Girls On Fire

62 Capítulo 62


Notas iniciais
Hello girls! Aos poucos as coisas vão se ajeitando!

Tracy chegou apavorada no hospital. Tinha ido até a casa de Jessie visitá-la e cruzara com Quinn no corredor que lhe deu a noticia do ocorrido. Ela se apavorou de imediato pensando no pior. Tinha certeza que a ruiva estava sob efeito de remédios quando tinha visto seus olhos no dia anterior.

Chegou ao quarto, depois de consultar na recepção onde elas estavam, viu Bellatrix apoiada ao lado da cama acariciando os cabelos da filha enquanto essa, dormia calmamente.

– Meu Deus Bella! Porque você não me ligou!? – ela tentava falar baixo pra não atrapalhar o sono da ruiva – Eu quase tive uma síncope quando Quinn me disse onde vocês estavam!

– Ah Tracy! – a mulher se levantou lhe dando um abraço – Eu não tinha cabeça pra nada...não preguei os olhos essa noite! Mil desculpas!

– Tudo bem, nem quero imaginar o que se passou na sua cabeça! – ela passou a mão pelos cabelos, com ar pensativo – O que essa menina estava pensando meu Deus!? Tomar tanto remédio assim?

– Também queria saber isso... ela vai voltar pra psicóloga, as coisas saíram do controle...

– Concordo com você... esse é o principal a se fazer no momento.

– Ela precisa mudar de ares Tracy, vou levá-la comigo!

– O quê? – ela falou mais alto e logo tampou a boca lembrando que a ruiva dormia – Para o Brasil? Você não pode fazer isso.... afastá-la de Santana e dos amigos pode ser pior!

– Eu não acho... quanto menos ela ficar longe do que lhe trás as más lembranças, mais rápido ela vai se recuperar! – a loira estava convicta de que sua ideia era boa.

Santana voltava da rua. Trazia na mão uma embalagem com um lindo cupcake colorido dentro e uma embalagem de canetinhas coloridas a prova d’agua. Mesmo preocupada com a resistência da ruiva a consultar uma psicóloga ela se sentia mais feliz do que nos últimos dias. A vida parecia ter voltado a sorrir para ela. Estava se aproximando do quarto e notou a porta encostada. Estava prestes a abrir quando ouviu a voz de Tracy conversando com Bellatrix. Sentiu seu chão falhar quando chegou aos seus ouvidos a palavra Brasil. O que aquela mulher estava pensando? Ela não tinha o direito de levar seu raio de sol pra longe dela. Ficaria perdida. Sua vontade era de entrar arrebentando aquela porta, pegar Jessie no colo e fugirem o mais rápido que pudessem, ao invés disso respirou fundo e tentou se acalmar. Seu coração estava disparado só por pensar nessa possibilidade. Sentia-se aflita como se tivesse pisado em falso numa escada que os degraus tinham acabado. Pelo silêncio imaginou que a namorada estivesse dormindo. Alguém precisava evitar que isso acontecesse. Mas quem? Bellatrix era a mãe dela...sua responsável apesar de Jessie ter 23 anos, ela ainda levava muito a opinião e aprovação da mãe em conta. Temia que ela aceitasse essa proposta e a abandonasse. Balançou a cabeça afastando esses pensamentos. Bateu na porta de leve e foi convidada a entrar.

– Olá Tracy! – a latina entrou no quarto ensaiando seu melhor sorriso, mas não conseguia encarar Bellatrix nos olhos.

– Boa tarde Santana! – a loira sorriu e a abraçou carinhosamente – Mais um susto hein? – colocou a mão na cintura e balançou a cabeça inconformada – Essa ruivinha é fogo, quer matar a gente do coração! – falou olhando para a ruiva que ainda dormia.

– Espero que esse seja o ultimo! Não vou desgrudar dela um minuto – ela agora conseguiu encarar Bella com um olhar ameaçador – Vou cuidar para que não faça mais nada contra si.

– Santana... – a freira suspirou cansada – Você... você ouviu não é?

– Sim, mas prefiro acreditar que foi um pesadelo, imaginação minha... – ela tentava não se exaltar – Não é verdade...

– Se você puder colaborar comigo, tudo será mais fácil! – Bellatrix resolveu colocar as cartas na mesa logo de uma vez.

– Colaborar? – a latina não conseguia falar baixo – Você quer que eu te ajude a partir meu coração? Levar um pedaço dele com você?

– Não é para tanto...serão alguns meses...

– Meses? – ela ria com sarcasmo, tentando ao máximo não se dominar pela vontade de chorar que vinha forte – Eu não suportaria um dia!

– Eu acho melhor vocês duas conversarem lá fora – Tracy interviu vendo que a qualquer momento a ruiva ia acordar com aquela discussão.

– Eu não quero conversar! – a morena sentia seus olhos arderem – Eu quero ficar perto da minha namorada, cuidar dela, fazê-la melhorar!

– Você vai ajudar muito nisso se deixar que ela passe um tempo comigo Santana! Longe dessa confusão de New York... ela precisa esquecer certas coisas! Não me leve a mal, por favor!

– Eu ... eu não vou conseguir... – ela tentava relutar, mas já se sentia vencida – Eu só quero o bem pra ela!

– Assim como eu! Como Tracy! – ela olhou pra loira que fez uma cara de “me tira dessa”. – Vai ser melhor assim...confie em mim...

A latina balançava a cabeça em negação, com os braços cruzados sobre o peito. Sentia as lágrimas começando a escapar enquanto olhava para a namorada dormindo e seu coração parecia bater mais devagar diante da dor que sentia.

– Creio que ela vá receber alta hoje, quanto mais rápido formos, melhor!

– O que? Você já quer levá-la? – Santana não queria acreditar que aquilo que ouvia era verdade – Me deixa ficar com ela... a sós, só por hoje!

– Tenho sua palavra? Você vai me ajudar? – Bella e Tracy saiam do quarto mas esperavam a resposta dela.

Santana só balançou a cabeça enquanto fazia um biquinho tentando conter o choro e ia em direção a cama de Jessie, sentando-se ao lado dela.

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Como haviam combinado, Quinn agora esperava Rachel em frente a entrada principal de NYADA, sentada num banco próximo a um chafariz. A morena sairia mais cedo das aulas para que pudesse acompanhá-la até o advogado. A loira fazia questão da sua presença. Ela reconhecia que graças a amiga, a tensão que ela sentia quando pensava nesse caso se dissipou enquanto estavam juntas. Ela se encontrava tão despreocupada com isso que o destino se encarregou de resolver tudo, a surpreendendo com rapidez.

Quinn se sentia outra pessoa depois de ter vindo a New York. Estar com os amigos e principalmente, ser retribuída pelo afeto que tinha por Rachel foi um dos principais fatores para isso acontecer. Sentia que não queria deixá-la por um minuto sequer. Não entendia como tinha conseguido viver tanto tempo negando isso a si mesma, fugindo dessa realidade.

Passaram-se 10 minutos quando ela avistou a morena caminhando a passos largos em sua direção, tinha um sorriso contido no rosto depois de avistar Quinn acenando para ela.

– Desculpe a demora – ela se explicou enquanto olhava a loira de cima a baixo – Você está linda! – deixou escapar observando a garota a sua frente que parecia resplandecer de felicidade. O vestido cheio de desenhos de flores e o coque com alguns fios soltos davam um ar despojado, tranquilo. O sorriso frouxo ajudava a completar.

– Obrigada! Acho que estou refletindo sua beleza! – ela disse toda galante enquanto estendia a mão para a morena segurar – Avisou Kurt que sairia mais cedo?

– Hum...avisei! Kurt agora só quer saber do Adam... – ela fez uma cara preocupada – Ficou tão abalado quando contei a ele sobre a Jessie! Disse que mais tarde me liga para ter notícias e se possível ir vê-la no hospital.

– Podemos combinar de irmos juntas! Santana me mandou uma mensagem toda feliz, dizendo que ela acordou animada, conversando, que aparentemente voltou a ser a mesma de antes.

– Oh pobrezinha... tomara que tenha voltado mesmo! Santana estava muito abalada esses dias... nem me xingar ela estava mais! Perdeu até a disposição pra isso...

– Comigo não mudou muito... – ela sorriu – Adora me importunar porque eu e você estamos juntas.

– Daqui a pouco vai ter a Jessica pra ajudar! – ela sorriu tímida.

Andavam de mãos dadas na rua, apesar de ambas se retraírem um pouco quando notavam um olhar mais indiscreto de alguém que passava. Quando se gosta de alguém é tão involuntário o desejo de darem as mãos, caminharem juntas como qualquer casal e esqueciam que para muitos, elas, assim como tantas outras garotas, eram eram uma afronta a normalidade da sociedade. Juntas estavam aprendendo a viver feliz, sem depender do julgamento dos outros.

Chegaram ao escritório, subiram e logo foram recebidas pelo advogado que parabenizou a loira por sua esperteza. Quinn apresentou a morena como uma amiga muito especial. Isso a deixou ao mesmo tempo feliz e desanimada, pois reconheceu assustada, que queria ser algo mais. Rachel observou a conversa dos dois e conseguiu entender como a loira tinha vencido.

No ultimo dia em que Quinn foi ver seu professor em seu escritório, ela sabia que seria sua ultima chance. Precisava se arriscar. Levou consigo um gravador minúsculo que sua colega de quarto com mania de perseguição havia comprado a pouco tempo. O som que ele captou foi perfeito, e era claramente possível ouvir a conversa entre eles. O homem assumindo que iria chantagear Quinn até o fim se ela não voltasse a sair com ele, ameaçando prejudicar seus estudos e por fim, tentando agarrá-la a força. Tudo estava registrado e o tempo todo ela parecia estar sofrendo a toa. Com provas conclusivas como aquela e um bom advogado, ela conseguiria fácil, fácil vencer essa ação.

Não demoraram muito no escritório, a loira saiu de lá exultante, finalmente estava livre para tentar vaga em outra universidade e poder enterrar seu passado infeliz em Yale. Estava decidida, ela tentaria Juilliard. Voltavam de metro pra casa, não falavam muito. Cada uma pensava consigo mesma. Quinn se levantou rápido espantando Rachel.

– Hey, falta uma estação pra chegarmos em casa. – a morena olhou pra loira em pé e fez cara de confusa.

– Eu sei, mas antes quero comprar uma coisa – fez um olhar enigmático e saiu assim que a porta abriu. Rachel saiu em seu encalço.

– Quinn... o tempo todo a vitória foi sua! – Rachel falava admirada – Eu sabia que você tinha mente para o crime e ia aproveitar uma oportunidade dessas pra fazê-lo se entregar.

– Era a minha única defesa – ela deu de ombros – Ter uma mente para o crime as vezes é bom...

– Melhor que isso, só não se meter em encrencas desse tipo não é senhorita? – a morena lhe fez um olhar repreensivo mas logo depois sorriu – Afinal, o que vamos comprar?

– Champanhe! – ela sorriu misteriosa – Porque hoje a noite é de pura comemoração!

Rachel prendeu a respiração, imaginando qual seria o tipo de celebração que fariam depois de beber.

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Jessie começou a despertar e sorriu imediatamente ao ver a morena com o rosto próximo ao dela, seus olhos tinham uma expressão triste.

– O médico passou aqui agora a pouco – a morena começou a falar antes que a ruiva perguntasse sobre seus olhos vermelhos – Eu não deixei ele te acordar! Ele disse que você pode ir pra casa – deu um sorriso triste pensando que poderia estar bem mais feliz com isso.

– Que bom! Quero logo minha cama, minha casa! – ela falou animada e parou de boca aberta quando olhou para o gesso do seu braço. O que era totalmente branco a poucas horas atrás, agora estava totalmente colorido. Cheio de desenhos de coração, flores, uma bagunça de cores e escritos. Um “Eu te amo” era o que mais tinha destaque. – Ai meu Deus, que coisa linda! – ela sorria da cara envergonhada que Santana fazia pelo elogio e ao mesmo tempo queria rir do susto que tinha levado.

– Eu achei que seria melhor dar uma corzinha... – ela deu de ombros – Você gostou mesmo?

– Eu achei lindo! É só olhar para todas essas frases que vou lembrar a razão por tanto amar você! – ela fazia um olhar meigo – Vou ficar com o gesso pra sempre! – agora ela fez Santana sorrir contida.

– É o que eu queria ouvir... – ela passou a mão nos cabelos da ruiva que ainda observava seu rosto intrigada.

– Me diga que esses olhos vermelhos são de sono e não de choro... – ela tentou esticar o braço agora sem a borrachinha do soro, para acariciar o rosto moreno.

– É só cansaço! – ela deu de ombros já tentando mudar o rumo da conversa – Também quero chegar logo na sua casa. Quero ver minha mãe, quero descansar, deitada ao seu lado – chegou com a boca bem perto do seu ouvido – Ganhando cafuné.

– Seu desejo é uma ordem! – roubou um beijo da latina, aproveitando que seus rostos estavam tão próximos.

– Sua mãe saiu com Tracy – ela falou séria – Vou ligar para avisá-las que podemos ir!

– Tracy esteve aqui?

– Sim, veio te visitar! Kurt também queria vir, mas eu disse que você já estava saindo do hospital. Quinn e Rach também me ligaram querendo notícias... – ela parou de falar percebendo a ruiva distraída com um olhar perdido, olhando para o gesso no seu braço.

– Algumas frases aqui soam como uma despedida... – ela olhou para a morena – Cheias de promessas, um ar melancólico...tá tudo bem?

–É impressão sua! São frases pra você sempre lembrar o quanto é importante pra mim! — ela tentava desconversar – Olha o que eu trouxe também! — pegou a embalagem cheia de laços que exibia um cupcake em seu interior.

– Ahhh é tão lindo! Dá até dó de comer! – ela sorria encantada.

– Mas vai comer sim senhora! Glicose pra você! Só não pode deixar ninguém ver – elas sorriram cúmplices.

– Minha garganta ainda dói por causa da borrachinha que me enfiaram goela abaixo – ela fez uma carinha triste — Mas vou tentar! Você me ajuda? – a morena concordou – Um pedaço pra mim, um pedaço pra você!

Comeram enquanto conversavam e Santana confessou que adorava as aulas de desenho na escola. A ruiva brincou que essa modalidade de pintora de gesso ela não conhecia. Jessie se sentia melhor, mais contente. Queria logo ir para a casa. Sua vontade de viver tinha renascido. Seu coração e sua memória pareciam ter apagado tudo que lhe tinha entristecido nos últimos dias. Seus pensamentos voltaram em seus devidos lugares e o que ela mais desejava agora, é ir para casa e poder ficar junto com sua namorada. Não queria mais pensar em Lola, nem no que tinha passado e sofrido ao ver quem ama sofrer. Tinha decidido inconscientemente, viver o presente!

Depois de um tempo Bellatrix apareceu com Tracy em seu encalço. Trouxeram uma troca de roupa para a ruiva que agradeceu por terem escolhido seu vestido favorito, azul Royal com desenho de gatinhos pretos espalhados por ele, mas ao observar a troca de olhares entre a mãe e a namorada, percebeu uma tensão no ar e sentiu um aperto no coração. Enquanto olhava de uma para a outra discretamente, sentia que algo estava errado. Uma enfermeira apareceu para ajudá-la a vestir-se.

Papéis do hospital assinados, pagamento pelo quarto particular feito por Santana que pediu ao pai que transferisse para a sua conta o mais rápido que pudesse o valor. Bellatrix a olhou agradecida, mas a latina apenas deu um aceno. Apesar de toda admiração que sentia pela loira, naquele momento ela sentia muita raiva da crueldade que ela faria com a própria filha.

Tracy lhes deu uma carona. Ia conversando no banco da frente com Bellatrix, contando sobre o bar, enquanto no banco de trás as duas namoradas estavam caladas. Santana apertava a mão da ruiva o máximo que podia, não conseguia tirar os olhos dela, que sorria toda vez que pegava a morena fazendo isso, a olhando encantada.

– San, quando chegarmos, você me ajuda a tomar um banho? – a ruiva falou ao pé do ouvido, vendo o rosto da latina se iluminar com o pedido.

Notas finais
E aí? Acham que Santana foi muito pacífica em aceitar essa ideia da Bella?