Girl In Luv
5 O Nosso Passado
SunHee não saberia como descrever o que sentiu ao vê-lo em seu quarto. Estava tão surpresa que acabou deixando uma das malas cair no chão. Yoongi abriu os olhos na mesma hora. Era impossível interpretar a sua expressão ao deparar-se com ela parada na entrada do quarto.
Permaneceram em silêncio por um tempo um absorvendo a imagem do outro. Fazia dois anos que não conversavam mais, basicamente desde o momento em que foi embora. No principio foi difícil para ela não telefonar, mas quando queria conseguia ser bem teimosa, embora não mais que ele.
Como de costume, o rapaz foi o primeiro a falar.
–Devia aprender a fazer silêncio quando os outros estão dormindo. – comentou provocativo mantendo a expressão séria. Estava deitado em sua cama apoiado nos cotovelos para que pudesse vê-la melhor. Usava jeans preto com rasgos no joelho e tinha seus cabelos parcialmente escondidos debaixo de uma toca. A julgar pela sua postura, estava ali já há um bom tempo. Será que chegou a escutar a conversa com a sua avó antes de adormecer?
–Por que você esta aqui? – perguntou fechando a porta com pressa e tendo o cuidado de manter a voz baixa.
–Com certeza não para dormir, embora sua cama seja bem confortável.
–Ótimo. Agora que já a testou pode ir pra casa.- ela não tentou esconder a impaciência da voz, tê-lo tão perto sempre a deixava desconfortável em relação à imprevisibilidade do que podia a vir a acontecer.
–Não até resolvermos nossos assuntos pendentes.
–Creio que eles não existam.
Yoongi não deu valor ao seu mau humor e sentou-se na cama mantendo os olhos fixos nela. SunHee sempre pensara que ele tinha uma expressão única nos olhos quando estava sério. Foi sem dúvidas aquilo que mais a atraiu quando se conheceram. Era como ter o desejo insano de se jogar de um penhasco mesmo que isso acabasse por matá-la. Não se podia resistir ao seu magnetismo.
–Por que não me contou que estava voltando? – questionou ignorando as palavras da garota.
–Não foi planejado. E também não consigo pensar em um motivo para ter a obrigação de informar a você o que faço ou deixo de fazer. Se quisesse saber da minha vida tivesse me telefonado alguma vez.
Yoongi a olhou levantando uma sobrancelha antes de sair da cama.
–Você também não me mandou mensagens. Nenhuma, aliás. – ressaltou com a voz carregada de sarcasmo enquanto se aproximava aos poucos em uma atitude de desafio.
–Foi você quem terminou, portanto deveria ser você a me procurar e não o contrário.
–Mas não fui eu quem se mudou para o outro lado do mundo. O que altera o rumo das coisas, creio eu.
–Ah, não. Não estou com vontade de ter essa conversa outra vez depois de dois anos. – reclamou fazendo com que ele soltasse um pequeno sorriso.
–É, acho que não. – concordou enquanto abria os braços em um convite para um abraço que ela levou apenas dois segundos para aceitar com alívio. Então as coisas talvez não estivessem perdidas, afinal, mesmo depois de todas as brigas com a sua viagem ele ainda seria a única pessoa, fora a sua avó, capaz de compreendê-la e ninguém saberia explicar como o seu apoio era importante naquele momento. SunHee respirou fundo absorvendo o cheiro familiar de seu perfume que lembrava a garota que ela havia sido antes dos Estados Unidos, antes de Sarah.- Vai me contar por que esteve chorando?
–É complicado demais para você entender.- sua voz saiu abafada contra seu peito. Ele era tão mais alto..
–Odeio quando você diz isso, mas dessa vez agradeço já que provavelmente eu não saberia como a consolar. – ela riu do comentário antes de se desvencilhar de seus braços.
–Pensei que ainda fosse estar bravo comigo por ter ido embora.
–Ah, mas eu estou, não se engane. Só que também não quero voltar a repetir nossas brigas. Queria apenas ver como você estava já que é orgulhosa demais para ligar para o ex, mesmo que antes de tudo ele tivesse sido seu amigo.
Ouvir aquilo a deu uma sensação de nostalgia. Amigo... Era quase engraçado de lembrar a forma como transformaram a indiferença em amizade seguida de namoro mantendo todo o relacionamento escondido de Jin. Um sempre vira o outro apenas como uma outra parte da vida do garoto até o momento em que decidiram se unir para infernizar a vida do mesmo. Foi assim que descobriram que tinham algumas coisas em comum. Da parceria na hora de fazer piadas evoluíram para ouvir músicas juntos e comentar sobre os programas de TV. Passaram a conversar muito toda vez que se esbarravam na rua e trocar mensagens SMS no tempo livre. Pouco a pouco iam se aproximando e ficando cada vez mais assombrados pela forma como pensavam tão semelhante um do outro. Daí para o primeiro beijo foi um piscar de olhos.
–Aliás, como é que você chegou aqui?- perguntou a garota com uma curiosidade sapeca nos olhos.
–Como qualquer homem decente faria nessas situações: pulei a janela.
A ideia a fez rir.
–Queria ter visto essa cena.
–É uma pena, pois garanto que não vai se repetir.
Aproveitaram o tempo a sós para conversar. Yoongi contou que sua carreira estava indo bem e que logo lançaria seu primeiro álbum, estava nervoso quanto a isso. Contou também sobre as atividades de Jin no tempo em que esteve fora e o que seus antigos conhecidos andavam fazendo. Ele falava quase sem parar de propósito percebendo que não era a hora ideal para interroga-la. SunHee sentiu-se grata por isso.
Ficaram conversando ainda por cerca de mais uma hora perdidos em seu próprio universo até perceberem que a qualquer momento Jin poderia chegar.
–Melhor você ir. Não seria bom se alguém te visse no meu quarto.- falou ela como quem encerra um assunto.
– Ok. Como queira.
Com isso ele voltou para a cama onde deitou com os braços atrás da cabeça em uma posição relaxada.
–Que diabos você está fazendo?
–Esperando você tirar a sua avó de casa. – declarou com indiferença – O que? Não esperou que eu fosse descer por ali, não é? – disse apontado para a janela. – Francamente mulher, quanto esforço físico acha que sou capaz de exercer em um único dia?
SunHee saiu do quarto resmungando com o som da risada abafada do ex-namorado. Já fazia tanto tempo que não o via que tinha até esquecido do quão folgado ele poderia ser. Desceu as escadas pensando no que diria para convencer a avó a sair de casa. Talvez ir tomar sorvete no parque e conhecer a escola onde passaria a estudar.
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