Olhei para Mel e mordi o lábio com uma expressão divertida para picá-la.

"Enche esta imitação de prato de sopa, Francesca, em vez de fazeres parvoíces."

A rir, fiz o que ela ordenou.

É triste a quantidade de sem-abrgo existentes numa vila pequena como a nossa. A minha mãe diz que eles vêm da cidade para aqui, porque é mais provável serem acolhidos. Nem que seja pelos voluntários.

Ao fim de algum tempo, acabamos por conhecer as caras que alimentamos.

"Olá Mara!" cumprimentei docemente uma menina perspicaz "O teu irmão?"

"Já sabes como é, Francesca. Está escondido ali há frente."

O irmão da Mara, Max, é muito orgulhoso. Ele pensa que o facto de nós darmos bens essenciais é porque temos pena dele, o que não deixa de ser verdade. Mas para o jovem é um insulto. E com base nestas ideias, ele não aceita comida, julgando que nós pensamos nele como um trapo que não é capaz de nada. Assim, esconde-se e recusa-se a aceitar apoio, para "demonstrar força".

Com um suspiro, peguei numa taça de sopa e dirigi-me para o rapaz. Inspirei e expirei calmamente antes de dar algum sinal de presença. Dei mais dois passos na sua direção.

"Que fazes aqui?" cuspiu as palavras como veneno, fazendo-me dar um ligeiro salto. Ele é alto e tem muita força, o que se reflete na sua voz.

"Pensei que estivesses com fome"confessei, apenas para receber um riso seco como resposta. Mal educado.

"Não preciso de atos solidários, Francesca." proferiu, lançando-me um olhar mortífero.

"Chega Max! Eu...Nós tentamos ajudar. Todas as semanas trazemos coisas essenciais que vocês não têm, para poderem continuar a existir. E tu não és capaz de aceitar um gesto de gentileza? Se pensas que ao recusar estás a ser um herói, enganas-te. Estás apenas a provar o quão fraco és, por não conseguires admitir que precisas de apoio. Uma pessoa corajosa é capaz de se aperceber que, por vezes, não consegue enfrentar as injustiças da vida sozinha." acabei já a gritar. "Sabes que mais? Vou deixar aqui a sopa no meio da rua. Quando deixares de ser cobarde, come."

Fiz como disse. Virei-lhe as costas e dirigi-me para Mel. Contudo um estrondo vindo de algures atrás de mim fez parar os meus movimentos. Devagar, virei-me para trás. A taça estava à parede, e não onde a deixara anteriormente. A sopa transformara-se numa poça de líquido venenoso. E um homrm assustador dirigia-se na minha direção com fumo a sair das nainas e as mãos em punhos de forro. O medo começou a espalhar-se pelo meu corpo, preparando-se para correr a qualquer momento. Mas para minha surpresa, o homem parou a uns metros de mim.

"O que se passa aqui?" uma voz rouca suou atrás de mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.