Girl – Rose May
15 Feelings.
Notas iniciais
Quando desci as escadas me sentia nervosa. – Agora eu realmente não poderia ignorar Guss, não quando ele estava na sala da minha casa.
Passei todos os dias desde quando descobri que ele concorreria contra mim ignorando-o.
Estava irritada e magoada com ele, mas não havia parado pra pensar nisso, por estar com Elliot nos meus pensamentos.
Assim que adentro a sala ele me olha, Guss sorri brevemente pra mim, que apenas olho em sua direção.
— Bom, acho que vocês querem espaço pra conversar... – Minha mãe diz enquanto se retira da sala, indo até a cozinha.
— Vamos lá pra fora. – digo cruzando os braços, ele me olha confuso.
— Mas sua mãe... – antes que conclua, Interrompo.
— Por favor. – peço.
Caminhamos em silêncio até o lado de fora. – O vento gelado trás alívio a tenção do meu corpo.
Nos sentamos na calçada, lado a lado. – da mesma forma que fazíamos quando éramos crianças.
— Ela iria escutar toda a conversa da cozinha. – digo enquanto enrolo uma mexa do meu cabelo no dedo.
Não que minha mãe fazia por mal, mas ela gostava de espiar minha vida. – Talvez achasse graça em acompanhar dramas adolescentes, já que ela mesma parecia ser uma eterna adolescente.
Um silêncio se instalou entre nós. – De maneira alguma eu começaria essa conversa. – Até porque foi ele quem errou.
— May... – Guss falou meu nome suavemente antes de continuar. – Quero muito pedir desculpas por ter feito o que eu fiz...
Olhei em seus olhos não acreditando que essa era única coisa que ele tinha pra me dizer.
— Eu não queria me candidatar a nada, mas a Lindsay insistiu tanto que...
— Que você não conseguir dizer não! – Minha frase saiu com muita irritação.
— Não é bem como você está pensando...
— Então como é? Guss a Lindsay nunca quis fazer parte do grêmio, e agora do nada ela resolve que quer?!
— Sei que parece estranho, mas ela realmente parecia bem interessada no grêmio. – Guss a defendia, e isso me deixava ainda mais irritada.
— Você sabia o quanto isso era importante pra mim, e mesmo assim fez. – digo deixando explícita minha mágoa.
— Sinto muito May, minha intenção nunca foi magoar você....
— Mas é só isso que você faz, Guss! Você só me magoa. – deixei as palavras deslizarem dos meus lábios com alívio.
Guss me olhou com tristeza. – Ele abaixou a cabeça ficando em silêncio.
— Acho melhor isso acabar aqui. – digo com firmeza.
Mas sinto um nó na minha garganta. – Já havia pensando inúmeras vezes em como nossa amizade acabaria, mas nunca doeu tanto quanto dizer em voz alta.
— Do que você está falando? – Guss me olha com confusão.
— Disso. – Aponto dele pra mim. – Não acho que a gente seja mais amigo.
— Não! May você é minha melhor amiga! – ele me lança um olhar significativo.
— Não somos mais amigos Guss! Não é de hoje que estamos distantes. – digo tudo aquilo que estava preso em mim. – Não sou burra, notei isso a muito tempo. Não quero prender você na minha vida por uma amizade de infância.
— Você não me prende na sua vida! Estou aqui por que quero. Por que você é importante pra mim.
— Você tem uma maneira muito estranha de demonstrar que se importa! – digo já não aguentando mais guardar.
— Sei que cometi erros nos últimos tempos, mas as coisas vão voltar a ser como eram antes. – Guss pega minha mão e cobre com a sua.
— As coisas não podem voltar a ser como eram. – continuo sentindo meu coração partir. – Só estou colocando um ponto final no que já acabou.
— Você não pode decidir isso sozinha!
— Guss acho melhor você ir. – digo levantando, consequentemente soltando nossas mãos.
Ele se levanta ficando de frente pra mim. – Seu olhar é triste, Guss abre a boca mais a fecha. – Sabe que não vai adiantar debater comigo no momento.
— Posso te abraçar pelo menos? – Ele pede e eu aceno com a cabeça.
Guss quebra a distância entre nós e me abraça pela cintura. – Passo meus braços por seu pescoço. – Fecho os olhos sentindo a segurança que ele me transmiti quando me abraça.
Sinto ele aproximar o rosto do meu pescoço enquanto me aperta com mais força contra seu corpo. – Fico estática e surpresa.
Depois de alguns segundos ele afrouxa o abraço, mas não me solta.
— Não vou desistir de você, May. – diz baixo.
Parte de mim sente alívio em ouvir isso, outra parte só quer que ele fique longe.
Desfaço o abraço, mas ainda estamos próximos, Guss me olha de um jeito diferente antes de acariciar minha bochecha.
— Tchau Guss. – digo me afastando dele.
Encosto minhas costas na porta de madeira fria, fecho os olhos e solto a respiração.
Não sei se fiz o certo, me sinto tão confusa que parece que minha cabeça vai explodir.
Na manhã de segunda feira Izzie parece tão feliz e radiante que o sol brilha menos que ela hoje.
Logo entendo o motivo de tanta felicidade. – Briana.
— Conversamos o final de semana inteiro por mensagem, ela é tão incrível. – Izzie diz durante o caminho, não segurando um sorriso.
Me pergunto se Guss contou a ela sobre nossa conversa, acabo presumindo que não. Então decido que vou contar na hora do intervalo.
Assim que adentro a escola noto um clima de competição, quando vejo Sam Scott lançar olhares de fúria na direção de Lindsay.
Ele parece ter ficado ainda mais irritado do que eu por ela competir contra nós. – Sam também sabia que não tínhamos chance contra a popular Lindsay.
Vou até meu armário acompanhada de Izzie, retiro os livros que vou usar hoje e fecho a porta.
Lindsay caminhava com toda sua imponência na nossa direção. – Hoje eu estava sem a menor paciência pra ela.
— Lá vem... – Izzie a olhou com impaciência também.
— Perdedores... – Lindsay disse soltando um risinho junto com suas amigas.
— É tão feio ter que diminuir os outros pra se sentir bem! – falei em alto e bom som.
Lindsay parou abruptamente e virou o rosto em nossa direção. – Izzie me olhava espantada e orgulhosa.
— Só gente baixa faz esse tipo de coisa. – Izzie acrescentou sorrindo.
Saímos dali caminhando enquanto algumas pessoas que estavam no corredor nos olhavam.
— Cacete! Você deu uma resposta pra ela. – Izzie dizia alegre enquanto passamos pelas salas.
— Cansei dessas merdas! – falei com sinceridade.
Entrei na sala enquanto Izzie seguiu pelo corredor. – As duas primeiras aulas seriam de química.
Me sentei nervosa imaginado como seria encontrar Elliot depois do ocorrido do “quase beijo”. – Bom em momento algum nas nossas conversas pelo telefone no final de semana ele mencionou isso.
Talvez ele quisesse esquecer? Fingir que não aconteceu?
A sala começou a encher aos poucos. – Logo Lindsay e Guss sentaram juntos. – Ele me lançou um olhar, e Lindsay também. – A diferença era que o dela parecia mortal.
Elliot foi um dos últimos a entrar na sala, assim que se sentou ao meu lado ele tirou os fones de ouvido, guardando-os na mochila.
Mexi nervosamente no meu cabelo olhando para frente. – Repassei a cena daquele dia na minha cabeça e começava a sentir constrangimento.
— Cacete, o que você tem? – Elliot indagou com um sorrisinho debochado.
— O que? Nada! – rebato da maneira mais natural possível.
Viro o rosto em sua direção, mas continuo mexendo no cabelo. – Elliot estreita os olhos me encarando.
Sinto sua mão pousar sob a minha, ele me faz parar de mexer no cabelo. – Olho sem entender.
— Você está bonita assim, para de mexer. – Elliot solta minha mão e volta sua atenção para frente.
Faço o mesmo e noto que Guss estava nos observando. – O professor logo entra na sala e não tenho tempo para mais nada além dos exercícios de química.
O intervalo não demora a chegar, vou para a biblioteca e me sento no chão atrás das prateleiras esperando por Izzie.
“Briana quer conversar comigo, tem problema você passar o intervalo hoje sem mim? Prometo que é só hoje.” – Izzie.
Entendo perfeitamente Izzie, e fico feliz que ela e Briana estejam se acertando.
Respondo apenas um “Ok, até mais tarde” e volto minha atenção para a pasta de desenhos. – Vejo o rosto de Elliot que eu havia desenhado a alguns dias, ele parece estar sempre nos meus pensamentos nesses últimos tempos.
Começo a desenhar de maneira despretensiosa, estou tão concentrada que me assusto quando sinto alguém se sentar no chão ao meu lado.
Fecho a pasta rapidamente sob meu colo. – Viro meu rosto e encontro Elliot ao meu lado.
Ele tira um dos seus fones de ouvido e me olha.
— Esconde tanto seus talentos, Rose May. – diz sorrindo.
Me sinto sem graça pelo elogio, e me limito a sorrir de volta.
— Não é nada demais... – digo me referindo a pasta de desenhos.
— Então me deixa ver...?! – indaga e só de pensar que ele pode ver o desenho que fiz dele aqui, meu estômago revira.
— Nem pensar! – rebato rapidamente e ele ri.
— O Sam pediu pra te avisar que vamos ter uma reunião depois da aula hoje. – Elliot muda de assunto.
— Ah claro. – Um silêncio se instala entre nós.
Penso em como ele não falou sobre o que houve entre nós, e isso me faz ter mais certeza de que talvez ele queira esquecer.
— O que está escutando? – indago abruptamente.
Ele pega o lado do fone livre e estende pra mim. – Pego e encaixo no meu ouvido, Elliot chega mais perto de mim – nossos ombros colados um no outro.
Ele mexe no celular e coloca a música pra tocar.
Quando Lauv começa a tocar faço uma expressão de surpresa, Elliot está me olhando e sorri ao ver minha reação.
— Lauv? – pergunto e ele confirma rindo. – Achei que gostava de rock!
— E eu gosto! Mas também curto outras coisas.
Nossos olhares se encontram enquanto a música toca de fundo.
But I, I wanna do whatever you wanna do
(Mas eu, eu quero fazer o que você quiser)
If you wanted to, girl, we could cross that line
(Se você quisesse, garota, poderíamos cruzar essa linha)
Know we've been friends
(Sei que somos amigos)
And love only knows broken ends, yeah
(E o amor só conhece fins quebrados, sim)
That's what you said, but, girl, let me change your mind
(Foi isso que você disse, mas, garota, deixe eu te fazer mudar de ideia).
Não sinto vontade de desviar meu olhar do seu, quero que aquele momento dure pra sempre.
Sinto meu estômago contrair e me pergunto se seriam as borboletas. – Mas isso logo passa, e um conforto me invade. Como se aquilo pudesse durar pra sempre.
Quando a música chega ao fim sinto que sou puxada de volta a realidade. – Mas não quero desviar meus olhos dos seus. Não quero me afastar, não quero pensar que estou imaginando coisas, que Elliot nunca olharia pra mim. – Quero que ele olhe, quero mais que isso.
O sinal bate e nós nos assustamos, me mexo tão agitada que o fone cai.
— Caramba! – Elliot rir da minha reação. – Acho que a gente se perdeu na música.
— Com certeza! – Concordo colocando a pasta dentro da mochila.
Me levanto e ele faz o mesmo. – Enquanto caminhamos pelo corredor não trocamos muitas palavras, Elliot insiste em me acompanhar até a sala de aula e eu aceito.
Assim que entro na sala de aula de inglês vejo Guss. – Não retribuo seu olhar e me sento do outro lado da sala.
A professora de inglês já era uma senhora, então por vezes não ligava que os alunos ficassem falando, ao invés de prestar atenção na aula.
Levanto o rosto quando vejo alguém se sentar na cadeira vaga a frente da minha mesa.
— May.
— Guss.
— Vai continuar me ignorando? – indaga pegando a caneta da minha mão.
— Não estou te ignorando! E me devolve isso. – tento alcançar o objeto dele, mas Guss afasta o braço pra trás.
— Não? – indaga irônico.
— Nós só não somos mais amigos, então não tenho que falar sempre com você... – digo tentando encerrar aquilo.
— Já te falei que não vou desistir! – Guss me oferece a caneta e eu pego, mas ele a segura. – Você está diferente por causa daquele Elliot?
— O que? Não! Eu não estou diferente... – rebato não acreditando naquilo.
— Eu vi vocês dois na aula de química...
— Eu e o Elliot a gente não tem... – começo a falar, mas paro. – Nada disso é da sua conta Guss, você estragou nossa amizade, não procure outros culpados.
Me levanto e vou até a mesa da professora pedindo autorização para ir ao banheiro. – Na verdade só queria manter certa distância do Guss.
Entro na cabine e baixo a tampa da privada, me sento ali, respiro fundo enquanto penso em algumas coisas.
Escuto duas vozes femininas invadirem a parte externa do banheiro. – As reconheço assim que elas prosseguem com a conversa.
São as duas garotas do grêmio, da minha chapa.
— Acho que você deveria sim tentar! – uma diz dando força pra outra. – Ate onde sei o Elliot é solteiro, nada te impede de tentar algo com ele.
— Você acha mesmo? – indaga a outra.
— Sim, claro! Você é linda... Vai devagar, que acredito que ele vai perceber que você está afim.
Só saio da cabine quando escuto a porta sendo fechada. – Apoio minhas mãos na pia olhando meu reflexo no espelho. – Sinto meu coração bater acelerado.
Mas que porr* foi essa?
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