Give Me Love

8 Capítulo 8 – A cidade que nunca dorme


Notas iniciais
Mil perdões pela demora meus amores, a intenção era postar esse capítulo semana passada. Mas descobri que tinha prova segunda-feira e passei o feriado e o fim de semana com a cara afundada nos livros. Agora, me livrei desse peso e venho aqui lhes gratificar com esse capítulo SwanQueen. Espero que gostem! Julita, esse capítulo é pra comemorar a melhora da pulguinha *heart eyes* E vou dedicar também pra Antonella, que foi exigir a atualização por MP, beijos sua linda. Aproveitem e leiam a fic DQ que ela acabou de postar: http://fanfiction.com.br/historia/614516/Querida_amiga/ e quem quiser tem uma SQ maravilhosa também, vale a pena *----*

“Então, qual hotel você reservou pra nós?” Regina perguntou casualmente enquanto as duas estavam paradas numa enorme fila no centro de NY, encarando aquele engarrafamento há mais de uma hora.

“Nenhum-”

“O que? Você está doida? Onde vamos ficar?” Regina deixou as mãos cair sobre suas pernas. “Você só precisa fazer uma coisa. UMA. E não consegue nem reservar um maldito hotel?”

“Se você me deixar falar-”

“Quer saber? Eu retiro o que disse sobre sua eficiência. Agora vamos dormir onde? Embaixo da ponte?” a morena continuava a falar, sem prestar atenção nos apelos de Emma para ser ouvida.

“Regina” a voz saiu suave apesar de sua paciência estar se esgotando, as buzinadas dos carros ao seu redor não ajudavam nada no humor da loira. “Cala a boca!” gritou por fim, assustando a mulher.

“O que você disse?” a fuzilou com o olhar.

“Mandei você calar a boca” respondeu séria, sem se intimidar pela ex-Rainha Má. “Eu não reservei nenhum hotel porque nós vamos ficar no meu antigo apartamento” explicou, mais calma.

“Por que você simplesmente não disse?” revirou os olhos.

“Eu teria dito se você não estivesse tão ocupada me xingando” retrucou.

“Espera um momento, o apartamento que você morava com o Henry quando voltamos pra Floresta Encantada?” Emma apenas meneou a cabeça, concordando. “Você ainda pensa em voltar pra cá? Com o Henry?” sua voz saiu fraca, quase em um sussurro.

“O que? Regina, não” a loira se apressou a responder, não queria que Regina pensasse que ela tivesse intenção de tirar o filho dela.

“Então por que o manteve?” sua voz era carregada de medo, e Emma se culpou por fazer a morena se sentir daquele jeito.

“E-eu não sei. Passei um ano sendo feliz aqui, minhas memórias não eram reais, é verdade, mas eu era feliz. Muito feliz.”

“Você quase se casou com um macaco voador” a lembrou.

“Sim, realmente” Emma riu com a lembrança. “Não é como se eu quisesse voltar pra cá, não mais pelo menos. Eu desisti totalmente dessa ideia, eu nunca afastaria Henry de você, Regina” assegurou e foi retribuída com um sorriso. “É só que, quando se mora em uma cidade como Storybrooke, às vezes você precisa de um lugar pra esfriar a cabeça. Eu me sinto em casa lá, sabe, como se eu tivesse finalmente achado meu lugar no mundo, minha família. Claro que com os últimos acontecimentos eu não tive nem tempo de pensar sobre isso, mas no fim, eu não trocaria aquela cidadezinha maluca por nada nesse mundo.”

Regina sorriu compreensiva. Emma sempre vivera livre e Storybrooke podia criar uma sensação de confinamento para a loira, ainda mais se tem um feitiço nos limites da cidade que não deixa você voltar caso a atravesse. E de repente a morena se lembrava de Robin, que atravessara a linha com sua família e viera para NY. Exatamente onde elas estavam agora.

“Posso pedir um favor? Antes de irmos ao seu apartamento?”

Emma não tirou os olhos da rua ao responder, a fila finalmente havia andado. “Claro.”

“Eu preciso ver o Robin.”

Emma a olhou chocada por um momento. “Não” franziu o cenho e voltou sua atenção para a rua.

“Por que não?” se irritou.

“Quer abrir a ferida que a partida dele causou em você?” perguntou séria. “Quer sofrer mais do que já sofreu? Ele está com a família dele, Regina. Pelo amor de Deus. Aliás,” continuou, irritada repentinamente. “Acha isso justo com ele? Você aparecer do nada?”

“E-eu, eu só queria ver se eles estavam bem. Eu sinto falta do Roland” encolheu os ombros. “Emma, por favor” implorou, fitando a loira com olhos de ‘gato de botas’.

Emma sabia o que a morena estava fazendo e evitou olhar para ela.

“Não. E essa é minha decisão final.”

~*~*~

“Eu não acredito que você me convenceu a fazer essa estupidez” a loira reclamava, as mãos enfiadas nos bolsos do seu jeans, enquanto as duas caminhavam pelo corredor do prédio. “Os olhos do gato de botas foi golpe baixo, Regina.”

A morena apenas riu, mas logo sua expressão tornou-se séria mais uma vez quando parou em frente ao apartamento que pertencera à Neal. “É esse?” perguntou para a loira, que assentiu.

Regina respirou fundo, reunindo toda sua coragem e bateu na porta. As duas esperaram por alguns instantes, mas não houve sinal de que tivesse alguém em casa.

“Eles devem ter saído, vamos Regina” Emma disse já puxando a loira pelo braço quando a porta se abriu.

“No que posso ajuda-las?” o homem as fitou, simpático.

“Robin” a morena riu aliviada. “Sou eu, Regina.”

“Desculpe, mas a gente se conhece?” perguntou confuso e a morena franziu o cenho, sem entender. Se aquilo era um tipo de piada não tinha a mínima graça. “Ah, vocês são aquelas testemunhas de Jeová que apareceram aqui semana passada, não são?” riu e recebeu um arquear de sobrancelha das duas mulheres. “Bem, eu já disse que não estou interessado. Obrigado.”

“Papa!? Quem é?” o pequeno Roland caminhou alegre até o lado do pai. “Oh, olá” ele sorriu para as duas.

Regina sorriu de volta para o garoto. “Roland, eu senti sua falta” abaixou-se na altura da criança, que lhe olhou confuso.

A morena estendeu a mão para faz um carinho na sua cabeça, mas Robin puxou o filho atrás de si, em um instinto protetor. “Como vocês sabem o nome do meu filho?” perguntou nervoso e Regina rapidamente pôs-se de pé novamente. “Eu quero que vocês saiam agora mesmo antes que eu chame a polícia” ameaçou fechando a porta, sem dar tempo de nenhuma das duas responder.

“Irônico para um homem que costumava ser um maldito ladrão” Emma gritou, furiosa com a atitude indiferente do homem. “Vamos Regina, ele não vale a pena” puxou a morena que continuava estática na frente da porta.

“Ele não se lembra de mim?” sua voz era carregada de dor.

Emma parou na metade do caminho e colocou-se na frente da morena, segurando seus ombros gentilmente. “Talvez foi melhor assim, Regina. Talvez ele não seja seu final feliz afinal de contas. Tudo acontece por um motivo, você precisa seguir em frente e amar de novo.”

“Eu sei. Na verdade, eu já me conformei. Eu perdi a chance do meu final feliz com Robin no momento em que desisti de entrar no bar em que ele estava naquela noite” lhe ofereceu um sorriso fraco. “Você tem razão, talvez tenha sido melhor assim. Quem sabe o autor tenha outros planos pra mim” sorriu, dessa vez com mais confiança, fazendo Emma sorrir também.

“Eu tenho certeza que sim” Emma soltou a prefeita e as duas voltaram a caminhar pelo corredor. “E Regina,” chamou a atenção da morena parando em frente ao elevador. “Se alguém merece um final feliz, esse alguém sem sombra de dúvidas, é você.”

Regina sorriu genuinamente para a loira, antes de entrar no elevador.

~*~*~

O sol já havia se escondido no horizonte quando as duas finalmente conseguiram chegar até o apartamento de Emma. O melhor a se fazer era descansar e começar as buscas por Lily no dia seguinte.

“Você tinha um apartamento e tanto, hein!?” a morena olhou ao redor, largando sua bolsa no sofá enquanto Emma trancava a porta atrás de si.

Emma puxava tanto sua mala quanto a de Regina, que estava muito mais pesada que a dela. E tentou se lembrar do porquê de ter se oferecido para carregar a bagagem da morena. Claro, ela queria ser gentil, mas após sentir o peso que Regina carregava, se arrependeu amargamente. Largou no canto da porta mesmo, se preocuparia com isso mais tarde.

“Graças à você” sorriu. “Sinta-se em casa, Rainha” disse em tom brincalhão, ao ver que a morena já tirava os calçados e vasculhava a geladeira.

Regina ignorou. “A geladeira está vazia” suspirou frustrada. “Quer dizer, tem uma quantidade absurda de cerveja aqui. Claramente foi sua casa, Emma” sorriu de canto, fitando a loira.

Emma terminava de tirar as botas e olhou para Regina, um enorme sorriso no rosto. “Clarissa fez o que eu pedi” disse caminhando até a geladeira e pegando uma garrafa.

A morena observou atônita enquanto Emma vasculhava uma gaveta, retirando um abridor de garrafas de lá e abrindo a cerveja. Ela tomou um gole do líquido gelado e lambeu os lábios, sentindo o gosto amargo na boca. “Sirva-se de uma, Regina” apontou para a geladeira antes de caminhar na direção do sofá e sentar-se com os pés sobre ele, ligando a TV.

“Quando você disse para me sentir em casa você não estava brincando” suspirou, fechando a geladeira. “Tem alguma coisa além de cerveja?”

“Ah sim, eu pedi pra Clarissa comprar umas garrafas de vinho pra você. Uma rainha não bebe cerveja, certo?” tomou mais um gole da bebida e apontou para um dos armários ao lado da geladeira. “Ela deve ter guardado ali embaixo.”

Regina abaixou-se e abrindo o armário, achou três garrafas de vinho barato. “Ótimo gosto ela tem” ironizou fazendo uma careta, abrindo mais algumas portas achou uma taça. “Afinal, quem é essa tal de Clarissa?” perguntou enquanto servia-se do vinho.

“Uma amiga, ela que cuidou do apartamento durante todo esse tempo” explicou. “Antes de virmos pra cá, liguei pra ela pedindo pra abastecer ele com cerveja e vinho” sorriu orgulhosa. “E agora? Vai recolocar o que disse sobre minha eficiência?”

Regina tomou um gole do vinho e em seguida contorceu o rosto em uma careta. “Ugh. Não vou recolocar nada. Na verdade, acho que vou deixar sua eficiência em negativo, por que esse vinho é horrível. Além do mais, não tem comida nenhuma na geladeira. É isso que você chama de eficiência, Swan?”

Emma encolheu os ombros. “Home Run!” gritou erguendo a cerveja no ar, quando seu time marcou mais um ponto no jogo de baseball que assistia. “Regina, traz mais uma cerveja pra mim, sim!?” pediu, sem tirar os olhos da tela e estendendo a garrafa na direção da morena. “Vocês jogam como garotinhas” gritou para a TV.

Regina revirou os olhos e, pegando sua taça e a garrafa de vinho, sentou-se ao lado de Emma no sofá. “Não sou sua empregada, muito menos sua esposa. Se quiser, levanta e vá pegar” disse bebendo mais um gole do líquido escuro e fazendo outra careta.

“Droga” murmurou para si mesma enquanto corria até a geladeira para pegar mais três garrafas de cerveja. Voltou correndo novamente para o sofá e jogou-se nele. “Intervalo. Ótimo” bufou, abrindo uma das garrafas e dando um grande gole. “Achei que não tinha gostado do vinho” comentou observando a morena levar a taça à boca mais uma vez.

“Se eu quiser sobreviver essa noite com você e seus jogos idiotas de baseball vou precisar de todo álcool que tiver” retorquiu. “Eu me acostumo com o gosto” e tomou mais um gole, dessa vez, já não sentindo tanto o gosto ruim.

“Oookay” esticou a primeira vogal, se segurando para não rir do modo como a Rainha tentava evitar as caretas. “Estou com fome” disse de repente, em um suspiro. “Que tal uma pizza?”

“Pizza cairia bem” concordou com um sorriso. “Há séculos que não como uma boa pizza.”

“Então vamos comer da melhor pizzaria de New York” disse levantando-se do sofá e pegando o celular que havia largado em cima do balcão da cozinha. “Que sabor você quer?”

“Calabresa” respondeu umedecendo os lábios.

“Quem diria que a Rainha gostava de pizza de calabresa” riu, procurando o número da pizzaria na agenda do seu celular. Esperou por alguns segundos até que alguém a atendesse do outro lado da linha. “Uma pizza tamanho família, metade calabresa e metade frango com catupiry.”

~*~*~

Mais da metade da pizza havia sido devorada e agora as duas já estavam satisfeitas. Permitiram-se comer no sofá enquanto assistiam à um filme qualquer. Bem, o filme foi logo esquecido quando a conversa entre as duas se tornou infinitamente mais interessante.

Regina recostou-se no sofá e lambeu os dedos, fitando a tela da TV. Emma virou-se no exato momento em que ela terminava de lamber o indicador e não conseguiu desviar os olhos dos lábios da morena. Era tentador, provocante e sexy. Umedeceu os próprios lábios, que já se tornavam secos.

Quando se deu conta dos seus pensamentos – insanos, diria assim –, balançou a cabeça e desviou o olhar, mantendo-o fixo na tela da televisão.

Regina encheu sua taça de vinho mais uma vez e alcançou uma garrafa de cerveja para Emma, que sorriu em agradecimento.

Emma observou Regina beber um gole do vinho e agora, já na sua segunda garrafa, o gosto ruim não incomodava mais.

“Sem mais caretas, hmm!?” sorriu e bebeu da sua cerveja.

“Eu disse que me acostumava. E valeu à pena” comentou, recebendo um olhar confuso da loira. “As bobagens que você fala não me incomodam mais” explicou, com um sorriso atrevido nos lábios.

“Você é hilária, Regina” fingiu uma risada força e deu mais um gole na cerveja. “Já no seu caso, nem todo álcool do mundo pra achar graça das suas piadinhas” sorriu vitoriosa quando a morena fechou a cara, como uma criança birrenta.

“Acho que vou precisar de mais uma garrafa” comentou, abrindo a terceira e enchendo sua taça.

“Cuidado” a loira alertou. “Porre de vinho é um dos piores.”

“E eu não sei?” retorquiu, levando a taça à boca mais uma vez. “Hmm” umedeceu os lábios. “Quero propor um brinde” disse erguendo a taça.

“Okay, eu não percebi antes mas acho que você já está bem bêbada” Emma riu e Regina a olhou feio.

“Estou falando sério” respondeu e sua expressão confirmava isso, mas a loira não conseguia tirar o sorriso do rosto.

“Certo” soltou mais uma risada, antes de erguer sua garrafa e acompanhar a morena na expressão séria. “Ao o que estamos brindando?”

“À nós” disse sorrindo e Emma a olhou confusa. “Nossa amizade.”

“Você está realmente bêbada” gargalhou batendo de leve sua garrafa contra a taça de Regina.

“Há um tempo atrás você disse que nos via como amigas” esclareceu. “Eu fiquei em dúvida na época-”

“Isso faz, tipo, uns dois meses. Não fale como se fosse anos atrás” lhe ofereceu um sorriso debochado e Regina revirou os olhos.

“Continuando... Naquela época” deu ênfase nas últimas palavras, claramente querendo provocar a loira “eu estava ainda com raiva de você, mas quando você se juntou à Operação Mongoose eu... Bem, eu finalmente percebi o quanto você queria ajudar. Acho que isso se classifica como amizade, certo?” a fitou, um pouco insegura.

“Certíssima” um sorriso totalmente diferente dos anteriores surgiu no seu rosto. “Um brinde à isso, então” ergueu a garrafa, brindando mais uma vez com a prefeita. “À nós.”

“À nós” bebeu um gole do vinho, o olhar preso ao de Emma e o sorriso ainda estampado em seu rosto.

Notas finais
Parece que Regina superou o Robin, hein? (Ainda vou explicar a atitude do Robin em um capítulo mais à frente). Espero que tenham gostado tanto de ler o capítulo como eu gostei de escrever, no próximo tem um momento especial pra vocês. Beijões :* Quem aqui assiste R&I também? Porque eu achei tão Rizzles a cena delas bebendo cerveja e vinho no sofá, hahahah.