Girlfriend

2 » uma linda e trágica história de amor.


Estar naquela situação era extremamente doloroso. Ele tinha que se acostumar que nunca teriam nada, era uma história inventada e apenas isso. Teria que superar. Todos diziam que deveria superar, então por qual motivo era tão difícil?

Tinha sido apaixonado por ela por anos, mas deveria seguir em frente e nada melhor do que testar o rapaz. No caso, vendo se ele conseguiria ficar no mesmo cômodo que ela. O que de fato, era uma missão impossível.

A presença dela ainda doía, estar perto era extremamente doloroso. Estar perto, mas não poder nem sequer tocá-la. Esse sempre tinha sido o medo do Potter e estava de fato se realizando. Céus, que pesadelo.

Eram tempos difíceis e ele não poderia negar, ou era o que seu melhor amigo dizia. "Você passou muito tempo apaixonado, James. Desiste e siga sua vida e talvez depois vocês fiquem juntos, deixe com que as estrelas decidem."

E era isso que ele tinha decidido fazer, ele esperaria pelo julgamento das estrelas, do universo. O que quer com que eles decidissem, Potter ouviria com atenção. Tinha aprendido com Sirius que ouvir o céu era sempre uma boa decisão, eles te ouviam — às vezes — e te respondiam — às vezes também.

Mas o que não poderia se negar, era a dor que tinha lhe sido permitida e ele tinha quase que uma certeza absoluta de que era por causa de seu nome — ainda não superado — ou fosse pela a história que ele tinha imaginado viver.

"Sua história com ela pode ser tipo aqueles ouros falsos. Pensamos que temos algo de valor, mas na verdade era apenas uma mentira. Uma mentira boa." Tinha escutado aquilo de seu colega de fraternidade e um dos seus melhores amigos, Peter Pettigrew, que muitas vezes não prestava atenção no que acontecia na vida amorosa de seus amigos.

Teria sido divertido, ele não tinha dúvidas disso. Se ela fosse a única, teria sido divertido. Mas ela não era e não seria. Poderia ser a que tinha feito uma marca mais profunda, mas não era a única.

E a vendo o outro lado da mesa, com o mesmo sorriso grande e brilhante, com os cabelos bagunçados de uma forma única, os olhos em um verde mais escuros que o normal. Vendo que ela estava sim feliz e vivendo a vida de sua forma, isso deixava James com o coração quente e feliz por ela.

"Amor muitas vezes pode ser cruel, James. E ele existe de várias formas. Às vezes a gente quer muito que algo funcione, mas amar alguém também é deixar a pessoa ir embora e você deixou." Remus Lupin foi o responsável por lhe abrir os olhos e ver que o que tinha feito foi por amor.

"Ela ainda é uma mutante." Ele pensou consigo mesmo, antes de esquecê-la e manter-se totalmente focado nos seus amigos e no que Sirius dizia sobre sua mãe, prima e algo envolvendo fogo.

. . .

"Se fossemos estranhos novamente, o que você faria diferente?"

Se você tivesse a oportunidade de conhecer uma pessoa novamente, onde você desejaria conhecê-la? Um parque, uma cafeteria, um cinema ou talvez um restaurante.

Certamente escolher uma festa era a decisão errada para se conhecer alguém, era a decisão que não deveria de forma alguma ser tomada. Mas isso não servia para Evans e Potter.

Ela se sentia no controle de conhecer uma pessoa nova a cada festa nova que ia, e ela amava esse controle. Ele já era motivado e seguia cegamente seus amigos, e por isso foi naquela festa patrocinada pelos irmãos Carrow. E essa era sem dúvidas a intervenção que o universo estava fazendo. Fazendo com que eles se conhecessem.

As estrelas não gostariam de levar todo o crédito — além de que muitos poderiam não reconhecer o seu trabalho — e foi por isso que terceirizou o seu trabalho. Fazendo de que Sirius pedisse para que seu melhor amigo fosse a cozinha pegar algo para eles beberem e Alice tinha ouvido Lily dizer que estava com sede e iria atrás das bebidas.

Lá ambos procuravam por copos e riram quando notaram a presença um do outro e passaram a se ajudarem na busca de "achar bebida e saciar a alma." Em meios a risadas e brincadeiras, eles encostam na bancada e ficam olhando o movimento das pessoas indo e vindo e o barulho abafado da música.

— Quando eu era mais nova, eu fazia parte de um clube de teatro da cidade na qual morava. Meu maior desejo era interpretar a Jane Bennett de "Orgulho e Preconceito", mas eles diziam que nunca iriam encenar. — a ruiva dizia soltando um grande suspiro dramático no final. – Fora que eu nunca teria um Charles.

— Sabia que meu personagem favorito é ele? O Charles, ele faz com que eu me lembre de meu pai. Deve ser esse o motivo que eu goste do personagem. — dizia enquanto via Remus falar com uma garota pequena e de cabelos em um rosa desbotado. – Também era o personagem favorito de minha mãe, mas agora acho que ela gosta de outro personagem e de um novo livro.

— Mas ainda é o seu e isso que conta, Sr. Charles. — Lily tinha um sorriso brincando nos seus lábios e estendeu a mão para o rapaz. – Vem, estou cansada já dessa festa e eu quero passear pelas ruas de Oxford. Já viu que é cheia de ladrilhos?

Então eles saíram noite a dentro e quando já estava perto do amanhecer foram para o pequeno apartamento da Evans. E lá eles se conheceram novamente, porque suas almas já tinham se conhecido em outras vidas. Mas ali e agora era o começo de uma relação interessante que eles teriam.

. . .

Ele queria dizer aquelas três palavras a um bom tempo para a mulher de cabelos alaranjados que dormia tranquilamente ao seu lado. Estava querendo dizer a tanto tempo, mas sabia que não poderia. Não agora.

Estavam naquela a um ano, estavam juntos e ao mesmo tempo não estavam juntos. Ambos eram livres, mas sempre voltavam um para o outro quando anoitecia e durante um curto espaço de tempo, eles agiam como se realmente estivessem juntos. Como se toda aquela fantasia fosse para a frente, uma linda história de amor e com o seu final feliz.

James ouvia os resmungos que a ruiva soltava durante o sono e pegava se vendo com um sorriso bobo em seu rosto e acariciando levemente os cabelos da Evans. Contava a quantidade de sardas que ela tinha espalhadas pelo rosto, ombros e braços. Ele sabia que daqui a dezoito minutos ela acordaria para ir ao banheiro e depois beber um copo de água gelada, que voltaria para o quarto e antes de voltar a dormir falaria em como estava frio, porém, ela não se cobriria.

Um ano já tinha se passado desde que tinham se conhecido e desde então viviam em um limbo. Um no qual Potter ansiava sair o mais rápido possível, queria fazer um pedido a Lily e dizer as palavras que guardava em sua alma.

— Você está com uma feição estranha, Sr. Charles. — uma voz mais rouca que de costume murmurou, tirando James de todo seu devaneio. – O que atormenta sua mente?

— Absolutamente nada, Senhorita Jane. — o rapaz de cabelos habitualmente arrepiados responde olhando para a mulher de cabelos acaju e sorri com a visão dos cabelos bagunçados, dos olhos mais verdes do que muitos campos, a ponta do nariz vermelha e as sardas tão aparentes. — Olha! Apareceu uma nova sardinha no seu nariz!

— Você sabe a quantidade de sardas que eu tenho? — o riso foi presente enquanto ela falava, era uma coisa boba, mas uma coisa deles. Ele contava suas sardas e ela quantos fios eram rebeldes mesmo o rapaz arrumando os cabelos. — Seu cabelo todo está bagunçado hoje, tem certeza que é filho do cara que inventou o melhor creme de pentear cabelos?

— Até ontem você tinha cinquenta e seis espalhadas pelo rosto e agora tem sessenta. — dizia de forma exaspera e aproximou a boca do ouvido da ruiva — Você é uma mutante? Seu poder é ficar mais bonita sempre? Meu pai inventou mas ele não testou o creme no meu cabelo, agora ele está tentando fazer um novo creme e eu sou a cobaia.

As gargalhadas de ambos invadem todos os cômodos daquele pequeno apartamento e dava para ouvir pelos corredores e até do lado de fora do prédio. Onde quem conhecesse o mínimo saberia que era James Potter e Lily Evans dentro daquele apartamento, um dos casais mais apaixonados de todo o campus. O único problema e talvez a maior desilusão de todos quando conhecem realmente ambos era que eles não eram um casal. Ou pelo menos era o que eles diziam sempre, mas professores e alunos nunca seriam capazes de acreditar nessas palavras. Não quando era visível a tamanha química deles, como com um olhar já sabiam de tudo que o outro queria dizer. Talvez nem mesmo uma pessoa dentro daquele tão confuso relacionamento poderia ainda acreditar que eles não estavam juntos e tentaria mudar aquilo, mas não naquele momento, porque ele ainda não poderia falar o que ele desejava.

. . .

Ela estava bem, de sua forma. Era o certo a ser feito, não poderia dar falsas ilusões para o rapaz. Não toleraria a dor de culpa em seu peito.

Uma dor que lhe acompanharia se mentisse ainda mais, ela tinha feito a escolha certa. Ela foi corajosa, honesta e escolheu pela verdade. E possivelmente ela pudesse sentir falta das conversas, das risadas e brincadeiras. Mas ela estava bem.

Era um dia frio e dessa vez estava nevando, isso fez com que Lily se lembrasse de seus tempos em Liverpool, sua cidade natal, lembrava de brincar com seu pai e irmã quando caía neve e as aulas eram canceladas, nos quais ela aproveitava para ficar com sua mãe e assistiam filmes e mais filmes.

Era um clima que ela adorava, mesmo que estivesse indo para a biblioteca estudar. Mas não dava para ficar em seu apartamento, não quando o telhado mofado parecia estar prestes a desmoronar em sua cabeça.

Chegando a biblioteca sentiu o ar quente entrando em choque com o frio de seu rosto, fazendo que isso fizesse ela abrir um sorriso. Ela era uma pessoa de gostos estranhos e uma pessoa que já estava naquele lugar a mais de três horas sabia disso muito bem.

Ela foi a uma mesa que ficava próxima a prateleira com livros de medicina, mesmo que ela estudasse jornalismo. Mas ela sempre dizia "essa é a melhor mesa, dá para ver todos a sua volta." ou "fica mais próxima da saída que dá para a cafeteria e eu preciso ir pegar café pelo menos umas três vezes."

E ela pôs estudar e rever assuntos para a prova que teria na próxima semana estava concentrada e isso significava que ela não via as pessoas indo e vindo, não via o casal na mesa a sua frente, nem mesmo suas amigas. Ela não viu os cabelos em um rosa forte passar a sua frente e se aproximar do rapaz na mesa ao lado o beijando. E com certeza não viu James Potter se aproximar com um suporte com quatro copos da amada cafeteira.

— Você está aqui a duas horas e ainda não foi atrás de um café, então trouxe o café até você. — ela ouviu uma voz conhecido dizer acima dela e por um pequeno instante ela se assustou. – Está bem, Lily?

— Muito obrigada, James! E eu estou bem sim. — dizia enquanto pegava o copo e tirava a tampa para sentir o vapor e o cheiro. – É puro! Você que eu gosto apenas assim.

— A conversa na sua cama rendeu me lembrar de algumas coisas. — o sorriso surgiu no rosto de ambos e ele olhou para seus amigos que tentavam chamar a sua atenção. – Acho melhor eu voltar para os viciados em café, estávamos em uma briga sobre pizzas e tenho medo deles se exaltarem.

— Diz que você fez um bolo ontem, talvez isso faça com que eles mudem o rumo da conversa e se esqueçam da briga. — Evans falou enquanto acenava para os rapazes e as duas meninas que ali estavam. – Vou voltar a estudar e muito obrigada pelo café.

Ela recebeu um murmuro de que não tinha sido nada demais e seguiu com o olhar Potter chegar em sua mesa e recebendo um abraço de seu amigo que murmurou algo em seu ouvido. Logo eles voltaram a interagir com toda a roda de amigos e ela teve certeza de ouvir a palavra "bolo."

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Estava fazendo sol aquele dia, algo muito contraditório as tempestades e o mal tempo que James estava passando. Tempos no qual fora surpreendido por seus amigos e os conselhos que eles lhe davam. Mas não fora surpreendido por eles estarem ao seu lado, eles sempre estavam.

Estavam conversando sobre provas, jogos de futebol e as festas que teriam na universidade, quando viu uma loira e uma pequena garota se aproximarem.

— Ei Tonks e Lene. — ele disse sorrindo para as namoradas de seus amigos. Remus e Tonks se conheciam a três anos e namoravam a dois anos. Mesmo que tivesse sido "amor à primeira vista" durante a festa que tinham se conhecido, a menina teve que lutar e mostrar como o amava, sendo assim o Lupin ficou sem opção além de aceitar o sentimento intenso que sentia em relação a garota. Já Sirius e Marlene se conheciam desde pequenos e eram melhores amigos a tempos, mas apenas recentemente admitiram gostar um do outro e após isso começaram a namorar, mas apenas quando perceberam que nada mudaria entre eles. – Como estão?

— Muito bem e você? — Mckinnon disse após comprimentar todos e parar ao lado de Sirius, que além de admirar a garota como se fosse uma das pessoas mais importantes de sua vida. E que passou a brincar com a garota. – Hoje você está feliz! Isso é bom.

Ouviu ela dizer, mas passou sua atenção para a outra garota, era um momento apenas dos dois e apesar de conhecer o Black a muito tempo e estarem em grupo, sabia que eles precisavam de um pequeno momento deles. Assim como Remus e Nymphadora tinham seus momentos enquanto olhavam nos olhos um do outro e parecia que sabiam tudo que passava na cabeça um do outro.

— Estou bem, mesmo que minha professora tenha passado uma tonelada de matéria e tenha um trabalho pra entregar amanhã, mas está tudo bem. — deu para ouvir Remus murmurando que se ela precisasse de ajuda, ele ajudaria. – Lene! Eu vi sua amiga, ela está fazendo essa aula comigo. Vi ela chegando com uma rapaz, ela tá namorando? A Lily Evans.

E foi ali, naquele exato momento que ele percebeu não ter superado. Não viu que ainda doía, ouvir seu nome ainda doía.

Fazia ele se lembrar de tudo que passaram, de tudo que viveram, dos bons momentos e até mesmo os maus. E era por isso, esse motivo que ele sentia uma tremenda dor em seu peito. Talvez por ter passado apenas alguns dias, talvez por ter fantasiado demais. Mas agora ele teria que conviver com aquilo.

Teria que conviver que eles não estariam juntos e que o que viveram era apenas uma história que teve um final brusco. Talvez fosse uma "meia história" e isso o entristecia absurdamente.

Ainda doía, mas ele em algum momento iria superar. Possivelmente com Sinatra, Glenn Miller e Billie Holiday — apenas em dias de chuva — mas ele conseguiria superar.

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— Eu não acredito que você simplesmente começou a dançar no meio da chuva e ainda por ter beijado pela primeira vez! — Lily gargalhava enquanto andava pelas ruas cheias de pubs e restaurantes com diversos estudantes da universidade que frequentava. – Você é um clichê, Potter. Mas sem dúvidas um dos mais bonitos clichês.

— Sou clichê por dançar após um momento importante para mim? — o moreno falava com um sorriso que não saiu de seus lábios desde que ela tinha aceitado sair com ele aquela noite. – Eu estava feliz, além que tinha motivos para comemorar.

— Você disse que cantou também e esse é o seu motivo para ser um dos maiores clichês. Você refez a cena de do filme "Singing In The Rain" e esse é o ápice do clichê na minha lista. — assim ela aproveitou para se aproximar mais dele e entrelaçar seus dedos com os dele. – Mas é bonito, tenho que admitir.

— Obrigado por gostar e fico feliz que a história tenha te divertido o bastante, Evans. — poderia ser um consenso de todos que o conheciam que o sotaque do Potter era extremamente forte, mas o mesmo falando o sobrenome da ruiva e uma forma um pouco debochada, deixava ainda mais forte seu sotaque inglês. – Meu pai costumava ter uma vitrola em casa, aquelas com tubas, e colocava Billie Holiday para tocar sempre que chovia. Mas ele sempre falava "em qualquer oportunidade, dance e cante na chuva." E foi isso que fiz naquele momento.

Lily Evans poderia não querer admitir, poderia negar com todas as suas forças e dizer que nada daquilo a encantava. De que a forma como James vivia era encantadora, de que ela sentia inveja por querer viver daquela forma, mesmo sendo impossível, ou apenas, que ela não se permitisse.

— Você está ouvindo? — ela ouviu o moreno dizer. – É Louis Armstrong, sabe o que isso significa?

— Não, eu não sei. — Evans respondeu mesmo sabendo exatamente o que ele faria, o que eles fariam. Poderia ser inusitado para os estudantes bêbados ou para os senhores e senhoras que já estavam em suas casas. – Por favor, me mostre.

E em um piscar de olhos James e Lily estavam dançando no meio da rua de ladrilhos, ao som de suas gargalhadas e das vozes de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald que cantavam "Cheek to Cheek"

Aqueles segundos eram o paraíso, eles estavam no paraíso. James tentava não demonstrar para que a ruiva não se assustasse, mas seu coração batia tanto que mal conseguia falar. Ele tinha encontrado sua felicidade, uma felicidade que ansiava a tanto tempo e tinha achado ali enquanto dançava de rosto colado com a pessoa que fazia o seu mundo parecer um lugar bom. Ali ele tinha seus segundos de paz.

— Vamos para casa, Sr. Potter. Prometo que vamos dança mais lá, enquanto você tenta me impressionar.

Sem dúvidas, ele estava no paraíso.

. . .

Ela sabia. Sabia que tinha que parar com aquilo, que não poderia mais se enganar e dizer que tudo ficaria bem, pois não ficaria. Ela estava vivendo uma mentira e estava mais do que na hora da verdade vir à tona, mesmo que ela não tivesse coragem para isso, ou melhor, mesmo que ela não estivesse pronta para viver sem aquilo.

Estava mais do que na hora de dar um basta e esse pensamento só surgiu em sua mente quando sentiu cheiro de comida sendo feita e ouviu o barulho de algo sendo frito. Essa foi a gota que fez Lily Evans notar que todo o "caso" que tinha com James Potter a mais de três anos, deveria acabar. Mas como tocar nesse assunto?

Ela não sabia, mas não poderia ser na cama. Sendo assim, ela se levantou e se arrumou — arrumando o quarto, apenas para prorrogar o início da conversa que deveria ter. — mas quando viu que não tinha mais nada a ser feito, a ruiva resolveu sair do quarto.

E poderia ser horrível dizer algo desse tipo, mas ela realmente odiou ver que ele tinha feito o café e ovos fritos. Continuou odiando quando viu ele fazendo as panquecas e quando ele virou com um lindo sorriso, com os olhos brilhando.

— O que você está fazendo, estranho? — tentou falar o mais descontraída que conseguiria naquele momento, algo realmente muito difícil. – Não estava esperando por um café da manhã.

— Foi demais? — deu pra sentir uma pitada de medo por ter exagerado na voz do moreno. – Qualquer coisa eu falo que iria dar para seus vizinhos, se isso não for te assustar tanto.

— Isso não poderia acontecer, você sabe que não pode acontecer. Era um dos combinados e mesmo que eu agradeça por fazer comida, isso não poderia acontecer. — talvez ela não tivesse sido tão boa em não demonstrar o desespero que estava sentindo e tudo saiu em cima dele, de uma forma que ela não gostaria.

— Eu pensei que já tivéssemos acima desses combinados, Lily. — soltou um riso para tentar aliviar o clima que estava se formando.

— Não! Não estamos e talvez por estar pensando dessa forma que deveríamos dar um basta em toda essa bagunça. — finalmente tinha colocado pra fora o que estava sentindo, todo o incômodo que sentiu durante os tempos e pequenos instantes. Tinha colocado para fora de sua forma de que ela não sabia viver e que não estava pronta para entrar em um relacionamento.

— Bagunça?! Eu entendo caso você queira acabar com tudo, mas nunca foi uma bagunça. Foi apenas um café da manhã, Lily. Nada demais.

— Eu sei que você gosta de mim de outra forma, James. E eu sei que quando você gosta de alguém, você deseja entrar em um relacionamento com essa pessoa. E eu não posso, não estou pronta e não estarei tão cedo para isso. E justamente por esse motivo devemos acabar tudo agora, ficar sem se ver, simplesmente acabar. Eu não gostaria de te magoar, mas te conheço bem o suficiente para saber que você irá superar e irá em um momento me perdoar por estar de certa forma te magoando. Mas acabou, James. Você pode tomar café comigo agora, se quiser. Mas é assim que vai acabar, cada um seguindo seu caminho.

Ele não falou nada, não falaria nada. Ela estava decidida e de certa forma sabia que era o melhor para ambos, ela foi sábia de perceber e terminar antes que um dos dois se machucassem. E James Potter entendia, respeitava e era grato pelos bons momentos e por ela ter tomado uma decisão por eles.

— Eu prefiro ir agora, antes que comece a chorar feito um bebê na sua frente. Mas foi muito bom passar esses anos com você, Lils. Mesmo que fosse ocasionalmente, mas sempre fui e sempre serei grato pelo que vivemos e pelas boas lembranças que vivi ao seu lado.

E depois disso ele pegou sua blusa de flanela, o sobretudo e a touca, já que estava muito frio do lado de fora. Deu um beijo na testa da ruiva e saiu do recinto.

Porque quando ele estava com ela, o mundo se alinhava — mesmo com dificuldades — pois sempre tinha sido assim no pequeno mundo que tinham criado, um lugar deles. Poderia ter sido uma grande mentira a se viver, mas James Potter e nem Lily Evans estavam dispostos a viver.

fim.

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