Give Me Strength to Press On

41 Epílogo - Parte 1


Notas iniciais
Demorei, eu sei não me matem!! Fiz esse capítulo completamente enorme e cheio de emoções que ficou tão grande que eu tive que dividir, então ficaremos juntos por mais um tempinho! Espero que gostem e lembrem que tudo tem uma explicação!

— Eu não sei como pude ser tão cego! — Steve berra.

Ele estava furioso! Esse sentimento é previsível quando analisamos a situação dele no momento.

Natasha, sua mulher, mais uma vez nas mãos de outro homem. Mais uma vez compartilhando o amor que deveria ser apenas dele.

— Você não tem vergonha? Como consegue fazer isso? De novo! — seu rosto estava vermelho e tudo o que ele conseguia fazer era encarar o amor de sua vida nua, ao lado de um outro homem.

— Você sabe como essa semana tem sido pra mim! Você sabe muito bem tudo o que eu estou passando e ao invés de me apoiar, você transa com outro homem? Com o Zeke? Pois bem. Faça o que quiser! — é a última coisa que ele diz antes de dar as costas para Natasha e sair pela porta.

Sabe o que mais magoou Steve? Que durante todo o tempo, desde o momento que ele abriu a porta do quarto até o momento em que ele virou as costas para deixa-lo, a feição no rosto de Natasha era a mesma: Indiferença.

(...)

6 dias antes

13:04 da tarde

— Ooh Mãe! — Sammy chama. Ele estava na sala do apartamento assistindo TV enquanto Natasha estava na cozinha, preparando o almoço.

Steve havia saído para resolver coisas da empresa, só chegaria a noite.

Tony estava com problemas na empresa, um dos produtos da área de armamentos deu problema e agora ele está passando por diversos processos, o que deixa Steve preso naquela empresa o dia inteiro.

— Fala filho! — ela grita para que ele consiga ouvir a voz dela.

— Tinha uma mulher na porta. Ela ta chorando e não quer me soltar! — o menino parece assutado.

Natasha desliga o fogo que aquecia um arroz e curiosa faz seu caminho para a sala.

— Claire? — a ruiva exclama surpresa — Quando você chegou?

A mãe do seu marido estava agarrando Sammy com os braços, prendendo o corpinho dele.

— Natasha! — a senhora fala olhando para a nora com felicidade nos olhos vermelhos — Cheguei dois dias atrás. Fui dormir num hotel. Steve não falou nada? — Natasha nega. — É, acho que você o distraiu um pouco... — ela fala maliciosa — Desculpe por agarrar ele, mas quando eu abri a porta e vi esse toquinho, não consegui me segurar!

Natasha abraça a sogra com força, elas não se viam a tanto tempo e mesmo que a mais velha estivesse furiosa pelo fato de a mais nova ter abandonado tudo e traído seu filho, ela não conseguia sentir ódio da mulher que lhe deu um neto.

— Sammy, essa é Claire sua avó! Mãe do seu pai! —
Natasha não sabia exatamente como fazer aquela apresentação.

— Oi! — o garotinho balança as mãos tímido. Aquela mulher o tinha agarrado e isso assustou o menino.

— Olá! — Claire não parecia ser a pessoa que era a segundos atrás. Seu 'olá' foi animado mas surpreendentemente tímido.

— Essa é a mãe do Steven? — Natasha balança a cabeça concordando. O menino sorri — Então ela é minha vodrasta?

O corpo da ruiva congela e ela encara o filho com os olhos arregalados. Com uma rápida troca de olhar com Claire, Natasha pergunta:

— Por que ela seria sua vodrasta? — as duas seguram a respiração temendo as próximas palavras.

— Porque Steven é meu padrasto! — Sammy usou um tom tão natural que assustou ambas as mulheres.

Natasha sente seu peito se apertar, essa situação não tinha passado na cabeça dela. Steve ficaria arrasado, mas se ela não contasse para ele, as coisas seriam piores.

Uma duvida se instala na cabeça dela, ela não sabia se seria bom explicar tudo para Sam agora, ou em outro momento, com o Steve junto.

Depois de pensar, ela decide contar com Steve. Ele ia querer fazer parte disso.

— Quer almoçar, Claire? — Natasha pergunta tentando mudar de assunto e Claire concorda, entendendo o problema.

Depois do almoço, a ruiva pede para que Claire fique com Sammy durante algumas horas, seus irmãos queriam falar com ela e pelo tom deles no telefone, era sério.

Claire ficou muito feliz em poder ficar com o Neto um pouco. Ela queria conhece-lo, ser parte da vida dele.

Natasha sai de casa as 15:00, dirigindo calmamente até que chegue no hotel de seus irmãos.

Eles a estavam esperando na lanchonete do hotel, Leonty e Zeke estavam de um lado da mesa enquanto Viktor estava na frente deles ao lado de uma cadeira vazia.

— Olá! — Natasha fala ao se aproximar da mesa. Os três abrem um sorriso e a cumprimentam.

Natasha senta na cadeira sobre olhares anciosos.

— Viktor tem um encontro! — Lonty fala e o mais novo o olha com raiva.

— Eu queria falar! — ele reclama cruzando os braços.

Natasha sorri, que bom que ele finalmente começaria a tentar arrumar namoradas. Ele tinha passado tempo demais sozinho.

— Encontro? Interessante... Com quem? — Natasha apoia o cotovelo na mesa virando diretamente para o irmão com olhos curiosos.

— Maria, também conhecida como sua advogada! — Zeke fala antes que Viktor consiga abrir a boca. Ele bufa.

— Por que vocês não contam tudo, em? Parecem mais animados que eu! — Viktor pragueja, ficando irritado.

— Acho isso impossível, irmão! — Leonty comenta alfinetando o outro.

— A Maria? Mas como? — Natasha não sabia que eles se conheciam tão bem, muito menos que havia química entre eles.

— Eu não sei. Só vi ela duas vezes mas... não sei... me senti diferente falando com ela. — ele gagueja tanto que surpreende Natasha.

— Você já se apaixonou! — ela não pergunta, é uma afirmação, sabe que é verdade.

— Não... não é possível, a gente só conversou duas vezes. — ele nega sem muita veemência.

— Ele mente pra si mesmo... Que inocente. — Leonty fala para Zeke, que ri concordando.

— Vamos parar de falar de mim! — Viktor quase implora, e pra sua sorte consegue faze-los mudar de assunto.

— Nat, o assunto é sério! — Zeke é o que inicia a nova conversa, apertando sua mão na do namorado.

— Nós estamos voltando pra Rússia na semana que vem! — Leonty completa a frase com pesar.

Natasha arregala os olhos tentando processar a informação.

— Não! — ela exclama triste — Vou sentir falta de vocês!

— Eu não vou... Pra Russia! — Viktor fala chamando a atenção de todos na mesa.

Leonty e Zeke o encaram com surpresa, Viktor já tinha comprado sua passagem de volta.

— Mas por que? — Leo pergunta.

— Não me diga que está ficando por causa da Hill? — Natasha fala sem dar a chance de Viktor responder o irmão.

O mais novo abaixa a cabeça envergonhado e sorri. Não queria se sentir assim, mas ir embora sem saber se daria certo com a morena seria o maior erro de sua vida.

— E depois fala que não se apaixonou! — Zeke comenta zombando do amigo.

— Eu não sei ainda, mas não vou embora até ter certeza! — Viktor fala arrancando sorrisos orgulhosos dos três.

— Zeke, Leo, vão falar pra mamãe? — Natasha pergunta se referindo ao relacionamento dos dois.

— Vamos! — Leo sorri nervoso.

— Ótimo! — Natasha fala orgulhosa do irmão e do amigo.

— Leo, pega um café pra mim? — Zeke pede carinhoso.

— Também quero! — Viktor fala em seguida.

— Descafeinado sem leite! — Natasha pede.

Zeke bufa e contrariado se levanta da cadeira indo até o caixa, que tinha uma fila enorme.

— Eu quero casar com ele! — Zeke fala baixo assim que Leo entra na fila.

Natasha engasga com o ar e Viktor arregala os olhos.

— O que? — o mais novo pergunta — Tem certeza?

— Não diria se não tivesse! — o Moreno tinha uma expressão decidida e firme.

— Eu acho ótimo! Vai pedir aqui? — Natasha se refere á Nova Iorque.

— Vou, antes de irmos embora! Quero sua ajuda Natasha! — Zeke pede sendo direto.

— Claro que ajudo! — Natasha estava animada.

Mesmo sem ter passado muito tempo com seus irmãos os amava e queria que eles fossem muito felizes.

— Eu o amo, e quero que seja especial! — ele estava nervoso, Natasha sentia isso — Quero que seja uma surpresa não só pra ele, mas pra todos!

— Vai ser! — ela segura as mãos do melhor amigo o olhando nos olhos confiante.

Zeke sorri. Se sentia muito mais confiante com o apoio dos dois.

Depois de passar a tarde com os irmãos, a ruiva se despede deles e faz seu caminho até em casa.

Quando ela abre a porta do apartamento eram 18:30.
Sammy a surpreende levantando do sofá e indo abraça-la.

— Cadê o papai? — o garoto pergunta ancioso.

— Ele não chegou ainda? — Natasha estava preocupada. Era sábado, o que ele fazia no escritório tão tarde?

— Ele ligou pra avisar que chegaria mais tarde. — Claire fala. Ela estava no sofá.

Natasha bufa, mais um dia que ele passaria na empresa?

(...)

5 dias antes

2:02 da manhã

Steve chega em casa cansado. Assim que ele fecha a porta, afroxa a gravata e joga a maleta com papéis e documentos no chão.

Que tipo de conferência dura cinco horas e meia?

A casa estava escura, o que não o surpreendente partindo do pressuposto de que eram 2:00 da manhã.

Ele caminha silênciosamente para o quarto, parando uma única vez no caminho para checar Sammy. O menino estava dormindo sereno e tranquilo em sua cama.

Steve então entra em seu quarto, ele tira as roupas e toma uma ducha antes de colocar uma cueca e deitar na cama.

Assim que se acomoda, Natasha se mexe ao seu lado. Ela vira em direção à ele.

— Oi amor! Que horas são? — ela pergunta baixo, sua voz rouca pelo sono.

— Duas e meia. Volta a dormir! — Steve fala segurando ela em seus braços e colocando a cabeça dela deitada em seu peito — Boa noite! — ele sussurra beijando a nuca dela.

— Boa noite! — ela quase não pronuncia as palavras inteiras antes de se acomodar no peito dele e fechar os olhos.

Natasha não tinha dormido. Não conseguia dormir até senti o calor dele do outro lado da cama. Então ela o esperou, mesmo morrendo de sono.

Steve dorme alguns minutos depois, tão profundamente que o tempo passa rápidamente.

(...)

5 dias antes

8:12 da manhã

O loiro abre os olhos se deparando com o rosto de sua mulher.

Ela estava deitada em cima dele, com os braços ao lado de sua cabeça e as pernas ao redor de sua cintura.

Ela havia o acordado dando beijos no rosto inteiro, sempre demorando mais quando seus lábios se tocavam

Steve sorri. Ela estava linda usando pijamas com pandinhas espalhados por toda a extensão do pano.

Natasha inclina o corpo para trás olhando para Steve com os lábios juntos em um biquinho. Ela se acomoda na barriga dele e cerra os olhos em uma expressão pensativa.

— Natasha? — Steve questiona o comportamento dela.

— Steven Grant Rogers... — ela fala o nome dele com um tom sério — Você está chegando muito tarde!

— É eu sei Nat, mas... — Natasha não o deixa terminar a frase, ela não queria saber o por que dele ter demorado, então cobre a boca dele com a sua.

— Eu te esperei ontem a noite, mas você chegou tarde! — ela diz com os lábios ainda próximos dos dele. Os olhos fechados, um sentindo a respiração do outro bater contra seus rosto — Eu tinha planejado umas coisinhas... — ela sussurra a última parte.

— Que tipo de coisinhas? — Steve questiona jogando seus corpos para o lado e ficando em cima dela.

Sem esperar por uma resposta, Steve ataca os lábios dela, colocando as mãos na cintura dela e subindo a camisola de pano que ela usava.

Natasha comemora mentalmente. Seus planos de ontem a noite tinham sido arruinados, mas pelo menos ela começaria a manhã de pé direito.

Steve leva suas mãos para cima, com os dedos agarrados na camisola, que assim que pessa pela cabeça de Natasha é jogada no chão do quarto.

O loiro arfa quando percebe que ela não usava nada embaixo da camisola.

Natasha agora estava completamente nua, enquanto Steve ainda vestia sua calça.

Steve abaixa a cabeça com o intuito de alcançar os seios dela, e bem nesse momento, eles escutam uma batida na porta.

— Mamy! To com fome! — Sammy bate na porta diversas vezes e fica tentando girar a maçaneta, mas não abre a porta pois estava trancada.

Natasha olha pra Steve frustrada. Ele deveria estar dormindo.

— Merda! — pragueja a ruiva enquanto empurra o marido de cima de si — Vai pro banheiro dar um jeito nisso. — ela se refere a ereção do Steve enquanto faz um círculo no ar com o dedo, apontando para a excitação.

— Vai ser difícil! — e a única coisa que ele diz antes de entrar no banheiro e fechar a porta.

Natasha passa as mãos pelo cabelo tentando consertar o estrago, pega um roupão, se enrolando nele antes de abrir a porta.
Hora de ser mãe.

(...)

5 dias antes

17:45 da tarde

Seria possível que Natasha estivesse certa? Teria ele se apaixonado tão rápido? Viktor não sabia como o pouco tempo que ele e Maria tinham passado juntos poderia trazer tal sentimento.

Desde o dia em que haviam se baijado, Viktor pensava só em Maria. Na maciez dos lábios, no toque quente da pele, no sorriso. Maria predominava em sua mente do início do dia até o fim.

O ruivo não estava se reconhecendo. Ele nunca havia sentido nada daquela forma por nenhuma mulher.

As borboletas que invadiram seu estômago no dia do beijo voltaram no momento em que pela segunda vez ele para na frente da casa da Maria. Ele sai do carro andando nervoso até chegar na porta branca.

Viktor respira fundo duas vezes antes de tocar a campainha.

— Já vou! — uma voz suave grita do outro lado da porta.

Alguns segundos depois, Maria abre a porta terminando de colocar o sapato do pé esquerdo.

Viktor perde o ar com a morena a sua frente. Ela estava linda, um vestido preto liso solto, preso por um cinto marrom marcando a cintura. Maria era alta, mas mesmo com seus maiores saltos ela mal ficava na altura dele.

Sem saber o que dizer, o ruivo abre e fecha a boca, mas não consegue fazer seu cérebro produzir palavras.

Ela sorri, sentindo seu rosto esquentar. O olhar dele sobre o corpo dela era como se a admirasse, mas quando ele foca nos olhos dela, tinham tantos sentimentos que ela não conseguia explicar.

— Vamos? — ele volta para o nosso universo chacoalhando a cabeça.

— Claro! — ela sorri. O seu coração batia tão forte e sua barriga se torcia de anciedade.

Viktor pega a mão dela com delicadeza. Ele sente um choque elétrico quando suas peles se tocam, mas não se afasta, era bom.

— V-você esta linda! — agora ele gagueja? O russo nunca gaguejava por causa de uma mulher, ou pelo menos achava que não.

— Obrigada, você também!
Viktor realmente estava. Aquele blazer preto sobre uma camisa azul e a calça jeans de lavagem escura deixavam aquele homem irresistível.

Ele abre a porta pra ela fazendo um gesto exagerado e curvando as costas. Maria gargalha com a atitude idiota ele.

A advogada não tinha ideia pra onde ele a estava levando. Eles não tinham combinado muito bem onde e ele disse que iria surpreende-la e ele conseguiu.

No fim do dia, Maria tinha tido o melhor encontro de sua vida. Não por causa do lugar onde foram, ela iria esquecer disso com o passar dos anos, mas sim por causa dele.

Eles estavam em um pequeno Pub, que era também a única pensão da cidadezinha minúscula para onde ele a tinha levado.

Maria se sentia feliz. Aquele tipo de felicidade que enche seu peito e balança sua mente.

Viktor era engraçado e gentil, bonito e educado. Ela não sabia como uma combinação dessas poderia existir.

Eles eram os únicos no Pub, sentados em uma mesa no canto, um de frente para o outro. Maria bebia um Martini de maçã e Zeke tomava um copo de Whisky.

— Não é engraçado! — ela reclama não controlando a própria risada ao brigar com ele.

— Eu juro que tentei me segurar, mas é impossível não rir! — Viktor fala entre gargalhadas.

— Para! — ela repreende ainda sem parar de rir.

— Como você quer que eu pare? Você acabou de dizer que bateu na bunda do seu chefe de noventa anos! — ele começa a rir mais alto e ela não se segura e o acompanha.

— Eu estava bêbada! — ela se defende — Não posso fazer nada se ele parece o Harrison Ford!

— Maria, você bateria na bunda do Harrison Ford? — ele pergunta incrédulo.
Maria não responde. Ela parecia presa no mundo dela.

— Ei! — ele balança as mãos na frente do rosto dela — Ta tudo bem?

— Fala de novo! — ela leva seus olhos ao encontro dos dele.

— O quê? — ele estava confuso.

— Meu nome! — ela sussurra.

— Maria? — ele fala sem saber o que ela quer com isso.

Ela fecha os olhos e os aperta, abrindo-os logo em seguida. Ela levanta e dá a volta na mesa, se aproximando.

— Você está bem? — Viktor pergunta se afastando quando ela senta ao lado dele.

— Aham! — ela grunhi antes de pegar o rosto dele nas mãos e colar seus lábios dele nos seus.

Viktor se surpreende, mas não a afasta, ele queria fazer isso desde que a buscou em casa.

Foi apenas um selinho, mas o suficiente para fazer os dois ficarem ofegantes.

— O que aconteceu? — ele sussurra, questionando o comportamento dela antes do beijo.

— Meu nome com o seu sutaque... Não sei... me arrepiou! — ela sussurra de volta sentindo o coração acelerar.

Viktor sorri, ele gosta de ter esse poder sobre ela.

— Maria! — provoca.
Ela reclama e o beija novamente.

Com as mãos nos cabelos dele, Maria o puxa mais pra perto e abre a boca, deixando que a língua dele explore sua boca com calma.

— Podemos alugar um quarto? — ela pergunta sentindo seu corpo esquentar por causa dos beijos que ele dava em seu pescoço.

— Sim. — ele concorda tomando a boca dela mais uma vez.

(...)

4 dias antes

1:50 da manhã

A Ruiva passou o dia com o filho, o entretendo. Steve mais uma vez teve que deixar a casa para ir para o escritório.

No começo Natasha não se importou com Steve indo trabalhar o tempo todo, mas com o tempo isso a foi incomodando. Dos três dias que eles estavam morando juntos, ele não passou tempo nenhum com o filho.

Natasha precisava conversar com ele. Contar pra ele que desconfiava que Sam poderia ter entendido errado aquela coisa toda de pai. Contar que estava exausta de cuidar sozinha de Sammy e que sentia falta do marido e o motivo disso era que ele passava tempo demais no trabalho.

Ele só chegou a noite. Com o paletó nos ombros e o corpo cansado. Ele atravessa a sala nas pontas dos pés, mas antes que chegue no corredor, Natasha acende a luz.

Ela estava sentada no sofá com um copo de vinho na mão e uma expressão seria no rosto.

A garrafa de vinho tinto estava cheia, então Steve supôs que ela não estivesse bêbada.

— Nat, o que faz acordada? — ele fala baixo, colocando suas coisas no chão, apoiadas na parede, e se aproximando dela.

— Eu não sei se você sabe, mas é domingo... — Natasha não olha pra ele, ela mantém o olhar fixo na taça de vinho — Seu filho te esperou o dia inteiro, perguntando a cada minuto onde você estava... — pelo tom de voz dela, ele já sabia que tinha feito merda.

— Desculpa Nat, eu... — Steve tenta fazê-la o olhar, mas ela se recusa.

— Não se desculpe comigo! Não por causa disso!

— Então tem mais de um problema? — ele questiona alto, seu humor ficando negro.

— Além do fato de dar um gelo no seu filho e não ligar pra sua esposa? Tem um sim! — o loiro arregala os olhos diante da pequena explosão de sua esposa.

— Amor, não queria que você se sentisse ignorada... — ela o interrompe pela segunda vez.

— Seu filho acha que você é um outro tipo de pai... — Natasha sente seus ombros leves quando fala, mas a expressão dele a mata por dentro.

Steve se cala. Agora é ele que não quer olhar pra ela. Poderia Sam achar que Steve é... Não.
Ele balança a cabeça expulsando os pensamentos.

— Que tipo de pai ele pensa que eu sou... Tipo um... padrasto? — a ruiva olha para o marido que encarava um ponto fixo.

— Eu acho que sim!

Steve segura a cabeça entre as mãos e abaixa o tronco até que sua barriga esteja sobre suas pernas e a cabeça ente os joelhos.

Pra ele, a explicação deles tinha feito sentido e não poderia ter sido mais clara.

— Quando ele disse isso? — Steve agora olha ancioso para Natasha.

— Dois dias atrás... Quando sua mãe veio. — ela fala tão baixo que ele quase não entende.

— Dois dias? Você deixou ele pensar isso por todo esse tempo? — Steve se exalta, assustando Natasha.

— Eu pensei que seria melhor se nós fizermos isso juntos! — ela abaixa a cabeça, escondendo as lágrimas.

— E por que não me contou? Quanto mais tempo ele achar que sou o padrasto dele mais difícil vai ser convercer ele de que sou o pai dele biologicamente! — ele estava visivelmente magoado, dando ênfase quando falava pai.

Era como se ele a acusasse, Natasha sentia isso. Cada palavra era uma indireta para culpa-la.

— Eu tentei te falar, mas você nunca podia me escutar, passa o dia todo naquela droga de escritório. Só consegui falar com você agora por que te esperei acordada! — Natasha se defende, ele não vai jogar a culpa nela.

— Natasha, você sabe que tenho que fazer meu trabalho! — Steve diminui o tom, mas a raiva ainda está presente nas palavras.

— Se você vai ficar tanto tempo longe da gente, então por que se deu ao trabalho de lutar por nós? — Natasha fala olhando fundo nos olhos dele.

Steve respira fundo.

— Por que eu amo vocês! — Steve fala como se fosse óbvio. Ele não achava que ela iria perguntar algo desse tipo.

— Ama? — ela dá uma pausa olhando fundo nos olhos dele. Steve balança a cabeça concordando — Então prove! — é só o que ela fala antes de dar as costas pra ele e fazer seu caminho até o quarto.

Steve não faz nada para impedi-la. Ele sabe que ela só ficaria mais brava com ele. Ela estava certa, a culpa era realmente dele.

(...)

4 dias antes

16:29

Natasha terminava de se arrumar para ir comprar alianças com Zeke. Ela vestia um vestido solto azul e Branco, com saltos baixos e o cabelo solto.

Ela estava sozinha em casa. Era uma segunda-feira, um dia ensolarado e quase sem nuvens, o que é quase impossível considerando o clima de Nova Iorque.

Zeke estava ancioso. Ele não fazia ideia do que ia fazer e nem de como, tudo o que o Moreno sabia é que essa é a decisão mais certa de sua vida.

Natasha estava sozinha em casa. Sammy estava com Pepper e Kat, e Steve estava no escritório.

Natasha sai do banheiro tirando uma mecha do cabelo do rosto, tão distraída que se assustou quando Steve a prendeu contra a parede do quarto.

— Steve? — ela grita com o susto.

— Oi amor! — ele fala com o rosto bem colado no dela, as pontas do nariz se tocando.

— O que faz aqui? — ela pergunta ainda surpresa, olhando fundo nos olhos dele.

— Eu vim passar a tarde com você! Quero me desculpar por não ter te dado atenção! — ele diz animado, colocando as mãos na parede, ao lado do rosto dela, e inclinando o corpo pra frente, fazendo com que seus lábios se toquem.

Natasha sente seu corpo arrepiar com o contato. Ela segura a cabeça dele pela nuca e abre a boca, permitindo que suas línguas se toquem.

O beijo passa para algo mais selvagem, mãos viajam pelos corpos e peças de roupas ameaçam cair no chão, claro que isso seria o que Iria acontecer se Natasha não recebesse uma mensagem.

— Aí meu Deus! Zeke! — ela exclama quando se lembra que tinha combinado com o amigo de se encontrarem na frente do prédio e que ele deveria estar esperando à um tempo.

— Quê? — ele pergunta desnorteado. Não imaginava que ela diria isso.

— Eu combinei de sair com ele! Desculpa amor! — Natasha dá um último selinho nele e se afasta.

— Mais, pra onde vocês vão? — ele estava incomodado. Sua mulher saindo com aquele russo... Não parecia bom.

— Ah... — ela tenta pensar numa desculpa mas não consegue e tinha prometido pra Zeke que manteria segredo — É... não posso falar.

— Como assim? — o nível de preocupação do loiro triplica e o coração dele dispara.

— Eu não posso, desculpa! — Natasha mal olha pra ele, indo de um lado para o outro do quarto procurando suas coisas.

— Natasha, eu não gostei muito dessa resposta... — Steve tenta ao máximo se controlar para não dar um chilique.

— O que você quer que eu diga? — Natasha se irrita, será que ele não entende que ela simplesmente não pode falar?

— A verdade! — ele grita.
Natasha lança um olhar enfesado para ele antes de sair de dentro do quarto.

— Não! — ela grita uma última vez antes de fechar a porta de casa na cara dele.

Steve se apoia na porta recém fechada e escorrega pela mesma até que seus glúteos toquem o chão. Ele segura a cabeça entre as mãos.

— Merda! — ele pragueja se sentindo um lixo. Será que ele e Natasha alguma hora parariam de brigar?

Natasha anda pelo prédio batendo os saltos contra o chão. Ela estava furiosa. Onde já se viu um homem não confiar na mulher?

Ela passa pela portaria sem nem cumprimentar o porteiro, indo diretamente em direção a Zeke que estava na frente do prédio.

Zeke sorri pra ela assim que a vê, mas seu sorriso cai quando ele percebe que ela está com os olhos vermelhos.

— Nat? — ele pergunta segundos antes de ela o abraçar forte. Ela deixa algumas lágrimas rolarem e molharem a camisa dele — Natasha? Fala comigo!

— Eu estou cansada de brigar com ele. Ele quase nunca passa o dia em casa e quando passa a gente briga o tempo inteiro! — ela sussurra com tristeza.

— Nat, ele está em casa hoje? — ele pergunta acariciando o cabelo dela, tentando acalma-la. Ela gunhi concordando — Então nós vamos marcar isso pra amanhã ou depois e você vai subir agora pra ficar com seu marido!

— Não! Você vai comprar as alianças e tem qu... — ele a interrompe.

— Do que adianta um casamento novo se um antigo está com problemas? Vai ficar um tempo com seu homem! — Zeke não deixa espaços para que ela negue.

Ele a empurra em direção à porta do prédio, a forçando a entrar.

Natasha não pensa em contrária-lo, sabe que não chegaria em lugar algum.

Ela agradece e corre em direção ao elevador. Quando o mesmo para no andar dela, ela se apressa em tirar as chaves da bolsa.

Assim que abre a porta, ela sente como se tivesse empurrado algo com a mesma e logo depois escuta um gemido de dor.

— Steve? — ela fecha a porta novamente, ficando dentro do apartamento.

O loiro estava com as mãos na frente do corpo, espalmadas no chão de madeira. Ele olha pra cima deixando seus olhos se encontrarem com os dela.

— O que faz aqui? — Natasha podia sentir que ele estava carregado de magua e até decepção.

Ela se cala, não precisa dizer nada pra falar o que quer.
Com os olhos fixos nos dele ela abaixa e senta no chão, ficando de frente para ele. Ela apoia o corpo na porta.

Steve olha pra ela esperando que ela dê o primeiro movimento para perto dele, mas ela não da, então ele se aproxima, ficando entre as pernas dela com as mãos ao lado do corpo dela.

Ele olha mais uma vez nos olhos dela. Eles estavam perto, os narizes se tocando e as respirações se tornando uma.

Natasha sobe as mãos para o pescoço dele, o puxando para mais perto e colando os lábios delicadamente nos dele. Ela se afasta alguns centímetros para olhar nos olhos dele.

Steve sentiu aquilo como um pedido de desculpas pelo comportamento dela e ele queria dizer que estava tudo bem, então sorri de lado e ataca os lábios dela com vontade.

Natasha escorrega pela porta até que esteja inteira deitada no chão, com Steve por cima dela.

— Amor.— Natasha se separa dele empurrando-o para cima.

— Sim... — eles ainda estavam perto, testa com testa.

— Vamos ver um filme? — ela fala.

Steve se surpreende com a resposta dela, o plano dele era um pouco diferente.

— O que? Por que? — ele olha pra ela ancioso pela resposta.

— Por que sinto falta de fazer coisas com você... — ela parecia triste. Steve coloca um sorriso no rosto e passa as mãos para as cochas dela, se levantando e levantando ela junto.

— Onde vamos? — ela passa os braços no pescoço dele se segurando pra não cair.

— Sofá! — é o que ele diz antes de solta-la. Natasha cai em cima do sofá assustada.

— O que vamos ver? — ela pergunta se alinhando ao corpo dele. Steve estava ao seu lado, com as costas entre o encosto e o braço do sofá. Natasha se deitou na frente dele, de forma que apoiasse suas costas na barriga dele.

— Qualquer coisa! — ele murmura pegando o controle e ligando a TV.
Ele passa vários canais, procurando um filme legal, até que Natasha dá um berro.

— Steve! Volta por favor! — ela grita balançando o braço dele animada.

— To voltando! — ele fala.
Natasha sorri quando ele para no canal que ela queria.

— Eu amo esse filme! — ela se ajeita melhor no peito dele e olha pra TV com concentração.

Steve tenta se concentrar no filme, mas na realidade ele não estava nem aí para o que ia passar, desde que ele e Natasha ficassem assim pra sempre.

Ele aperta a cintura dela contra seu corpo, sentindo o calor do corpo dela se juntar ao seu.

Ele coloca a cabeça na dobra do pescoço dela e fecha os olhos. O perfume dela o acalmava.

Natasha sorri com as ações dele. As vezes ele agia como um fofo e nem percebia.

Ela se vira pra ele coloca as mãos no rosto dele, o puxando pra perto e o beijando delicadamente.

Antes que o beijo se torne algo mais, a porta se abre, revelando Sammy e Claire. Ela carregava uma gaiola de gatos com Snow dentro.

— Sabia que a Snow foi castrada? A barriguinha dela ta pelada! Eles rasparam todo o pelo! Mas agora não vou poder pegar ela por três semanas senão a barriga dela vai abrir e ela vai sangrar até a morte — Sammy fala tudo de uma vez olhando Natasha animado.

— Não foi bem isso que o Veterinário disse... — Claire comenta abrindo a gaiola e deixando Snow andar livre pela casa.

Mesmo com dificuldade, a gata andou pela sala até parar na sua casinha, entrou nela e se enrolou, dormindo em seguida.

— Eu imaginei que sim... — Natasha sorri, levantando do sofá.

— Bem, eu já vou indo! Tenho coisas a fazer! — Claire manda um beijo no ar e faz seu caminho para fora do apartamento.

Natasha acena, depois de passar o dia inteiro com o neto, Claire estava visivelmente cansada, precisa descansar.

Quando ela vira o rosto de volta pra sala, seu marido e filho haviam sumido.

Ela anda nas pontas dos pés para o quarto do loiro menor e se inclina devagar para ver o que acontecia dentro do quarto.

Steve estava sentado no chão, falando alguma coisa para o filho que não o olhava de volta. O garotinho parecia mais entretido com o trenzinho de brinquedo em suas mãos.

Sammy vira o rosto em direção ao pai com incredulidade, e seus olhos se enchem de lágrimas. Steve se assusta com a reação do menor e tenta falar alguma coisa mas antes de terminar a frase o menino está fora do quarto.

Ao virar o corredor ele tromba com a mãe. Ela tenta abraça-lo mas ele desvia dos braços dela.

Ela olha pra Steve com a confusão estampada em seu rosto. Steve olha pra ela visivelmente destruído.

— Ei! O que aconteceu? — ela se aproxima lentamente, passando os braços ao redor do peito dele. Steve permanece imóvel.

— Eu vim explicar pra ele que eu era o pai dele do jeito biológico, não só de coração... — ele começa — Mas quando eu comecei a falar ele me olhou com ódio e disse que era impossível por que eu não ligo pra família e ele não queria ser meu filho pois não queria ser igual a mim.

A sensação que passava pelo corpo dele não pode ser descrita de outra maneira além de miserável.

Nunca em sua vida ele havia se sentido tão triste e perdido.

Natasha vê tudo isso no olhar dele, que estava sem foco, apenas perdido em algum lugar no quarto.

CONTINUA...

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado dessa parte 1. Ainda temos a dois, então não me abandonem! Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.