Give Me Strength to Press On
34 Smile
Notas iniciais
4 anos atrás
— Chega! Você realmente acha que bater em 9 psicólogos vai te ajudar a superar? — Pepper fala sentando no sofá da sala da sua casa. Katherine já estava com 6 meses e não passava 1 noite sem chorar escandalosamente. Isso destruia a energia do casal e levava o bom humor deles tão baixo que até o Crowley enxergava.
Sem falar no fato de que Steve tinha feito o favor de bater em outro psicólogo. Essas situações já estavam repetitivas e consequentemente preocupantes.
Pepper já começava a pensar que o loiro nunca superaria e nunca conseguiria se controlar. Ela temia por seu amigo e por todos que viviam a sua volta.
Naquela mesma tarde, enquanto Tony o arrastava para o psicólogo, a loira decidiu ligar para Claire, pra pedir concelhos sobre Steve.
A mãe do loiro não se assustou quando Pepper a disse o que estava passando com Steve. A senhora contou que quando o pai dele os abandonou ele teve as mesmas reações agressivas e que o comportamento só se acalmou quando o loiro passou a pôr suas energias em outras coisas.
Steve não se dá ao trabalho de olhar Pepper nos olhos. Ele não sentia remorso por agredir aqueles homens. Era a única coisa que realmente o distraía e ele era agradecido por isso. Como se socar descarregasse as emoções dele. Aquele sermão não iria adiantar nada, então, para o loiro, nem valia a pena escutar.
— Isso sem falar nas brigas que você arrumou no supermercado e na lojinha de conveniência da esquina! Aquela senhora estava só querendo aveia pro marido! — Tony exclama se jogando no sofá ao lado da esposa.
Um silêncio se instala no cômodo. Cada um em seu próprio mundinho.
— Temos que fazer alguma coisa, Tony. Ele vai acabar na prisão se continuar assim! — a loira sussurra para o marido, sabendo que o amigo está perdido em seus próprios pensamentos e não vai ouvir nada do que ela disser.
— Eu sei! Onde quer que eu o leve para tentar ajudar ele soca alguém, ou xinga uma idosa! Teve uma vez que ele teve um ataque e gritou com o vendedor de pipoca no meio do cinema! Não acho que... — Tony estava falando mas interrompe a própria frase quando uma ideia surge em sua mente. Eles Foram em 9 psicólogos, mas se tivessem escutado o primeiro, talvez todos esses problemas teriam sido evitados.
(...)
Hoje
Natasha se olha pela quinta vez no espelho. Seu cabelo estava limpo, mas mesmo assim decidiu acordar arrepiado e armado, seus olhos refletiam a falta de sono que pensar no dia de hoje proporcionou. Parece que a vida não está mesmo a fim de colaborar com ela.
Hoje seria o primeiro dia em que Natasha levaria Sam para passar o dia com Steve. Também o dia em que ela imploraria à Tony seu emprego de volta e o dia em que ela colocaria o plano de Pepper em prática. Nada demais para uma manhã de segunda-feira.
Sua roupa era simples. Uma calça jeans de lavagem escura, uma camiseta listrada Branca e laranja e um casaco por cima. Estrategicamente escolhida por Pepper para que ela ficasse bonita, sem que parecesse ser a intenção.
Eram 9:00 da manhã quando Tony apareceu vestido formalmente na cozinha. Natasha acordou mais cedo só para planejar seu discurso de "pôr favor me de um emprego". Na situação dela, ou ela conseguiria um emprego, ou ela conseguiria um emprego! Sem opções.
— Bom dia! — ela fala forçando animação e ele responde da mesma forma. Ele fala mais nada concentrado no jornal em suas mãos, então Natasha respira fundo se preparando para falar seu discurso com perfeição — Então, queria perguntar uma coisa... Eu voltei faz um tempo e não quero ficar dormindo na casa de vocês. Acho que precisam de privacidade e eu e Sam atrapalhamos um pouco... — o discurso foi atropelado pelo nervosismo que piora quando ela percebe que está perdendo a atenção do Moreno então ela se apressa para pedir logo — Se fosse possível, pode me devolver meu emprego? — Natasha fala sem jeito.
Tony para de beber o café e olha para a Ruiva com um pouco de surpresa. Ele realmente não esperava por essa. Um silêncio momentaneo toma a cozinha, enquanto Tony projeta sua resposta.
— Ruivinha, entenda, você passou 5 anos fazendo sei-lá-o-que em sei-lá-onde. Parece ser óbvio o fato de eu já ter achado alguém à sua altura para te substuir! Eu posso até ver se tem alguma vaga disponível, mas nenhuma dela vai estar no nível da que você tinha antes! — Tony fala calmamente, passando os olhos do jornal que lia para Natasha algumas vezes durante a fala.
Natasha escuta o que ele fala atentamente e realmente o entende. Ela sabia que não teria sua vaga de volta, mas ainda tinha uma pontinha de esperança de que conseguiria.
— Tudo bem Tony! Eu preciso de dinheiro, qualquer trabalho que me ofereça eu aceitarei de bom grado! — ela fala por fim.
— Ótimo, te aviso quando chegar do trabalho! — Tony fala sorridente saindo da cozinha o mais rápido que pode. Se a ruiva não estivesse tão nervosa pelo encontro de Sam e Steve, ela até ficaria preocupada com o sorrisinho malicioso com que Tony deixou a sala, mas como seu estômago estava parecendo escola de samba em época de Carnaval, ela decidiu focar em aprontar seu filho para ver Steve.
Depois de enfia-lo no chuveiro e vesti-lo, Natasha o deixa pondo os tênis enquanto tenta pela última vez abaixar os arrepiados dos cabelos dela.
— Está pronto? — a ruiva pergunta entrando no quarto da Kat, onde Sam estava dormindo.
— Aham! — o menino assente concentrado em amarrar os sapatos.
— Quer ajuda? — a mãe pergunta vendo a dificuldade de seu filho em conseguir amarrar os cadarços. O menino pensa um pouco e depois estende o pé com o tênis em direção à ela para que ela amarre.
— Quando nós vamo comer? To com fome! — ele reclama. Já passava do meio dia e o menino estava faminto.
— Quando Steve chegar pra nos buscar! — A ruiva explica.
— Mas pur que a genti tem qui comer cum ele? — Sam pergunta. Ele não está acostumado a sair pra comer em restaurantes, principalmente com outras pessoas.
— Por que... — ela é interrompida pelo interfone, que anuncia a chegada de Steve no prédio — ...sim. Vamos que Steve está esperando.
Natasha pega a bolsa e sai do apartamento, chamando o elevador tentando controlar sua falta de ar.
O que estava acontecendo com ela? As borboletas no estômago eram algo realmente novo. Natasha se sentia como uma adolescente saindo com o Crush da escola.
Ela entra no elevador agarrada à bolsa. Se não parasse de tremer iria enfiar a cara no asfalto. Como ela colocaria o plano de Pepper em prática se não conseguia nem controlar seu próprio corpo?
Pepper disse que se fosse pra recuperar o loiro, teria que ser agora. Assim que ele se acostumasse com a presença dela, ela não teria mais chances.
O plano dela para o primeiro dia é: Natasha deve estar linda, agir como se não sentisse falta dele e mostrar sempre que possível como é uma ótima mãe. Pra resumir: Steve teria que de surpreender com uma nova Natasha. Ela não estava muito certa de que daria certo, mas não custa tentar, não é??
Assim que o elevador chega na garagem, as portas se abrem e o corpo dela se arrepia como se a mesma tivesse levado um choque.
INFERNO DE HOMEM SEXY.
(...)
4 anos atrás
— Você pode, por favor, parar de beber? — Thor exclama irritado.
Steve estava jogado no sofá com uma garrafa de Vodka em mãos. A televisão estava ligada em um canal qualquer sem receber atenção alguma do loiro, que preferia se perder em lembranças e enfiar a bebida em suas mãos garganta abaixo.
Era a milionésima vez que ele entrava naquele alargamento e se deparava com a mesma situação miserável.
— Tony está nos esperando lá embaixo! Vamos sair e não ligo se você não quer. Sua opinião realmente não importa! — Steve não move um músculo, fingindo que o que quer que estivesse passando na televisão estava tomando conta de sua atenção — Steve, levanta e vai tomar um banho gelado. — ele continua a ignorar. Thor se aproxima sem paciência alguma pra lidar com o amigo bêbado — Ou você vai até o banho, ou vou ser obrigado a trazer o banho até você.
Steve bufa irritado e levanta cambaleando.
— Só pra deixar claro! — Steve fala embolado do final do corredor — Espero que o próximo psicólogo seja homem, pois estou com vontade de socar alguma coisa! — em passos lentos anda até o banheiro e fecha a porta com força, deixando mais do que claro que está contrariado.
Esse comportamento não afeta Thor. Na verdade, ele está tão cansado de ter que cuidar do Steve que não liga mais se ele está todo triste e machucado. Se ele parasse de sentir pena de si mesmo, já poderia ter superado.
Thor olha para a casa do amigo e suspira cansado. Eles contrataram uma empregada que vinha as sextas. Era domingo, e o apartamento já estava nojento.
O loiro faz um café forte e pega duas aspirinas. Mesmo sendo 14:00h da tarde já estava claro que ele não ficaria sóbrio sem isso.
Steve sai do quarto mais acordado e sem cambalear. Ele toma as aspirinas junto com o café e não tem tempo nem de pensar quando a mão de Thor já se encontra em seu antebraço o puxando para fora do apartamento.
Tony esperava pacientemente no carro, fazendo algumas ligações sobre pendências da empresa.
— Finalmente! — o Moreno exclama ancioso. Ele desliga o celular na cara de seu assistente e joga o aparelho para o lado. Assim que as portas do carro se fecham, ele dá partida saindo da garagem do prédio.
Em vinte minutos Tony estaciona o carro na frente de uma academia. O lugar tinha um letreiro alto e paredes externas com azulejos vermelhos, janelas grandes e altas, o que permitia ver pessoas malhando lá dentro, e portas de vidro.
— Eu vou fazer o que? Pilates? Já sei, vou dançar com idosos! — Steve fala irônico, olhando para o estabelecimento com nojo. Muitas coisas passaram pela cabeça dele quando foi arrancado pra fora de casa, e academia não foi uma delas.
— Vamos entrar! — Thor fala ansioso, tomando frente e abrindo as portas da academia.
Em passos calmos os três entram na academia. Tony conversa com a atendente durante alguns minutos.
— Me sigam! — a mulher fala sorrindo para os homens. Eles atravessam a academia inteira até se depararem com uma escada estreita. A mulher desce as escadas e os homens a seguem — É aqui. Fala com o Sam, ele vai tirar suas dúvidas! — a mulher aponta para um homem de pele negra e cabelo escuro. Ele lutava com um homem careca e gigante. Os braços dos dois homens tinham a grossura de um armário e provavelmente a força que eles nunca teriam.
O lugar onde eles estavam era diferente do andar de cima. Não tinha janelas e a iluminação era pouca. As paredes eram de cor acinzentada, assim como o chão.
A extensão inteira do lugar era tomada por ringues de boxe de variados tamanhos e alturas.
— Vocês querem que eu lute? — Steve pergunta incrédulo — Vocês acham mesmo que vão curar minha agressividade com mais agressividade? — o loiro fala olhando para os amigos com ironia.
— Eles acham! Mas eu tenho certeza que vai! — Sam fala descendo do ringue de luta e se aproximando dos homens. O homem com quem lutava antes agora se encontrava desacordado no meio do ringue — Samuel Thomas Wilson! Podem me chamar de Sam!
(...)
Hoje
O fim de seu expediente demorava mais a chegar aquela manhã. Durante os 2 anos e meio que trabalha na empresa do Stark, Steve nunca sentiu a ansiedade que sentia agora para ir embora.
Tudo se dá pelo encontro que o loiro vai ter com seu filho. A primeira vez que poderão dividir um tempo de qualidade e se conhecerem melhor. Coisa que foi privada de Steve por quatro anos.
Além de anciedade, ele também sentia insegurança. Crianças não são fáceis de agradar, muito pelo contrário! E a vontade de fazer com que seu filho goste dele, a necessidade de te-lo com ele era enorme e a possibilidade de que seu próprio filho não goste dele é algo que o assusta. E além do fato de que talvez Sam o rejeitasse algo mais o incomodava... ou melhor, alguém!
Natasha.
Ela estará lá! Sempre. Durante a semana inteira terá que lidar com todos os sentimentos que a ruiva de olhos brilhantes vai trazer com ela, além daqueles que virão com seu filho.
Depois do hospital Steve começou a ter problemas em lidar com o que sente. Quando fica ancioso, tende à se afastar e não queria se afastar de seu filho, mas Natasha o cutuca. Mesmo quando estão longe ele está sempre com ela na cabeça.
Pensando nos esncontros, Rogers pediu para que seu chefe, ou amigo, o liberasse mais cedo durante toda essa semana para que ele pudesse ver o filho, e Tony o liberou sem problemas.
— Steve! Você quer se atrasar? — Tony aparece abrindo a porta com rapidez. O loiro pisca algumas vezes. Ele tinha ficado tanto tempo imaginando seu dia com o filho, que quase perdeu a hora.
Tony não foi lá apenas para apressar o amigo, mas também para saber como ele está. Steve demorou cinco anos pra começar a superar Natasha, e aí do nada ela decide aparecer, e ainda veio com brinde.
O Stark não sabia se Steve poderia suportar todas essas emoções e caso não pudesse, com certeza surtaria assim como no apartamento, quando ele percebeu que a ruiva não ia voltar.
— Obrigada, cara! — Steve agradece saindo do escritório rapidamente. Como estava um pouco atrasado, não conseguiu passar em casa para mudar de roupas, então foi com a do escritório mesmo. Não seria um problema. Pelo menos não pra ele.
Por outro lado, para Natasha era um problema, ou melhor, um problemão!
Que Steve Rogers é um Deus Grego, Egípcio, Romano e Viking todo mundo sabe, mas enfia o Deus num terno sob medida e o que você tem é a máquina de criar babas.
O queixo dela foi pro chão. A cena do loiro de braços cruzados apoiado no carro passou em câmera lenta na mente da ruiva. O vento batendo levemente contra os fios loiros e os braços fortes levemente delineados pela manga do terno.
Derrepente os cinco anos que ela passou sem sexo vieram a tona e ela teve que se segurar pra não se jogar em cima do, até o momento, marido.
— Desculpe o atraso. — ele fala pra ela a tirando dos mundos de fantasias que ela tinha entrado.
— Ahn? Ah! Tudo bem! — ela fala escondendo o rosto vermelho por causa dos pensamentos pecaminosos.
— Oi Sam! Como está? — Steve pergunta pro garoto que sorri tímido quando o vê.
— Oi! Eu lembo de você! É o cara do sabe de luz! — o garotinho responde sorrindo.
— Sim, sou eu! — o loiro versão giga fala devolvendo o sorriso.
Natasha analisa a cena por uns segundos. Essa criança era o molde perfeito do pai. A expressão tímida é tão semelhante como os sorrisos de ambos. Os dois sorriem com os olhos. Os dois sorriem de lado. Os dois franzem os olhos quando sorriem. Os dois simplesmente param o mundo com sorrisos.
A Ruiva então se lembra de quando aqueles sorrisos eram dela. De quando ele torcia o lábio levemente pra esquerda, franzindo os olhos que também sorriam. Quando os sorrisos que paravam o mundo paravam o mundo por causa dela. Por quê ele sorria pra ela.
— Está com fome? — Steve pergunta pro menino, que se limita em assentir freneticamente com a cabeça.
Natasha acorda. Disfarçando a tristeza, ela sorri.
— Onde vocês querem comer? — Ela pergunta andando com os dois até o carro.
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