Give Me Love

9 Capítulo 9 – Acalme-se comigo


Notas iniciais
Hoje temos um momento esperado por todos, aleluia. Além da explicação para o sonho do capítulo 2, espero que faça sentido. Esse capítulo foi escrito ao som de “Kiss Me – Ed Sheeran” (sim, ele sempre me inspirando nesses momentos), quem quiser escutar enquanto lê sinta-se à vontade. Julita, o capítulo é seu, já que leu ele na íntegra e me autorizou a postar.

Regina abriu os olhos devagar, uma dor de cabeça insuportável atingindo-a. Ela remexeu-se um pouco, sem se importar onde estava e, fechando os olhos novamente, virou-se para o lado, na intenção de voltar à dormir. Talvez assim aquela enxaqueca desaparecesse.

Aconchegou-se melhor. Estava tão quentinho e confortável. Suas mãos tocaram um tecido diferente, ela apalpou tentando reconhecer o que poderia ser aquilo, quando de repente, mexeu-se sob seu toque e a morena ouviu um murmurar muito baixo, vindo logo acima de si. Os olhos abriram-se abruptamente, tomada pelo susto. Franziu o cenho e distinguiu que aquilo que tocava era o jeans de Emma. A perna de Emma.

Regina estava deitada sob o abdômen da loira, protegida por um dos braços de Emma. A loira ainda dormia e, inconscientemente, traçava linhas no braço de Regina, enviando correntes elétricas por todo o corpo da morena.

Finalmente, a prefeita saiu do seu transe inicial e levantou-se rapidamente, sentando sobre os calcanhares no canto oposto do sofá. Ela observou Emma remexer-se e finalmente acordar, espreguiçando-se de forma manhosa. Parece uma gatinha, Regina pensou com um sorriso no rosto antes de sacudir a cabeça e pôr-se de pé.

“Bom dia, Gina” disse com um bocejo, forçando os olhos cansados a se abrirem.

“Não me chame assim” a cortou bruscamente e Emma franziu o cenho.

“Desculpe, saiu sem pensar” disse baixinho. A loira olhou ao redor e viu as garrafas de cerveja e de vinho ainda espalhadas pela mesinha de centro. “Acho que a gente dormiu no sofá” disse sentando-se e mexendo o pescoço de um lado para o outro, na tentativa de expulsar a dor.

“Você acha?” perguntou irônica antes de suspirar cansada. “Tivemos uma viagem cansativa, tomamos um porre e ainda dormimos no sofá” caminhou até o balcão da cozinha, pegando um copo serviu-se de água e bebeu. “E agora estou toda dolorida.”

Emma soltou mais um bocejo e sentou-se no sofá. “Não sabia que você era tão mal-humorada de manhã cedo” disse e um sorriso debochado desenhou-se em seu rosto. “Me lembre de nunca mais dormir com você” brincou e Regina quase se engasgou com a água.

Pigarreou de leve e voltou à sua postura de sempre. “Já que não temos nada pra comer em casa, eu vou tomar um banho e sair pra tomar café-da-manhã. Se você quiser me acompanhar se apresse.”

“Não se esqueça que eu estou com o carro” observou, enquanto via a mulher desaparecer no corredor.

Regina deu um passo para trás, o suficiente para a loira vê-la. “Aí é que você se engana, querida” debochou segurando as chaves do fusca na mão e balançou-as no ar.

Emma soltou um suspiro vencido e seguiu até seu antigo quarto para trocar de roupa.

~*~*~

Emma estava errada sobre a quantidade de franquias da tal lanchonete. As duas passaram o dia inteiro, parando apenas para um almoço rápido, procurando pelo local onde Lily trabalhava. Regina se assustou com o tamanho de New York, e se não fosse por Emma ali junto, ela com certeza se perderia naquela imensidão de concreto.

Já começava à anoitecer quando elas finalmente chegaram ao antigo apartamento de Emma. Ainda faltavam cinco lanchonetes para elas procurarem e resolveram deixar para o dia seguinte. No momento o que elas mais precisavam era de uma boa noite de sono para recuperar as energias.

“Espera um momento” Regina parou de repente no meio da sala como se lembrasse de algo. “Quando vimos as imagens dela em NY, você disse que conhecia a rua” fitou Emma, seus olhos brilhando em realização. “Por que cargas d’água a gente simplesmente não pegou o nome da rua e procurou pela lanchonete nela?”

“Na verdade...” Emma coçou a parte de trás da cabeça, envergonhada. Regina já conhecia aquele gesto e arqueou uma sobrancelha esperando pela explicação da loira. “O que eu quis dizer é que reconhecia por ser em NY, sabe. Essa cidade tem esse jeito único que só de olhar você já sabe que é aqui. Mas eu não sei o nome exato da rua.”

“Dois pontos negativos, Miss Swan” disse simplesmente e caminhou até o antigo quarto de Emma, onde havia largado suas coisas. A loira insistira, antes de saírem, que a prefeita ficasse com ele, enquanto Emma dormiria no antigo quarto de Henry. Após muitos esforços, Regina finalmente cedeu em ficar com o quarto mais confortável.

Emma lhe fitou confusa e a seguiu. “Tá falando do que, Regina?”

“Da sua eficácia. Você zerou quando não me contou sobre o apartamento e perdeu um ponto em não abastecer a casa com comida. Depois dessa mancada, você fica com dois pontos negativos” disse vasculhando a mala em busca do seu pijama.

“Isso não é justo” cruzou os braços e fechou a cara.

Regina apenas deu de ombros e seguiu para o banheiro, precisava urgentemente de um banho para relaxar do dia cansativo. Emma foi atrás dela, um beiço ainda nos lábios.

“Eu quero meus pontos de volta” bateu o pé como uma criança birrenta.

Regina se virou para ela, parada na porta do banheiro, impedindo que a morena a fechasse. Ergueu uma sobrancelha antes de estreitar os olhos. Emma repetiu o gesto em desafio.

“Não saio daqui até ganhar meus pontos de volta” ergueu o queixo de forma petulante. “Se quiser tomar seu banho, devolva. Meus. Pontos.”

Regina manteve o olhar sério sobre ela antes de sorrir de canto, um toque de malícia neles. “Então fique aí, vou tomar meu banho de qualquer jeito.”

A morena deu as costas para ela e começou a desabotoar a blusa de cetim. Emma sentiu o coração acelerar e uma queimação entre suas pernas. Não podia acreditar que estava excitada ao pensar em ver a morena despida. Sua cabeça a mandava desistir e sair do banheiro, mas seu corpo não obedecia. Uma parte pois não queria perder a ‘disputa’ e a outra porque ver ela abrindo os botões da blusa, mesmo que de costas, era hipnotizante e extremamente sexy.

Regina deixou o tecido escorregar pelos ombros e, imaginando que a loira já havia saído devido ao silêncio, virou-se sorridente. Ela se assustou ao vê-la ainda parada ali, os olhos fixos em cada movimento dela – como se estivesse enfeitiçada. O olhar caindo brevemente para o sutiã branco muito delicado que vestia e a forma como seus seios se destacavam.

“Emma... O que diabos-” a morena cobriu o corpo com a blusa e a fitou, o cenho franzido.

“Desculpa, eu...” finalmente conseguiu encontrar com os olhos de Regina e sentiu seu rosto ficar vermelho, tão vermelho que suas bochechas queimavam. “Eu vou indo” umedeceu os lábios, apontando para fora.

A morena ficou esperando a outra se mover, as sobrancelhas arqueadas. Emma permanecia imóvel.

“Pode ficar com aqueles pontos” deu de ombros, tentando se recuperar e, finalmente, conseguiu forças para sair do banheiro. Ouviu a porta se bater com força e encolheu-se um pouco com o barulho.

Idiota. Idiota. Idiota.

Martirizava-se batendo na própria testa enquanto seguia para o quarto que pertencera ao filho e jogou-se na cama de solteiro. Iria esperar Regina tomar banho e quando ela entrasse no quarto, iria tomar o seu. Assim não precisaria cruzar com a morena.

Fechou os olhos e escutou o barulho da água do chuveiro. Imagens involuntárias invadiram sua mente. Os pingos de água caindo sobre a pele de Regina, traçando os detalhes do seu rosto perfeito, descendo pelo pescoço, entre os seios, pelo abdômen e-

“Merda, Emma” abriu os olhos rapidamente, querendo afastar as imagens. “Que porra é essa?” levou as mãos até os cabelos e soltou um suspiro cansado.

“Você gosta da Regina?” “Eu não vou me interferir nos seus sentimentos, okay?”

A voz de Ruby invadia sua mente, assim como as memórias da manhã antes da partida das duas. Ela dissera que gostava de Regina, afinal elas eram amigas. Mas será que Ruby conseguia enxergar além do que ela própria via? Será que a loba tinha razão ao falar de sentimentos? Mas que sentimentos ela podia, possivelmente, sentir por Regina?

E ela se lembrou daquela mesma manhã, ela, Henry e Regina, sentados na Granny’s compartilhando café-da-manhã e risadas. Seu coração aqueceu-se imediatamente com a lembrança. Regina com certeza fazia parte da sua família. Então, que tipo de sentimentos envolvia uma família?

Amor. Com certeza.

~*~*~

Regina fitava o teto do quarto, lembrando daquela manhã quando acordou deitada sobre Emma no sofá. Ela nunca admitiria em voz alta, mas havia gostado da sensação. Gostado muito, até. E agora, deitada naquela cama vazia, a sensação de solidão aumentava ainda mais. Ela queria parar de pensar sobre aquilo, mas não conseguia controlar e continuava a torturar-se.

Contra sua vontade, lembranças de momentos atrás quando Emma a observava despir-se invadiu sua mente. E torturou-se mais. Por que a loira não havia saído? Seria tão teimosa assim ou teria algum outro motivo?

Seus pensamentos masoquistas foram interrompidos por três batidas suaves na porta do quarto. “Posso entrar?” ouviu a voz de Emma do outro lado.

Rapidamente, sentou-se e ajeitou o cabelo. “Claro, o quarto é seu” tentou dar de ombros, parecer indiferente.

A loira abriu a porta devagar e colocou a cabeça timidamente para dentro do quarto. Sorriu um pouco constrangida. Regina não conseguiu evitar e sorriu também. Observou Emma entrar cautelosa, vestindo um short e uma regata. Seu perfume invadindo o quarto e a prefeita sentiu a necessidade de respirar fundo para absorver o aroma.

“Eu queria me desculpar” falou baixinho, balançando o corpo pra frente e pra trás. Ela estava nervosa, Regina observou. “E-eu... você sabe como sou teimosa” disse erguendo o rosto para fitar a morena e sorriu.

“Eu ainda não vou dar seus pontos de volta” ergueu a sobrancelha em um tom brincalhão e cruzou os braços.

Emma fechou a cara novamente, entrando na brincadeira. “Qual é, Regina” caminhou até a cama e subiu na mesma, sentando sobre os calcanhares. “Eu pedi desculpas, agora quero meus pontos de volta. Eu sou muito eficiente” disse e a olhou com aquela carinha de cachorro abandonado.

Regina sacudiu a cabeça. “Não pense que essa cara de filhotinho vai me fazer mudar de ideia, Emma” disse virando o rosto para não olhar para a loira.

“Claro, se você não olhar não vai fazer efeito nenhum” disse séria. “Olha pra mim, Regina” pediu como uma criança mimada. “Olha pra mim” insistiu, fazendo birra.

Regina teve que segurar o riso e virou o rosto ainda mais. Antes que se desse conta, sentiu o peso de Emma sobre ela. A loira estava com uma perna de cada lado do seu corpo e segurou com as duas mãos seu rosto, obrigando-a à fita-la. O toque era delicado, todavia. “Olha pra mim” repetiu, aquela carinha de filhote ainda presente.

A morena fechou os olhos com força. E quando sentiu o hálito quente de Emma contra seus lábios em mais um sussurro “olha pra mim”, seus olhos abriram em disparada, surpresa com a atitude. Agora ela estava séria, seus olhos brilhando em uma intensidade diferente. Regina mordeu o lábio inferior e lutou contra a vontade insana que lhe invadiu. Beijar Emma Swan.

“Não” disse séria, o olhar autoritário.

Emma suspirou derrotada e saiu de cima da morena, sentando-se sobre os calcanhares mais uma vez, ao seu lado. “Okay, admito que perdi essa batalha” disse por fim.

Ela observou Regina rir. As risadas cessaram devagar, uma expressão cansada tomando conta do seu rosto.

“Vai dar tudo certo” Emma disse, prevendo os pensamentos da morena.

“Eu sei” lhe sorriu fraco. “Amanhã nós vamos encontrar sua amiga e Mal finalmente vai reencontrar com a filha.”

“Eu estava falando sobre você.”

“Eu?”

“Seu final feliz, Regina. Você pode não admitir, mas isso ainda perturba você, não é?”

A morena assentiu em silêncio.

“Nós vamos fazer o Robin lembrar de você, mesmo não sabendo o que aconteceu-” interrompeu-se ao ver a morena balançar a cabeça negativamente. “O que houve?”

“Não acho que seja uma boa ideia” disse. “Eles pareciam feliz, não pareciam?” perguntou e Emma concordou. “Como você mesma disse ontem, talvez o autor tenha outros planos pra mim” deu de ombros.

“Acho que você deveria esquecer o autor e os estúpidos planos dele.”

“Como é que é?” a olhou sem entender.

“Regina, você pode fazer seu próprio destino” ergueu a mão em sinal de que não havia acabado ainda quando viu a morena abrir a boca pra falar. “O que eu quero dizer é que não interessa os planos dele. Tudo o que importa é o que você quer para o seu final feliz. E se precisar dele pra isso acontecer, que seja. Mas é você quem vai decidir o que quer, e eu vou lutar até o fim por esse direito seu” disse decidida.

Regina não pode deixar de sorrir. Um sorriso que iluminou seu rosto e aqueceu o coração de Emma. “Eu só não sei o que eu quero” suspirou, baixando o olhar.

O silêncio perpetuou no quarto e Regina esperou que Emma dissesse algo, mas nada saiu dos lábios da loira. Ela levantou o rosto novamente, para ver a Salvadora a observando. A morena lhe ofereceu um breve sorriso, mas quando Emma nada falou e um sorriso bobo desenhou-se em seus lábios, Regina começou a ficar nervosa. Não estava afim de enigmas e muito menos de tentar adivinhar os pensamentos de Emma.

“Que foi?” perguntou com uma sobrancelha arqueada, sem paciência com a loira à sua frente.

“Você devia sorrir mais” respondeu em um tom quase ingênuo. “Combina com você” e Emma sorriu com ternura ao ver Regina desviar o olhar e suas bochechas serem pintadas por um discreto tom de vermelho.

“Obrigada” sussurrou, ainda sem fita-la.

O sorriso de Emma aumentou ao ver a forma como havia deixado a prefeita. Sentando-se sobre os calcanhares, virou-se levemente na direção de Regina e inclinou-se um pouco. Delicadamente, colocou uma mecha de cabelo atrás da sua orelha, afim de ter uma visão melhor do seu rosto. Céus, ela era linda.

Como nunca havia reparado antes? Bem, se admitisse para si mesma ela já havia reparado. Há muito tempo. Era impossível não reparar em uma beleza como a de Regina. E seu olhar caiu sobre os lábios da morena. Uma vontade enorme de saber como era beija-los dominou seu corpo. Aquela não era uma vontade recente, e Emma sabia disso. Era tentador, há muito tempo tem sido.

Ao sentir o toque, Regina levantou o olhar para finalmente observar os olhos verdes de Emma. Eles estavam escuros e ainda focados nos seus lábios. A morena sentiu o coração acelerar.

“Emma, o que você está fazendo?” perguntou, engolindo em seco quando Emma já estava próxima demais, suas respirações se misturando.

“Sshhh” sussurrou, inclinando um pouco o rosto.

“Não me mand-” interrompeu a própria fala ao sentir os lábios de Emma na sua bochecha em um beijo leve e demorado. “Emma...”

Eram só os impulsos e desejos que guiavam Emma agora. “Eu só quero que suas preocupações vão embora” sussurrou contra sua pele. E agora depositava um beijo no canto de seu lábio superior, em cima da cicatriz da morena, que fechou os olhos aproveitando a sensação. “Confia em mim” disse baixinho antes de beijar bem de leve os lábios de Regina.

Emma se afastou devagar, não muito, apenas o suficiente para quebrar o contato enquanto esperava a reação da prefeita. Regina abriu os olhos quando perdeu o toque dos lábios de Emma contra o seu e, sem pensar duas vezes, puxou a loira pela nuca em mais um beijo. Dessa vez sua língua pedindo permissão para entrar e aprofundando beijo.

Emma segurou sua cintura e começou a deitar Regina na cama. A prefeita já estava completamente entregue aos beijos e aos toques. E quando sentiu a mão de Emma serpentear por baixo da blusa do seu pijama, contra sua pele quente, imagens bagunçadas começaram a tomar conta da sua cabeça.

Ela não sabia, mas a mesma coisa acontecia com a loira. Elas se afastaram no mesmo instante, sem fôlego, fitando-se confusas.

Escuridão. Luz. Flores. Discussões. Beijo. Escuridão. Isolamento.

Todas as imagens criando um filme em suas cabeças e não eram como um sonho. Eram uma lembrança. Eram reais.

“A gente já se beijou antes” Regina disse simplesmente, quando as imagens do beijo no campo florido tornaram-se nítidas na sua cabeça.

“Aquilo foi só um sonho, Regina” deu de ombros.

“Eu sei, mas pareceu tão real” sua voz saiu em um fio. “Eu consegui lembrar só agora-”

Regina interrompeu-se no meio da frase, se dando conta do que estava falando. Ambas se encararam em silêncio por um momento, os olhos arregalados em realização.

“Você sonhou também” falaram juntas, apontando uma para a outra.

“Nós estávamos em um campo florido” Regina começou a lembrar.

“Discutindo” Emma completou.

“E tudo começou a ficar escuro de novo” a morena tremeu ao lembrar-se, como se a sensação tomasse conta do seu corpo novamente.

Emma percebeu e segurou sua mão carinhosamente, passando segurança. “E então você pediu pra eu te salvar.”

“E você me beijou” lembrou e sorriu imediatamente, passando os dedos sobre os lábios. A leveza daquele beijo lhe dominando.

“Foi a única coisa que pude pensar” confessou em um sussurro. Emma pensou por um instante. “Como é possível sonharmos a mesma coisa?”

Regina estava tão absorta nas memórias que não havia parado para pensar naquilo. “A não ser que não tenha sido um sonho” deduziu. “A maldição do sono.”

“O que?” a loira a encarou claramente confusa.

“Lembra quando você e Mary Margaret caíram naquele portal, indo parar na Floresta Encantada?” perguntou e Emma assentiu. “Seus pais usaram a maldição do sono para se comunicarem, em uma espécie de mundo paralelo.”

Emma tentou processar aquela informação. “Você acha que foi isso que aconteceu com a gente?”

A morena balançou a cabeça positivamente. “É a única explicação para nós termos o mesmo sonho, que na verdade não foi um sonho” disse. “Nós duas fomos colocadas sob a maldição do sono e você havia me dito que estava lá há mais tempo que eu, lembra?”

“Sim, é verdade.”

“Por que você estava sob a maldição antes, e depois eu estava, que foi quando cheguei naquele lugar.”

“Então quando você começou a desaparecer... Você havia sido acordada?”

“Exato” aquiesceu. “O que aconteceu com você? Depois disso?”

“Eu fiquei mais um tempo lá, sozinha. De novo” suspirou ao se lembrar de como era ruim aquela solidão. “Mas não demorou muito, logo Gold me acordou e eu já estava sendo puxada para encontrar você no cofre.”

“O que eu não entendo é porque nos encontramos lá” a morena pensou alto.

Emma deu de ombros. “Destino?”

Regia a olhou intrigada. “Mas por qual razão?”

Emma a observou, pensando em todos os acontecimentos até então. Não só no sonho que tivera e na jornada em que haviam embarcado. Mas desde o momento em que colocou seus pés em Storybrooke.

“Talvez eu sempre estive destinada a te salvar” comentou finalmente.

“Como no sonho” deduziu.

“Como eu venho fazendo desde que cheguei em Storybrooke” Emma acariciou seu rosto, com ternura. “Ou talvez... no nosso subconsciente já sabíamos que isso deveria acontecer” disse com um sorriso de canto.

Regina a fitou sem entender. “O que deveria acontecer?”

A loira sorriu maliciosa. “Isso” e a puxou para mais um beijo, encerrando aquela conversa.

No mesmo instante, Regina entregou-se mais uma vez. Correspondendo o beijo e voltando a deitar-se na cama, Emma por cima do seu corpo.

Emma deixou sua mão correr por debaixo do pijama de seda da morena, tocando sua pele quente, subindo até seus seios e apertando de leve, arrancou um gemido dos lábios de Regina.

Ah, aquele som. Emma podia ouvi-lo infinitas vezes que nunca se cansaria. Ter os gemidos de Regina Mills direcionados totalmente para ela era algo que a deixava ainda mais excitada, e sedenta por mais. Muito mais.

A morena passou as mãos nas suas costas, puxando a regata de Emma. As roupas eram jogadas em um canto qualquer do quarto e logo estavam ambas nuas. As caricias se estendendo e fazendo seus corpos, cada vez mais, queimarem em desejo.

As duas queriam aquilo mais do que tudo, aliviar aquela tensão. Queriam sentir a outra dentro de si e deixar as ondas de prazer percorrerem todo corpo em um orgasmo. Mas ao mesmo tempo, estavam receosas em dar aquele próximo passo. Apesar de que naquele ponto, não havia mais volta.

Foi Emma quem fez a pergunta. “Você tem certeza, Regina?”

E o hálito quente da loira contra seu pescoço, seguido por um beijo delicado não deixou dúvidas na morena e agora ela estava mais impaciente do que nunca.

Soltou um gemido agoniado. “Cala a boca, Miss Swan” disse a puxando para tomar seus lábios, suas mãos descendo para o quadril de Emma e a pressionando mais contra seu corpo, a ponto de sentir sua umidade.

Emma não perdeu mais nenhum segundo e desceu os beijos pelo seu colo, chupando, lambendo, sugando e mordiscando cada seio com atenção especial e igual. Os beijos desceram pelo seu abdômen, sua língua contornando seu umbigo antes de descer mais.

Regina deixou um gemido escapar seus lábios em antecipação. Sentir os lábios e a língua de Emma contra sua pele era uma sensação maravilhosa e que jamais havia sentido antes. Ela precisava de mais, seu corpo pedia por mais. E quando a boca da loira encaixou em seu sexo e passou a chupa-la, gemeu o nome de Emma como em uma prece.

A loira deixou a língua percorrer sua intimidade, saboreando o gosto único de Regina Mills enquanto suas mãos seguravam suas coxas e em seguida seu quadril, apertando de leve. A morena arqueou as costas sentindo a língua de Emma lhe invadir e não podia conter os gemidos, que incentivavam cada vez mais a outra a continuar.

O polegar de Emma acompanhou as chupadas, estimulando o clitóris inchado da morena e não passou muito tempo quando ela percebeu que Regina já estava pronta. Só mais um estimulo e ela gozaria na sua boca.

Foi exatamente o que aconteceu. Regina enterrou suas mãos nos cabelos macios de Emma quando o orgasmo atingiu seu corpo.

“Emma” foi tudo que saiu de seus lábios, as forças esgotadas e as ondas de prazer preenchendo seu corpo.

A loira se afastou um pouco, observando a morena totalmente entregue, os olhos fechados e a respiração pesada. Ela depositou o peso do seu corpo sobre ela e a beijou com ternura, fazendo Regina abrir os olhos e sorrir para ela. Elas ficaram naquela posição por alguns instantes, as mãos de Regina percorrendo as costas nuas de Emma em delicados círculos, aproveitando o calor do seu corpo.

“Descansa” a loira disse depositando um beijo carinhoso na sua testa antes de rolar seu corpo para o lado.

Regina virou-se e se aconchegou nos braços de Emma, que puxou os lençóis sobre elas. A morena queria saboreá-la também, mas ela estava exausta do dia cansativo e Emma sabia disso. Para a loira, o que importava no momento, era ter expulsado as preocupações de Regina pelo menos por aquela noite. E ouvi-la e vê-la tão entregue, era tudo que ela podia querer. Elas teriam outras oportunidades para revezar os papéis, para uma dar prazer para a outra simultaneamente.

Emma passou os dedos sobre o ombro descoberto de Regina, sentindo sua pele macia e traçando linhas invisíveis ao longo do seu braço. A respiração da prefeita havia acalmado e seus olhos estavam fechados. A loira imaginou que tivesse adormecido e descobriu que poderia passar a vida inteira apenas observando-a, admirando sua beleza serena.

“Obrigada” a ouviu sussurrar, tão baixinho que Emma demorou alguns instantes para distinguir.

“Pelo o que?” perguntou no mesmo tom, depositando um beijo em seu ombro em seguida.

Regina puxou o ar, sentindo o toque delicado. “Por me salvar.”

Emma sorriu e aninhou-a mais em seus braços, transmitindo seu calor para ela. Aproximou os lábios do seu ouvido. “Sempre” sussurrou antes de se acomodar e adormecer.

Notas finais
Finalmente saiu o tão esperado hot SQ, espero que não tenha decepcionado. Fez algum sentido pra vocês? lol P.S.: Desculpem qualquer erro, eu reviso umas dez vezes antes de postar (por isso demoro às vezes), mas alguma coisa sempre acaba escapando né, rs.