Give Me a Shot To Remember
1 Capítulo Único
[...] Era inacreditável a maneira como conseguia transparecer meus sentimentos para com os outros. Eu simplesmente não sabia a razão, e por mais que tentasse, jamais conseguiria. Eu o via todos os dias e a cada segundo desejava seu corpo. Tive medo de aproximar-me, muitas vezes. Medo de não saber como agir; medo de não ser o que ele esperava que eu fosse, se é que o tal garoto dos olhos verde-oliva havia-se dado conta da minha insignificante existência. Escutei sua voz durante todas as noites, e por ele chamei cada madrugada longa que não consegui dormir. Via sua imagem movendo-se de um canto para o outro dentro daquele cubículo que chamavam de quarto; era impressionante como desaparecia tão rápido. Sentia seu hálito quente colidindo com meu pescoço, mas quando abria meus olhos, ele já não estava mais lá. Lembrei-me de todos os momentos que jamais havíamos passados juntos, e tive a certeza de que poderia vivê-los fora do meu sonho... Um dia, quem sabe?
Penso na maneira como andava e como sorria; na maneira como falava, tão lindo, como poderia? Penso naquela voz que me tranqüilizava todo o instante; a voz que me faz perder a cabeça, eu grito, é angustiante. Penso nas gotas de água que molhavam seu corpo, branquinho e macio; naquele lugar onde não te vejo, tão escuro e sombrio. Penso nas lágrimas que derramei; sem você não vou viver, contigo sempre estarei. Penso no vento sussurrando algo para mim; pensarei em você até meu triste fim. Agora, uma lágrima eu deixo cair e aquela sensação de agonia que corrói o meu peito não quer sair. Fecho meus olhos, é impossível dormir; levanto da cama todos os dias, mas infelizmente aquela madrugada onde você se foi, jamais irá voltar. Eu te perdi para sempre... Por que você não me escutou, meu doce? Eu pedi para que você não entrasse naquele carro, mas você não ouviu. Prometeu-me que iria me esperar quando chegasse lá no dia seguinte, mas você acabou tomando outra direção. A estrada estava escura, sua visão totalmente turva... "O carro do rapaz moreno capotou três vezes...", contou-me um senhor que passava pela rua. Corri até não poder mais, tentaram me segurar, mas eu tinha que te ver, meu Gerard, eu tinha que vê-lo... Quando cheguei lá, o tal rapaz moreno não era você. Esperei-te no dia seguinte, como havíamos combinado, só que você não apareceu. Não sei se estás bem; se estás aqui na terra, no céu ou no inferno... Não sei para onde diabos você foi àquela madrugada, mas de uma coisa eu sei, doce. Eu preferia vê-lo morto a ter que suportar essa dúvida que me esmaga o coração por não saber o motivo de você ter ido embora sem mim.
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