.
— O que houve? — pergunto alarmada. — Como foi a consulta?
Acomodo minha irmã na cama e em meio a lágrimas ela diz:
— São gêmeos!
Acalmo-me um pouco, poderia ser pior, pelo menos sua saúde vai bem.
— Calma, vai ficar tudo bem — tento pensar em algo para animá-la. — Na maioria dos casos gêmeos, eles saem dois meses antes.
— E a barriga cresce duas vezes mais rápido, e fica duas vezes maior!
Desisto de falar e apenas acaricio seus cabelos.
— Quer que eu ligue para o Matt? — ofereço, apesar de não gostar do garoto.
— Não, ele já sabe de tudo.
Ficamos mais um tempo em silêncio, ela apóia a cabeça em meu ombro e enquanto eu acaricio seus cabelos, ela acaricia a barriga.
— Meninas! A pizza chegou! — a empregada grita.
— Você precisa se acalmar e se recompor — faço Halley respirar mais devagar, até parar de chorar. — Ótimo, agora vamos!
Chegamos à sala de jantar, que parece elegante de mais para uma simples pizza.
— Halley, pedi vegetariana para você, já que está engordando — avisa minha mãe. — Você deveria tentar dançar para perder esses quilos, que não sei como ganhou tão rápido.
Tento mudar de assunto, apesar de ser bom que ela não coma muita pizza.
— As líderes de torcida estão nas regionais — conto.
— Viu, Halley? Sua irmã faz exercício nas líderes de torcida.
O comentário me deixa irritada, como ela pode não perceber? Olho para meu pai, tão entretido em sua leitura no tablet, que eu poderia dizer qual quer coisa que nenhum dos dois notaria.
— Halley está grávida — disparo.
Os dois olham para mim abismados, e depois para minha irmã.
— Boa piada, Holly. Nós perceberíamos se ela estivesse realmente grávida.
— E são gêmeos! — continuo. — Mas vocês são tão desligados e egoístas, que eu poderia ter tatuado um pênis na minha testa que vocês não notariam.
Olho com o canto do olho para Halley, que está chorando desesperada. Minha mãe vai acudi-la e verificar a informação.
— Quantos meses? — pergunta.
— Três! Por três meses vocês não prestaram atenção o suficiente para saber que ela está grávida! — grito.
— Holly, vá para o seu quarto, queremos conversar com a sua irmã — diz meu pai, finamente colocando o tablet de lado.
Não quero deixar minha irmã naquele momento, mas resolvo obedecer.
Tento ouvir resquícios da conversa, mas as portas de madeira maciça não permitem.
Acabo caindo no sono, mas Halley vem até meu quarto no meio da noite, carregando uma mala.
— Não se preocupe, eles não me expulsaram de casa, mas vou passar um tempo morando com a Quinn.
Sinto-me culpada, tudo isso é culpa minha. Por que eu tinha que ser uma vadia?
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