Give Me Love
15 Capítulo 15 – Memórias de um dragão
Notas iniciais
Regina estava sentada em sua mesa, na prefeitura, terminando alguns relatórios atrasados. Depois de toda a confusão que rodeara a cidade, ela finalmente conseguira um tempo para colocar seu trabalho em dia. Ela preferia estar na companhia de uma certa loira, mas tinha obrigações a cumprir.
Sua cabeça começou a doer ao se lembrar, de repente, que havia três vilões na prisão. Rumple, Cruella e Zelena. Ela precisava pensar, em conjunto com Emma e David, o que fazer com eles.
Sentiu como se alguém lhe desse uma pancada na cabeça quando ouviu a porta do seu escritório abrir-se com força.
“Eu exijo que você solte a Zelena.”
Regina olhou com espanto a velha amiga, parada de braços cruzados na frente da porta.
“Como é que é?” arqueou uma sobrancelha, não entendendo o pedido repentino.
“Você escutou. Solte. A. Zelena” disse pausadamente, se aproximando como uma felina sobre sua presa e parando-se em frente à mesa da prefeita.
“O que você tem a ver com isso?” perguntou desconfiada, largando os papéis que tinha em mãos e as apoiando sobre a mesa.
“Ela merece uma segunda chance. Como você teve. Como eu tive” disse, sem se abalar com o olhar intimidador que Regina lhe lançava. Ela nunca tivera medo da Rainha, e não seria agora que começaria a ter.
“Isso não cabe à você decidir” disse, se recostando na cadeira. “E afinal de contas, qual o seu interesse na minha irmã?”
“Nós temos uma história” deu de ombros.
“Oh, não me diga que você é a pessoa que ela veio procurar?” o rosto de Regina mudou para uma expressão de realização.
“Ela estava atrás de mim?” e os olhos da loira brilharam de felicidade. Mas logo disfarçou, voltando a expressão séria de antes. “Quer dizer-”
“Como vocês se conhecem, afinal?” Regina a interrompeu.
~*~*~
A jovem ruiva caminhava pela floresta, desatenta ao o que acontecia ao seu redor. Desde a morte da mãe, seu pai parecia trata-la de forma mais áspera e aquilo a machucava profundamente. Ela criara o hábito de caminhar sozinha pela floresta de Oz, porque ela não tinha amigos e seus pais não a deixavam se distanciar muito da região. Com 18 anos, ela nunca havia ido até a cidade central do Reino.
Fitava o chão e não viu a moça que corria na sua direção – mas olhava para trás, como se fugisse de algo. O choque foi repentino e fez as duas caírem sentadas no chão.
“M-me desculpe” a moça levantou-se rapidamente e a ruiva pôde ver seus olhos azuis cheios de lágrimas.
“Oh, eu sinto muito” ela também se levantou e aproximou-se da loira. “Eu machuquei você? Por favor, não chore” sua voz era carregada de preocupação ao ver o estado da moça.
“Eu estou bem” ela disse, secando as lágrimas e tirando a sujeira do seu vestido surrado.
“Mas você está chorando” apontou, a preocupação ainda estampada em seu rosto.
“Não é por você” a loira balançou a cabeça. “E-eu... Acabei de perder minha família” disse, com a voz fraca.
“Eu sinto muito” ela disse com sinceridade, segurando as mãos da loira nas suas. “Meu nome é Zelena, aliás” sorriu.
A loira levantou o rosto para fita-la e lhe ofereceu um breve sorriso. “Maleficent.”
“É um nome complicado” disse, franzindo o cenho e a loira riu com sua expressão. “Vou te chamar só de Mal.”
“Gostei” sorriu singela. “E eu vou te chamar de Zel” disse, animada.
“Você tem para onde ir, Mal?” perguntou, e a loira negou com a cabeça.
“Eu ao menos sei onde estou” disse confusa, olhando ao redor.
“Aqui é o Reino de Oz. Da onde você veio?”
“Eu moro- morava na Floresta de Espinhos.”
“Mas lá é perigoso!” exclamou espantada. “Dragões moram lá” sussurrou a última parte, como se confidenciasse um segredo. “Meu pai costuma contar histórias horríveis sobre eles.”
Os olhos da loira voltaram a se encher de lágrimas.
“Sua família foi destruída por dragões?” ela perguntou, o olhar cheio de pesar. Mas ficou confusa quando a loira negou com a cabeça. “O que houve então?”
“Eu preciso ir” disse apressada, dando alguns passos para trás, se afastando da ruiva. “Eu não devia estar aqui” ela se virou e começou a caminhar apressada para longe de Zelena.
A ruiva a olhou sem entender e então foi atrás. “Mal! Espere! Eu posso ajudar você!” ela gritava, tentando alcançar Maleficent, que agora corria pela floresta, sem saber ao certo para onde ir. “Não vou deixar você sozinha” conseguiu segurar o pulso da loira, a impedindo de continuar a fuga.
“Me deixa em paz!” ela gritou, se soltando e levando as mãos até o rosto.
“Mas-” interrompeu-se ao ver uma fumaça preta envolvendo o corpo da jovem. Ela olhou assustada quando um enorme dragão tomou o lugar de Maleficent.
O animal parecia fora de controle e cuspia fogo para todos os lados, queimando as árvores e a vegetação ao seu redor. Zelena não sabia o que fazer a não ser tentar se defender. Ela se deu conta que a moça não conseguia controlar o poder que possuía e sabia que precisava ajuda-la. Quando Mal estava prestes a levantar voo, a ruiva agarrou-se na sua cauda e escalou até as costas do dragão, segurando-se firme e levantando do chão junto com ele.
“Mal!” ela gritava, sobre as costas do animal, tentando chamar sua atenção entre as batidas fortes das suas asas. “Você precisa se concentrar! Vai dar tudo certo!” ela segurou suas escamas firmemente e tentou domar o animal, que voava de forma desiquilibrada pela floresta.
Meia hora depois, usando o pouco da sua magia que ela conseguia controlar, Zelena tinha controle sobre o animal, que voava com mais calma. “Muito bem, Mal” ela disse, fazendo um carinho na base do pescoço do animal. O dragão começou a diminuir a altitude e logo pousavam em uma clareira no meio da floresta. Zelena desceu de suas costas e em seguida a fumaça preta envolveu o animal, surgindo Mal em seu lugar. “Você é um dragão” ela disse finalmente, os olhos brilhando em espanto.
“Eu não sou má” abraçou a si mesma, e seu tom de voz lembrava o de uma criança desamparada.
“Eu sei que não” a ruiva se aproximou e segurou seu rosto. “Você não consegue controlar” afirmou e a loira concordou com a cabeça.
“Minha família também não era. Eles foram massacrados porque ninguém nos entende” as lágrimas voltavam a encher seus olhos, enquanto lembranças daquela noite atormentavam sua mente, quando aldeões enfurecidos invadiram a floresta e destruíram todos os dragões, sendo ela a única sobrevivente.
“Isso é horrível” disse, observando todo o rosto da loira. “E meu pai é um idiota em contar aquelas histórias” completou. “Eu também tenho magia” disse por fim, e a loira a fitou intrigada.
“É mesmo?” um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Zelena assentiu e estendeu a mão, uma fumaça verde se formando nela e, em seguida, surgindo uma rosa vermelha. “Para você” ela disse, com um sorriso singelo.
Mal sentiu seu rosto corar com o ato carinhoso e pegou a rosa, a cheirando em seguida. “Obrigada” sussurrou, seus olhos azuis brilhando. “Ela é linda.”
“Como você.”
~*~*~
Regina permaneceu em silêncio, tentando absorver as novas informações adquiridas. Ela nunca imaginou que sua amiga de anos – e ex-amante – havia tido um relacionamento tão próximo com sua irmã.
“E vocês se tornaram amigas?” perguntou, curiosidade evidente.
“Nós fomos muito mais do que isso, minha querida” Mal respondeu, com seu típico sorriso malicioso nos lábios.
Regina arqueou uma sobrancelha. “E o que aconteceu depois?”
O sorriso logo desapareceu de seu rosto, dando lugar à uma expressão séria. “Rumpelstiltskin aconteceu” disse amargurada.
~*~*~
Os meses passaram e a amizade entre as duas jovens crescia cada vez mais, assim como o amor que sentiam uma pela outra. Aqueles sentimentos eram inevitáveis. Mal continuava em Oz e, apesar das insistências de Zelena para morar com ela na casa de seus pais, ela estava acostumada com uma vida mais livre. Elas encontraram uma gruta na floresta e, as duas juntas, montaram uma moradia para Mal. Com alguns ajustes, tornou-se um lugar confortável para se viver e a loira ainda podia dormir na sua forma de dragão – como era costume da sua ‘raça’.
Aos poucos, com a ajuda de Zelena, ela aprendera a controlar a sua transformação e agora era capaz de levar a ruiva para passeios incríveis sobre todo o Reino de Oz.
“Eu devo ir, já está tarde” a ruiva disse com pesar, trazendo o corpo nu de Mal para mais perto de si.
A loira beijou seus lábios com calma, saboreando-a. “Fica. Só mais um pouquinho” sussurrou contra a boca de Zelena e ficou sobre ela. A pequena gruta onde morava, sendo iluminada somente por algumas tochas. “Eu te amo” disse sorrindo, e voltou a beija-la.
“Eu também” percorreu as mãos pela cintura da loira e pressionou os dedos na sua pele. “Mas eu realmente preciso ir.”
Mal deitou-se ao seu lado novamente e observou a ruiva levantar-se e vestir-se. “Vou sentir saudades” disse, sentando-se enrolada em um cobertor de pele de animais.
“Amanhã cedo eu volto” respondeu, inclinando-se e beijando seus lábios. “Como sempre.”
Elas sorriam uma para a outra e Zelena saiu da gruta, indo na direção da sua casa. Mal soltou um suspiro e voltou a deitar-se. Naquela noite ela ao menos lembrou de transformar-se em dragão, ela simplesmente adormeceu pensando no sorriso da ruiva.
Quando Mal despertou, o sol já surgia no horizonte. A loira se espreguiçou e se vestiu, tomou seu desjejum e resolveu dar uma volta pela floresta, enquanto esperava pelo encontro com Zelena.
Ela mal havia saído da gruta, quando viu a ruiva correr desesperada na sua direção, as lágrimas brilhando contra a luz do sol na sua pele alva. Mal sentiu seu coração apertar com a cena e, simplesmente, abraçou forte Zelena, deixando-a chorar em seu ombro.
Quando o choro começou a cessar, gradualmente, Mal a afastou carinhosamente e fitou seus olhos claros. “O que houve, minha pequena?” perguntou baixinho, secando as lágrimas do seu rosto.
“Ele não me ama” disse entre soluços.
“Quem?”
“Meu pai.”
“Oh, isso não é verdade” Mal deu um beijo em sua bochecha. “Como alguém não poderia amar você?” segurou seu rosto com as duas mãos e conseguiu um sorriso tímido da ruiva. “Seu pai te ama muito, mesmo ele não demonstrando isso.”
“O problema é que ele não é meu pai” confessou, a expressão de tristeza voltando a dominar suas feições.
“Como assim?”
“Ele e mamãe me acharam em uma cesta quando eu era bebê ainda. Eu fui trazida por um redemoinho até Oz. Eles me pegaram e me criaram. Mas meu pai sempre teve medo de mim... Por causa disso” disse estendendo a mão, onde formou-se uma fumaça verde muito espessa e em seguida uma rosa.
“Sua magia” a loira disse com a voz suave, pegando a rosa e inspirando profundamente seu aroma “é o que te torna especial” completou, beijando os lábios da ruiva.
“Mas ele odeia. E me odeia por isso. E minha mãe – a que me abandonou – deveria me odiar também. Por isso me largou em qualquer lugar” as lágrimas começavam a tomar conta de seus olhos novamente.
Mal a puxou para mais um abraço e afagou seus cabelos. Ela não sabia o que dizer para a amada, então apenas deixou que chorasse em seus braços, tentando passar o conforto que ela precisava. Zelena começava a se acalmar e se desfez do abraço.
“E-eu preciso ver o Mago de Oz” disse por fim, secando as próprias lágrimas.
Mal a olhou confusa. “Por que você faria isso?”
“Eu preciso descobrir quem é minha mãe” disse com determinação. “Eu quero saber porque ela não me quis... E-eu não sei... Eu preciso de respostas.”
A loira a olhou por alguns segundos, avaliando o que ela havia falado. “Então eu vou junto com você-”
“Não” a interrompeu. Mal a olhou em choque. “Quer dizer... Eu ia amar sua companhia, você sabe” acariciou o rosto da loira. “Mas isso é uma coisa que eu preciso resolver sozinha.”
Mal ponderou por alguns momentos e assentiu em silêncio, a contragosto. Não queria deixar Zelena fazer isso sozinha, mas conhecendo a ruiva da forma como ela conhecia, sabia que ela não mudaria de ideia.
Durante toda aquela manhã, Mal não conseguiu se concentrar em nada. Ela caminhava de um lado para o outro à espera da ruiva. Sua preocupação aumentava a cada hora que passava.
Ela estava tão distraída que não sentiu quando alguém aproximou por trás de si e tapou seus olhos com as duas mãos. “Adivinha quem é!?” ao sentir o hálito quente contra seu ouvido, a loira sentiu todo seu corpo arrepiar-se e mordeu o lábio inferior.
“Você voltou” ela disse, com um enorme sorriso, virando-se e beijando Zelena com paixão. “Como foi?”
O sorriso que a ruiva tinha por ver Mal de novo, se murchou. “Eu descobri que tenho uma irmã.”
“Isso não é bom?” perguntou confusa.
“Não quando ela teve tudo que deveria pertencer à mim” disse com um ranger de dentes.
“Você vai procurar por ela?”
“Eu já sei onde ela está. O Mago me mostrou. E tudo que eu preciso fazer é bater esses sapatinhos juntos” apontou para o par de sapatos que vestia. “E eu vou ir para qualquer lugar que desejar” sorriu.
“E pra onde você vai?”
“Para a Floresta Encantada.”
“É lá que ela mora?”
“Sim. Mas principalmente, o homem que vai me ajudar a conseguir o que eu quero.”
“Quem?”
“Um feiticeiro poderosíssimo. Seu nome é Rumplestiltskin.”
Mal arregalou os olhos ao ouvir o nome do homem. “Não faça isso. Ele é perigoso. Ele lida com magia negra” alertou.
“Eu não posso deixar que ela fique com tudo o que deveria ser meu” sentiu seus olhos arderem, lágrimas de ódio começando a se formar.
Mal se assustou ao vê-la dessa forma. Aquela não era a Zelena carinhosa e amável que ela conhecia.
“Esqueça ela. Vamos ser apenas eu e você” disse, segurando as mãos da ruiva nas suas.
“Eu não posso. Eu não consigo” negou com a cabeça. “Eu preciso de mais respostas e... Eu quero aprender a lidar com minha magia.”
“Você vai me deixar?”
“Eu preciso” afirmou com pesar.
“Eu não sou o suficiente pra você?” perguntou, seus olhos azuis brilhando com as lágrimas que se formavam. “Eu achei que você me amava.”
“E eu te amo, Mal. Te amo mais do que tudo” apertou as mãos da loira, passando o máximo de segurança que ela conseguia. “Eu vou voltar para você. Eu prometo” se inclinou e beijou seus lábios com delicadeza.
A loira segurou sua nuca e a puxou para mais perto de si, aprofundando o beijo.
Zelena quebrou o beijo, com lágrimas nos olhos e deu alguns passos para trás, afastando-se um pouco da loira. Ela sussurrou mais um “eu te amo” antes de bater os calcanhares dos seus sapatinhos e desaparecer, deixando Mal para trás. A loira não conteve mais as lágrimas, que queimavam sua pele.
~*~*~
Regina escutava tudo com atenção. “Ela voltou?” perguntou receosa, temendo a resposta, porque ela via tantos sentimentos estampados no rosto da amiga. Nostalgia. Amor. Dor.
Mal negou com a cabeça e sentiu uma lágrima solitária deslizar pela sua bochecha. “Eu esperei por ela em Oz, durante um tempo. Um mês talvez. E então resolvi ir até a Floresta Encantada, procurar por Rumplestiltskin. Eu queria saber sobre ela, mas ele se negava a me contar. Então eu pedi que ele me ensinasse magia negra, e então eu poderia procurar ela por conta própria.”
“Durante o tempo que passei com Rumple, descobri que minha família havia sido massacrada ao mando do Rei Stephan, tudo porque sua preciosa Briar Rose temia os dragões devido às histórias ridículas que circulavam sobre nós por todos os Reinos. Meu coração começou a escurecer e foi dominado pelo desejo de vingança.
“Foi quando você usou a maldição no sono nela?”
“Exato. Eu prometi que quando me vingasse voltaria minhas buscas por Zelena. Mas a maldição foi quebrada com um beijo de amor verdadeiro e meu mundo desmoronou. Então, me tornei aquilo que você encontrou, quando nos conhecemos” esclareceu com pesar.
“Você sabia que eu era a irmã de Zelena?”
A loira balançou a cabeça. “Nunca soube seu nome. Tudo o que eu sabia era que quando Zelena descobriu isso, você ainda era uma criança... Se eu soubesse que ela havia se tornado a Bruxa Má do Oeste, teria voltado para Oz imediatamente” suspirou.
“Você a ama?” Regina perguntou por fim. Ela já sabia a resposta, era só olhar para Mal que qualquer um saberia, principalmente ela, que a conhecia tão bem.
“Eu nunca deixei de ama-la.”
“Então eu vou te ajudar” a morena segurou as mãos de Mal nas suas. “Eu vou te ajudar a completar sua felicidade, minha amiga.”
Mal sorriu em agradecimento, se emocionando com a atitude da morena.
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