Notas iniciais
E se os seus sonhos se tornassem reais? E se a pessoa com quem você sonha todas as noites pudesse ver seus sonhos? Antes de se decretar como uma louca, Jeh quer ter certeza se tudo foi um sonho ou realmente real.

O sol passava pelo vidro do carro e tocava minha pele, me lembrando dele, pois seu toque era quente e as vezes era gélido, mudava os sentidos a cada noite. Ele fazia o mesmo com seu cabelo e a cor dos olhos, cada noite parecia estar diferente, mas ainda era a mesma pessoa.Estava ainda tentando processar o ocorrido, eu tinha certeza que era ele, mesmo que o momento tivesse sido rápido, foi o suficiente para reconhecer seu belo e único rosto.

- Jess, acorda! Vamos antes que agente perca a aula de literatura- A voz da Tiakai quebrou meu momento.

- É verdade,estamos atrasadas- Sai do meu transe e tentei voltar a vida real para encarar a primeira aula do dia.

- Você só vive no mundo da fantasia em Jess!

Tiakai era uma das minhas melhores amigas, ela era uma japonesa realmente bonita, e totalmente estilosa, fazia sucesso com os garotos , mas eu , em todos esses anos de amizade, jamais tinha visto ela com alguém, era como se ela fosse muita areia para os garotos da escola. E mesmo ela sendo uma pessoa mal humorada na maior parte do tempo, ela sempre dava um jeito de me ver bem.

- E você e o uruha, não vão voltar mesmo?

- Sinceramente eu não me preocupo com esse assunto, na verdade nem quero tocar nesse assunto.

- Tá legal “stressadinha” , só estava curiosa!

Uruha era um dos “top” da escola, mas mesmo assim era um tremendo babaca, depois de quase dois anos de namoro resolvi terminar com ele, apesar de ser um cara bonito, não agüentava mais ouvir dos outros que eu estava sendo traída, mas mesmo sendo muito difícil para mim, resolvi botar um fim nisso , dando um belo pé na bunda dele.

Entrando na sala, o professor fingiu não ver meu atraso, na verdade eu até que gostava das aulas do professor de literatura, mas ter que ir a escola e ver o uruha era uma tortura. Mesmo no fundão da sala , ele chamava minha atenção, pois apesar de ser o babaca que era, eu ainda gostava dele.

O dia passou como um relâmpago,e já em casa após terminar minha lição de casa e limpar a louça eu corria para o meu quarto para ler algum livro e tentar ficar acordada para ver meu pai chegar,o que era uma missão difícil , pois ele ficava fora de casa a maior parte do tempo,era a forma que ele tinha encontrado para superar a perda da minha mãe.

Ainda deitada senti uma delicada mão tocar minhas costas , e mesmo sendo um motivo para me apavorar eu nem mesmo olhava para saber quem era, pois já sabia que estava sonhando, era assim que ele me visitava , tudo era muito real e eu já tinha acostumado. Seus lábios tocava meu pescoço fazendo todo meu corpo estremecer, vindo pelas minhas costas ele deixava sua pele tocar a minha, era um sonho perfeito.

Ele me jogava na cama , finalmente me virando e me mostrando sua aparência, hoje ele estava tão belo como nos demais dias, seu olho estava vermelho como um rubi e seus cabelos negros como a noite, e com sua faixa no rosto que eu adorava quando ele usava. Ele se deitava sobre meu corpo , fazendo com que seus movimentos guiassem meu corpo para mais próximo dele. Por mais interessante que ele fosse , eu me hipnotizava olhando apenas para seus olhos, era como se ele estivesse concentrado em mim, da mesma forma que um artista se concentra num quadro.

Eu sabia seu nome agora, e planejei dizer mesmo nos sonhos, mas o mais engraçado é que mesmo anos sonhando com ele , eu Jamais tinha falado uma única palavra, nem mesmo ele. Era apenas olhares e toques, mas eu não tinha o que dizer até aquele momento. Fechei meus olhos e deixei ele me dominar por completa, o prazer era extremo, minhas pernas ficavam cada vez mais fracas e uma corrente elétrica entrava em mim passando por todo meu corpo. Foi nesse momento que me arrisquei e disse teu nome.

- Suzuki!

Como um tiro, ele parou e me olhou, não foi como das ultimas vezes, ele realmente me olhou , surpreso por eu ter falado teu nome. Rapidamente ele se afastou e colocou suas mãos sobre sua cabeça. Como se tivesse confuso, e antes que eu falasse novamente ele me surpreendeu, balançando a cabeça como se tivesse preocupado dizendo:

- Não pode ser... Isso não é mais um sonho!

Como se tivesse recuperado meu fôlego eu acordei confusa, ele tinha falado comigo, depois de anos sem mesmo uma palavra. E o que ele queria dizer com “não é mais um sonho”?.Me levantei e percebi que já estava quase amanhecendo, olhei pela janela tentando buscar no horizonte uma resposta. Mas foi quando olhei para minha cama que percebi algo...era uma faixa branca que ele usava de vez em quando nos sonhos, mas como veio parar aqui?eu estava mesmo confusa e só tinha uma pessoa que podia me dar algumas respostas, e essa pessoa seria o próprio, eu tinha que encontra- lo, eu vou encontra- lo.

Notas finais
É só o começo de delírio contagiante.