Give Me Love
2 Capítulo 2 – Plano B
Notas iniciais
Escuridão.
Tudo ao seu redor era penumbra. Regina não podia enxergar nada e era como se ela estivesse de olhos fechados. Por um momento pensou estar cega.
“Droga” bufou enquanto sentia a escuridão abraçar-lhe.
A morena sentiu suas pernas falharem, e logo, seus joelhos tocavam o chão frio. Uma lágrima involuntária escorreu sobre sua bochecha e Regina soltou um grito de frustração.
Silêncio.
E de repente...
“Regina?” uma voz suave e insegura, foi ouvida no meio da escuridão. A morena levantou os olhos e olhou ao redor, mas de nada adiantava, ela não podia ver um palmo à sua frente. “Regina?” a voz parecia mais perto agora, e com um pouco mais de confiança.
A prefeita ficou na dúvida se devia responder ou não, afinal, não sabia quem estava por trás daquela voz e o que a aguardava.
Se decidiu pela primeira opção. “Estou aqui” gritou. Era melhor do que ficar sozinha.
Regina olhou na direção de onde pensou ouvir a voz antes, e teve que piscar várias vezes quando viu um pequeno ponto de luz. Logo, o brilho desconhecido se fez tão forte que foi necessário tapar os olhos com o braço. Pelo menos ela não estava mais cercada por escuridão.
O brilho pareceu diminuir e a morena arriscou olhar na sua direção novamente. A visão à sua frente a fez perder o fôlego.
Os olhos verdes lhe fitavam com preocupação e alívio ao mesmo tempo, os cabelos dourados balançavam em alguma brisa que não podia ser sentida por ela, e o sorriso singelo na sua direção fez seu coração parar por um instante.
Emma Swan caminhava até ela.
A luz, agora suave, envolvia o corpo da Salvadora e conforme ela se aproximava, a escuridão desaparecia e, de uma forma que Regina não podia explicar, seu coração se enchia de paz.
“Regina!” ela disse mais uma vez, agora correndo na direção da morena. “Graças à Deus!”
E antes que pudesse perceber, os braços da loira estavam envolvendo seu corpo em um abraço, ao mesmo tempo que se jogava de joelhos no chão para ficarem no mesmo nível. Regina não soube como reagir, elas nunca haviam se abraçado antes. Mas quando ela sentiu toda a segurança que aquele gesto lhe passava, aquilo pareceu tão... tão certo. E logo seus braços envolviam a cintura fina de Emma e sua cabeça descansava sobre seu ombro.
Regina foi a primeira a quebrar o contato. “Onde estamos?” perguntou e só então percebeu que a escuridão finalmente a havia abandonado.
“Não sei” Emma olhou ao redor.
As duas estavam, agora, sentadas sobre os calcanhares em um gramado extremamente verde. E ao seu redor haviam flores, de todas as cores, mas Regina não podia dizer que tipo de flores eram. Ela nunca havia visto nada parecido antes.
“E onde está todo mundo?” a voz de Emma fez com que Regina desviasse a atenção das flores para fita-la novamente. “Droga, Regina. O que tá acontecendo aqui?” a loira estava ficando nervosa e o tom de sua voz denunciava isso.
“Mantenha a calma, Miss Swan. Deve ter uma explicação lógica pra isso.”
“Não venha com ‘Miss Swan’ pra cima de mim, Regina” levantou-se irritada e Regina a encarou confusa, sem entender o ataque repentino da loira. Ela havia usado a ‘expressão’ na brincadeira, como já havia feito antes, durante a busca pelo autor. “Estou perdida aqui há Deus-sabe-quanto-tempo e agora você também está aqui e eu não faço a mínima ideia de como tudo isso foi acontecer ou como vamos sair daqui-”
“E eu não consigo pensar em nada com você dando piti” a morena gritou, ficou de pé e observando Emma andar de um lado para o outro bufando. “Então cala a boca!”
E nenhuma delas entendiam o porquê, mas de repente estavam gritando incoerências uma com a outra, aproximando-se cada vez mais para se fazerem ouvidas. Antes que percebessem seus corpos estavam à um passo de se encostarem, os gritos haviam cessado e só restava a respiração pesada devido à energia gasta pela discussão. Regina não conseguia desviar os olhos dos verdes intensos de Emma, que estavam mais escuros do que o normal – e ela não sabia o que aquilo significava, pois não se lembrava de vê-los daquela forma. Assim como Emma não conseguia desviar dos castanhos de Regina, que brilhavam na mesma intensidade.
Sem aviso prévio, Regina sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e a sensação não era nada agradável. Aquilo foi o suficiente para, finalmente, quebrar o contado visual com Emma, que já durava mais tempo do que ela gostaria de admitir, e olhar ao redor.
Aquele campo florido e iluminado em que estavam, estava sendo tomado pela escuridão novamente e Regina não podia suportar a ideia de se ver perdida naquela penumbra mais uma vez.
“O que é isso? Por que tudo tá ficando escuro?” Emma olhava de um lado para o outro.
“Eu não sei, faça alguma coisa” Regina ordenou.
“Por que eu tenho que fazer alguma coisa?”
“Você é a Salvadora, sei lá!” Regina passou as mãos pelo cabelo, o controle esvaindo do seu corpo à medida que a escuridão parecia se aproximar. “Quando eu estava na escuridão, você trouxe luz e me tirou de lá. Faça de novo, por favor” a voz morreu na sua garganta quando sentiu seus olhos arderem e as lágrimas começarem a queimar sua pele. “Me salve” a última palavra saiu num sussurro quase inaudível.
Emma se surpreendeu com o pedido desesperado e sentiu seu coração acelerar.
“Sempre, Regina” segurou seu rosto com carinho, limpando as lágrimas com o polegar e obrigando a morena a fitar-lhe novamente. “Eu sempre vou te salvar.”
E mais uma vez o gesto parecia apenas certo, quando os lábios de Emma tocaram levemente os de Regina, que fechou os olhos sob o contato. Não foi algo pensado ou planejado. Apenas aconteceu. Não era como se Emma tivesse qualquer controle do seu corpo ou da sua mente quando ela se inclinou para sentir os lábios macios da outra.
O contato não passou de um beijo casto, mas aquilo parecia tão certo no momento que quando Emma se afastou, ainda de olhos fechados, um sorriso desenhou-se no seu rosto e foi acompanhado por um próprio de Regina.
E quando o olhar das duas finalmente se encontrou, alguma força atingiu seus corpos. Era como se o ar tivesse sido tirado de seus pulmões e um suspiro de surpresa escapou seus lábios, no mesmo instante em que uma energia em forma de luz espalhava-se do ponto em que estavam, para o resto do campo, acabando com a escuridão que ameaçava envolver seus corpos. Como se recuperassem o ar roubado novamente, elas suspiraram aliviadas e olharam ao redor antes de fitarem-se novamente, confusas.
Regina abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida ao sentir uma sensação estranha tomar-lhe o corpo, era como um vazio, um vazio imenso lhe absorvendo por completa. Olhou para a própria mão e pode ver o gramado através dela. Regina estava desaparecendo.
“Regina!” Emma exclamou assustada ao ver a imagem da mulher se desfazer na sua frente. “Não me deixe! Eu não quero ficar sozinha mais uma vez” agora eram os olhos da loira que se enchiam de lágrimas. “Não vá...” as últimas palavras em um sussurro quase inaudível.
Emma tentou segurar a figura quase transparente de Regina, mas foi em vão. Era como um fantasma que ela não podia tocar, nem sentir. A morena tentava falar mas estava sem voz e a última coisa que pôde ver foi escuridão.
Mais uma vez.
“Está na hora de acordar ‘Bela Adormecida’” a voz penetrante e rouca atingiu-lhe os tímpanos antes mesmo que Regina pudesse entender onde estava.
Sua cabeça latejava e era pior do que qualquer ressaca que ela já tivera. Os olhos ainda fechados, imagens borradas do sonho que acabara de ter aparecendo e sumindo em sua mente. Tudo passava tão rápido que ela não conseguia processar todos os acontecimentos.
“É como ressaca de vinho, não é?” ouviu Mal rir e finalmente abriu os olhos para observar a mulher mais velha, em um nível mais alto que o seu, escorada contra uma parede de pedra. “Bem...” o sorriso se desfez e sua voz voltou a ser rude. “Eu não tenho todo tempo do mundo, então trate de se recuperar logo que tenho mais o que fazer.”
Regina olhou ao redor e reconheceu seu cofre. O que diabos ela estava fazendo ali?
“Por que eu estou aqui?” perguntou, ignorando a dor de cabeça.
“Oh, você não lembra?” devolveu a pergunta, sínica, inclinando a cabeça para o lado. “Você nos entregou uma falsificação da página do livro, minha querida. Você não achou que fosse se livrar dessa, não é mesmo?”
“E por que eu ainda estou viva?” ergueu uma sobrancelha, desafiadora.
“Cruella queria que eu te incinerasse, por ter traído nossa confiança.”
“Eu ainda estou aqui, então estou assumindo que você não fez nada.”
“Por enquanto, não. Rumple tem outros planos pra você” Mal ajoelhou-se na frente da prefeita e passou a mão no seu rosto. “Sabe, Regina... Eu me importo com você, realmente me importo. Eu sabia desde o início que você não estava completamente do nosso lado, mas eu achei que com o tempo você podia lembrar da escuridão que tem dentro de você. E eu pensei que eu pudesse te ajudar” a loira aproximou-se e roçou seus lábios nos de Regina, passando a mão pela sua coxa.
Okay, Regina. Esse não é o momento nem o lugar para você ficar excitada. “Onde estão os outros?” perguntou, tentando se desfazer do ‘feitiço’ que era estar perto do dragão.
Mal sorriu e sugou o lábio inferior de Regina, fazendo a mesma soltar um gemido fraco.
“Grande erro o meu...” disse quando se afastou novamente, ignorando a pergunta anterior da morena. “Você não iria desistir de tudo que você conquistou nesses últimos anos, não é mesmo? Henry... Emma...”
E ao ouvir aqueles dois nomes, Regina congelou.
“O que você fez com eles?” se levantou abruptamente, levando Mal consigo e a empurrando com força contra a parede mais próxima.
A loira soltou uma risada irônica. “E não é que o Rumple estava certo.”
“Sobre o que?” sua voz já estava mais elevada do que gostaria, Regina estava perdendo o controle, e isso não era nada bom. “O que você fez com eles? Seu dragão miserável!”
Maleficent empurrou a morena para longe de si, a fazendo bater as costas contra a parede de concreto com força e cair sentada no chão. “Eu ainda não fiz nada, Regina” disse a levantando novamente, segurando seu queixo de forma dominante. “Mas se você não colaborar eu não vou hesitar em destruir todos que você ama e depois... Bem...” sorriu, algo meigo mas também maligno. Um sorriso que só Maleficent possuía. “Vamos ver o que vou fazer com você” disse aproximando seus rostos perigosamente, sentindo a respiração quente e pesada de Regina contra seus lábios.
A morena tentou recuar, mas ela estava presa entre a parede e o corpo da loira, que a segurava firme.
“O que vocês querem?” perguntou, a voz falhada.
“Você sabe o que nós queremos, Regina” permaneceu séria, sua voz implacável, mas a morena conseguiu perceber a tristeza em seus olhos. “Nossos finais felizes.”
“E qual é o seu final feliz, Mal?” sua voz era suave, ela estava recuperando o controle, e Maleficent manteve-se calada. Seus olhos azuis fitavam os castanhos de Regina, mas seus pensamentos estavam em um lugar além. “Seu filho, não é?” perguntou, já sabendo a resposta.
“Filha” corrigiu, sorrindo com tristeza. “Eu tive uma menina.”
“O que aconteceu com ela?” Regina falava com calma, medindo as palavras e esperando que Mal se abrisse com ela. A morena sondava o rosto da outra, procurando alguma brecha que a ajudasse a escapar dali, mas também se preocupava com a amiga e queria ajuda-la.
Maleficent soltou um suspiro de tristeza, o hálito quente contra a pele da morena já que a distância entre as duas permanecia mínima. Regina notou as lágrimas se formando em seus olhos.
“Não é hora para diversão, Maleficent dearie” a voz de Gold as assustou, nenhuma delas havia notado sua presença no local.
Mal piscou algumas vezes afastando as lágrimas e se distanciou de Regina.
“Estou ciente disso, Rumple” lhe sorriu com desdém.
“Já contou as novidades para nossa prisioneira?” perguntou à loira, mas o olhar e o sorriso de deboche apontavam para Regina, que ficava cada vez mais confusa.
“Deixei as honras pra você.”
“Do que vocês estão falando?” a morena já perdia a paciência com toda aquela palhaçada.
“Pode trazê-la” ordenou.
Regina olhou ao redor, sem entender. “Trazer quem? O que você está-”
As palavras morreram na sua garganta quando seus olhos se encontraram com os verdes de uma certa loira, que era arrastada escada abaixo por Cruella.
“Emma?” a voz saiu falha e era como se uma faca atravessasse seu coração.
“Soltem a Regina” a loira gritou, assim que viu a morena, tentando se desfazer do aperto de Cruella, mas de nada adiantava já que suas mãos estavam algemadas. “Eu faço o que vocês quiserem, mas não a machuquem” sua voz tinha um tom desesperado e ela falava sem pensar. Emma não tinha controle das suas palavras, tudo que ela queria era tirar Regina dali, do alvo daqueles três vilões.
“Emma, cala a boca” Regina ordenou, recuperando a voz e se irritando com a forma infantil como a Salvadora tentava lidar com o trio.
A loira a encarou chocada, mas logo percebeu que agir daquela forma não ajudaria em nada. E logo sentiu-se um tanto quanto embaraçada por agir de forma tão irresponsável e infantil, gritando incoerências.
“O que vocês querem de nós?” o olhar de Regina passou de Mal para Cruella, para finalmente pousar em Gold.
“Vamos começar com o que eu quero de você, Regina” o homem sorriu.
“Se é à mim que vocês querem deixem ela ir.”
“Não, não, não” balançou o dedo indicador. “Já sabemos que não podemos confiar em você Regina, e a Salvadora aqui” aproximou-se de Emma “é vital para meu plano, assim como a garantia que você vai fazer exatamente o que eu mandar.”
“E se eu me recusar?” desafiou.
“Então é a loirinha que sofrerá as consequências” segurou a mão na direção de Emma, mas sem toca-la, e a loira ficou suspensa no ar, uma força invisível envolvendo sua garganta e impedindo que o oxigênio entrasse. “Vai nos ajudar, ou não?”
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