Glacius- Habitantes do Desconhecido

3 CAPÍTULO TRÊS - As sombras do desconhecido


Notas iniciais
Eai estrelinhas ♥ Bom hoje serei breve, estamos na sexta feria e bom, diferente de muito eu quero a minha cama e não as noitadas kkkk Espero que a sexta de vcs seja mais produtiva que a minha kk Boa leitura!

Gemi baixinho ao despertar com um barulho irritante que soava ao longe, passei a língua entre os lábios e respirei fundo sentindo um cheiro inconfundível em qualquer lugar do mundo. Quando enfim tomei coragem de abrir os olhos dei de cara com Joshua sentado de forma despojada em sua cadeira, um enorme saco de salgadinhos no colo e a boca cheia, os olhos corriam por alguns papéis jogados à mesa. Notei que ele havia usado seu paletó para me cobrir e sorri sozinha com isso; na verdade com a cena toda.

— Descansada?— questionou ele com a boca ainda cheia, os olhos me analisando por completo. Ajeitei o corpo na poltrona e pus o paletó sob meus ombros me sentindo incapaz de abandonar o calor que ele me cedera, o perfume dele estava agora em mim, e era inebriante, deveria admitir.— Tem um monte dessa porcaria na sala do George ali do lado, ele pode não ser o melhor advogado, mas tem os melhores petiscos escondidos.

Ele me entregou um pacote fechado e voltou a saborear os seus como uma criança entretida, não era a melhor refeição, mas meu estômago implorava por qualquer coisa naquele momento, ficamos em silêncio comendo enquanto nos olhávamos vez ou outra, era uma cena incomum, mas era calma e por um momento eu realmente consegui esquecer tudo e me focar em saciar minha fome.

— Quando tempo eu dormi?— Quis saber depois de devorar aquilo tudo sentindo que minha garganta necessitava de água, minha cabeça ainda doía, mas eu podia sentir meu corpo mais alerta.

— Uma hora e meia mais ou menos.— Informou ele olhando o relógio em seu pulso.— E não, nada aconteceu, isso me deixou um pouco irritado, para não dizer que eu quase entrei em pânico há alguns minutos antes de você acordar. Está tudo muito silencioso lá fora, e o céu eu não tinha notado antes, está muito estranho…

Balancei a cabeça concordando, eu queria poder sugerir algo, mas eu sentia que se saísse dali seria acometida por todo aquele caos de novo e minha mente estava tão calma que seria um crime voltar a ficar paranoica novamente. Levantei e andei até uma das janelas, eu sabia que não devia, mas precisava dar aquela satisfação a mim mesma, olhei muito atentamente por todo o canto, o céu estava diferente agora, algumas partes enegrecidas e outras ainda continham o alaranjado de outrora. Era quase impossível ver algo na rua, meus olhos se esforçava para captar qualquer coisa diferente.

E por um instante eu podia jurar que vi algo se movendo lentamente por entre os carros, estreitei os olhos tentando inutilmente compreender do que se tratava e senti meu corpo inteiro gelar quando duas pequenas luzes esverdeadas se fizeram presentes e logo após sumiram.

— Joshua...— Dei alguns passos para trás chocando-me com ele que estava logo atrás, me virei e encarei seus olhos assustada.— Eu vi alguma coisa lá embaixo…

Ele fez menção de ir até a janela, mas eu num susto pus minhas duas mãos sob seu peitoral e o fiz dar alguns passos para trás, meu coração estava acelerado, e eu queria fazer o mesmo que ele, pôr a porcaria da cabeça para fora e tentar ver novamente, mas o medo parecia estar me abraçando como um amante grudento.

— Ei, o que foi que te deixou assim, parece até que viu um fantasma...— Ele disse logo em seguida cerrando os olhos e mordendo os lábios.— Foi quase isso, não é?

Afirmei ainda com as mãos sobre o colete cinza de seu terno e teria me sentido envergonhada se não estivesse tão imersa em medo, ele pareceu compreender e pegou em minhas mãos me guiando novamente para a poltrona, depois de me deixar ali, observando o nada apenas recapitulando o que eu acabara de ver ele pareceu procurar alguma coisa em uma das gavetas.

— Não achei que a queda de um avião fosse se tornar algo tão macabro assim.— Comentou ele erguendo a cabeça para me encarar o olhei apreensiva e curiosa.— Nunca se sabe quando precisa de uma dessas.

Ele mostrou um revólver de cano límpido e quase reluzente, jogou algumas balas sobre a mesa e checou cada canto do objeto, logo em seguida carregando-o.

— Eu estaria com medo, mas isso me deixa um pouco mais calma, o que está pensando em fazer?— Ignorando que a peça de roupa não era minha terminei por vestir o paletó ajeitando as mangas longas para que ficassem boas em meus pequenos braços.

— Precisamos ter noção das coisas, Sofia, vamos subir, esse prédio tem um terraço com uma vista boa da cidade, poderemos ter um parâmetro de toda essa merda.— Ele pareceu notar minha surpresa e o medo que percorreu meu corpo.— Está tudo bem, sei usar essa belezinha muito bem, só precisa ficar perto de mim.

Ele estendeu uma das mãos para mim me olhando diretamente nos olhos, hesitei um pouco antes de suspirar e finalmente ceder, tocando sua mão e sentindo seus dedos envolverem os meus. Era loucura sair daquela sala, não sabíamos o que havia lá fora. Mas saber que não sairíamos do prédio me deixava um pouco mais calma. Ele me pediu para que pegasse a lanterna em cima da mesa enquanto nos encaminhávamos para a porta.

Estávamos no quarto andar então tivemos que nos esgueirar pelas escadas escuras sendo guiados pela fraca luz da lanterna, que tremulava em minha mão, ele tentava passar uma calma inexistente vez ou outra me olhando de forma gentil, sussurrando que estava tudo bem, mas era visível em seu olhar que nem ele conseguia acreditar em suas palavras.

Quando conseguimos chegar na porta que daria acesso para o terraço ele me olhou profundamente e respirou fundo como se estivesse sendo tomado pelo meu medo.

— Tudo bem, vamos ser rápidos, vemos o que podemos e voltamos correndo ok?— Eu disse com a voz fraca e baixa, sentindo a adrenalina tomar conta de mim decidi desligar a lanterna mesmo tendo um medo absurdo do escuro, mas achei que seria como um farol em meio ao nada de escuridão.

Quando ele abriu a porta que rangera de forma aterradora eu não havia me dado conta, mas estava prestes a dar de cara com um completo pesadelo; o céu não era o mesmo visto pela janela, era como se eu estivesse em outro mundo, luzes em diversas escalas se misturavam e vagavam lentamente por entre nuvens arroxeadas, o alaranjado do céu era, na verdade, fogo, de alguma forma ele aprecia pairar no ar.

Não havia brisa, nem mesmo frio, era silencioso, mas era como se eu pudesse ouvir o som de nossos corações a bater descompassados, era como um sonho muito ruim...

Apertei ainda mais os dedos de Joshua enquanto dávamos mais alguns passos para fora, meus pés já não pareciam meus, o medo tomara conta de mim e eu não fazia ideia de como controlar meu corpo, cheguei mais perto ainda de Joshua e entrelacei a mão que segurava a lanterna em torno de seu braço ainda com os olhos presos nas luzes ao céu.

— Se não fosse aqui eu diria que isso é mais pesadelo, fruto uma noite mal dormida, que eu acordaria naquele quarto imundo que me hospedei com meus amigos rindo do fato de eu babar...— Ouvi ele rir baixo enquanto olhava para mim, eu tinha uma estatura média para minha idade, mas ele era alto, me fazendo ter que erguer bastante o pescoço para poder focar em seu olhar, seus olhos negros estavam cobertos por medo e uma ansiedade inimaginável.

— E eu diria que acabei bebendo demais, mas não sou tão criativo para alucinar com isso.— Ele passou a língua pelos lábios secos e voltou a olhar para o céu, se não fosse aquela coisa que eu vira lá embaixo entre os carros, e a queda do avião podia até admitir que era uma boa vista, mas tudo ali gritava que era perigoso, o desconhecido sempre é perigoso.

Mal havia notado, mas nossas respirações se formavam em pequenos pontos de vapor à nossa frente, como se, de repente, o ar se tornasse tão gélido quanto no momento em que eu havia subido as escadas daquele prédio.

— Precisamos voltar.— sussurrei e o vi concordando com uma meneio de cabeça, soltei seu braço, mas não me atrevi a abandonar o aperto de sua mão, sentia como se fosse incapaz, enquanto nos encaminhávamos o som ao longe de coisas sendo quebradas podia ser ouvido, como se estivesse chegando cada vez mais perto, meu coração parecia querer pular fora de meu peito e eu apertei tanto os dedos de Joshua que pude ouvi-lo resmungar.

Quando a porta foi fechada com um barulho estridente eu fui o mais rápida possível em ligar a lanterna e direcioná-la para diversos cantos me certificando de que ainda estávamos sozinhos, eu odiava ardentemente a ideia de ser envolvida pelo escuro sendo guiada apenas pela porcaria fraca de luz que aquela lanterna emitia. Virei a cabeça para poder observar Joshua com um olhar assustado encarando alguma coisa à nossa frente, prendi minha respiração e senti meu corpo travar como uma defesa, eu não queria saber o que ele estava vendo.

— Josh?— Sussurrei tão baixo que achei que ele não poderia ter me escutado.

— Alguma coisa desceu as escadas...— Fechei meus olhos se senti minha garganta secar no mesmo instante, agora eram os dedos dele que apertavam os meus de forma dolorosa, mas eu não reclamaria, sabia que toda aquela situação era uma merda enorme, ferrava nossa mente.

Os minutos se arrastaram com lentidão e ainda não havia tomado coragem de olhar para o arco que dava acesso as escadas as coisas teríamos que descer uma hora ou outra. Mordi meus lábios quando um barulho vindo de fora fez a porta tremer, como se uma explosão tivesse acontecido muito perto de nós.

Dizem que o corpo pode tomar conta de si próprio em momentos de muito medo ou até mesmo muita dor, seu cérebro desliga para não sentir ou comanda suas pernas sem seu consentimento, era o que havia acontecido comigo, puxei Joshua com brutalidade nos encaminhando para as escadas, sem vacilar um instante sequer começamos a descer de forma apressada, eu quase errei alguns degraus, mas graças a Josh e seu aperto que não sessava em minha mão eu fui diversas vezes amparada sem tempo para agradecer, o bagulho da porta sendo forçada parecia se intensificar e ecoar por todos os cantos.

— Mas que merda foi aquilo?— gritei afoita quando conseguimos chegar numa velocidade inacreditável a sala de Josh, ele segurava o revólver com tanta convicção que precisaria usá-lo logo que se limitou a me olhar respondendo com um dar de ombros nervoso.

Os barulhos se intensificavam cada vez mais, como se algo estivesse no andar acima de nós, cada passo do que quer que fosse aquilo produzia um pequeno estrondo, coisas caiam ao chão e o som de vidro quebrando era ouvido quase sempre. Eu não sabia que era possível sentir tanto medo sem desmaiar, a cada segundo que passava o ar ficava mais pesado, era como se um silêncio estivesse se abatendo aos poucos ao redor e apenas os passos acima podiam ser ouvidos, meu estado estava tão paralisado que eu permaneci parada encarando o teto enquanto Joshua estava de guarda na porta, pronto para usar a arma.

— Tem família por ai?— Minha voz saiu abafada enquanto eu sorria de forma nervosa apertando o tecido macio do paletó com tanta força que senti os dedos doerem. Ele me encarou incrédulo unindo as sobrancelhas e logo depois soltando um suspiro misturado a um riso também nervoso.— Eu estou morrendo de medo, só estou tentando não desmaiar aqui, qual é, puxar assunto não mata ninguém.

— É, mas essas coisas lá fora matam.— Ele disse de forma um pouco agressiva apontando o teto com o revólver.— E não, eu estaria muito mais paranoico se tivesse alguém lá fora, um pai que me liga em toda data comemorativa com palavras que eu já decorrei não me faz entrar em pânico. Talvez Joe seja até mais importante…

— Joe?— Questionei chegando ainda mais perto dele, era uma conversa informal em meio a uma situação nada casual, parecia idiota, mas aquilo me acalmou, ele sorriu divertido e desviou a atenção da porta e focou os olhos nos meus.

— Joe, o meu peixe, não sei se ele ainda está vivo, mas me importo mais com ele do que com meu pai que eu nem sei onde esta, talvez em um bar enchendo alguma mulher de bebida para deitar com ela depois…

— Ok, informação demais.— Eu disse fazendo menção para que ele parasse. Quando o silêncio voltou a reinar era apenas ele, os passos haviam sessado, tudo parecia terrivelmente calmo.

— Não sei o que era aquilo, mas acho que já foi embora, e seria inteligente que nós façamos o mesmo, conheço um lugar mais seguro que essa droga de departamento.— Ele comentou se encaminhando até a porta ao lado da estante, com certeza um pequeno banheiro, ele voltou com as mãos e o rosto pingando aguá e ele carregava no olhar uma motivação que eu temia, não havia cogitado a ideia de sair dali tão cedo, mas ele tinha sido claro, ele falara nós e eu não seria burra de me negar a acompanhá-lo.

Acenei mais vezes do que conseguia contar enquanto observava ele pegar algumas coisas, eu estava parada no meio da sala acompanhado ele com o olhar apreensivo, eu estava juntando forças para o que estaria por vir, eu não sabia o que tinha lá fora, por Deus, apenas o pensamento de que poderíamos ser atacados, arrastados ou queimados, seja lá o que for, já me deixava suando frio, eu não queria ser tomada pelo pânico e dar a Josh algo com que se preocupar, afinal, nos conhecíamos a pouco mais de duas horas.

— Nada de lanterna, ok?— informou ele quando eu na tentativa de ser útil em alguma segurei a lanterna firme em minhas mãos trêmulas, sorri nervosa e a coloquei no bolso externo do paletó, ele ainda não avia o pedido de volta e eu agradecia por isso, o frio se intensificava e minhas roupas rasgadas e finas não davam conta do trabalho de me manter ao menos não congelada.— Está tudo bem, não é?

— Claro!— respondi, minha voz falhando vergonhosamente.— Sair por ai no meio de sabe-se lá Deus o que esteja acontecendo lá fora, no escuro, sem parâmetro nenhum do que vamos encontrar, bem é a palavra perfeita para como estou agora...

O vi pender a cabeça para o lado e sorrir debochado, não pude deixar de segui-lo e sorrir do meu nervosismo, minha voz sairá fina e engraçada enquanto eu me atrapalhava nas palavras.

— Aconteça o que acontecer só fique perto de mim.— Concordei enquanto nos encaminhávamos para a porta ele parou com a mão na maçaneta e virou para me encarar.— E se não der pra ficar perto, caso me peguem, não hesite em pegar essa arma e correr mais pro leste da cidade que puder.— Balancei a cabeça enquanto ele abria a porta, o escuro tomava conta de tudo e eu me apressei em ficar o mais perto possível dele, nossos passos eram tão lentos que não produziam barulho algum.

— Ei, Josh.— murmurei enquanto o via me encarar rapidamente logo após virando novamente com uma das mãos para frente tateando para encontrar a parede.— Para que merda de lado fica o leste?

Ele soltou um riso anasalado e continuou andando em direção a escada, sem me responder, me senti uma garota burra, mas nunca me preocupei em decorar para onde ficava o leste, oeste e afins, afinal, na vida que eu sempre levei jamais vi necessidade de saber.

Notas finais
Então foi isso por hj minha gnt, espero de coração que estejam gostando dessa jornadinha ♥ Obrigada Sami e August Martinez pelos coments ♥ Beijinhos gélidos ♥