Girls in Black

12 Would you forgive me?


Notas iniciais
Desculpem a demora...
Lucas a levou até um pequeno lago e sentou numa pedra grande, mal tocando os pés no chão. Mari sentou-se na outra pedra em frente a ele. Ela olhou para ele esperando que dissesse alguma coisa, mas o moreno apenas olhava para algum ponto fixo com os olhos vazios. Parecia pensativo, exausto.

— Posso ajudá-la a encontrar a Denise. — ele disse finalmente sem olhá-la.

Mari não pôde evitar de arregalar quando ele disse isso. Mesmo assim ela ficou calada, encarando o nada. Percebendo o seu silêncio ele perguntou:

— Se eu conseguisse — ele deu uma pausa — resgatar a Denise, você me perdoaria?

Mari pareceu pensar. Ela sabia que nunca mais confiaria no Lucas e que nunca mais o olharia com os mesmos olhos, mas ela sabia que ele era uma boa pessoa.

— Vai me ajudar como? — ela questionou, ignorando sua pergunta anterior.

Ele suspirou e massageou a têmpora com os dedos. Estava com uma terrível dor de cabeça.

— Posso descobrir onde ela está. — ele disse, naturalmente.

— Deveríamos contar à polícia? — ela perguntou, mesmo sabendo o que ele responderia.

— Não. Thomas descobriria e fugiria de novo. Além disso, acho que a polícia está envolvida nisso tudo.

Ela assentiu a cabeça e perguntou em seguida:

— Como vamos resgatá-la?

— Eu dou um jeito — ele disse simplesmente.

Percebendo que o assunto encerrou, Mari levantou da pedra, limpando as mãos na calça, virou para trás para ir embora mas foi impedida pelo braço de Lucas.

Ela olhou para ele confusa e tentou soltar sua mão, em vão.

— Não vá. É muito perigoso, Thomas está a procura de você.

Mari sabia que ele não desistiria facilmente, então pensou em uma coisa. Pegou um pedaço de madeira no chão e bateu com toda sua força entre as pernas de Lucas. E ela não pensou duas vezes antes de fazer. Lucas urrou de dor e cambaleou no chão, dando a ela um tempo para correr.

Quando chegou em cas, entrou no quarto e pulou direto para cama, sem nem tirar os sapatos.

Quando fechou os olhos ouviu um barulho na maçaneta. Apesar do impulso de arbrir, ela manteu os olhos fechados. Provavelmente era sua mãe, ela deve ter percebido a ausência. Ou até mesmo o Lucas. Mari sentiu essa pessoa andar até ela bruscamente, fazendo Mari abrir os olhos rapidamente. Mas não era sua mãe e nem Lucas. Era uma garota loira de altura média com uma seringa em uma mão e um pedaço de pano na outra. Antes que Mari fizesse qualquer coisa, a loira pegou o pedaço de pano e enfiou na boca de Mari, para que abafasse o grito. Sentiu a seringa perfurar seu pescoço, agoniada, sem podee fazer nada. Mari fechou os olhos lentamente sentindo um líquido correr em suas veias.

¥

Denise mal conseguira dormir a noite. Aliás, ela não havia conseguido o dia todo. Sabia que na manhã seguinte Thomas a mandaria fazer algum trabalho sujo e naquela hora só queria dormir. Mas parecia que nada estava a seu favor. Além de sua cama ser super desconfortável, ela não conseguia parar de pensar no dia de amanhã. E, além disso ela estava com uma terrível dor de cabeça. Isso acontecia sempre que se estressava. Quando ela percebeu que não conseguiria, levantou da cama e saiu da cela. Ashley estava deitada, com o cobertor a cobrindo inteira. Sem saber porquê, Denise foi até ela e puxou o cobertor para ver o rosto dela, mas se surpreendeu quando viu que Ashley não estava lá. Era um boneco. Ela respirou fundo e cobriu de volta.

Ela começou a andar sem rumo e passar pelas celas dos outros. A maioria estava dormindo, mas os poucos que estavam acordados ficaram olhando para o nada, possivelmente estavam como ela. Até que ela parou de andar e foi em direção à uma cela em especial. A cela do único garoto daquele lugar, com exceção do Thomas.

Denise olhou com cuidado para o garoto, que desenhava num bloco de notas. Ele levantou o olhar para Denise e disse:

— Não consegue dormir também?

Denise encostou a testa na cela e assentiu com a cabeça.

Ela ficou um tempo ali, o observando desenhar. Ele parecia quase relaxado. Depois de um tempo ele parou de rabiscar. Soltou o minúsculo lápis e olhou para Mari.

— Quer dormir essa noite aqui? — ele perguntou, colocando o bloco em baixo do travesseiro.

Ela pareceu pensar. Por que não?

— Eu posso contar uma história. Pra você pegar no sono. — ele disse dando um sorrisinho.

Denise, ainda sim não disse nada. Ela só observava os seus movimentos. — Vamos — ele murmurou abrindo a cela dando espaço para ela entrar

E foi isso que ela fez. Antes de sentar em um lado da cama ela lançou um pequeno sorriso para ele. Tinha sido a pessoa mais gentil naquele lugar desde que chegara.

Ele sentou do lado dela, encostando a cabeça na parede.

— a propósito — ele começou — sou o Rafael. — ele disse enquanto estendia a mão.

Denise apertou a mão áspera dele e disse:

— Denise.

¥

Mari acordou com dificuldade. Toda a vez que a morena abria os olhos, a inconsciência a dominava novamente. Depois de desmaiar pela terceira vez, ela conseguiu identificar um som. Ela não sabia dizer o que é. Parecia ser alguém lixando a unha. Quando abriu os olhos, avistou a garota loira que a havia feito desmaiar. E Mari estava certa. Ela estava lixando a unha, até parecia ser uma adolescente normal, mas Mari sabia que não era o caso. Ela sabia que essa loira trabalhava para o Thomas.

— Ah, acordou? — A loira perguntou com as sobrancelhas erguidas.

— Você demorou um tempão. — ela disse soltando um suspiro.

Mari tentou levantar, em vão, pois seus braços e pernas estavam presos na espécie de "cama" que a Mari se encontrava. Ela olhou confusa para a loira que caminhou até ela rebolando.

— Não se preocupe. Eu já passei por isso, não é tão ruim. — ela disse enquanto mexia no cabelo de Mari.

— Do que está falando? — ela disse, sentindo a voz falhar.

— Ah, desculpa, é muita informação para você. Bem, vou me apresentar então. — ela abriu um sorriso mostrando os dentes.

— Sou Ashley Thompson. É um prazer.

Mari ficou calada, apenas encarando os olhos de Ashley.

— Sei que está se sentindo meio estranha. É que ainda tem droga no seu organismo. — ela disse com a maior naturalidade do mundo.

— O quê? Você me drogou? — Mari exclamou.

— Foi preciso. Só que eu acho que você teve uma overdose. — ela disse, franzindo o cenho.

— O quê? Você pode explicar o que está acontecendo? O que querem comigo? — ela perguntou, sentindo a cabeça latejar.

Ashley andou até a saída, mas antes de sumir do campo de visão de Mari, disse:

— Você vai saber com o tempo.

Notas finais
Obrigada por ler