Notas iniciais
Sei que agradecer o tempo todo pode ficar chato, mas não tenho escolha. Vocês foram incríveis do começo ao fim. Foram nove meses maravilhosos na companhia mesmo que secreta de cada um.

Obrigada por cada comentário, recomendação e obrigada.

Boa leitura.

O inverno caminhou rasteiro. A colina no centro da cidade de Lima erguia-se sustentada por uma familiaridade singular. Calmaria reinava entre as árvores, cinco anos após o último derramamento de sangue.

Meia década de paz.

Tudo mudou. Os povos começaram a tratar-se como iguais desde as primeiras horas de bom dia até as últimas de ótima noite. Berrys e Fabrays agora eram um só e o mundo parecia um lugar indiscutivelmente mais justo.

_ Segure a escada, Peter..._ Quinn dobrou os joelhos e levou a broca até a última estante, faltava apenas um prego e todo o trabalho estaria feito._ Calma, muito bem... Espera, espera... Droga..._ perdeu o equilíbrio deixando a o martelo vir ao chão e despencando com ele.

_ Mãe._ O menino correu ao seu socorro._ É a quarta vez que você cai, assim vai quebrar alguma coisa importante.

_ Se é que já não quebrei._ falou massageando as costas doloridas.

Peter ajudou-a a ficar de pé. Quinn arrumou o vestido na cintura e olhou para o parafuso já posicionado na região exata. Pronto, conseguiram terminar o presente antes do retorno de Rachel.

_ Será que ela vai gostar?_ o pequeno perguntou.

_ Sim._ Sorriu satisfeita._ Eu prometi que faria isso para ela.

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Dois dias passaram. Os pais de Quinn fizeram a visita habitual. Russel trouxe flores para fazer uma recepção calorosa, Judy confeccionou alguns bolinhos de baunilha.

Adam e vovó Abby compareceram acompanhados por Noah e Kitty que agarrava na mãozinha de Jack, seu filho. Sam chegou tarde, trazendo uma Santana originalmente furiosa, injuriando “Tire os olhos da minha mulher ou eles cairão” para todos os lados. Brittany veio atrás com as mãos no rosto num pedido de desculpas.

_ Estão todos aqui?_ Quinn contou nos dedos._ Ótimo, ela chegará a qualquer momento.Vou guardar uma coisa e já volto.

Rumou para o escritório, estava mais silencioso do que de costume. O computador foi prontamente desligado por um sorriso cheio. Finalmente acabara o segundo livro de sua primeira série.

Um título importante:

Os filhos da lua.

Uma história sobre crianças que quando dia viviam no hospital entre máquinas e remédios, mas quando a noite pairava no ar, braços davam vida a patas fortes, dentes viravam presas e a pele caia em um cobertor vasto de pelos.

Os pequenos lobos corriam alcançando a liberdade almejada.

Os personagens do Livro:

Peter, o menino órfão destemido. Bryan, seu braço direito orgulhoso e Jane a menina mais inteligente e graciosa do mundo.

Conseguiu contrato com uma editora devido a uma indicação da professora Molly Morland. O primeiro livro vendera tão rapidamente que foram requisitadas mais algumas edições e o óbvio pedido de uma continuação. Quinn se formara a dois anos e já arrecadara dinheiro suficiente para comprar uma casa.

Madeira e Vidro.

Antes de partir para mais um congresso corriqueiro, Rachel comprou persianas brancas para toda a casa. Todos os problemas de suas profissões divergentes lhes custavam algum tempo juntas, mais precisamente, dois meses.

Sessenta dias longe.

Muitas ligações e saudades. Só que sabiam ser necessário e por uma causa nobre. Então valia a pena todo o sacrifício.

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Sam e Santana estavam dividindo o sofá entre cotoveladas e elogios pouco graciosos. Ela queria aumentar o volume da televisão sem haver qualquer necessidade.

_ Coloque um aparelho para surdos.

_ Ora seu filho da...

_ As crianças._ Quinn alertou travando os insultos latinos com as mãos._ Como você espera ser mãe dessa maneira?

Antes que ela pudesse retrucar a televisão gritou a notícia tão esperada do dia. O silêncio dominou a sala só sendo preenchido pela voz do repórter.

Depois de infindáveis negociações a cura para o câncer finalmente chegou ao oriente. Os primeiros resultados foram positivos e os estudos continuam por toda a China. A descoberta veio de duas médicas do hospital estadunidense de Lima.

Senhoritas Rachel Berry Fabray e Donna Emily Fabray.

Rachel se formara em medicina a um ano em Harvard, juntamente Donna, que agora fazia parte da família como esposa de Sam. Dividiu o mérito da cura com a mulher do irmão de Quinn em agradecimento por tê-las ajudado em situações caóticas do passado.

Uma conferência apareceu na imagem.

“Senhorita Berry.” Um homem levantou a mão na platéia. “Dizem que a cura foi encontrada pela sua mãe, nega essa afirmação?”

Rachel apenas sorriu e se inclinou no microfone.

“De maneira alguma. Essa declaração é totalmente verídica.” Esticou os lábios ainda mais. “Tudo que sou é inspirado nela, só estou dando continuidade a algo que tenho certeza que a traria orgulho.”

“E quanto a fonte da cura?” Insistiu. “Não há registros públicos sobre ela, como teremos certeza que não é perigosa?”

O problema crucial de Shelby Berry havia voltado a tona como previsto, mas Rachel tinha uma boa saída para esse pequeno infortúnio.

“Os primeiros registros serão lançados em breve para ostentar sua humilde curiosidade e revelar que a cura é segura, vem sendo testada em vários países e só resultados positivos foram alcançados.” Ela rumou com uma mão no jaleco para o centro do palco. “Meu sangue tem um DNA capaz de regenerar células cancerígenas, sou a única pessoa no mundo com esse tipo de combinação possível, por isso já doei uma quantidade mais do que suficiente para que com a maravilhosa criação da clonagem possam produzir mais células com essa capacidade e venham a salvar mais vidas sem depender de mim.”

Nos tempos de Shelby o estudo de clones não era tão abrangente e tão pouco provindo de algum futuro, mas na era atual já era possível criar uma celular idêntica a estudada, o que anulava a necessidade de cortarem a doadora várias vezes.

Rachel estava segura e todos que dependiam do seu sangue também.

“Deixe-me perguntar algo realmente relevante, senhorita Berry.” Falou uma mulher ruiva de olhos mar. “O que a impulsionou a ficar tanto tempo longe de casa? Por quem você luta?”

Finalmente ela se sentiu feliz diante daquele oceano de inquisidores.

“Primeiramente eu tenho um filho que foi curado. Agora ele tem um cabelo castanho que adora ficar ajeitando e não depende mais de remédios para viver.” Alguns espectadores sorriram. “E simultaneamente, tenho uma pessoa que amo me esperando e sem ela nada disso seria possível.”

Essa matéria era uma gravação antiga. Santana fez sinal que iria enfiar o dedo na garganta até o estomago diante de tanta melação e Quinn não conseguiu reprimir o sorriso que a alcançou com aquela declaração.

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_ Ela chegou... ela chegou... ela chegou._ Peter gritou na varanda. Vovó Abby que roncava a sono solto acordou exasperava e desafivelou a bengala acertando-a num local pouco apropriado de Sam.

_ A senhora precisava fazer isso?_ falou roxo.

_ Desculpe, querido._ Falou ajeitando a “arma” debaixo das mãos._ Confundi você com Hitler.

Santana passou por eles gargalhando em satisfação.

Os familiares foram recepcionar as médicas na entrada da colina. Uma visão de nuvens rosáceas preenchia em espirais o céu azul bebê. Um belo dia para reencontrar quem se ama.

Quando Quinn chegou a varanda os mais velhos já haviam cumprimentado Rachel, que erguia Peter no colo com um pouco de esforço devido ao tamanho quase similar de ambos.

Sam recebera a esposa carinhosamente.

_ Honestamente, Berry._ Santana dobrou os braços na frente dela._ Dois meses fora? Isso é coisa de uma mulher casada? Foi difícil segurar a Fabray...Ai, ai, Britt, parei, parei.

_ Ela está brincando, Rachel._ Britanny deu alguns tapas na esposa boba que arrumara._ Quinn sentiu sua falta.

_ Muita.

Houve uma troca de olhares admirados e sorrisos grandes. Rachel colocou Peter delicadamente no chão e rumou até os braços pálidos, foi recebida por um aperto de urso, palavras e muitos beijos.

_ As crianças._ A latina retrucou a bronca de mais cedo._ Arrumem um quarto.

Quinn bufou matando-a no pensamento inúmeras vezes. Sorriu corada ao voltar a atenção para o rosto de Rachel.

_ Onde eu estava com a cabeça quando convidei Santana para ser madrinha do Peter?

Rachel sorriu e beijou-a calorosamente antes de responder.

_ Eu me faço essa pergunta todos os dias.

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A comemoração acabou quando a noite cantou a primeira nota musical. Todos abandonaram a residência e Peter ficaria na casa de Noah para brincar com Jack como faziam nos fins de semana.

Rachel ficou na balaustra olhando Quinn revirar os olhos para o sinal de positivo mesclado a piscadinha nada inocente de Santana. Sorriu ao ver que tudo permaneceu da maneira que deixou.

Amava aquele lar.

_ Certas coisas nunca mudam.

_ Tem razão._ Quinn subiu os últimos degraus da escada e puxou a esposa para um beijo carregado de saudade._ Quero te entregar uma coisa.

_ Coincidência.

Quinn ergueu as sobrancelhas, também seria presenteada?

_ Primeiro as baixinhas.

Indicou o caminho para dentro de casa. Rachel bagunçou a juba loira pela afronta e recebeu uma gargalhada. Rumaram até uma porta que a dois meses não estava lá. Quinn indicou a maçaneta e sibilou um “abri.”

Uma sala iluminada por uma lareira incandescente.

Estantes de madeira cobrindo as paredes.

Pilares de livros.

Uma pequena lembrança:

“_ Já sei como resolver o problema, Rach.

Houve um giro abrupto. Elas quase caíram com o desequilíbrio.

_ Como assim?

_ Para que a gente não brigue futuramente por conta das torres de livros forrando o chão do quarto._ alargou o sorriso._ Vou construir uma biblioteca para você.”

_ É linda, obrigada._ correu a mão pela borda dos livros, hipnotizada._ Meus presentes parecem tão pequenos agora.

Quinn não deixou o plural passar despercebido.

Seria mais de um.

_ Duvido.

Rachel esticou a mão que foi prontamente tomada e levou-a para fora da casa. Um caminho inverso, colocou as mãos nos olhos avelã obstruindo a visão. Quinn tentou espiar, mas foi prontamente advertida de que não era justo.

_ Só mais um pouquinho.

_ Dê uma dica, por favor. Estou com taquicardia de curiosidade.

Pararam perto de uma encosta e a pequena sussurrou no ouvido de giz.

_ Você ama, mas não sou eu.

Ela foi liberta e simplesmente não pode acreditar no que estava na sua frente. Passaram-se tantos anos, mas o gosto de metal quente, cheiro de combustível acesso e cor da esperança nunca a abandonaram.

Seu mustang estava de volta.

_ Isso..é... Mu... Meu carro, bebê._ Correu de encontro a lataria e abraçou-o como pôde._ Não acredito. Como?

_ Simples, comprei do Noah com o dinheiro das palestras._ deu de ombros._ Ele sempre te pertenceu.

Quinn saiu do capô e segurou Rachel pela cintura roçando seus narizes carinhosamente. Depois de matar as saudades do carro rumaram novamente para o interior da casa que estava mais quente e habitável.

_ Vou buscar o vinho.

_ Não está esquecendo nada?_Rachel instigou circulando a mesa e desafivelando o cinto lentamente._ O seu segundo presente.

Quinn sorriu e olhou para os lados a procura de alguma surpresa, mas não distinguiu nada diferente, sibilou: “Onde está?” A resposta veio na forma de queda. O casaco encontrou o chão e despiu uma lingerie negra colada até acima das cochas fartas.

O que ela estava prestes a pegar?

Realmente não importava.

Parou por alguns instantes para observar como os anos foram generosos com Rachel. Cada traço da sua beleza ganhou uma nova identidade, mais madura, segura e não menos desejável.

_ Você está linda.

Ela sentou na beirada da mesa e esperou que Quinn entendesse o recado. Prontamente aconteceu o reencontro tão almejado, Quinn segurou-a pelas pernas enquanto beijava cada canto exposto no pescoço moreno.

_ Vamos para o quarto?

_ Tenho uma ideia melhor.

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Rachel estava congelando naquele frio intenso e escassez de roupas, mas honestamente não estava preocupada com isso. Tinha outros planos indiscutivelmente melhores.

_ No seu carro?

Quinn estendeu a mão e abriu entrada para o banco de trás.

_ Recordar é viver.

Houve uma revirada de olhos seguidos de um solavanco. Ambas caíram desengonças no assento largo de couro, gargalharam alto do momento. Quinn retirou um fio negro do rosto dela e beijou a região.

_ Como está o Peter?

_ Está ficando metido por influência da Santana, mulherengo por culpa do Sam e um desenhista de mão cheia, pedi a ele para fazer a arte da capa do próximo livro._ Beijou o queixo dela._ Ficou incrível.

Rachel deu o assunto por encerrado e voltou a mergulhar contra os lábios finos. Procurou a abertura da camisa dela, mas foi parada no processo. Ergueu uma sobrancelha em diversão.

_ Espere um momento._ Quinn olhou no relógio de pulso._ Olhe para o céu.

No alto da imensidão escura, um raio de fogo passou sorrateiro, rasgou as sombras com sua calda vermelha amarelada e encheu o mundo com sentidos novos e esperanças completas.

O cometa.

Rachel sorriu para a vastidão estrelar e o brilho verde ao seu lado. Aquele era o sinal da sua conquista. Conseguiram realizar tudo que desejavam contra todas as possibilidades.

Como recompensa; tiveram bons momentos juntas.

E muitos outros estavam por vir.

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Os céticos podem custar a crer nas possibilidades de uma vitória impossível, mas esse é o papel deles, não seu. A vida está cheia de encruzilhadas tortuosas e tormentas inevitáveis.

Como você age diante delas é que o definirá.

Cair e lamentar é uma opção viável e fácil, mas o que aprenderá com ela se ficar paralisado de medo? Somente a perder e acumular essa situação desastrosa. Por outro lado, existe a possibilidade de erguer-se mais forte do que da primeira vez.

Não se engane a vida tentará derrubá-lo novamente.

Mas você pode ser valente e quando perceber será inatingível.

Por tanto, gostaria de me explicar melhor, principalmente em relação ao começo, já que chegamos ao fim. O destino é um ser gorducho, sentado em um trono como espectador, olhando cada passo que damos e rindo quando acertamos ou nos amaldiçoando quando erramos.

Ele não tem poder algum.

Isso é exclusivamente seu. A escolha é sua. Não deixe que decidam por você e não se deixe correr para o caminho errado, pois ele também será difícil, a diferença é que no fim você não terá nada.

Tenho um último pedido humilde.

Um pensamento. Não sei se é certo, mas é o que acredito.

Se você não está satisfeito com o seu destino...

Um último conselho:

Mude-o.

Notas finais
Espero que esse pequeno ato de escrever possa ter trazido algo de bom para a vida de vocês. Talvez um sorriso num dia de chuva ou uma lágrima num dia seco. Paz para quem precisou e distração para os eufóricos. Não sei de absolutamente nada do mundo, mas estou tentando aprender com o pouco que tenho. Vocês me ensinaram muito e serei eternamente grata. Até breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!